Sábado, 21 de Fevereiro de 2004

VILLAS-BOAS, O CARMO E A TRINDADE

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Li a notícia e fiquei à espera que caísse o Carmo e a Trindade. Caíram mesmo.



DEMITA-SE, DEMITA-SE, DEMITA-SE, foi o mais simpático que se disse sobre a posição de Luís Villas-Boas, psicólogo clínico, director do Refúgio Aboim Ascensão em Faro e presidente da Comissão de Acompanhamento da Lei de Adopção, sobre a adopção de crianças por casais homossexuais.



HOMOFÓBICO, HOMOFÓBICO, HOMOFÓBICO, gritaram os mais exaltados.



Os argumentos apresentados por Villas Boas são sustentados e discutíveis. Porque tudo ou quase tudo é discutível na dialéctica das opiniões.



Mas o problema das opiniões de Villas Boas é que mexeu num dos mais modernos dogmas da sociedade ilustrada e colidiu de frente com a miríade de organizações homossexuais mais aquelas que lhes dão abrigo partidário. Porque, na esquerda chique, a homossexualidade anda a vingar-se de séculos de perseguição através da ostentação de direitos adquiridos e a adquirir até que a homossexualidade seja um tabu (outra vez, mas agora no sentido da sua exaltação) e um emblema. E sabemos todos que o estatuto adquirido pelo lobby dos gays chiques nada tem a ver com a sociedade portuguesa e tem sido conquistado, passo a passo, à margem dos valores interiorizados pela sociedade, pela porta legislativa e em salões partidários. Porque, entre ilustrados, é de bom tom defender TUDO para os gays, caso contrário, leva com o labéu de homofóbico e está arrumado. E, pelos vistos, o lobby não vai descansar até que a vergonha de ser homossexual dê lugar à vergonha de ser heterossexual.



Villas Boas disse coisas quase de bom senso. Toda a gente sabe que a educação e o crescimento da personalidade de uma criança se faz frente e com dois modelos diferenciados. Se um dos pólos dos modelos é uma representação do outro modelo e a percepção da diferença desaparece, a liberdade de crescer e de optar fica gravemente diminuída.



Mas Villas Boas decerto sabia que iria ter mais insultos que discordâncias. Não é politicamente correcto colidir com o verniz do lobby gay. Nisto, demonstrou coragem. Espero bem que se aguente no balanço e não se demita. Porque não devem haver posições definitivas e obrigatórias. Os problemas de que falou o psicólogo dizem respeito a toda a sociedade e devem ser discutidos antes de alterações legislativas e sem medo do puxar de gatilho da guarda pretoriana das verdades chiques. Sem receio de tabus.
Publicado por João Tunes às 01:22
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Sexta-feira, 20 de Fevereiro de 2004

AUGUSTO CABRITA

Para mim, os fotógrafos são poetas da imagem. Assim, sou de opinião que, sendo um país de bons poetas, também somos um país de excelentes fotógrafos.



Quando miúdo, vivendo no Barreiro, volta e meia tinha de ir tirar as tais fotografias tipo passe. Não tinha escolha de fotógrafo. A família toda era obrigada a recorrer a um que tinha estabelecimento montado junto à Sociedade Os Penicheiros. Questões de amizade, está visto. Eu lá ia, tinha que ser, molhando constantemente a mão e a passá-la pelo remoinho no cabelo para ficar menos mal no retrato.



O fotógrafo era o Senhor Cabrita. Tratava-me simpaticamente e procurava pôr-me à vontade, trocando impressões sobre como iam as coisas no nosso Barreirense. Era um homem de riso aberto e com um olhar que se via que estava para além do pequeno estabelecimento onde ele ganhava a vida. Enquanto vivi no Barreiro, nunca recorri a outro fotógrafo que não fosse o Senhor Cabrita.



Mais tarde, o Senhor Cabrita, melhor dizendo - Augusto Cabrita, galgou espaços para além da sua lojeca e do mundo das fotografias tipo passe, desatou a fotografar por aí fora, tornou-se reconhecido, começou a recolher prémios e a tornar-se famoso. Fez nome no cinema (no Belarmino do Fernando Lopes) e na televisão através de inúmeras reportagens. De fotógrafo passou a Artista. Foi, apenas, um dos melhores fotógrafos portugueses de todos os tempos.


Já desaparecido há vários anos, Augusto Cabrita tem lugar de destaque na memória cultural do Barreiro que, muito justamente, deu o seu nome a uma Escola Secundária no Alto do Seixalinho. Pela forma como Augusto Cabrita se relacionou jovialmente com a juventude, dificilmente se encontraria outro nome mais indicado para uma escola.



A fotografia de Augusto Cabrita com o rosto de um velho fragateiro tornou-se uma das imagens de marca da fotografia portuguesa. Permitam que a traga à vossa companhia.








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Publicado por João Tunes às 13:02
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Quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2004

MENTIRAS COM TORRE E ESPADA

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O tema da descolonização promete continua a fazer correr muita tinta. Temos por aí um fartote de aproveitamento da nesga aberta pela demagogia imperial de Paulo Portas.



A exaltação neo-imperial fez com que um jovem político com maneiras de menino mal criado chamasse “criminoso” a Mário Soares referindo-se à sua participação no processo de descolonização. Foi um insulto e um sinal para que avançasse a arruaça dos boçais com ajustes de contas adiados mas não esquecidos.



È claro que os arruaceiros puros e duros não iam desperdiçar a oportunidade.



Um fascista, de Torre e Espada ao pescoço, antigo comandante de uma rede bombista, dirigente de uma invasão (e de um fiasco) a um país soberano e que se encontrava na sede da PIDE em 25 de Abril de 1974 (são cada vez mais consistentes os indícios que indicam que ele se preparava para tomar o lugar de Silva Pais à frente da Polícia Política) anda para aí a reescrever a história da guerra colonial.



Em entrevista dada à Lusa na Guiné-Bissau (!), Alpoim Calvão edita uma nova história da guerra colonial ali travada entre 1963 e 1974. Guerra esta, convém recordar, que encharcou aquela terra com as dores, os cadáveres e a mutilação de uma parte importante da nossa juventude e da juventude guineense.



Segundo Alpoim, Salazar não queria a guerra mas sim a paz e, já em 1963, estava disposto a conceder a autonomia e a independência à Guiné-Bissau. As culpas pelo que se passou chamam-se Amílcar Cabral (um racista, segundo Alpoim) e PAIGC, em conluio com a ONU e a OUA. Eles é que não quiseram comer à mão de Salazar e eles é que impuseram a guerra. Depois, Alpoim lamenta a actual situação na Guiné-Bissau por ter escolhido Amílcar e o PAIGC e não Salazar.



Quanto à descolonização e a Mário Soares, Alpoim faz um jogo de palavras e segue na peugada do político do CDS/PP. Diz ele, mais “comedido” que Pires de Lima, que Soares foi “negligente” e conduziu o processo de uma forma “quase criminosa”.



Alpoim devia ter confessado que foi um militar derrotado. Tendo perdido a guerra contra o PAIGC, devia ter feito continência aos vencedores e ater-se à honra dos vencidos. Não o fez, não o fará. Em vez disso, o mais provável é que continue a mentir. E mentir será coisa de somenos para quem matou portugueses à bomba e esteve quase, quase, a gerir as salas de tortura da PIDE. Ao menos, que tire a Torre e Espada do pescoço quando mente.
Publicado por João Tunes às 19:57
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APROVEITAR ENQUANTO AINDA SE PODE FUMAR NA RUA ...

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Publicado por João Tunes às 12:43
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A ISABEL OPINOU

A minha blogamiga Isabel comentou um post que coloquei sobre a blogosfera. O comentário merece destaque. Aguardam-se novas opiniões.




“Como se sabe, descascar nos outros é um desporto nacional - não conheço um português que resista à criação dos nossos carinhosos "ódios de estimação". Vejo a blogosfera como um espaço que tem que ser plural, e a debandada da direita preocupa-me - não gosto de canções a uma só voz. Por outro lado, reconstruir a esquerda é outra história: adaptar ideologias ao nosso século (coisa que a direita também precisa urgentemente de fazer) não é tarefa fácil, principalmente quando ainda não conseguimos vislumbrar todas as tendências da nossa nova época. Pensando em soluções mais práticas do que a construção de novas ideologias, acho que a crise em Portugal poderia ser eliminada através destas 3 medidas simples, embora radicais: 1. distribuição gratuita de prozac (dose redobrada para os nossos governantes e oposição) 2. aumento geral de salários em 20% 3. mandar o Pacto de estabilidade ir dar uma volta Afinal, o Euro2004 está à porta e ninguém quer fazer má figura!”
Publicado por João Tunes às 12:20
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Quarta-feira, 18 de Fevereiro de 2004

ANGÚSTIAS

Reinam angústias de orfandade numa parte da blogoesquerda. Simplesmente, porque a blogodireita está a zarpar.



E agora com quem vamos polemizar? Dizem os mais antigos e com pergaminhos de antiguidade. Vamos mandar bocas aos neófitos esquerdistas que vieram aqui para o salão sem pedirem licença aos mais velhos?



E a cumplicidade gerada em duras polémicas? Deitávamos abaixo mas ficámos amigos. E agora?



É a crise, meus caros, é a crise.



Quando a direita se instalou no poder, natural foi que os arautos neo-liberais desatassem a tocar as suas harmónicas de beiço. A esquerda estava nas lonas, a hora era dos reformadores e da mudança.



Agora com a desgraça neo-liberal feita situação, é natural que seja tempo de desencanto à direita e a debandada surge como inevitável.



Meus caros, enquanto a blogosfera não se partidariza de todo, aproveitem. Porque os caminhos da esquerda, as perguntas de esquerda e as soluções de esquerda são pano para muitas mangas.



Ou reconstruir a esquerda dá menos gozo que o descasque num direitinha amigo?
Publicado por João Tunes às 00:50
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CROQUETE DE SNACK

A posição de Freitas do Amaral sobre a IVG é típica dos “arrependidos”. E inscreve-se na linha do fariseísmo da hierarquia católica ao mandar uns bispos darem uma no cravo para outros darem na ferradura (veja-se a recente entrevista com Dom Januário).



Alguns daqueles que fizeram um movimento de deslocação partidária arrastam raízes que não querem perder e vontade de sinalização no novo espaço que querem ocupar. É dos livros. O problema é quando, na gestão de uma situação de suposto desconforto, querem sair pela porta grande como se tivessem encontrado o ovo de Colombo. Então há uma enorme tendência para a hipocrisia.



Há muito que Freitas se tenta livrar da marca do lugar que ocupou na política portuguesa a seguir a 1974 e sobretudo do ferrete de “candidato do fascismo” quando enfrentou Mário Soares nas eleições para PR. Passo a passo, Freitas procura um lugar de conforto e prestígio, algures no Centro, numa posição que seja aceite pelo centro/direita e pelo centro/esquerda. O slogan do Centro que, no CDS, era uma pública aldrabice de propaganda e de camuflagem, continua a servir a Freitas para representar o desígnio de dar a entender que agora é mesmo para valer.



Freitas estuda as posições do espectro e, volta e meia, tira da cartola uma posição de veludo, equidistante dos desgastes das posições à esquerda e à direita e entra em cena com o seu porte de grande senhor capaz de fazer a síntese dos contrários, moderando os excessos. Mais uma vez e quanto à IVG, foi o que Freitas quis representar.



O resultado freitista, como sempre, é não ser carne nem peixe, antes pelo contrário. No caso da IVG, saiu um croquete de snack. Mantenha-se a criminalização da IGV, despenalizem-se as mulheres que a praticam. Em futebol, tratar-se-ia da táctica da defesa do empate como caminho para a glória dos campeões.



Ou muito me engano ou, mesmo assim, não é assim que Freitas vai conseguir ser candidato presidencial com o apoio de Mário Soares. Projecto que parece ser o seu sonho e a sua obsessão. Tentando matar a memória (e a realidade) da dicotomia direita/esquerda pela exaltação metafísica do sonho do Centro como sede do Bem.
Publicado por João Tunes às 00:25
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Terça-feira, 17 de Fevereiro de 2004

ABAIXO A CONCORRÊNCIA ?

Bragança é terra bonita, tradicional, isolada e de muito frio.



Efeito ou não das homilias castradoras, do isolamento e quiçá do frio, sabe-se como umas tantas brasileiras brincalhonas foram animar as noites de Bragança.



Uns tantos maridos carentes lá do burgo passaram a recorrer ao desporto do alterne com a quente ajuda das brasileiras folionas. O que irritou as esposas preteridas e sem artes para competirem com as fogueiras tropicais.



A capa da Time dedicada ao caso só deve ter acicatado os brios dos varões bragantinos.



Agora, a PSP fez por lá uma rusga valente, mandou embora os esposos pecadores em paz para junto das caras metades e enfiou as brasileiras viciosas na esquadra com direito a retorno às suas terras de origem.



As Mães de Bragança essas devem estar felizes. Sem concorrência podem voltar a levar, em paz casta, o frio das sacristias para dentro da cama.



A dúvida que me fica é se isto não ofende a lei da livre concorrência.
Publicado por João Tunes às 12:52
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EXCESSOS DE MALTA NOVA

Pelos vistos, o Congresso da Juventude Socialista de Setúbal, realizado no Barreiro, começou mal e acabou pior.

Os jovens socialistas andaram à pêra, aquilo meteu segurança privada, PSP e só o Presidente da Câmara do Barreiro conseguiu parar a batalha campal.

O que é que é isto? Aquilo é uma Jota ou uma Claque?

Assim, só dão maus exemplos para os camaradas mais velhos.
Publicado por João Tunes às 12:39
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FADO AZNAR

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Caro Zé António e desculpa de te tratar assim que eu sei que vocês não se tratam por Zé mas sabes e se não sabes ficas a saber que a nossa figura popular da província de portugal é um tal zé povinho e desta maneira eu tratar-te por Zé é uma forma de te dizer que tu também és dos nossos da mesma maneira que os portugas são dos vossos e temos muita honra em sermos vizinhos mas não queremos que te zangues por causa disso e não há que ter complexos que é uma coisa que o meu psiquiatra me disse que só acontecia com os inseguros e nem eu nem tu somos essa coisa de complexados e inseguros muito menos e nem temos razões para isso tão bem que governamos tu aqui e eu lá no meu canto peninsular e tem mais que eu não te chamo só Zé e tenho muita honra em te chamar Zé António que é também nome de um grande herói vosso lá dos tempos da falange e a quem os comunistas limparam o sebo mas deixou grandes ideias para fazerem da Espanha uma grande nação e tão grande que tu nunca foste capaz da heresia de falar mal do franquismo e quem sai aos seus não degenera e além que se só te chamasse Zé e como eu sou zé podiam pensar que não estava a falar para ti mas sim para mim e podiam começar com bocas que estava a falar sozinho e aí sim o pacheco pereira que é um dos nossos profetas e se está a armar em parvo contra o meu aliado portas embora aquilo seja só teatro mas ele era bem capaz de querer dar nas vistas e mandar-me ir ao psiquiatra que é coisa que não preciso porque não sou nem complexado nem inseguro e assim amigo Zé António sabes que estou aqui por três motivos em que o primeiro é para te dizer que gosto muito de ti e da tua maneira de governar e assim até já te perdoei teres-te dado tão bem com o guterres mas hoje eu percebo que a geopolítica obriga a essas coisas e aquilo que nos sai da boca para fora raramente tem a ver com o que a gente sente e por falar em sentir o segundo motivo porque estou aqui caro Zé António é que cá o zé manel está agora afincado em aprender castelhano e preciso de praticar imenso pois é natural que daqui por mais uns anos o castelhano seja a língua peninsular e isso não tem mal nenhum e até é perfeitamente natural porque sabemos que todos os portugueses falam espanhol e os espanhóis não conseguem falar o português e se os portugueses não falarem espanhol como é que nos havemos de entender e quanto ao terceiro motivo é para te dizer caro Zé António que podes contar connosco para o que der e vier porque nós somos aliados fiéis e valentes e se vocês andarem à trolha seja com quem for nem que seja com os bascos ou os catalães ou os galegos contem connosco e com as nossas forças armadas para enfrentar esses estrangeiros porque em caso de conflito estamos sempre ao lado dos espanhóis que o mesmo é dizer ao lado dos castelhanos e se te der na mona a ti ou ao teu sucessor para tomarem conta de gibraltar eu mando o meu aliado portas entregar-te a nossa marinha e depois fazemos uma nova invencível armada que corre com os ingleses de lá enquanto o vosso rei esfrega um olho porque se os ingleses também são nossos aliados eles só são aliados tradicionais e tu és um aliado natural que é bem melhor e a prova disso é eu dizer-te já aqui que se precisares de água tu não te acanhes e gasta à vontade e faz os transvases que quiseres porque vocês não têm culpa nenhuma que os nossos rios nasçam em Espanha e venham desaguar na nossa província e a um aliado natural não se recusa a água seja ela com gás ou sem gás mas só te peço meu caro Zé António que não te venha à ideia de te meteres com os américas porque aí e só aí tu ias ter que entender o meu pragmatismo de quem pratica o chauvinismo de pequena potência que me diz que entre o aliado mais forte e o aliado natural devemos escolher o que tem mais dinheiro e mais armas que isto até não é novidade pois foi assim que o mao ganhou a grande marcha dizendo dos russos que eles praticavam o chauvinismo de grande potência e essa é que estava errada porque quem deve ser chauvinista são os pequenos e não os grandes e disto sei eu pois enquanto tú eras pequenino e cantavas o cara al sol eu já andava à pera com os comunas na faculdade de direito e a militar no mrpp que foi criado para que o comunismo nunca dominasse a província de portugal e que era mais ou menos o que o outro Zé António da falange também queria e se vocês sabem do vosso saudoso Zé António já quanto a mao sabemos nós que até temos um ditado que diz mao maria que é uma maneira castiça de dizermos que estamos zangados mas descansa que zangado contigo é que eu nunca estarei a menos que te dê a maluca e armares-te aos cucos com os americanos mas nessa não cais tu que és esperto que nem um ajillo e falas muito bem embora custe a perceber o que dizes com essa tua mania castiça de só falares a mexer o lábio de baixo para não escangalhares a pose do bigode agarrado ao lábio de cima o que só te dá graça meu caro Zé António e meu querido amigo e aliado e podes estar certo do apoio deste teu zé manel que é alcaide da província de portugal.
Publicado por João Tunes às 11:20
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Segunda-feira, 16 de Fevereiro de 2004

COMO EU TE ENTENDO

Imagino. Uma pessoa tem, na sua frente, o rosto de outra pessoa. Um corpo com alma que faz o seu trabalho e respira, mexe, olha, sente, suspira, ri, levanta, senta, atende o telefone, mexe em papéis, exalta, ri, acalma, diz umas balelas para se recompor, levanta, senta, faz o seu trabalho através de um corpo com alma. Existe.



Imagino. De repente, essa paisagem humana desaparece. Ninguém sabe como nem para onde. A angústia passou a sentar-se onde antes estava uma pessoa. E o olhar fica sem rumo.



Imagino. O espanto da raiva por saber que, onde estava uma pessoa e depois se sentou uma angústia, passou a sentar-se agora a saudade de uma vida. Porque a pessoa que ali estava antes resolveu deixar de viver. E que, para isso, se isolou em sítio onde não fosse descoberto a tempo de ser puxada para a vida, explorando o anonimato dos condomínios que são as formas modernas de sermos vizinhos mas pouco pessoas com pessoas. Essa pessoa escolheu sair mas o teu olhar perdeu uma paisagem que te dava a dimensão que eras humano.



Imagino. Como te vai custar olhar na tua frente. Porque está lá a sombra de uma pessoa que era uma parte humana do teu ser profissional. E porque, agora, o teu olhar passa a estar misturado com os mistérios da vida.



Imagino. As dores do teu olhar não casam bem com o zelo pelas tuas obrigações. Há que bulir. Sempre, como se não se tivesse passado nada. Porque as empresas existem para dar alegrias aos accionistas. Cada vez menos consideradas como obras de pessoas. A falta de um accionista é uma desgraça. Uma pessoa a menos é coisa que se compensa facilmente entre a legião dos famintos de emprego. Siga o fado de cifrão e alguidar. Mas falta uma pessoa na tua frente.



Como eu te entendo, meu caro compañero. Nada vai resolver, eu sei, mas que não te falte este meu abraço.
Publicado por João Tunes às 17:17
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Domingo, 15 de Fevereiro de 2004

APENAS NOVENTA MINUTOS

Não me peçam prognósticos antes. Até lá deixem-me com a metafísica da mística a ferver cá dentro. E depois nada de comentários. Porque depois só deve restar a glória para o vencedor e a honra do vencido. Só me interessam os noventa minutos. Que sejam de beleza. De alegria ou de tristeza. Mas de beleza. Vemelho sou, vermelho vou continuar.
Publicado por João Tunes às 15:45
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FADO DO BEATO

Pois dona eulália eu não lhe disse que aquela festa no beato ia ser uma coisa linda de se ver e um regalo de gente importante junta e bastava ver os nomes deles mais os cargos importantes que eles têm e ainda os propósitos que anunciaram na televisão que são para a gente ver se nos livramos dos espanhóis levando-os à certa a fingir de que não temos medo nenhum deles e arranjar-se mas é maneira de nos livramos das greves e dos sindicalistas que não interessam nem ao menino jesus e enxotar-se a esquerdalhada das empresas que só sabem pedir aumentos de ordenado como se não estivéssemos em crise e ainda andarmos com a tanga que o guterres nos agarrou ao rabo e a dona eulália desculpe eu estar a falar assim mas cada vez que me lembro que este país foi governado pela escumalha dos socialistas até me sobem os suores por mim acima e a boca me foge para dizer umas coisas que não são bem educadas de todo mas temos de desabafar porque se não desabafamos então não conseguimos aguentar esta crise que os socialistas nos deixaram como herança e que o pobre do governo por muito que tente não nos consegue livrar e até que eu sempre pensei que num ano a gente conseguia recompor as finanças e pelos vistos o mal que os socialistas fizeram foi tanto que da crise não nos livramos tão cedo e por isso é que foi importante virem estes gestores todos e coitados a perderem um dia de trabalho com tanto trabalho que eles têm e aqueles negócios todos para fazerem porque se eles não fazem negócio como é que o país anda para a frente e se arranja trabalho para os moços e as moças que saem das universidades que até já andam para aí a servirem de caixas nos supermercados e até contra esta mocidade os socialistas nos desgovernaram pois para lixarem a juventude até não queriam deixar abrir mais hipermercados como se eles fossem demais e sem mais hipermercados como é que os licenciados podem encontrar trabalho diga-me lá e voltando ao beato achei aquilo uma festa linda linda com todos arrumadinhos e bem postos e não sei se reparou mas a mim o que mais me impressionou foi ver aqueles sapatos todos engraxadinhos e a brilharem para a televisão mas até que eles não estiveram lá por vaidade nem para aparecerem na televisão porque se fartaram de trabalhar e de terem ideias inteligentes sobre como endireitar o país que bem precisa desde que o guterres nos levou à bancarrota e gostei sobretudo daquela de poderem despedir mais porque eles é que sabem o que sofrem nas empresas para as endireitarem e depois os mandriões que só lá andam para receber os ordenados e trabalhar está quieto mas olhe que aquilo entre muitas coisas serviu para mostrar que afinal temos gestores bem giraços e de boas famílias que não devem nada aos espanhóis e nós nem sequer temos monarquia e se eles com o rei e a rainha mais o príncipe não têm gestores mais bonitões que os nossos e não sei se reparou no mais giro de todos que é aquele que manda nas bombas de gasolina e vai a quase todos os debates da televisão mas não é do gordo que eu estou a falar porque esse tem mais ar de betoneira que de outra coisa e não risca nada e deve lá estar só para papar almoços eu estou é a falar daquele muito elegante e bonito assim de óculos fininhos e todo bem penteado que agora me passou o nome mas daqui a pouco já me lembro e sendo assim porque é que nós havemos de ter complexos e medo de concorrer com a espanholada e se formos a ver os nossos gestores até têm cartões de crédito com mais dinheiro para gastos de representação ou lá o que é que os espanhóis e melhores automóveis que eles e secretárias mais jeitosas que as deles o que até não é difícil porque as espanholitas são umas magricelas que só sabem usar água de colónia ordinária daquela que elas compram em garrafões de cinco litros que eu até ouvi dizer que elas nem se lavam e aqui para nós que ninguém nos ouve até lhe conto que uma vizinha minha que vai lá visitar muitas vezes o filho que é jogador da terceira divisão espanhola me disse que elas não se lavam nem por cima nem por baixo e só se encharcam é no álcool perfumado como se já não lhes bastasse o álcool que elas emborcam quando saem dos empregos e se metem nos bares a beber copos e a fumar e os maridos e os filhos que esperem pelo jantar e assim dona Eulália eu só lhe digo que o partido que formaram no beato é que nos vai salvar e olhe que eu falo por mim mas o meu voto é que não lhe vai faltar porque com toda a franqueza não vejo outra maneira de correrem com os mandriões dos empregos e fazerem mais hipermercados para se arranjarem postos de trabalhos para os licenciados e os socialistas nunca mais nos governarem e os sindicalistas entrarem nos eixos e não pensarem mais em greves que só atrasam o país e dão dores de cabeça aos pobres dos gestores como se eles não tivessem com que se ralarem e até tiveram de formar um partido senão isto não andava para a frente e mais dia menos dia vão ter de ir para o governo para meterem o país na ordem e podermos passar à frente dos espanhóis.
Publicado por João Tunes às 01:06
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Sexta-feira, 13 de Fevereiro de 2004

Carta para a Joana

Cara Joana,

linda és tu. Com esses teus olhos cor de mar que te foram oferecidos por uma Mãe que soa a oiro. E por um Pai que se esconde por trás de barbas a fazerem de cortina para tapar, tapar, uma alma do mesmo nobre metal mas que tem a cruz da sensibilidade dos impacientes radicais.

Vais vencer os tropeços espalhados no chão do teu crescimento.

Os teus olhos cor de mar vão brilhar ainda mais. Porque se o impossível acontece porque é que uma pequena nuvem não havia de se evaporar? E esse tanto brilho é necessário para que ofereças luz a quem te encontrar.

Sou eu quem to diz: quem arrasta beleza no corpo ou na alma, ou em ambos os lados da pessoa humana, tem obrigação de ser feliz. Podes crer.

Cara Joana,

linda tu és, linda tu serás. E livre. E solta. Porque estás destinada a ser uma mensageira a distribuir boas novas a tantos que por aí estão, mais os que hão-de vir, que te querem ver feliz.

Um beijo amigo do

Kota João
Publicado por João Tunes às 15:52
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MUDANÇA DE SAPATARIA

Esta Bota andava a caminhar por outro sítio. Mas o raio do sapateiro armou-se em mete nojo e só deixava calçar a bota quem ele bem entendia. Ora esta Bota preza-se de ser democrática, logo dispõe-se a ser calçada por quem muito bem lhe apetecer e tiver paciência suficiente para aturar os calos que ela vai fazendo.

Esta Bota não se descalça com facilidade. Se a sapataria não serve, muda-se. A Bota é que não vai ficar sem solas.

Cá estou nesta nova Sapo Sapataria. Vamos ver se me dou bem com o artista. Para já, trouxe comigo as pegadas que tinha largado durante a última semana no nabo do antigo sapateiro. O mais se verá.

O baú do arquivo estava pesado e a companhia das mudanças cobrava muito para lhe fazer o transporte. Ficou na bota velha. Quem tiver pachorra, pode lá ir enquanto aquilo funciona e o sapateiro não for à falência por incompetência e ter de fechar a loja.

Dou as boas vindas aos visitantes nesta nova morada e peço desculpa pelo incómodo da mudança de loja.

Bota Acima terá o maior prazer em ser calçada por Vossas Excelências.
Publicado por João Tunes às 13:27
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j.tunes@sapo.pt


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