Sexta-feira, 2 de Fevereiro de 2007

SE HOUVER SIM

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Pode ser fatal a convicção de que o SIM já ganhou. O potencial dos ruídos do radicalismo libertário no SIM (com a entrada do PCP e do BE na campanha, retomando o feminismo serôdio dos anos 40-70 do século passado) e a enorme fumarada da hipocrisia camaleónica da direita religiosa, fortemente organizada e mobilizada, que se mascara em mil posturas no catecismo do NÃO, podem, pelo menos, elevar a abstenção a níveis que favoreçam o NÃO ou que diminuam o alcance da rotura para com os reflexos penalistas-carcereiros sobre a mulher e a maternidade. E então, por distracção ou omissão, o esquecido Cardeal Cerejeira que, por défice de marketing agit-prop relativamente a Salazar e a Cunhal, não conseguiu entrar no ranking dos “dez grandes portugueses telepáticos” (julgo até que não entrou no naipe dos “TOP 100”), poderá obter no referendo a sua grande vingança histórica contra o esquecimento através da reincarnação da pujança nacional-religiosa no género dogmático.

 

Mas se o SIM ganhar, libertando a sociedade portuguesa de uma das suas mais vergonhosas amarras medievas, é justo que se reconheça que os méritos principais na defesa convincente da causa, em tempo de abertura de campanha, cabem a Vital Moreira e a Ana Catarina Mendes. O primeiro ao ter formulado, sobretudo no grande debate (o “Prós e Contras” da RTP), em linguagem clara, sintética, fundamentada e fulminante, qual a escolha que se vai fazer. Quanto a Ana Catarina Mendes, pela sua iniciativa parlamentar ao arrepio corajoso das tibiezas contabilísticas do governo, tentar colmatar a pecha principal da causa do SIM, dando-lhe um empurrão de coerência e consequência, completando o quadro humanista que a gravidez, a maternidade e o aborto requeriam e cujo défice estava a ser a principal moca de arremesso na pintura idílica-teórica do bando medieval com disfarce assistencialista.

 

Vital Moreira e Ana Catarina Mendes fizeram o que importava. Que cada um, nós outros, do SIM faça, agora e ainda, o que puder. Pelo menos para que a abstenção não leve água ao moinho plantado na outra margem.

Publicado por João Tunes às 15:16
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