Á primeira vista, é surpreendente que o porta voz de uma organização com nome estranho de tão rebuscado (OSCOT - Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo), um tal senhor Pathé Duarte, venha prestar declarações alarmistas e irresponsáveis aventando a hipótese de os portugueses receberem com manifestações violentas a Senhora Merkel na visita a Portugal no próximo dia 12 a convite do seu pajem Coelho. De facto, porque raio se avança a hipótese de se reservar para uma governante estrangeira uma explosão de violência que não tem sido habitual (tirando pequeníssimos episódios e rapidamente superados) na longa série que já contamos de protestos, alguns massivos, contra o governo e a troika? E tanto não faz sentido pois que o OSCOT devia ser uma instituição preventiva e apaziguadora e não fazer jus à sua inscrição entre as organizações associativas de bombeiros incendiários.
Restam duas explicações alternativas (e nenhuma delas sendo abonatória para os tipos do OSCOT). Ou se trata de uma provocação, constituindo as declarações do observador Pathé Duarte, em si mesmas, um incitamento à violência (na linha aliás do papel que, nas últimas manifestações, tem sido desempenhado por polícias infiltrados nos manifestantes). Ou então, é uma refinada manobra intimidatória com pretensões desmobilizadoras relativamente aos cidadãos que tencionam - ou estão em vias de nesse sentido se decidirem - dizer à senhora Merkel, no dia 12 de Novembro, que ela, tal como a troika, são personas non gratas para o povo português, tentando assustar-se as pessoas com o fantasma de que essa manifestação de desagrado irá, certamente (segundo eles), ter um epílogo de explosão de violência. Qualquer que tenha sido o motivo inspirador das declarações terroristas do Pathé Duarte, cumprindo ordens da central de “propaganda negra” do governo e dos seus órgãos repressivos, é bom que ele saiba que nós sabemos que o Pathé não está nada a ser original. As mesmíssimas técnicas provocatórias e intimidatórias a que o OSCOT agora recorre já foram, aqui, neste mesmo país, com objectivos iguais, usados durante décadas pela polícia política que servia a ditadura. Que Pathé Duarte se chegue à comunicação social a querer imitar um agente da PIDE à moda antiga é problema deste senhor na sua particularíssima gestão da sua disponibilidade, voluntária ou a pedido, para se vestir de ridículo.
Estamos certos que esta canhestra manobra de provocação e intimidação não irá afectar a serena determinação de todos aqueles que, no uso do legítimo direito à manifestação, não abdicarão de, no dia 12 de Novembro, dizerem, com todas as letras, que melhor que a Senhora Merkel teimar em visitar um país que a detesta seria ela incitar o seu subalterno Passos Coelho a emigrar para junto dela, libertando-nos a nós, assim, do pesadelo arrastado que é a sua desastrada governação.
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