Era inevitável. De cada vez que vem a lume os crimes nazi-franquistas em Espanha (durante a guerra civil e as décadas em que Franco continuou a fuzilar, prender e torturar alimentando a sua vingança), os colaboracionistas com a ditadura franquista (por interesses próprios e directos ou aqueles que amam ou desculpam Franco por amizade ideológica) tiram as matanças de Paracuellos (ocorridos em Madrid cinco meses após início da guerra e sob eminência da conquista da capital espanhola pela coligação fascista) da cartola. E sempre que se procurou desqualificar Santiago Carrillo tenta-se a sua criminalização por via do seu envolvimento (sempre empolado) em Paracuellos. Assim, aos reaccionários branqueadores de Franco e do franquismo, Paracuellos cola-se aos lábios e aos dedos de escrita sempre que se vejam na eminência de ressaltarem os monstruosos crimes do lado franquista. Na morte de Santiago Carrillo, não faltaram, como se previa, os cânticos em honra das vítimas de Paracuellos e a reedição da versão que aponta Carrillo como o responsável pelos acontecimentos. Evidentemente que Paracuellos existiu e os acontecimentos que aí ocorreram são condenáveis à luz da ética do combate político e militar. E tendo Paracuellos existido (o que não invalida que não tenha tido a dimensão monstruosa dos crimes franquistas, muitos deles cometidos a frio e após a vitória total na contenda fraticida), enquanto episódio sangrento da guerra civil de Espanha, não deve ser contornado na narrativa sobre aqueles trágicos acontecimentos que mancharam de sangue a pátria nossa vizinha. Mas há que saber e entender o que se passou, o seu contexto e encontrar os responsáveis de verdade (onde Carrillo não estando isento de Paracuellos foi figura secundária dentro da responsabilização). Neste sentido, é da maior oportunidade ler-se este artigo assinado por um conjunto de historiadores.
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