Domingo, 16 de Janeiro de 2011

Algo de novo na outra margem do Mediterrâneo

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Para os que conhecem a Tunísia e podem comparar a sociedade daquele país com as dos restantes países árabes (mesmo que este conhecimento seja obtido através do turismo), pese embora a dura ditadura de Ben Ali que parecia querer igualar o diferente, não terão estranhado que “ali”, na conquista popular das ruas, algo de diferente se passava pois que diferente tinha de ser. O que pode surpreender os uniformistas da “política saída à rua”, cegos pela nostalgia das revoluções que cantem e limitados pela atracção descontrolada pelo cheiro a partos da história, seja em coro ou em cacofonia, muitas vezes esquecendo que das ruas não foram poucas as vezes que a barbárie subiu ao poder. E daí não se darem conta que, como explica - e bem - Juan Goytisolo, algo de novo esteve e está a passar-se em Tunes.

La revuelta de Túnez es la primera revolución democrática de los países árabes desde su acceso a la independencia. Las que se produjeron con anterioridad fueron fruto de golpes de Estado, a veces con amplio apoyo popular como fue el caso de la de Naser en Egipto y, más a menudo sin él, como en Irak en 1958 y Libia en 1969. Las aspiraciones democráticas de los líderes independentistas argelinos sucumbieron pronto, como sabemos, a la dictadura de un partido único sostenido por el Ejército. En la década de los sesenta los Gobiernos nacionalistas árabes sentaron las bases de un poder autoritario que tendía a perpetuarse en el molde de las nuevas dinastías republicanas (las de Sadam Husein, Hafez el Asad, Mubarak). En Marruecos, las tentativas golpistas contra Hassan II mostraban también que la alternativa a la monarquía alauí era una dictadura militar, como lo sería más tarde un régimen islamista, esto es, remedios peores que la enfermedad. La falta de educación cívica de los pueblos para los que la democracia era una palabra hueca importada de Europa explica las derivas autócratas de los regímenes árabes y el fracaso de revueltas populares como las de Casablanca en 1965 y 1980. El declive del nacionalismo y el auge del islam político fueron las causas asimismo de la sangrienta guerra civil que sacudió a Argelia en la década de los noventa.

No se puede pedir lo que se ignora. La democracia exige un conocimiento previo de los valores laicos que la alimentan. Y dicho conocimiento no existe en ningún país árabe con la profundidad y arraigo que tienen en Túnez. El Gobierno de Burguiba desde la independencia hasta los años ochenta sentó las bases de un Estado laico y democrático. Un sistema educativo abierto a los principios y valores del mundo moderno, el estatus de la mujer incomparablemente superior al de los países vecinos y un nivel de vida aceptable en comparación con estos, pese a la carencia del maná del petróleo, formaron una ciudadanía consciente de sus derechos. En ello estriba la diferencia existente entre Túnez y los demás Estados árabes de la orilla sur del Mediterráneo.

El declive del poder de Burguiba y el golpe de palacio de Ben Ali, llevado supuestamente a cabo para preservar la democracia se tradujeron al punto en una pesadilla orwelliana. Con el pretexto de cohabitar a la amenaza islamista y ganarse así el sostén incondicional de los países europeos, Ben Ali creó poco a poco un Estado policiaco cuyas redes se extendieron como una telaraña en el conjunto de la sociedad. Toda oposición política fue barrida sin piedad con métodos que recuerdan el peor despotismo.

(publicado também aqui)

Publicado por João Tunes às 12:47
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1 comentário:
De Ana Paula Fitas a 17 de Janeiro de 2011
Caro João Tunes,
Faço link... deste e de outro post :)
Um abraço.

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j.tunes@sapo.pt


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