Sábado, 13 de Janeiro de 2007

NO VAGAR DA RETOMA

Ainda meio atordoado pelo motivo do interregno blogosférico forçado, vou lentamente retomando os laços com a luso-blogosfera e a realidade portuguesa percebida que, pelo já lido, continua decantada no seu desencantamento (percebe-se logo pelo tom). E o facto de ter estado imerso durante uma semana na pacatez da rotina endógena de uma pequena cidade interior de La Mancha (falarei de Cuenca, mais tarde e com mais vagar), só ligado ao mundo pelos jornais e televisão espanholas, espevita-me, no regresso, o nunca resignado espanto perante este nosso dominante arrastar de pés que nos embaraça o olhar e a capacidade de projecto, esta fadista maneira de nos refugiarmos na desculpa que somos pequeninos, sempre acompanhada da ameaça contra quem se atreva a nos querer maiores. E, assim, retomo com um espanto de boca aberta desde o queixo até os pés. Mais uma partilha do sentir triste.

 

O grande espanto foi por nada ler nem ouvir que preencha a distância entre o murmúrio e a greve geral contra mais um atentado da globalização e que está programado pela “Pescanova”, conhecida empresa galega de pescado congelado. Então não é que estes patrões galegos da indústria do peixe, se preparam para transferir parte da sua actividade de transformação da Galiza para Portugal (para já, parece haver um projecto de produção de redobalho em vias de concretização em Mira, a que se deve seguir um outro dedicado ao linguado e noutro lugar português) e da CGTP não se ouve uma denúncia, nem Jerónimo de Sousa lhe dedica um comício, desesperando-se na espera até que um blog-man lance em circulação uma petição de protesto? Ah, como é diferente, com a globalização (dividida em “boa” – a que traz actividade dos outros para cá, e em “má” - a que leva fábricas de cá para lá), a velha frase “trabalhar que nem um galego!”.

 

Quanto à partilha no respeito pela tristeza funda, ela tem a ver com o Nuno Guerreiro e com a lolita. Já me tendo calhado dores semelhantes e nunca saradas com mãe, pai e irmã mais velha, acho que posso dizer-lhes, como lhes digo, que os entendo. E tanto, que não evito estender-lhes um abraço.

Publicado por João Tunes às 00:13
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