Quarta-feira, 21 de Abril de 2010

Maria Montanheira posta em Belém

 

Só por estes sábios esclarecimentos, valeu a pena armar-me em mete nojo com o meu compadre Isidoro acerca dos regionalismos. Pois sim, Isidoro, pois sim. Só que a alcunha de Maria Montanheira, sendo eu homem descido do sopé do Marão quando ainda menino, me soube a elogio. A modos que me soando a que a primeira dama seria parceira emérita do Garcia dos everestes e cercanias. Para mim, Maria Cavaca define melhor a dama tosca que, por ser primeira sem que a cultura a eleve, só acicata a ansiedade de meter um Poeta dentro da casa rosa de Belém. Desejo este que tem muitos motivos, incluindo dar dignidade cultural e cívica à representação do mosaico pluricultural deste país pequeno, a precisar de alento e justiça, mas falsamente considerado homogéneo, bastando, para assinalar a mentira, ser campeão europeu nas desigualdades sociais. Porque, quanto a calinadas, já temos tantas que dava para subir as exportações e sem desviar o Algarve da letargia da sua obsessão turística.

Publicado por João Tunes às 16:17
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4 comentários:
De ana cristina leonardo a 22 de Abril de 2010
Eu que nasci à borda d'água, quase mesmo dentro de água, uso montanheira para classificar a malta de sequeiro, o que, de onde venho, do algarve de antes dos dois eles, se aplica a tudo o que fique a mais de 5 quilómetros da costa. neste aspecto somos muito rigorosos e a expressão nunca é elogiosa. Foi ela, aliás, que permitiu ao descansado do meu tio descartar-se de responsabilidades quando o confrontei com o facto de termos um cavaco daqueles na presidência e ele me respondeu que não era bem algarvio era mais pró montanhêro
De João Tunes a 22 de Abril de 2010
Quer dizer, aplicando o princípio da distãncia da água, que em Olhão admiram e veneram os ilhéus da Culatra e da Armona e têm em pouca conta os "montanheiros" de Boliqueime? E que é mais enaltecido apanhar-se ameijoa, berbigão e conquilha que caracóis e figos? Mas isso desmente a tese de que os algarvios são alentejanos a quem faltaram os travões. Ou seja, a tese só é aplicável aos "montanheiros". Porque os outros, os algarvios do mar, esses vieram trazidos pelas ondas. Até com os regionalismos se aprende.

Se a Ana Cristina só quiser responder lá para domingo, não levo a mal. Porque, na verdade, até o próximo sábado estamos de relações cortadas.
De Isidoro de Machede a 22 de Abril de 2010
Amigo João,
Estou pacificamente de acordo com a sua réplica. Estamos todos na mesma barca da borda d'água ao interior. Não estamos todos na mesma barca, quando se trata do entendimento que temos do andar do mundo. Disso, meto os tomates debaixo do cutelo.
Que rancor posso ter aos "ratinhos" que desciam das Beiras para ceifar o trigo alentejano, e ganhar o sustento que na sua terra não havia? Nenhum! Só tenho de entender da sua sofrida saga.
Quanto às Marias, aos Josés e outros peralvilhos que tais, a esses não lhe tolero a insignificância.

De João Tunes a 22 de Abril de 2010
Claro, compadre Isidoro. Outra coisa não seria de esperar. O que não invalida, suponho, que enturme nas considerações e convicções étnicas aqui judiciosamente expostas pela comadre Ana Cristina Leonardo. Porque, vírgula aqui e til acolá, confirmaram-se e reforçaram-se. Mas, mais importante ainda, aproxima-se a hora de "comermos" os algarvios, logo os da vila da restauração cantada pelo nosso grande Zeca. Com o banquete reduzido a sábado que aí vem, pois depois e logo a seguir voltarão as fraternidades.

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