Segunda-feira, 15 de Março de 2010

A pax partidária como meta e método

 

Com o tempo, com a normalização democrática, diluindo-se o peso hierárquico-histórico da força do símbolo da resistência à ditadura já longínqua, o PCP tende a banalizar-se, a tornar-se uma vulgaridade política, de vez em quando animada por uma ou outra alegoria plantada no ar pela mão canhota dos sublinhados discursivos de um Jerónimo eternizado na fatiota serôdia do PREC. O que não é um problema nacional. Devia ser, quando muito e se fosse (e parece que não é, pois a esquizofrenia existe para ser praticada), um problema do PCP e dos seus apoiantes e eleitores, mais os seus dependentes no amplo círculo assalariado do funcionalismo partidário, dos empregos sindicais da CGTP, dos cargos, empregos e assessorias autárquicas made in CDU. Só que, supondo-se ser assim, não o é. O pior do PCP, aquilo com que Cunhal esculpiu em aço inox saído das metalurgias soviéticas temperado e polido em cartilha e em disciplina, o seu estalinismo orgânico, não definhou com o definhamento do PCP. Os outros partidos, sem cultura bolchevique mas atraídos pela memória da boa performance interna do PCP em termos de eficácia feita de organização, monolitismo, obediência e purgas, tendem a imitar o PCP no pior e mais característico da sua endogenia orgânica, prolongando-a nos abismos críticos das práticas de disciplina interna na convicção que esse caminho, o do autoritarismo (copiado segundo uma matriz militar advinda do conceito próprio de quem se considera um “exército revolucionário”), é a via para a pax construída sobre a unidade interna. Mas desistam disso, da eficácia do centralismo democrático como alvo, senhoras e senhores dos partidos social-democratas, dos socráticos até os pachecos, da direita e do capital, dos de Belém até São Bento, incluindo os da esquerda caviar se para aí se inclinarem, porque vos falta dentadura de tchekista. E para que querem disciplina de aço se nem sequer acreditam na revolução?

 

Publicado por João Tunes às 16:15
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1 comentário:
De Anónimo a 15 de Março de 2010
Sobre tudo o que se tem escrito sobre a lei da rolha só posso dizer que esta lei oficializa aquilo que acontece mais ou menos de modo encoberto, nos meandros burocráticos de todos os partidos e associações. Aconteceu no PS, em que mesmo a nível autárquico se ostracizaram os que defenderam Alegre nas últimas presidenciais. E aconteceu sem que fosse preciso existir uma lei, e, pior do que isso: hoje o PS pode dizer que é mais democrático que o PSD por não ter a lei da rolha. Fantástico, o PSD ruma à eternalização do querido líder no trono, enquanto o país apodrece saqueado pela finança internacional e robalos cá da terra.

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