Terça-feira, 5 de Janeiro de 2010

Há 50 anos, o Forte de Peniche estava longe de ser um projecto para pousada de luxo

 

Só o período de alergia relativamente ao uso da internet, autodecidido na mudança de ano e facilitado pelo pretexto de uma fuga curta - mas sincera e empenhada - para o sul, explica e justifica o ligeiro atraso na evocação da efeméride histórica dos 50 anos passados sobre a “fuga de Peniche”, acto maior na vulnerabilização do aparelho repressivo da ditadura fascista e com enormes consequências políticas de que ainda hoje colhemos réplicas.
 

Este enorme acto de resistência e combate à ditadura, decerto o máximo momento conspirativo, heroicista e mítico na história do PCP, representando também o ponto mais baixo na escala de eficiência do aparelho repressivo montado por Salazar para neutralizar o comunismo clandestino, passados cinquenta anos, permanece como um problema não totalmente resolvido para a nossa memória histórica. A direita que acoita os saudosistas do fascismo ainda engole em seco o feito de Peniche e procura tapá-lo com o manto do esquecimento pois não suporta a ideia de um Salazar frágil e fintado na repressão (e logo no seu presídio com maior empenho securitário). Do outro lado, persistem as omissões e segmentações por mor de juízos políticos e partidários retroactivos e pelo primado de glorificações propagandísticas ao serviço de poderes constituídos pós-fuga. Deixo agora, pela solenidade da evocação e por cedência ao seu peso no meu imaginário de viajante entre lutas, utopias, enganos e desenganos, as manipulações e os silêncios repousarem na paz desta época. E remeto, antes, para o excelente trabalho jornalístico que encontrei no JN (não esqueçam a visualização do vídeo).

 

Publicado por João Tunes às 22:43
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