Quinta-feira, 21 de Dezembro de 2006

A RUA E O PARLAMENTO

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Parece um artigo saído do sótão de qualquer falido Museu da Revolução. Mas pela sinceridade com que revela a duplicidade com que o PCP encara o binómio dmocracia-revolução, em que a intervenção no órgão de soberania Assembleia da República é encarado como um aspecto menor e subalterno relativamente à agitação e mobilização social, vale a pena ler um artigo de Miguel Urbano Rodrigues no “Avante” de hoje. O raciocínio é simplista e dicotómico: em capitalismo não há democracia nem humanismo; o socialismo da ditadura do proletariado (melhor, do partido do proletariado) é a solução. Até lá, à solução final (“o povo como sujeito da história”), tudo, por mais democrático que seja, é meramente instrumental ao serviço da Revolução. E “essa” faz-se nas fábricas, nas escolas, na rua.

 

Fica uma amostra da prosa inflamada de MUR como aperitivo:

 

O capitalismo não é humanizavel. A utilização dos instrumentos criados pela burguesia para mascarar de democracia o poder hegemónico que exerce à revelia do povo é muito importante. Não a subestimo. Mas ela deve ser colocada ao serviço do objectivo principal, a mobilização das massas e o seu combate. É um erro gravíssimo, mas comum, inverter as coisas e identificar nas lutas reivindicativas dos trabalhadores uma simples forma de pressão destinada a facilitar a defesa dos seus direitos pela via institucional. A principal frente de batalha não está no Parlamento, mas nas fábricas, nas escolas, em todos os lugares de trabalho, nas ruas.

O exemplo que o povo francês nos ofereceu em Abril/Maio deste ano encerra uma lição fundamental. As massas, enfrentando a repressão, obrigaram o Poder a revogar uma lei profundamente reaccionária, aprovada pelo Parlamento e promulgada pelo Presidente da República.
Sócrates, como símbolo e alavanca do sistema, tenta gradualmente impor ao País um regime de contornos autocráticos. O seu Governo comporta-se já como inimigo do povo.
Em Portugal os trabalhadores, recusando a sua politica, deixam transparecer uma disponibilidade crescente para a luta.
As condições objectivas são, a cada semana, mais favoráveis para a mobilização das massas. Falta estimular o desenvolvimento das subjectivas para que o povo se assuma como sujeito da História.

 

Publicado por João Tunes às 12:45
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