
O jornalismo mais clássico (a maioria do jornalismo, uma parte por falta de talento e outra por excesso de preguiça) descobriu (só) agora, com o Simplex e o Compliquex, os blogues destinados a angariarem votos. E, no entanto, este ciber-recurso de propaganda eleitoral já foi utilizado intensamente noutras campanhas e pré-campanhas, pelo menos desde as últimas presidenciais. A novidade de agora é a blogosfera, antes muito mal vista por tantos políticos, intelectuais, comentadores de jornais e jornalistas, já ser considerada um recurso útil e decente para propagar influências e vender marcas eleitorais, com muitos a morderem a língua que antes considerara os blogues como coisas do “submundo”. E, como tal, um meio cómodo e indispensável para os jornalistas pescarem à linha uma qualquer polémica ou trica fresquinhas. Mas os jornalistas enganam-se de novo quando, também agora, afirmam que “os partidos descobriram a blogosfera”. Em rigor, o que se trata, nos momentos de excitação eleitoral, é haver um número razoável de bloggers que descobrem os partidos. O que antes, quando atacava, levava aos comícios, a blogosfera permite agora, em alternativa, que na comodidade solitária do manuseamento do portátil, se possa enturmar sem se sair de casa, fazendo grupo por via do somatório, numa espécie de democracia individualista em rede.