Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

Rodar num ângulo de 180 graus é uma grande mudança no espaço de uma semana mas, se calhar, os oportunistas não usam transferidor

 

O profundo oportunismo do PCP perante a situação internacional fá-lo oscilar constantemente, consoante a maré dos informes que vai recebendo, numa mescla de suporte aos restos de organizações comunistas sem eira nem beira, autênticas relíquias serôdias do folclore do internacionalismo proletário, e o ódio permanente a tudo que cheire a capitalismo, democracia, social democracia, NATO, UE, Estados Unidos e Israel, em que o tamanho dos ódios não deixa espaço para causas. Os acontecimentos no Irão permitiram uma das mais espantosas cambalhotas internacionalistas do PCP à Jerónimo, autêntica matéria para um “estudo de caso” sobre o papel dos cata-ventos na coerência política. Vejamos.

 
Escrevia-se assim no “Avante” da semana passada:
 
Milhares de iranianos protestaram em Teerão contra o regime despótico, exigiram liberdade e democracia e contestaram a reeleição de Mahmud Amadinejad. O Partido Tudeh do Irão classifica o sufrágio de fraudulento e apela às forças reformistas, aos sectores progressistas e às massas populares para que contestem, por todos os meios, os resultados oficiais.
Depois de uma afluência recorde às urnas nas presidenciais de sexta-feira, 12, no Irão – cerca de 85 por cento de participação –, e do actual presidente e candidato das forças conservadoras, Amadinejad, ter sido declarado vencedor com cerca de 63 por cento dos votos contra 34 por cento do seu opositor, Mir Hossein Mousavi, o país mergulhou numa crise política.
Logo a seguir ao encerramento das urnas, Mousavi proclamou-se vencedor e declarou que não aceitaria qualquer outro resultado tendo em conta as denúncias de irregularidades durante a consulta, tais como a falta de boletins de voto, apesar de terem sido impressos mais cinco milhões que os necessários, a ausência de observadores de todas as candidaturas nas assembleias de voto, ou, segundo denuncia o Comité Central do Tudeh em comunicado divulgado sábado, dia 13, a montagem de uma farsa eleitoral para ocultar a derrota do candidato favorito do regime. Derrota ainda maior, acresce o Partido do Povo do Irão, que a registada aquando da primeira vitória do «reformador» Khatami, em 1997.
 
Pois veja-se a música tocada no “Avante” desta semana que corre:
 
O delírio da comunicação social e dos governos euro-americanos perante as eleições iranianas – seja qual for a verdade dos factos e a avaliação do regime iraniano - sugere alguns conselhos amigos.
(…)
Dizem-nos que houve fraude eleitoral. Também nos disseram que havia armas de destruição em massa no Iraque. E genocídio nos Balcãs. E que os fundamentos das economias eram «sólidos». Porque havemos de acreditar neles?
--
O governo iraniano diz que os detidos são agitadores ao serviço de potências estrangeiras e, face à colossal mobilização de meios contra o regime (milhões de dólares investidos pela CIA, manipulação de informação, instrumentalização de plataformas de comunicação para difundir uma situação de aparente caos e mobilizar sectores da população com base em boatos), acusa o imperialismo de ingerência nos assuntos internos do país.
EUA, Alemanha, França e Grã-Bretanha estão apostados numa campanha para derrubar o governo do Irão, que depois de convocar vários embaixadores estrangeiros acreditados em Teerão para os esclarecer sobre a situação, equaciona rever as relações com as três potências europeias.

 

Publicado por João Tunes às 15:16
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