Segunda-feira, 11 de Maio de 2009

FITAS

 

Manuel António Pina e os alarves universitários que queimam fitas:
 
No antigo regime, os estudantes universitários eram pomposamente designados de "futuros dirigentes da Nação". Hoje, os futuros dirigentes da Nação formam-se nas "jotas" a colar cartazes e a aprender as artes florentinas da intriga e da bajulice aos poderes partidários, enquanto à Universidade cabe formar desempregados ou caixas de supermercado. A situação não é, pois, especialmente grave. Um engenheiro ou um doutor bêbedo a guiar uma carrinha de entregas com música pimba aos berros não causará decerto tantos prejuízos como se lhe calhasse conduzir o país. Acontece é que muitos dos que por aí hoje gozam como cafres besuntando os colegas com fezes, emborcando cerveja até cair para o lado, perseguindo bezerros e repetindo entusiasticamente "Quero cheirar teu bacalhau" andam na Universidade e são "jotas". E a esses, vê-los-emos em breve, engravatados, no Parlamento ou numa secretaria de Estado (Deus nos valha, se calhar até já lá estão!).

 

Publicado por João Tunes às 16:11
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7 comentários:
De Jorge Conceição a 11 de Maio de 2009
Concordando com o Manuel António Pina, apenas ressalvo a (pequena, na verdade) contraposição do "dantes" e do "hoje". Fiz um comentário sobre isso, no Porto, no "post" de Joana Lopes no "Entre as Brumas da Memória", que não me apetece repetir. Em síntese: as "jotas" (e a sua função) só diferem do passado por serem plural.
De João Tunes a 11 de Maio de 2009
Sendo assim...
De Jorge Conceição a 12 de Maio de 2009
"Sendo assim?..." Por causa do "não me apetece"? Na verdade tenho grande dificuldade em repetir-me... Mas, enfim, no Porto havia o Centro Universitário (orgão da MP) que diferia do CDUL por ter intenções e actividades para além das desportivas. Uma delas era uma pretensa substituição dos objectivos das associações de estudantes que, à excepção da Associação de Farmácia, eram inexistentes no Porto. Não conseguimos mais que as pró-associações, por acção governamental. O Centro Universitário, dirigido entre outros pelos professores fascistófilos Jayme Ryos de Souza e Serrão, da Faculdade de Ciências, foi um orgão de segura colocação profissional de vários dos seus dirigentes e outros associados, sobretudo em estruturas governamentais e concelhias, de estudantes de fraquíssima qualidade académica (exceptuando-se, talvez, o Beirão Reis), alguns dos quais viram também os seus futuros militares abolidos ou amenizados. Era a "jota" de então. Funcionava, na prática, como as actuais. Era esta a ressalva que eu pretendia fazer ao texto do MAP.
De João Tunes a 12 de Maio de 2009
Tem razão, embora me pareça muito rigorismo seu. Uma crónica do jornal necessita de criar parâmetros simplificadores. E foi isso, parece-me, que o MAP fez. E não terá falhado quanto ao significante. O fascismo teve a sua "jota"? Teve. Mas como forma de ascensão social e política, tirando alguns casos, não foi uma âncora com a dimensão que hoje têm as "jotas" dos partidos. Pelas universidades do tempo do fascismo, antes de um certo boom na sua fase final, o acesso a ser-se doutor (ou engenheiro) já era garantia suficiente. E daí que poucos dos oportunistas / arrivistas tivessem necessidade de recorrer à MP para singrarem. E daí, também, que a MP e os CU's tivessem a expressão que tiveram, muito reduzida à prática desportiva. Hoje, ser da "jota" é quase condição necessária para se ascender encostado ao partido. Acontece no PS, no PSD e no CDS. E vai até ao PCP, onde uma militância bem avaliada na JCP ajuda a chegar-se a deputado ou autarca ou dirigente sindical (e arranjar-se emprego num sindicato ou numa autarquia que estejam sob crontrolo). Não tem importância alguma mas, nesta discordância, vou mais pelo MAP que pela sua tese.
De Bernardim Martelo a 11 de Maio de 2009
outro dia sentei-me numa explanada da baixa do porto para uma macieira e ouvi conversa de trajados em volta de cervejas. veio-me o vómito. Transcrevo: "...pá... os que levam na cabeça hoje são os que vão praxar amanhã..."
De João Tunes a 12 de Maio de 2009
Entendo.
De João André a 12 de Maio de 2009
Escrevi um post também acerca do mesmo tema para o qual, se não se importa (não costumo fazê-lo, mas não me apetece repetir-me), deixo o link:

http://estacaocentral.blogspot.com/2009/05/os-chefes-do-bando-nao-beberam-cerveja.html

Deixo só uma ressalva: estudei em Coimbra e nunca integrei a praxe nem nunca usei sequer o traje académico.

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