
A Presidência checa tem sido das piores de sempre, distinguindo-se pelo vazio de ideias e pelo minimalismo na liderança - na linha neo-liberal da Comissão Barroso.
Com presidências assim, que ninguém se queixe se, em Washington, a "posição europeia" for vista como pouco mais do que a soma das vontades de Paris, Berlim e Londres...
É por esta e por outras que precisamos urgentemente de uma Presidência da UE menos dependente das vicissitudes internas dos Estados Membros e mais permanente e profissional, tal como está prevista no Tratado de Lisboa.
A queda do governo checo deixa a União Europeia com uma presidência enfraquecida, logo agora que a crise económica e financeira torna mais necessário uma liderança forte.
Se o Tratado de Lisboa já estivesse em vigor, teria deixado de existir este "risco nacional" das presidências europeias, visto que o Tratado prevê um presidente próprio do Conselho Europeu.
Poucas vezes tenho encontrado, na opinião socialista, uma apologia tão aberta, como remédio para debilidades políticas, das putativas virtudes de uma liderança “profissional”. O que não abona, a meu ver, do conceito subjacente da “Europa democrática” … deles. Mas é coerente com a fuga ao referendo do Tratado de Lisboa (que, segundo Vital Moreira, é muito bom mas não é entendível pelo cidadão comum). Aí, o PS, violando uma promessa eleitoral, acabou por preferir uma votação “profissional” ao pronunciamento popular. Joga.
Esta expressão de pendor autoritário da candidatura socialista ao Parlamento Europeu confirma Vital Moreira como uma espécie de alter ego catedrático de Sócrates, nos tiques de pendor altaneiro e autoritarista que este adquiriu na gestão desastrada, em termos de liderança e escolha das tensões, da maioria absoluta. O que Sócrates tem de provinciano com fascínio pela tecnologia, Vital Moreira dá-lhe complemento com o verniz doutoral mas usando a mesma forma de navegar sobre a plebe a fazer contas à vida. E, mãe nossa, desta vez com Ana Gomes a ajudar à missa.