
Ao contrário do que já foi opinado por especialistas em Belas Artes convocados a deporem por esses jornais fora, não há défice cultural na PSP que tenha justificado a demanda com apreensão e devolução dos polícias de Braga. Uma vista atenta por jornais e blogues demonstra o contrário. O zelo policial bracarense denotou, antes, ímpeto divulgador nas suas consequências últimas. Tanto que, façam as contas e confirmem, já não deve restar cidadão português, maior ou menor, que, mesmo sem ter posto alguma vez os pés dentro de um museu ou folheado uma colectânea de pintura, não saiba hoje que o “L'origine du monde” é da autoria de Gustave Courbet, tendo apreciado o quadro em vários formatos e qualidade de exposição. Nunca tanto, em tão pouco tempo, se fez pela educação estética em Portugal. Graças, tome nota o Ministro encarregue dos louvores, a três guardas estetas de Braga a mando de um superintendente, ou lá como o chefe daqueles guardas se chama, com vocação pictórica frustrada por desvio para carreira policial. Depois de termos ganho santo por dotes de cura de córnea ulcerada por óleo de fritar, temos agora polícia amiga das Belas Artes e que ainda ensina que até uma vagina se pode pintar. Nós sabemos o que convém e o que queremos, somos é um bocado atabalhoados a fazer as coisas, confiando demasiado na capacidade de improvisação. Mas chegamos lá. E se a via da escola não resulta, há uma esquadra por perto para se gritar "ó da guarda!". Há quanto tempo já é assim?