De marceloribeiro a 20 de Fevereiro de 2009
Ó João Tunes!
que mal lhe fiz eu e os restantes trinta ou quarenta mil figueirenses (e a Associação Naval 1º de Maio) para que V nos q1ueira mandart o bispo. Aliás qualquer bispo.
Será porque uns palermas de uns socialistas se bandearam com outros palermas do ppd para ter cá o santana?
Mas já foi e não deve voltar, pelo menos assim o esperamos.
Mande o bispo para a M;adeira ou para os quase iguais Açores do novo estatuto... Mande para onde quiser mas livre-se, pelas almas (incluindo a sua!...) de nos mandar a mertda do bispo ou o bispo da merda. obnrigado
João, a Figueira já não tem espaço para mais. Não se arranjaria por aí outra estância balnear para "asilar" sua eminência.
Ora, caros figueirenses, gostam de ter os cardeais no casino mas já se importam que um bispo escorraçado vá para aí a banhos...
Gostar não gostamos mas como o clima cultural é tão medíocre lá se fecha os olhos. Mas sempre lhe digo que o CAE está às moscas por causa de tanta fartura proveniente do "Bairro Novo". E mais não digo.
De Bernardino Gato a 20 de Fevereiro de 2009
Não é a Figueira da Foz o local mais indicado para bispos escorraçados.
Já em 1892, escrevia o arcipreste : "(...) na Figueira dão pouco pezo à autoridade ecclesiastica , como V. Ex.ª sabe..."
A ideia que agora se quer fazer passar de que a terra é de vistas curtas está completamente errada. Sempre se viveu e vive-se noutro patamar de tolerância, que a maioria das cidades do país não pode nem aspirar.
Foi sempre terra sem senhores, republicana, laica e de gentes lutadoras pela liberdade - e isto os "media" poderão alguma vez negar.
Erupção bairrista de pacotilha para uma mera provocação considerante. Mas é costume, os provincianos não vivem bem com o humor e são muito, muito, susceptíveis.
A troca de galhardetes sobre a Figueira da Foz, foi colocada em termos amistosos e não acintosos, eis senão quando surge gato que, de unha afiada, parecia prometer. Possuindo conhecimento histórico, embora de pendor monográfico, mas que demonstra alguma leitura, e talvez a condição de autóctone, mas não era isso que aqui, na realidade, se trata. Sabemos que a pesquisa histórica atribui pouca religiosidade aos figueirenses. É facto. Terra, talvez das primeiras do país, senão a primeira, a erigir no seu seio uma Igreja Evangélica, ali situada no inicio de um carreiro que, correndo na margem do rio, ficou na toponímia figueirense como Rua das Lamas. Quanto a terra sem senhores, essa já não é bem verdade, embora soe bem. Desde os monges crúzios aos Quadros, para apenas relembrar mais antigos e não entrar em polémicas estéreis a terra sempre teve pertença e donos. Republicana, bem, que se saiba, também foi monárquica, pois esses foram os dois regimes em que vivemos ao longo de oitocentos anos. Lutadores pela liberdade? Conheço alguns, e de todos conhecidos, mas no que toca a paladino dessa liberdade se foi aquele a quem a terra erigiu monumento depois de morto, mas de quem se esqueceu em vida, morrendo pobre e acossado pelos seus conterrâneos, deve ser Fernandes Tomás. Como não sou bairrista nem feroz regionalista não compreendo a frase "que a maioria das cidades do país não pode aspirar", claro que pode, basta, no seu interior, ter defensores deste calibre. Repare que os paladinos de uma determinada cidade são todos assim, defendem uma dama, não enxergando o real, reparemos que até já existe quem reivindique berço para a Afonso Henriques ao quadrado ou à molhada, como se queira. Quanto à imagem passada pelos tais "media" aqui ninguém tem culpa. Embora sendo a culpa um sentimento religioso aqui ninguém se sente culpado de nada. Desculpe João, mas saíu-me.
De Bernardino Gato a 22 de Fevereiro de 2009
Caro João,
Quero agradecer-lhe o epíteto com que me mimoseou - provinciano . Certamente o sou, porque não nasci lisboeta (nem figueirense). Em tempos de Estado Novo, dizia-se que para além de Lisboa todo o resto era paisagem. Ao fim de tantos anos de democracia, a mentalidade parece-me exactamente igual, com a agravante de a paisagem está, mercê das brilhantes actuações dos governos pós-25, cada vez mais desertificada.
Também sou culpado da falta de humor. Confesso que não vou em Carnavais, mas não impeço ninguém de dar uma boa gargalhada.
P.S. - Pela virulência da sua resposta, penso que algo o deixou perturbado. Não se exalte...
De Bernardino Gato a 22 de Fevereiro de 2009
Surpreendeu-me o conhecimento que tem da história da F. Foz. Factualmente correcta, só peca num ponto: Manuel Fernandes Tomaz morreu cedo, mas não na miséria. A família Fernandes Tomaz continuou a ter um papel preponderante na "governança" da cidade.
Talvez por inabilidade minha, não explicitei o que queria dizer, faço-o agora: todas as cidades têm as suas figuras, figurinhas e figurões, muitas vezes criados pela necessidade do regime do momento, e valem o que valem.
Quanto a ser paladino da cidade, e não enxergar o real, devo dizer que não sou figueirense nem tenho qualquer mandato para a sua defesa; e não enxergo mesmo bem o "real", quando se pretende deturpá-lo.
O que comentei foi a assumpção de ser uma cidade papista, que não foi nem é. Mais disse, que foi uma cidade onde a relgiosidade católica ou evangélica, pouco contava para o quotidiano da população, apesar de ser uma cidade marítima. Diga-me, se no século XIX, houve outros centros marítimos ou piscatórios tão desapegagos da religião?
João a seara é a sua mas...não me coíbo de responder como apraz.
Apenas num ponto, crucial, na apreciação colocada acima. Quanto a cidade marítima concordamos que o seja desde longe. A povoação e a sua praça foi beneficiando da proximidade da foz do Mondego, apesar das enormes arrelias provocadas pela sua barra, que a partir dos meados do século XIX, lhe proporcionaram o lento definhar do comércio marítimo, situação ajudada pelo fim das exportações para o Brasil, da implementação do vapor nas embarcações e outras que não vem agora a propósito. Mas existe uma confusão e é sobre essa que pretendo divergir. Piscatória, propriamente a Figueira nunca o foi, embora porto de descarga de pescado, por virtude do seu óptimo mercado, situado mesmo junto à foz do rio. Piscatória foi e é Buarcos e, essa sim, povoação de pescadores onde a existência de uma religiosidade, aqui e ali salpicada de paganismo, e que faz parte do culto daquelas gentes. Mas importa não confundir Figueira da Foz e Buarcos que embora próximas não podem ser confundidos como dois centros piscatórios. Uma e outra são muito, mas muito diferentes, na sua essência. A Figueira burguesa nunca se misturou com a Buarcos operária e piscatória. Dai não servir a Figueira da Foz de exemplo para o que pretendeu alegar. Quanto a Fernandes Tomaz , os relatos são divergentes nalguns pontos, incluindo esse. Mas a tendência é para confirmar o facto que expus. Ninguém gosta de ser acusado. Amenizar a memória é um propósito, quando a realidade foi atroz. Quanto á família ter continuado à frente da governança na cidade é um facto, mas sobre ele não me havia referido.
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