
O encadeado está viciado, minha cara irmã por escolha. Nós, os ateus, não negamos nada. Simplesmente não acreditamos no que vocês, os crentes, inventaram (os deuses). O que é mais velho que o cristianismo, vem já do paganismo. Mas, diga-se em vosso abono, que a invenção dos deuses, sem atender aos seus porquês e a que necessidades atendem, é obra de imaginação prodigiosa, um património cultural da humanidade. E as sociedades laicas, ao remeterem a religiosidade para o seu domínio apropriado, o da cultura, são as únicas que podem ser verdadeiramente eucuménicas, aquelas em que ninguém precisa de negar o outro para afirmar a sua identidade nem fabrica tolerâncias, essas formas subtis de disfarçar superioridades (como a do sofisma de dizer “eu acredito no que não provo, tu não acreditas naquilo de que não provas a negação” como se houvesse similitude na necessidade de prova).
De mc a 28 de Janeiro de 2009
:)
caríssimo mano, nesta é que não nos vamos mesmo entender.
A similitude é igual. Embora o facto de eu usar este termo de "prova" seja uma grande concessão da minha parte. Já há muito deixei essa linguagem das "provas", aliás, fujo de todas elas a sete pés.
É impossível nestas conversas não surgirem paradoxos vários. Os meios de que dispomos e, entre eles, a linguagem são limitados. Deus tem de estar para além dos nossos limites, caso contrário não seria Deus.
Quanto às sociedades laicas, estou de acordo, que as religiões têm muitos valores a aprender com elas. Mas o contrário também é verdade.
mc, desculpe mas a sua valente pertinácia identitária (com a presunção própria de quem vive num país em que a religião que professa se casou com o poder durante séculos, foi religião oficial e ideologia oficial) merece uma dureza argumentária à altura. Vcs, religiosos, não têm que aprender ou ensinar com a sociedade laica, terão de viver nela. Com os outros, como os outros. Em X como maioria cultural, em Y como minoria cultural, sempre falando em nome do vosso rebanho, não da sociedade nem a marcando nas suas opções de valores. Porque não há sentido legítimo para, por terem inventado uma fábula sobre o mundo, a humanidade e a sua espiritualidade, e uma maneira própria de sofrerem ao se submeterem, cobrarem a todos os direitos de autor. Neste capítulo, fiquem-se pelo dízimo a pagar pelos fiéis da mesma fé. E ainda vão agradecer aos ateus o papel de moderação e equilíbrio nas disputas inter-religiosas que se geram no convívio difícil entre as fés concorrentes.
Abraço em amizade.
Olha que dois!
E eu deveria estar talvez a meio caminho mas: sorry, MC, estou totalmente com o João...
De
mc a 28 de Janeiro de 2009
Joana,
escolhemos caminhos e posições, mas a verdade é que vamos todos no "mesmo barco". a um ateu isto soará a sobranceria. não é.
e eu sou claramente uma católica de fronteira, sempre pronta a pôr tudo em causa. mas acabo por sentir que é mais forte do que eu, esta coisa de crer.
Sobranceria? De todo, MC. Fé é isso mesmo, algo que se sente como «imposto».
De
mc a 29 de Janeiro de 2009
Joana,
o "imposto" aqui é lido do seguinte modo:existem sujeições boas. Que não põem em causa a liberdade. É desse modo que vivo a fé. mas podemos não estar a falar a mesma linguagem, temos percursos bem diferentes.
De
mc a 29 de Janeiro de 2009
caro mano,
ficará para próxima oportunidade uma resposta ao seu comentário. Claro que um católico ainda se sente muito confortável na Europa e no mundo ocidental. Mas existem outras realidades de viver o catolicismo e cristianismo. e as preposições da fé não mudam.
O sofrimento não é exclusivo do cristianismo. Houve um exagero de valorizar esse sofrimento. Sofrimento pelo sofrimento não é a mensagem cristã. Mas ele está presente na vida humana. O cristianismo dá-lhe um sentido. Deus porá fim ao mesmo.
Abraço, sempre
Eu espero. Vivo na fé da paciência para com todos os ungidos pela boa vontade.
Abraço.
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