
Depoimento de Bruno, antigo aluno do Instituto Antonio Provolo de Verona pertença da Congregação da Companhia de Maria, considerado um modelo da caridade da Igreja Católica na educação de crianças pobres surdas-mudas:
- "Dois padres do colégio levaram-me ao palácio episcopal e deixaram-me a sós com ele [Giuseppe Carraro, Bispo de Verona entre 1958 e 1978, já falecido e actualmente em processo de canonização, na foto]. Foi em 1959. Eu tinha 11 anos. Sodomizou-me e tentou outras práticas sexuais. Foi uma experiência terrível.”
Bruno é um dos 70 ex-alunos surdo-mudos do Colégio Provolo de Verona, hoje homens e mulheres entre os 41 e os 70 anos de idade, que decidiram romper o silêncio sobre os abusos sexuais e outros maus tratos a que foram sujeitos quando crianças entregues à caridade católica. (ler notícia aqui)
De mc a 25 de Janeiro de 2009
muito, muito triste. sinto vergonha e revolta,
Até eu que não pertenço à confraria. Com as tampas a sairem das panelas eclesiásticas fica-se com uma ideia mais óbvia da monstruosidade da imposição do celibato que não é mais que uma fábrica de taras sexuais. Em vez de interditarem o casamento deviam era proibir o acesso ao sacerdócio aos tarados sexuais. Porque raio hão-de fazer lutar permanentemente, em cada padre, a natureza contra deus? Não acha?
Não esqueçamos que foi o actual papa Ratzinger quem geriu e impôs regras de silêncio às vítimas de pedofilia por parte de padres (sob pena de excomunhão...) durante décadas em que milhares de crianças foram miseravelmente abusadas por estes predadores a tresandarem a incenso. (ai que cheirinho a santidade, como diria a titi d'"A Relíquia"...)
De mc a 27 de Janeiro de 2009
vou repetir-me: não é tão simples. Lembre-se que os molestadores de crianças são em grande número familiares directos, e pais, muitos.
A Igreja tem a veleidade de achar que com um voto de celibato e uma tantas preposições morais resolve os conflitos de natureza sexual. Como se vê, não.
Um autor católico que é padre e psicanalista, define um determinado perfil psicológico comum aos padres e religiosos(as) consagrados. E aí é que reside o problema. Para essas pessoas e para quem os acolhe parece o perfil ideal para tal tarefa e acabam por viver grandes problemas interiores e no desempenho do compromisso que assumiram.
O grave destas situações é que a Igreja tenta sempre "passar por cima", "ficar entre muros" em vez de assumir as culpas e resolver.
O grave destas coisas é que uma moral judaico-cristã baseada na culpa, no pecado e numa noção diabolizante do corpo e da sexualidade, só pode dar este resultado. O grave destas coisas é a absoluta cumplicidade da hierarquia para com estas situações que se tornaram clássicas. (os pedidos de desculpa do Ratzinger não o iliba da forma vergonhosa como geriu o problema durante décadas...) O grave destas coisas é pensar que esta é a excepção...
ps - que muitas vezes os molestadores sejam "familiares directos e pais, muitos" não vem muito ao caso. Estamos a tratar de quando os molestadores são padres e bispos. E isto, cara MC, é mesmo muito simples .
De mc a 28 de Janeiro de 2009
al kantara,
eu nunca vou apelar a números. bastava que houvesse um único padre que o fizesse para ser abominável. ao falar de outros molestadores queria responder ao João que não se resolve este mal, simplesmente, com o facto dos padres casarem. Já concordo que o perfil psicológico, certas questões sociais, religiosas, culturais, educacionais das pessoas que cometem estes actos seja mais ou menos comum. Isso vai atravessar diversas profissões, estados de vida.
Depois, como diz o povo "a ocasião faz o ladrão". Estes adultos têm um acesso priviligiado às crianças e têm um ascendente muito poderoso sobre elas. Nisso, os padres, são uns "priviligiados". Que estes casos se falem, julguem, criminalizem, vai ajudar a que percam esse poder.
Claro, mc, poucos são os problemas com uma única solução. Mas libertando-se os padres (e as freiras) para a vida sexual, se não se anulavam as filias (que existem em qualquer vida sexual, assim como as fobias), libertava-se a pressão do "interdito", nomeadamente a tendência para a compnesar no abuso de poder (e a pedofilia é sempre um abuso de poder). E, que diabo, sexualmente livres nem todos os padres iam conservar a fixação maníaca no prazer da sodomia...
"De todas as perversões sexuais, a castidade é a mais perigosa..." - Bernard Shaw
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