
Por coincidência, a presidência checa da União Europeia coincide com o primeiro semestre do ano anunciado como o do boom da crise financeira e económica. A escala de rotatividade impôs que o próximo “presidente europeu”, um senhor antipático chamado Václav Klaus, seja um eurocéptico inveterado. Coisas da roleta democrática numa União em constante alargamento e diluição.
Vai ser interessante verificar como, no contexto de dificuldades que aí vêm, a República Checa, para mais com um primeiro-ministro em dissonância com o respectivo Presidente da República, vai exercer a liderança europeia. E, por outro lado, como é que esta liderança político-institucional se casa com uma Comissão Europeia com a mediocridade nivelada por Durão Barroso. E ainda como é que os Estados mais fortes, nomeadamente a França e a Alemanha, vão suportar o caldo das tibiezas checas e barrosistas. De qualquer modo, sendo lamentável que a crise não intervale por seis meses, teremos aí, ao virar do ano, o início de uma das maiores provas a que se submete a aparente robustez da construção europeia alargada. Com uma hipótese de crise política em cima de uma crise económica e financeira. Preparemo-nos para o pior se uma admirável surpresa não acontecer.