

Já há muito tempo que ando a coleccionar discordâncias vivas com Rui Bebiano, sempre à beira de polémicas adiadas. Não sei se é da quadra ou mera evidência que me estou a radicalizar com a aproximação das pelejas eleitorais, eis senão quando de repente me apetece pedir-lhe licença para assinar por baixo o texto integral deste post. E, sendo assim, declaro tréguas, embora elas fossem mais necessárias lá, em Gaza.
Caro João Tunes, venham daí as discordâncias, quando for caso delas... Também nem sempre concordo com o que leio no Água Lisa, claro. Um abraço.
Não, caro Rui Bebiano, não julgue que há recalcamentos, apenas gestão de conflitos. E é certo e sabido que aqui, ao se andar na blogosfera, se se andasse à procura de alter-egos ou se terminava na tristeza da decepção (para os sonhadores de utopias renhas) ou na monotonia de um canto coral (como os parceiros em trelas ideológicas). Na falta de talento melhor, usei uma figura de estilo de entrada dissonante para amenizar a concordância, neste caso plena, sobre o olhar acerca do drama em Gaza. Já andamos por aqui há tempo suficiente, e com a estima que se vai acumulando, para irmos sabendo com certeza aproximada onde vamos concordando e divergindo (arrisco que ainda é os fundos de "Outubro" que nos dividem, melhor: separam).
Abraço.
O gozo que essa polémica me daria/dará! Quase adivinho quando esttaria de acordo com um ou com o outro!
Sua "voyeur"!!!
Um abraço próprio da época.

De
Yaleo a 28 de Dezembro de 2008
Parabéns pelo destaque.
O destaque do "sapo" não vale grande coisa (além da simpatia da equipa sapo.blogs que é também de uma competência atenta a toda a prova). Eles limitam-se a tratar bem os "clientes" e vão percorrendo a escala dos destaques para contentar a todos. Repare que não definem critérios de selecção, quem usa o servidor, mais tarde ou mais cedo, leva com uma taça sem perceber que campeonato ganhou. É um mero afagar de egos, já cá cantam não sei quantos destaques e cada vez sinto mais que este blogue está em perda contínua não só de produção como de qualidade de escrita. Assim, o destaque é mais um sinal que a equipa do servidor é malta porreira que outra coisa.
De qualquer forma, obrigado pelo seu sinal de simpatia.
De José Eduardo de Sousa a 28 de Dezembro de 2008
A comunicação social, que acontece acobertar interesses vários, além deste mais, faz um produto. Produto para ser vendido. Parece claro que há um antisemitismo muito alargado. E vê-se que os palestianos são sempre jogados na comunicação social como as pobres vítimas. Até o são, embora, haja dificilmente vítimas inteiramente desresponsabilizadas.
Eu, se tiver de tomar uma posição, sou pelos palestinianos. De forma afectiva, diga-se humanista e quase que poderia dizer humanitária. E por indignação emotiva também. Israel, contudo, luta pela sua sobrevivência. E, em tal, não é só no plano dramático desse conflito, o que já não seria pouco. Em outros mais. Eu tento, embora mal informado neste momento, compreender as razões das suas políticas. E quase que as aceito como obrigatórias.
Apenas adianto três ideias, embora uma vá por si mesma, forçando-me a ser breve
1ª A Comunicação Social, apesar de os ter referido, sempre iria abandonar aqueles pequenos desatinos dos mísseis palestianos, para berrar naquela outra cena de violência e sangue;
2ª O Poder israelita sabia que a “trégua” do Hamas não iria para além dos 6 meses, a não ser que adviesse qualquer facto novo, e tinha, pela certa, preparado o seguimento que daria ao rompimento de tais tréguas e é claro que o faria na continuidade de uma qualquer linha.
3ª Na Política de Israel domina o facto consumado (dos Kibutzs aos colonatos) e, agora, sendo de esperar –e espero que me engane– mais desenvolvimentos militares, tratar-se-ia mais de criar uma situação de facto, naquele inextricável quadro, que condicionará Obama, e mais algumas coisas, do que uma simples declaração de princípios acentuada com o punho.
Acabo pela questão do espaço. Apenas acrescento que, salvo mais um ou outro pormenor, eu estou de acordo com o post de Rui Bebiano.
Obrigado pelo contributo. Falou de palestinianos e confessou a sua simpatia afectiva e respeitável para com os palestinianos. Mas o conflito actual é em Gaza e en Gaza os palestinianos do Hamas esmagaram os palestinianos da OLP (os representantes históricos e tradicionais da "boa causa" palestiniana). Pode entender-se que quando fala de palestinianos está a falar do Hamas? E dirá "Eu, se tiver de tomar uma posição, sou pelos palestinianos do Hamas"?
De José Eduardo de Sousa a 29 de Dezembro de 2008
Obrigado, João Tunes, por ter prestado atenção ao que eu disse. Indevidamente, talvez, porque, como eu denunciei, não estava bem informado sobre a actualidade.
O conflito está localizado em Gaza, diz, mas eu lembro-me que, em Gaza, esteve Arafat, naquele pungente quadro de cercado, humilhado, como um inquilino a quem o senhoria se podia dar ao luxo de cortar a luz, etc. Um Arafat com a OLP e algumas organizações terroristas que, ao que se pensava, estariam associadas a Fatah.
Em Gaza e na Cisjordania, em 2006, o Hamas venceu as eleições de 2006 e ficou com a maioria no Conselho Legislativo Palestiniano. À época, comentava-se que o Fatah era corrupto e que o Hamas tinha criado uma poderosa rede de assistência social. É pena, mas os palestianianos deram a maioria, 42,9%, a um grupo fundamentalista islâmico, eles que sempre nos apareceram como dos mais moderados, dos mais “civilizados” árabes em matéria de religião. Talvez que o seu desespero os tivessem levado, na percentagem em que o fizeram, a pegar naquela “nova política” e, com ela, a pegar também no que ela comportava de mais execrável. O terrorismo na forma extrema, o objectivo, como que exclusivo, de destruição do Estado de Israel,etc.
Com a maioria do Hamas no Conselho Legislativo e com Fatah e o seu dirigente Abbas, com uma parte essencial do poder (como que a de primeiro ministro), a situação foi de impasse, desordem, intriga e manobras internacionais, e acabou com o Hamas a tomar conta do poder na Faixa de Gaza. Violentamente.
Eu respondo-lhe à pergunta que faz. Eu, se tivesse de escolher, afirmaria toda a minha simpatia por todos os palestinianos, sejam do Hamas ou de qualquer outra organização, enquanto palestianos que sofrem as misérias e os sofrimentos por que passam há dezenas de anos. Um povo inteiro ao alcance de uma só mão. Por outro lado, se tivesse que mostrar a minha posição, mostraria a minha repulsa pela política de Israel e por todos os terrorismos que lhe dão, ou julgam que dão, uma resposta e que visarão (?), finalmente, a obtenção dos direitos que reclamam como Estado e como pessoas. Para um lado e outro, contudo, eu ponho, tentando não me apaixonar (não sou obrigado a tomar posição), esta questão: mas o que podem afinal fazer? Que mudança de comportamentos a situação presente possibilita? Etc.
Eu tinha falado na sobrevivência de Israel. E se nós perguntássemos quais as condições de que Israel precisa para, sem apoios internacionais, isolado do mundo, conseguir sobreviver veríamos, então, que havia muito a questionar. Digo sobreviver em sentido amplo. E o pôr simplesmente esta questão, ela, não é nada simples, já nos permite adivinhar como Israel precisa de visar e chegar muito longe. Por agora, as guerras, os conflitos existentes, a guerra aos terrorismo são-lhe necessários.
Uma nota pessoal. No Verão de 1975 fui a um Congresso partidário em Paris. Eu era do PRP-BR, BR ainda na altura, julgo eu.Não cito o nome da Organização que fazia o congresso, porque tenho tantas dúvidas (não desfeitas com consultas) que posso/devo enganar-me. Tive, então, um encontro com um grupo que me foi apresentado como elementos da Frente Democrática da Libertação da Palestina (FDLP) e, depois da conversa, fiquei a pensar que a ideia central que me quiseram passar era a de que a OLP era apenas um actor internacional para os jogos diplomáticos, os apoios, etc. Sei hoje que aquela FDLP tinha abandonado a OLP no ano anterior. Conversas para efeito útil, mas também, na parte que me diz respeito, para pensar como se chega a representante histórico.
Desculpe a extensão do texto. E ao contrário do que se pensa, os bons desacordos e a maneira de os ter fazem os bons convívios, tanto quanto os próprios acordos . Assim seja.
Por agora, não meto muito mais no contraditório. Não por falta de gosto mas apenas porque tenho mochila a fazer para ir descansar, na mudança de calendário, uns dias de internet no sossego das margens termais do Mondego. Custa, muito sapo se engole com a frieza desapiedada da falconaria israelita, mas como podem sobreviver, e de holocaustos estão servidos, rodeados da estupidez agressiva do fundamentalismo islâmico? Atacando ou contra-atacando. Ao fim e ao cabo, guardando-nos as costas. Eu, julgando-me europeu democrata, devo saber que a tragédia me entrava porta dentro se o velho sonho anti-judaico de deitar os judeus ao mar fosse concretizado e o Hamas e quejandos viessem por aí impor a sua civilização arcaica que faria o catolicismo parecer uma cultura de Luzes. No absurdo de uma escolha, estou com Israel, com a distãncia possível dos seus abusos da força.
Bom ano para si. E volte sempre.
De José Eduardo de Sousa a 29 de Dezembro de 2008
Para si também e obrigado.
Eu sou velho, costumo ficar em casa. De há anos para cá. Agora, estou a arrastar os restos duma faringite e está frio. E mais frio terei, ao somar o dos ossos , frio que, pela certa, já será algum do meu Além.
Que as águas do Mondego estejam mais aprazíveis e bonitas do que nunca. Bom Ano Novo.
Então renovo os votos com desejos de melhoras pois o frio se afronta tb enrija (digo eu, natural do lado de lá do Marão, onde já mandaram os que lá estão). E não invoque a idade para me lembrar que velho tb eu sou mas trapo é que não. E não ressentido, tanto que o recebo aqui com todo o prazer, sem ponta de rancor por há 35 anos atrás termos estado em lados diferentes da "barricada" num célebre plenário da CDE de 73, lá num pinhal para os lados de Santa Cruz, em que eu fiquei firme e estático na ortodoxia ao lado do actual "cerejeira" da blogosfera, enquanto o meu caro fez fila de dissidência radical com a nossa amiga Joana e atrás da doutora Isabel (já seria o Hamas a iluminar-vos o caminho?). Já então a árvore tinha muitos ramos. E vai continuar a ter se não deixar apodrecer as raízes.
Na volta, cá o espero.
Abraço.

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