
Diferenças relativamente ao tempo em que era Fidel a discursar: o discurso demorou menos de uma hora e o número de assistentes foi de 10.000.
De
RN a 29 de Julho de 2008
A coisa, não há dúvida, tá a melhorar. Agora aquilo com o Fidel era outra coisa! Aí por 1986, estive aí, em Santiago, no 26 de Julho, três filas atrás do comandante em chefe. Ainda ele não caía nos palcos. Nem o Kremlin tombara. Tás a escrever da praia ou quê?
Comemoram em Brasília Dia da Rebeldia Nacional em Cuba
O 55 aniversário do assalto aos quartéis Moncada e Carlos Manuel de Céspedes foi comemorado em Brasília com um encontro organizado pela Associação Nacional de Cubanos Residentes no Brasil “José Martí” – ANCREB, entidades de solidariedade a Cuba e o Núcleo de Estudos Cubanos da Universidade de Brasília.
No evento, realizado no sábado 26 de julho no acolhedor Café da Rua 8, no centro da cidade, participaram aproximadamente 300 pessoas. Presidido pelo Embaixador de Cuba no Brasil Pedro Núñez Mosquera, contou também com a presencia de funcionários da Embaixada cubana, assim como representantes da Embaixada da Venezuela. Assistiram, ainda, dezenas de cubanos residentes em Brasília, e amigos de vários países latino-americanos.
As palavras de agradecimento foram proferidas por Tirso Sáenz, presidente do Capítulo de Brasília da ANCREB, enquanto o embaixador Núñez Mosquera destacou a importância histórica da data e o seu significado no processo revolucionário do povo cubano, ao longo de todos estes anos, na qual o 26 de julho de 1953 constituiu o início de uma nova etapa da Revolução.
As palavras do Embaixador foram seguidas pela leitura emocionada do poma “Já estamos em combate”, de Raúl Gómez García, realizada pelo compositor brasiliense Décio Coutinho, que também interpretou várias canções da sua autoria.
A continuação se apresentou um grupo musical formado especialmente para a comemoração, com três vozes, guitarra e percussão, integrado pelo chileno Rodrigo Hernández e os brasileiros Jorge Macarrão e Márcio Bomfim. Interpretaram um amplo repertório de músicas latino-americanas, várias delas cantadas em coro pelos presentes. A atuação concluiu de forma especial, com um público eufórico dançando ao som da Guantanamera.
A noite se transformou em uma manifestação de apoio a Cuba e sua Revolução, na que compartiram juntos, mais uma vez, cubanos residentes no Brasil e amigos latino-americanos. E estiveram presentes também, nas imagens projetadas no telão, nas fotos e cartazes que conformavam a decoração e no coração de quase todos os que ali se encontravam, os 5 Heróis cubanos presos em cárceres norte-americanos.
Foi uma comemoração digna da histórica ação revolucionária do Moncada, um emocionante e acolhedor evento de solidariedade a Cuba. Predominou a simpatia e a contagiante alegria que tanto identifica aos nossos povos, e compartiram todos como irmãos, entre bandeiras, discursos, poemas, aplausos, abraços, músicas, comidas e bebidas típicas.
E quando já bem entrada a noite se levantaram as vozes dando vivas ao 26 de julho, os ali presentes aplaudiram juntos, e brindaram todos, felizes, pelo 55 aniversário do glorioso assalto ao quartel Moncada. Somos os latino-americanos povos realmente irmãos, ninguém duvide, e que a nossa história comum de lutas e de vitórias nos proteja a todos e nos mantenha para sempre unidos e solidários.
Pablo Saínz Fuentes
Associação Nacional de Cubanos Residentes no Brasil “José Martí”
www.guantanamera.com.br
Se "brindaram todos, felizes", então a festa foi boa e rija. Óptimo. Imaginem agora a felicidade alargada que vai ser, e a festa também, quando Yoani Sanchez, a blogger do "Generación Y" (http://desdecuba.com/generaciony/) , tiver o seu blogue desbloqueado do boicote de acesso público e puder ir a Espanha receber o Prémio Ortega y Gasset de jornalismo digital. Desgraçadamente, Yoani, cidadã cubana como o comentador, não tem a mesma liberdade de publicar e ser lida em Cuba como o Pablo Saínz Fuentes tem de vir aqui, a este blogue, dar conta da sua euforia de exaltação revolucionária. Enquanto assim for, a vossa alegria e festa são excelentes (festa é festa, alegria é alegria) mas próprias de sectarismo totalitário, infinitamente desproporcionadas quanto a direitos. No fundo, festa e alegria que são tristezas para as causas da liberdade e da democracia.
Bom amigo João. Falar em liberdades é asunto para nunca mais acabar, você bem sabe disso. Eu também não sou partidário de restrições, de nennhum tipo: nem abertas nem encobertas.
Não duvido da qualidade da escrita da simpática Yoani, nem se são ou não merecidos os premios que recebera e os inúmeros convites para conhecer o mundo, mas você tal vez até concorde comigo, que pela forma como você escreve pareces ser gente inteligente: não fosse pelo regime cubano e suas supostas restrições, nem você nem eu conheceriamos a hoje tão afamada Yoani.
Cá entre nós, se ela escreve bem (e mais uma vez esclareço que não o coloco em dúvida), posso te garantir que tem outras dezenas, se não centenas de pessoas em Cuba que o fazem igual ou melhor; mas como não afrontam o regime ou com ele simpatizan, não ganham destaque na mídia internacional.
É isso aí, bom amigo, nem os nossos modernos e tão pessoais blogs escapam hoje do confronto ideológico, em maior ou menor medida. As restrições não são exclusividade de Cuba. Eu consegui comentar no teu modesto blog (e falo modesto com o maior respeito), mas me diz você se, não meu umilde texto, mas um texto bem elaborado feito por um professional, que tratasse o tema que eu tratei e o enfocasse da forma que eu fiz, me diz, bom amigo, se o Globo o publicaría, ou a Folha de São Paulo ou o Jornal do Brasil.
Aqui no meu (no teu) Brasil, como em todas partes, também somos todos alvos de restrições ideológicas, bem mais severas (na minha opinião) do que acontece em Cuba. No subestimemos os interesses (também ideológicos) da poderosa mídia. A diferença é que por estes lares aqui não se assume públicamente que se restringe e se discrimina, e conseguem ainda confundir assim muita gente boa e honesta.
Acho que a nossa querida Yoani concordaria comigo, embora tal vez nunca o assuma publicamente (podemos lhe sugerir o tema), por motivos evidentes, que ela tem é que agradecer e muito as supostas restrições a que a submetem. Caso contrário, nem você nem eu teriamos conhecido o "talento" dela.
Só mais um detalhe, amigo. Você autorizou a publicação do meu texto sobre a festa cubana neste teu blog, e eu agradeço, de verdade. Mas convenhamos: só por pensarmos de modo diferente meu texto já foi sutilmente censurado, com um elegante y profundo comentario do próprio dono do blog. Lógico, já sei, direito seu!!!
Caro Senhor Pablo,
É fácil entender que as suas funções associativas lhe exigem bom domínio da praxis propagandística. Reconheço que o faz com mérito e boa ginástica argumentativa. E com cordialidade, o que não posso deixar de assinalar e agradecer. Mas, natureza da condição, ser propagandista de um sistema totalitário, por fatalidade ou gosto, tornou-o um cínico, o que para uma pessoa inteligente é uma lástima de que muitos génios não se livraram. Goebells não diria melhor para justificar o nazismo, se vivesse tempo suficiente para aprender consigo, que dizer que só graças ao Holocausto os judeus se tornaram famosos e respeitados e isso constituir um elogio ao sistema de extermínio montado pelo nacional-socialismo. E o que vc diz sobre Yoani é uma ignomínia, algo que me repugna, para mais dirigida a uma compatriota sua, não minha. E ignomínias não comento.
Não comento também, por desconhecimento dos factos e do contexto, a liberdade de imprensa e de expressão no Brasil. Mas sempre lhe digo que, do sistema de onde vem e que defende, vc parece ser um hóspede ingrato de uma democracia que o hospedou e lhe permite organizar-se associativamente e comemorar efemérides que ideologicamente o orgulham.
Finalmente, vindo de um comunista cubano adepto do castrismo, é espantoso que considere como uma “subtileza censória” o facto de, no meu blogue, responder aos comentários que aqui são colocados. E o espanto é tamanho que me rouba todos os argumentos. Mas fique certo que, enquanto não abdicar da cordialidade no trato, tem aqui eco para as suas palavras. Não sou castrista, nem Portugal é Cuba.
Saudações cordiais.
Desculpa, bom amigo. Tentei ser cordial e argumentar sobre o que realmente penso, um intercambio "camarada" de pontos de vista diferentes, algo que tenho aprendido durante anos no exercicio da academia.
Vejo, pelo estilo com que você retrucou, que a tua inteligencia se mantém intacta; mas senti (posso até estar errado), que a tua aparente simpatia passou a envolver um tanto de ironia. As desnecesárias referencias ao holocausto te fizeram perder de vez a elegancia. Não aceitaria elas nem como brincadeira de muito mau gosto. Abro mão até de comentá-las.
Sou alguém que vive, observa e raciocina, só isso; mas aceito e convivo com armonia com aqueles que pensam de forma diferente. Analisa como o teu preconceito te traiu desta vez: se eu fosse realmente comunista, como você alega, não estaria eu residindo no Brasil e usufruindo do lado bom e das mordomias com que o capitalismo premia a quem conseguiu atingir um razoável nível de ensino. Se eu fosse realmente castrista, meu lugar natural deveria então estar lá em Havana, junto até da minha querida família. Te garanto que não me considero mais nem um nem o outro, e se eu dicesse o contrário seria hipocrisia minha. Mas tem uma coisa que sempre terei, isso sim, algo que se chama responsabilidade social.
É uma pena que os teus leitores tenham perdido a chance de um prolongado debate inteligente, franco e aberto. Peço-te, por gentileza, fazer uso do teu direito de proprietário deste blog e encerrar de vez com a tua contra-réplica esta tentativa de debate. Faz isso pelo bem da convivencia de pessoas decentes neste mundo, como espero sejamos nós dois, e que mesmo bem educados e a serviço do bem-estar social, não teriam por que pensar de forma semejante. E não esquece que nem sequer foi o velho e sábio comunista Marx quem alertou sobre o assunto, foi acerto da social-democrata Rosa Luxemburgo: liberdade é liberdade para os que pensam de modo diferente.
Aguardo curioso o teu último comentário ao meu, se decidiras fazé-lo. O lerei com prazer e apreensão, com a dor de saber que não irei respondé-lo, e a esperança de que não precises acudir à agressões verbais para contrarrestar o que digo. E depois disso, bom amigo, te peço um sincero e virtual aperto de mãos, um forte abraço, e muita boa sorte para nós dois.
Caro Senhor Pablo,
Por mim, a conversa fina-se aqui. O senhor é demasiado “elástico” para a minha capacidade de entendimento e debate. E não o conhecendo pessoalmente nem a sua trajectória e obra, portanto não podendo ter uma apreciação acabada sobre a sua pessoa, permita que duvide da sua honestidade intelectual (e citar Rosa Luxemburgo, como sendo social-democrata, em contraponto ao comunista Marx, se não é por demagogia só se explica por défice de leitura, caso pouco provável). O Senhor Pablo não é comunista nem castrista e organiza loas e hossanas à longeva ditadura castrista; o Senhor Pablo é infame para com a cidadã Yoani Sanchez e depois faz-se de cavalheiro ofendido perante um exemplo levado ao absurdo desse mesmo tipo de infâmia. Para cúmulo, o Senhor Pablo quer sair do debate pelo Olimpo virginal da Cátedra devido aos seus pergaminhos de académico. Chega, por mim chega.
Foi um prazer e um estímulo, este primeiro contacto consigo. Desejo-lhe o melhor para si, sua família e seu país. Talvez nos voltemos a encontrar noutra ocasião. Quem sabe se em Cuba, festejando a conquista da democracia e da liberdade, em genuína “solidariedade social”.
O ELÁSTICO SOU EU?
Tem gente que foi até comunista / cospe hoje no prato que comeu / e ainda tem coragem de me dizer / que quem é “elástico” sou eu! - Brincadeira! E Deus me livre de nos encontrarmos numa Cuba governada por ex-comunistas, grande João, não porque eu não quera conhecer pessoalmente você, pois mesmo você colocando em dúvida tudo o que eu falo, lhe garanto que seria um imenso prazer. O que não desejaria nunca é uma dose de dogmatismo em dobro para a terra que um dia me viu nascer.
Ora bem, mais um tartufo que deixou cair a máscara e mostrou a face. Uff, já não era sem tempo. Que Deus e os Castros o guardem!
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