Sexta-feira, 25 de Julho de 2008

QUO VADIS ANTI-AMERICANISMO?

 

Bush Filho foi o americano que mais fez pelo alastramento do anti-americanismo no mundo. Pela sua tacanhez, insensibilidade, mentiras e mania das grandezas imperiais balofas e agressivas, sadismo na violação dos diretos humanos, numa dimensão de grande líder pacóvio, com ele na Presidência dos EUA, é impossível estimar a América. Relativamente a isso, as tradicionais correntes anti-americanas, de direita e de esquerda, fizeram os aproveitamentos e glosas que lhes competiam. E os Estados Unidos vêm sair Bush Filho da Presidência, com o nível mais baixo do seu prestígio como grande nação que é.
 

Quando se iniciou a corrida ao novo mandato na Casa Branca, surpreendeu-me como a maioria da esquerda europeia (a anti-americana e a outra) alinhou de imediato com a Senhora Clinton. Nunca percebi o porquê dessa preferência precipitada. O grande e único argumento que vislumbrei foi que Obama nunca ganharia a cadeira presidencial aos Republicanos. Muito menos entendi este óbice ao afro-americano Obama. E, aqui, até se esquecia o Iraque (no Senado, Obama votou contra, a Senhora Clinton votou a favor). Mas o certo é que ao entusiasmo inicial pró Senhora Clinton, quando Obama ganhou a nomeação como candidato dos Democratas, seguiu-se um esfriamento na torcida pró-Democratas desejosa de nos livrarmos do pesadelo Bush. Agora, Obama anda pela América e pelo mundo quase em estágio presidencial. Poucas dúvidas existem já que será ele o próximo Presidente da América (pois claro, se não o matarem antes). E que o que existe de politicamente mais rançoso no consulado bushiano vai à vida. Mas Obama não só não entusiasma os anti-americanos de véspera (que diziam que não eram contra a América mas só contra Bush) como a frieza quanto às mudanças que ele pode ou vai operar, aumenta. Fenómeno estranho. Para já, provisoriamente e até melhor entendimento, concluo que os mais genuínos entre a esquerda europeia anti-americana, enquanto Obama estagia para Presidente, está a estagiar para o novo confronto pós-Bush, ou seja, independentemente de quem é Presidente, a América é e será o Império do Mal. Até que a esquerda europeia substitua, na América, a esquerda americana?

Publicado por João Tunes às 17:57
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9 comentários:
De Lutz a 25 de Julho de 2008
Como é problemático falar de entidades tão genéricas como a "esquerda" ou a "esquerda europeia", ou também "anti-americanismo"!
Pode ser-se de esquerda sem ser anti-imperialista? Há quem dirá que não, a começar pelos que ainda choram
a derrocada do império da esquerda. Mas deixamos este de parte, cujo anti-imperialismo não passa de uma mentira hipócrita.
Mas há os outros. Eu, por exemplo. Não sou imperialista, não gosto de impérios, e ao mesmo tempo não tenho dúvidas de que a América de hoje é um império. Terei que deduzir disto que não posso ser senão um anti-americano?

Vê-se aqui que o rótulo "anti-americano", é uma denúncia injusta e desonesta, um anti-imperialista, uma pessoa anti-imperialismo-américano, não é necessariamente um anti-americano.
De João Tunes a 25 de Julho de 2008
Das três, uma: não leu e não entendeu, está mal disposto, está para embirrar pelo desconversar. Mas, estando tudo bem, tenha tento na língua com essa do "desonesta". Discuta, contradite, mas não insulte, Herr Lutz. E sendo alemão e europeu, a que título é que o Sr. Arquiteto é Procurador da América, da anti-América, do americanismo, do anti-americanismo? Logo hoje, que estou quase ... mal disposto, sai-me este duque.
De Lutz a 26 de Julho de 2008
Caro João: dos quatro, uma. O quarto: eu não me fiz entender.
Não chamei o João desonesto, referi-me à dificuldade que decorre do uso de conceitos tão abrangentes como "esqurda", "esquerda europeia" e nomeadamente "anti-americano". Que também uso. A desonestidade, as vezes, como aqui, infiltra-se e esconde-se nas prórias palavres, que são depois usadas por quem nem se apercebe dela. Como no caso "anti-americano". Haverá certamente anti-americanos, ou seja, quem é contra os americanos. E há outros que são contra uma política imperial da América, o que é outra coisa. Não é ser anti-americano.

Não quis censurar o João, nem mais do que a mim próprio. Só apercebi-me que até o João e eu, que já fomos chamados "anti-americanos" só por discordar da política actual do Império, já fazemos uso do termo sem nos lembrar do seu caracter demagógico.
De João Tunes a 26 de Julho de 2008
Não percebi mas o defeito deve ser meu. Vou deixar passar o Verão e voltar a lê-lo, talvez o tempo fresco me ajude.
De dissidentex a 26 de Julho de 2008
Caro J.Tunes:
quando Obama, caso seja eleito, apresentar uma factura de 100 mil soldados à Europa, para combater no Afeganistão, nessa altura será Obama de esquerda ou de direita?
De João Tunes a 26 de Julho de 2008
À esquerda dos "tallibans", sem dúvida.
De SAM a 27 de Julho de 2008
Nem me vou meter na discussão, até porque seria incorrecto da minha parte discutir o que não li.

Gostaria apenas que me permitissem um pequeno aparte em relação à análise aqui exposta.

O Senador Junior de Illinois, Barack Obama, vangloria-se de não ter votado a favor da Guerra no Iraque pelo simples facto de não ter pertencido ao Senado do EUA na altura da votação em Outubro de 2002. Ele foi empossado apenas em Janeiro de 2005, daí muitos críticos mencionarem que ele possui nenhuma experiência relevante para o cargo na Casa Branca.
A questão é que nem ele nem ninguém sabe se ele teria votado a favor ou contra a dita invasão...
De Aqueduto Livre a 27 de Julho de 2008
Caro Sam,

E então o Bush, o texano, filho de Bush, quando "ganhou" as primeiras eleições a AlGore, tinha experiência para governar a América do Norte?!

Benza-o deus, caro Sam.

O jovem Senador Junior do Illinois Barack Obama (já reparou que Barack é um nome judeu que quer dizer Baruc/Bento/Benedito) e, que, além disso também se chama Hossein, nome árabe de Hussein.

Não lhe parece que Barack Hossein Obama está mesmo "destinado" a ser Presidente dos USA e, provavelmente, um bom Presidente e, certamente, bem melhor que o semi-louco Bush/filho?!...

Zé Albergaria
De SAM a 27 de Julho de 2008
Essa seria uma boa resposta aos críticos do Sr. Obama, não a mim.

Afinal de contas, eu também tenho um primeiro nome hebreu, um sobrenome começado em H. claramente árabe e um último nome grego :)
Não é por isso que sou melhor ou pior pessoa. Nem comento de uma ou outra forma sobre as capacidades de um ser humano que claramente desconheço.

Apenas quis tentar denotar dois aspectos: que ele não votou a Guerra do Iraque e porque algumas pessoas preferiam a Sr.ª Clinton a ele.

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