Entretanto, convém ter em conta o que Sarkozy vai propondo e que é um indicador de que algo tem de ser feito para travar os efeitos mais desastrosos (sobretudo sobre actividades económicas) da vaga altista do petróleo. Vivendo-se numa nova época de “petróleo caro” (e este é o problema), algo de substancial tem de mudar nas estruturas de colecta fiscal instaladas na Europa no tempo ido do “petróleo barato”. Se a descida proposta para o IVA é discutível, enquanto medida generalista e favorável á tendência especulativa nos preços do crude, já a medida aludida de que os aumentos de receita do IVA sobre combustíveis (a parte que cresce pela aplicação percentual sobre preços cada vez mais altos), seja aplicada na ajuda a actividades económicas afectadas pela subida dos combustíveis, é uma das medidas com pernas para andar. O certo é que, politicamente e com imaginação, os Estados europeus e a Comissão Europeia têm de encontrar, e rapidamente, alternativas perante a crise petrolífera que terá vindo para ficar e agravar-se. O fixismo defensivo típico de um rígido “cobrador de impostos”, não mexendo nos tabus fiscais, é que não leva a lado nenhum, ou seja, leva à passividade perante o desastre. E, aqui, não querendo mexer na cobrança é sujeitar-se a cobrar menos por menos haverem para serem “cobrados”.
PS - Quando se fala de receitas do Estado português obtidas a partir do mercado petrolífero, omite-se, por regra, uma outra fonte de proventos importantes, além dos impostos, que também sustenta a coluna do "haver" das contas do Estado: a que advém da sua posição accionista na Galp. Além das mais-valias poderosas arrecadadas nas várias fases de privatização, sobretudo a última que levou a Galp para a Bolsa, nos últimos anos de lucros altos da Galp, o Estado tem recebido, de acordo com a sua posição remanescente de posse parcial da empresa, uma quantia em dividendos anual que não é nada insignificante como enriquece constantemente o seu património em carteira de acções (falando-se, cada vez mais, numa próxima etapa privatizadora em que novas mais-valias vão ser arrecadadas pelo Estado). Assim, além da cobrança alta de impostos que o Estado arrecada do conjunto do mercado dos produtos petrolíferos (nunca será demais repetir: mais de metade do valor cobrado aos consumidores, seja qual for a companhia abastecedora) , este beneficia em altas receitas e em valor patrimonial pela parte de capital que possui na Galp, pela elevadíssima subida das cotações bolsistas da Galp e pelas sucessivas vagas privatizadoras a que tem sujeitado esta companhia.
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