Francisco Martins Rodrigues, quando vivo, ou não era conhecido ou poucos aturavam, sem um sorriso sarcástico-condescendente, a coerência da sua teimosia dogmática. Ouviu-o umas duas vezes intervir em debates e ele limitava-se a reproduzir certezas sem espaço para sequer uma aresta ser limada. Era a negação viva do diálogo, da conversa, da troca de ideias e da construção no cruzar de pensamentos. E as suas convicções comportavam, pela ideia fanática numa meta e num processo adjacentes a uma utopia vinda do século XIX, a condescendência absoluta para com o crime como meio útil de levar uma classe ao poder. Foi um homem político que não deixa herança de sementes. Não ensinou nada além da trajectória ondulatória dos seus dogmas vistos e revistos na procura do apocalipse na luta de classes. Não deixa obra. A democracia portuguesa nada tem a agradecer-lhe.
Divergiu com Cunhal e o PCP? Sim. Foi miseravelmente tratado pelo PCP? Sim. E depois? Isso diminui a evidência de que o “mal” que continua a existir no PCP, o seu estalinismo serôdio, seria ainda pior com Francisco Martins Rodrigues se este continuasse sempre de bem com Cunhal e com o PCP?
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