Quarta-feira, 23 de Março de 2005

OS JORNALINHOS DOS TRANSPORTES CANSADOS (2)

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Num post anterior falei sobre os jornalinhos que agora se usam para distribuição gratuita nos grandes nós de transportes urbanos e suburbanos (casos do “destak” e do “metro”).

Por hoje, não meto mais lenha na discussão sobre se estes jornalinhos educam ou inducam os citadinos para o hábito da leitura e os impulsionam para outras leituras. Fica para outro dia, se calhar.

Regresso ao tema para referir um factor associado a esta distribuição em massa de papel e que veio agravar, e muito, o que já acontecia com a distribuição episódica de prospectos publicitários e propaganda partidária e sindical – o rasto de enorme lixarada com que as estações e as carruagens ficam inundadas após o lê e deita fora. Mas dado o carácter massivo e sistemático como os jornalinhos são impingidos, o espectáculo diário nas estações é impressionante.

Repare-se que o “destak” e o “metro” vão parar às mãos dos passageiros através de meios de eficácia profissional – entrega em mão por jovens contratados e receptáculos específicos e apelativos para o seu levantamento. Ou seja, utilizam-se meios expeditos, práticos, eficazes e profissionais, para que a “mensagem” chegue às mãos e aos olhos do consumidor-alvo. A partir daqui, no pós-leitura, a resolução da poluição papeleira já é problema do próprio consumidor e não da empresa emissora dos jornalinhos. Ele, consumidor, que se desenrasque ou enrasque os serviços de limpeza das transportadoras. E como não há estruturas montadas nas estações para a recolha de tanta papelada e muito português usa o chão para mais que assentar os pés, é uma desgraça ver tanta e tão concentrada exibição de lixo, numa triste imagem do nosso comportamento cívico.

Ou as empresas distribuidoras dos jornalinhos montam estruturas de recolha após leitura ou asseguram mais uns postos de trabalho para apanhar o papelame que “metem nas mãos” dos passageiros. Porque, por regra, o português guarda o que paga. O que é oferecido, é apetecido mas desvalorizado, logo: deita-se para o chão. Além do efeito da lixarada, custa ver tanta literatura desperdiçada. Fica o alerta à atenção dos responsáveis por esta especialidade de jornalismo gratuito.
Publicado por João Tunes às 00:50
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1 comentário:
De caterina a 23 de Março de 2005 às 23:08
A mim dão-me o "metro" todos os dias. Enfio-o dentro do Diário de Notícias e "descubro as diferenças"... Quanto aos hábitos de leitura que, supostamente, tal distribuição incentiva, bem, é como ver metade dos passageiros do barco da Transtejo a ler. Só que lêem Paulo Coelho, Margarida Rebelo Pinto, Dan Browns aos molhinhos e o Sul do M. Sousa Tavares. Bem, há uns de capa forrada que podem valer a diferença, suponho...

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