Quarta-feira, 31 de Maio de 2006

GNR FORA DE TIMOR, JÁ!

A nabice diplomática do actual Presidente da República mostrou-se na sua primeira intervenção pública sobre política internacional e as relações entre estados independentes e soberanos. Primeira e grande “calinada” (que seria grave no caso de se tratar de uma respeitável e influente figura da política mundial) – referir-se ao País Timor-Leste como um “território”. Só legível como “lapso de linguagem” de um reflexo de raciocínio serôdio e neo-colonial (falará de “território” quando visitar oficialmente a França, a Alemanha ou os Estados Unidos?). Inadmissível, portanto. Depois, mostrando uma pulsão autoritária e securitária (coisas que talvez rimem bem com GNR), admite que há, em Timor, um problema político além (ou aquém) dos problemas militar e de segurança, mas dá primazia à resolução do problema da “insegurança”. Como se pode tratar assim das prioridades? Pensará ele (e o governo, mais os partidos de oposição coniventes na operação) que a GNR tem por missão e capacidade para assegurar o “estado de sítio” com concomitante suspensão de exercício de soberania num qualquer país estrangeiro? Ou já se está a ver, como Comandante Supremo das Forças Armadas de Portugal, a designar, entre o seu staff, um Alto Comissário para repor a ordem pública em Timor e tutelar as condições de retorno ao regular funcionamento das instituições políticas?

Entretanto, demonstrando que é harmonioso o arco de desacerto institucional entre a PR, o governo e a maioria da oposição, na questão timorense, o governo disse que a GNR em Timor funcionará sob as ordens conjuntas do Presidente de Timor e do Primeiro Ministro de Timor (como assim, se a inimizidade entre eles, mais outros, é um dos nós do conflito?). Mas, no caso (quase certo, digo eu) de eles não se entenderem, então a GNR actuará sob ordens (!!!) do Embaixador de Portugal em Timor. Coisa de bradar aos céus em termos de perspectiva de ingerência pura e dura!

Sócrates e Cavaco dão mostras de iniciarem a marcha do entendimento e harmonia institucional, até com palmas da maioria da oposição, através da asneira e da precipitação. No caso, consciente ou inconscientemente, ao serviço de um golpe, dirigido pela Igreja Católica e pela Austrália, visando o derrube do governo legítimo de um país soberano. Assim, não. Recomendo, ainda, para compensar os desatinos que por aí se ouvem e lêem, este lúcido post do João Abel de Freitas. Nada melhor que ler quem pensa antes de escrever.

Publicado por João Tunes às 12:23
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2 comentários:
De liki a 31 de Maio de 2006 às 14:05
nas, felizmente poucas, intervenções de cavaco, foi possível notar uma total incapacidade para elaborar um raciocínio e ter um discurso coerente, mesmo quando as perguntas dos jornalistas são previamente combinadas...
é um facto preocupante!
será que os seus apoiantes votaram presidente por lebre?
De Eugénio Costa Almeida a 1 de Junho de 2006 às 13:02
Terá sido mesmo um lapso de linguagem?
Kandando
EA

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