Quarta-feira, 17 de Novembro de 2004

AUSÊNCIAS

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A gente tem as nossas preferências, não é? Quer-se dizer, hábitos também. No caso, hábitos de companhia e de estilos, maneiras de olhar o mundo e de contar aquilo que se vê. Melhor dizendo, formas próprias de ver e que, no seu conjunto de disparidades, nos ajudam a gerir o humor perante a vida, enriquecendo-o com outras sensibilidades.

Não sou aquilo que se possa chamar um grande navegador da Internet. Gosto, mas, depois de sair da barra, começo a ter enjoos e regresso ao contacto do papel escrito como leitura. Talvez por hábito e por geração, entendo que um livro (até um jornal) não mete tantas ondas de sobressaltos na paciência, conseguindo arrumar melhor a separação do trigo e do joio. Mas tenho a minha conta de navegação, mesmo assim demasiada, acho eu que não gosto de me submeter a vício de reflexos. Resumindo, tento equilibrar a coisa.

Visito uns tantos blogues com pontualidade e fidelidade. Uns mais, outros menos. Alguns com mais de uma mirada por dia, outros menos, alguns de quando em vez. Conforme as produções, os débitos dos autores e os consolos de leitura. Volta e meia, muito espaçadamente, lá faço uma sortida à procura de novidades e de diferenças. Mas tenho estima ao ramalhete das minhas visitas diárias. A maioria leio como se fosse amigo da casa, havendo meia dúzia em que o sou mesmo, com reconhecimento notarial de afecto, se necessário fosse. Em alguns outros (em que detesto a visão do mundo e das pessoas), entro por exercício de treino de tolerância, para me purgar com o contraditório e para recreio de talento exposto, tentando, assim, não afunilar gostos e olhares. Por maneira de ser, raramente deixo comentários como marca de visita, não por subestima, mas sim para não incomodar com lugares comuns de aplauso, discordância ou sublinhado. Enfim, acho que estou bem servido.

Claro que respeito a forma como cada um que bloga, gere a sua dedicação ao meio e o empenho que nele coloca. Há picos de inspiração, há outros tantos de disponibilidade, há gostos e saturações, há necessidades de desabafar e outras de mandar tudo dar uma curva ao bilhar grande. Há, sobretudo, humores. Tudo respeitável e que respeito. Só me preocupa se sinto que alguém que estimo, mesmo não conhecendo essa pessoa feita pessoa, se calou por não estar bem. Mas o sagrado do direito a exprimir implica igualmente o direito a calar. Por preferir exprimir-se de outra forma. Ou calar-se, ponto final. Matando o blogue ou, simplesmente, desaparecendo do mapa.

Vem isto tudo a propósito de ausências e intermitências de que sinto falta da companhia. É o caso do Frutos Maduros de quem nada se lê desde 18 de Setembro, do Cidadão do Mundo que está off desde 18 de Outubro, do Blog do Alex que só de tempos a tempos dá um ar da sua graça, do Acuso, idem idem, aspas aspas. Têm as suas razões, boas razões decerto, mas, no caso de continuarem visitas desta casa, sempre lhes digo que está vaga a cadeira para a companhia, quando (e se) entenderem voltarem a sentar-se. Da minha parte, fica lavrado o lamento da falta destas companhias. Só. Só não, com um abraço amigo se tal me permitirem.
Publicado por João Tunes às 11:55
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João Tunes

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