Sábado, 4 de Dezembro de 2004

EPIDEMIA

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Deliciosas e elucidativas as histórias que o Jorge Neto conta sobre uma terrível epidemia que tomou conta da Guiné-Bissau. Entre os vários episódios, permito-me transcrever um:

”Na estrada, a polícia manda parar os automobilistas que conduzam de telemóvel na orelha.
- Senhor, não sabe que não pode conduzir e falar ao telemóvel?
- Ahhh, mas o código da estrada da Guiné-Bissau não é o código português de 1900 e trocó passo, numa altura em que os telefones ainda eram de fios e funcionavam com uma manivela? Como é que a lei da altura já previa a proibição de falar ao telemóvel?
- Senhor, não sei nem me interessa. Não pode falar ao telemóvel enquanto conduz. Vou ter que ficar com o seu telemóvel.
Como é fácil perceber as violações ao código da estrada em África!
No que diz ainda respeito aos agentes de autoridade, a febre do telemóvel veio alterar a forma de pedir "fim-de-semana" (pequena gratificação que se dá ao polícia quando algum documento não está em ordem). Assim, em vez de o agente de autoridade dizer: -Dá-me um "fim-de-semana" que eu deixo-te ir embora. - agora diz: - Dá-me um cartão de recarga [de telemóvel] que eu deixo-te ir embora.
Mudam-se os tempos, mudam-se as expressões.”


É a globalização, caro Jorge Neto, é a globalização. E onde a vida está difícil, muito difícil mesmo, tão difícil que o dia de amanhã é só amanhã e se fôr, haverá melhor forma de esquecer as dificuldades que uma conversinha de telemóvel? No mínimo, para se dizer que tá, gosto de ti, quando apareces para curtir, temos de combinar, então vá, xau. Como qualquer adolescente terminal com aspiração a ser assessor de Paulo Portas.
Publicado por João Tunes às 12:23
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João Tunes

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