Segunda-feira, 28 de Janeiro de 2008

PELA NOSSA SAÚDE ENTREGUE AO GÉNIO INCOMPREENDIDO (2)

 

Transcrevo as achegas de Carlos Freitas apensas a este post:

 

O Estado central procura os seus interesses que em grande parte nunca coincidem com os interesses gerais, locais etc. Em tempo de vacas magras e de racionalização em sectores que procuravam (porque já não procuram) abranger o maior leque possível de portugueses, como a Saúde e a Educação, urge nestes, com o argumento do despesismo que estes representavam, avançar com a modernização das estruturas. Racionalizar é sinónimo de modernizar e todos querem ser modernos. É querer erguer um Portugal Novo contra um Portugal Velho. Onde é que eu já li isto? Para o fazer, não basta actuar. Para o fazer é preciso explicar como e porquê. O que na realidade é mais difícil do que actuar. Cortar a direito, enfim não sou alfaiate, nunca foi boa medida. O que dói a muito boa gente é o exemplo aqui mostrado [este] vir donde vem. E a grande maioria viver já em grandes centros urbanos. Com toda a carga que essa designação transporta. E não sabe por exemplo que vive gente na aldeia do Piódão (sabe, claro que sabe, não compreende é porque é que lá ainda vive gente. Pouca, mas vive!) que durante o Estado Novo tinha que ser levado em padiola ao serviço de saúde mais próximo, o que já então representava uma melhoria nas suas vidas! E perceber porque é que a melhoria das condições proporcionadas nos últimos anos foram agora recolhidas ou encerradas ou encolhidas com o incremento da racionalidade e modernização, novas posturas, quando não passam de experiências. Como explicar às populações que os tempos da padiola retornaram! Embora analfabetos e incultos, estes portugueses entendem que o que se está a promover é retirar-lhes condições que foram criadas para melhorar a sua condição de vida enquanto portugueses, a viverem em território ainda nacional. Quanto à questão de que não bastam centos de saúde, sap's, hospitais ou seja lá o que for para fixar as pessoas no interior. Claro que não. Este é apenas mais um dos vectores que ajudam a despovoá-lo. O seu abandono ao longo do tempo fez com que hoje já não se consiga combater a desertificação com infra-estruturas. A sua criação porventura em alguns locais foi um desperdício, veja-se quão pouco atento estava o Estado quando construiu escolas primárias a esmo, quando já se sabia que a curva da natalidade estava em franco retrocesso, ora se já se sabia porque teimaram ministros e governos em manda-las construir? Muito simplesmente porque rendiam votos aos autarcas locais do partido A ou B e ao partido que lá colocava aplaca no dia da inauguração. As populações embriagam-se com estes ismos. Mas estão a deixar de o fazer. Exigem que as coisas sejam convenientemente explicadas. Assim como hoje é necessário explicar o encerramento de unidades de atendimento em zonas que apresentam rácios de habitantes nas quais não se justifica o encerramento de instalações de saúde. Se as pessoas estão nos sítios, é nos sítios que devem estar os cuidados básicos de apoio à vida.

(…)

A burocracia dos médicos de família é verdadeiramente um caos, mas foram as pessoas, o vulgo, que a criou? Não teriam sido os tais técnicos ditos competentes? Idênticos aos que hoje promovem mudanças, sem as explicar. Provavelmente estas mudanças não virão a implicar o mesmo caos num futuro próximo tal como anteriormente as então modernas mudanças provocaram com a excessiva burocratização dos médicos de família? É compreensível que o que se exige é respeito pelo ser humano, pelos pacientes, pelas pessoas, por quem paga impostos e se vê relegado por um sistema neoliberal, que se afunda numa linguagem técnica e de modernidade para esconder o que só poucos conseguem ver e entender o que se move por detrás destas medidas. O elencar de medidas é apenas uma fórmula revisionista de mascarar a realidade.

 

Publicado por João Tunes às 15:32
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2 comentários:
De Micas a 29 de Janeiro de 2008 às 08:57
Bom post.
De João Tunes a 30 de Janeiro de 2008 às 01:23
O mérito é todo de Carlos Freitas. Funcionei, aqui, como simples hospedeiro.

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j.tunes@sapo.pt


João Tunes

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