Segunda-feira, 10 de Dezembro de 2007

CIMEIRO-RAPSÓDIA

00288048

 

Colagem de textos sobre a cimeira Europa-África com um interessante resultado-saldo se lido corrido:

 

Terminou a Cimeira. Difícil um balanço objectivo sério. Será que se registaram progressos, independentemente dos negócios? Será que se definiram novas e diferentes linhas de relacionamento entre os dois Continentes (estratégia conjunta, plano de acção, etc, como diria José Sócrates) que possam levar algo de bom aos respectivos povos? No labirinto dos discursos, por baixo da prosa lavada dos lugares comuns, nas avenidas previsíveis da linguagem diplomática, a Europa e a África participam num estranho bailado, onde não se tem a certeza se prevalece a hipocrisia ou a solidariedade, se há ainda um lugar para a esperança, ou se apenas a infra-humanidade ganha terreno. Só o sectarismo ou o preconceito podem negar o sucesso da cimeira Europa-África, bem como o crédito devido à presidência portuguesa da UE no êxito da iniciativa. Enquanto uns estavam caladinhos que nem ratos (PSD) e outros apoiavam Sócrates (CDS), havia quem protestasse: PND pede ao MP que emita mandado de detenção de Mugabe. Do terrorista (reformado) coronel Kadhafi que está no poder na Líbia desde que Nixon era presidente dos EUA, ao engenheiro de petróleos Eduardo dos Santos que reservou 80 quartos no Ritz enquanto a esperança média de vida dos angolanos não ultrapassa os 40 anos, há de tudo um pouco em nome de uma realpolitik de duvidosos resultados. Queiramos ou não, todos estes ditadores regressam aos seus países com uma legitimidade reforçada por esta Europa que aceitou colocar um parêntesis nos seus valores fundamentais, tolerantes e plurais, para lhes aspirar diligentemente a passadeira vermelha. É duro, mas é assim mesmo. Contra os desejos secretos de tantos, criou-se um clima de distensão e de respeito mútuo nas relações entre os dois continentes (que a Declaração de Lisboa reflecte). Contra os maus augúrios de muitos, a conferência realizou-se. Contra os maus presságios dos cínicos, nenhum assunto foi tabu, desde o Zimbabué ao Darfur, desde os direitos humanos à boa governação. Apesar da existência de rivalidades entre as principais potências da UE e entre estas e os EUA, o que sobressai, nomeadamente quando se olha para África, é a comunhão de interesses, como o evidencia a parceria estratégica entre a União Europeia e a NATO na onda militarista no continente africano. Concertação essa bem evidente nos discursos e acção dos responsáveis do Governo PS. Meio século depois do início da descolonização da África subsahariana (independência do Gana, 1957) e da criação da UE (Roma, 1957), abriu-se espaço político para superar definitivamente tanto o colonialismo como o neocolonialismo. E também se sabe que Portugal é um país acolhedor, de tal forma acolhedor que recebe gente desta laia com mais carinho do que trata os seus 3.000.000 de pobres.

Publicado por João Tunes às 15:56
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