Quinta-feira, 20 de Abril de 2006

E … OLÉ!

Começo por certificar que o que vou escrever não belisca a enorme admiração, roçando a veneração, que nutro por um dos blogues que mais estimo, não dispenso e mais me ensina – o “Blog da Sabedoria”.

Mas o JG colocou um post que é um exemplo da mais rasteira blogo-manipulação. E tão bem ou tão mal manipulou que congregou os comentários que eram os previsíveis, os da turba “anti-touros”. Se falasse contra os cigarros, teria ecos de idênticas fúrias. Da mesma ou parecida “cruzada”.

Pela minha parte, pela estima e admiração que nutro pelo JG, não me sentiria bem se não lhe dissesse o que acho ter para lhe dizer. E que se segue.

Gosto de “toros” (à espanhola, pois considero a corrida à portuguesa uma deriva lusitano-tauromática do coito interrompido). Mas não tenho um único argumento a contrapor aos que não gostam. Menos ainda contra os que sentem repugnância pelas touradas. Respeito-lhes todas as razões e emoções. Apenas direi que, enquanto em Espanha houver “fiesta”, a elas irei sempre que me aprouver e tal o conseguir. Bastando-me, também, as companhias no gosto de Picasso, Hemingway, Rafael Alberti, Garcia Lorca, Orson Welles e outros muitos bárbaros. Os “anti-touradas” que continuem nas suas, batendo-se, como parecem bater-se, pela extinção da espécie dos toiros (os bravos). Pois que, sem touradas, não há qualquer hipótese de continuarem a haver toiros bravos.

Mas a pretensa crueldade induzida do post-imagem que o JG colocou e legendou é uma mentira múltipla. Por isso, condizente com a demagogia na causa de combate às touradas. Primeiro, não há “matador” que dê o “golpe de misericórdia” no touro para lhe abreviar a agonia. Isso é sempre função de auxiliar. Segundo, o acto retratado é um requiem (uma mera necessidade de abreviação de morte que se usa quando a estocada não foi fulminante e como confirmação de que não há prolongamento inútil de sofrimento do toiro). Terceiro, apresentar o abreviar da agonia como «viva a festa “brava”», é um postar da maior cegueira ignorante, própria de alguém que não gosta, nunca viu uma tourada, nada sabe sobre touradas, apenas e sempre é contra. Afinal, um mero prosélito. O que cabe, como direito, a um qualquer. Mas sem necessidade de mentir, como foi o caso, este caso.

Publicado por João Tunes às 01:44
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10 comentários:
De JG a 21 de Abril de 2006 às 00:54
Meu caro, se é o matador nº 1 ou o matador-auxiliar nº 2 a dar o "golpe de misericórdia" no touro não me interessa absolutamente nada e vem dar na mesma. São ambos matadores. Se o acto retratado é um requiem, como você lhe chama, é porque já houve, previamente, um cerimonial de tortura e dor, em nome não sei de arte ou tradição, infligido ao animal. Se nunca ter visto uma tourada, não gostar e não saber nada dessa coisa é ser um "prosélito", então vou ali e já volto.

O que eu gostava, isso sim, é que me explicasse onde e como é que o meu post e respectiva legenda é uma mentira múltipla e uma blog-manipulação. Acredite que gostava.

De João Tunes a 21 de Abril de 2006 às 15:38
JG, eu não vou fazer ponta de uma haste para lhe explicar onde e quando mente (no caso, mentiu). E manipulou. Porque se nota bem que é muito mais inteligente que aquilo que agora quer parecer. E, ainda e sobretudo, porque tem os democráticos direitos a mentir e manipular. Quanto ao resto disse e repito que não tenho um único argumento pró-touradas a contrapor a quem tem o verbete atribuído que os “toros” se reduzem a “um cerimonial de tortura e dor”. Supondo-o, caro JG, macho e latino, só lhe digo, com toda a estima e consideração, que entre a malta anti-touradas, prefira as meninas da PETA – são meninas (algumas maduras, mas há maduras de bom gosto na formosura e nas linhas) e desfilam nuas em pelo e só vestidinhas com uns cornichos a enfeitar as cabecinhas. Permita que, no caso, o descrimine negativamente. Só neste caso, é claro. Abraço.
De Nuno Mendes a 24 de Abril de 2006 às 23:03
Caro João Tunes, a tourada revela o pior lado da humanidade. É a cultura da violência, dos iletrados. O Sr. confunde a morte com arte. Pontapear, picar e trucidar um ser vivo num recinto/aquario de acéfalos gritando urros e olés e masturbando-se com o cheiro do sangue e da agonia de um touro, é o resquício de um comportamento vil, baixo, muito próximo dos espectaculos medievais da morte em directo. Somos mesmo um país demasiado tolerante para ainda permitir estes espectáculos que por enquanto ainda sobrevivem no limbo da legalidade
De JG a 21 de Abril de 2006 às 23:05
Caríssimo: a sua não-resposta, de tão absurda, tirou-me do sério. Deixou-me bem disposto para todo o fim de semana. Obrigado. Bom fim de semana e olé!
De Joana Gomez a 25 de Abril de 2006 às 16:47
Caro João Tunes,

Já vários psiquiatras e psicólogos apelidaram o gosto por espectáculos como a tourada, um comportamento piscótico/psicopata. Como por certo saberá, é impossível "curar" um psicopata, tal como é impossível "curar" um aficionado. Eventualmente, vós, os que se divertem com o sofrimento de um animal, serão reconhecidos como aberrações e condenados pela sociedade, muito à semelhança do que hoje acontece aos homicidas.

Com muita tristeza, aqui ficam os meus cumprimentos (apenas porque foi assim que me educaram).
De João Tunes a 26 de Abril de 2006 às 18:41
A mim, educaram-me mandar á merda os tartufos e as tartufas, pobres paus mandados, que cumprimentam porque assim foram educados. Porque estagnaram na escala mais primária do crescimento – a da proto-etapa dos reflexos condicionados, reproduzindo-os vida fora. E se assim fossemos todos, uma sociedade de tartufos e tartufas, a lezíria social seria um mar de “mansos”, azimute único para os traiçoeiros, os perigosos, os que não investem porque têm a cobardia agarrada à cauda, de nada lhes valendo os psiquiatras e os psicólogos saídos de todas as frustes academias, marrando e colhendo como furto da luta. E esses só merecem o retorno à paz dos curros, nunca a lide. Mas, no caso vertente, não o faço. Porque nem tudo em que foi educado, eu adopto ou prossigo. Assim, com muita alegria, agradeço a visita e o comentário, retribuindo os cumprimentos.
De Nuno Mendes a 27 de Abril de 2006 às 19:10
Além de mal educado, Sr. Tunes, o Sr. é um pavão que se inflama perante a sua própria auto-estima. De lingua pontiagura, mordaz e venenosa, prima pelos comentários brejeiros. Já não basta a sua sensibilidade de caranguejo. Pertence a uma geração em declinio, daqueles que ainda gritam e clamam pelo passado. Os novos ventos e o progresso ético da humanidade abandonar-vos-ão num barraco e serão recordados pelos piores motivos. Até lá (aqueles que não compreendem o que significa a palavra tolerancia) ainda vão causar mais alguma dor a animais inocentes. Se não fosse por isso, seriam com certeza, ainda hoje, motivo de muita chacota.
De Eva Luna a 26 de Abril de 2006 às 22:58
Sr. Tunes-Gare:

Que você é um velho mal educado, rancoroso e frustado, toda a gente que o conhece sabe. Escusava era de o demonstrar publicamente. Ficava só entre quem o seu círculo de amigos/inimigos. Assim, qualquer credibilidade e respeitabilidade que ainda grangeava entre quem consegue enganar, esfuma-se. Acho que o melhor é retirar-se e mudar de casa novamente, desta vez para Água Turva 7.
De Eva Luna a 27 de Abril de 2006 às 01:00
Errata: Queria dizer que o seu mau feitio ficava só entre o seu círculo de amigos/inimigos. Byezinho!!!
De Cristina a 17 de Maio de 2006 às 22:26
Sr. Tunes:

Mandar "á" merda????????

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