Segunda-feira, 28 de Fevereiro de 2011

Como não estar hoje triste?

 

Publicado por João Tunes às 19:36
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Sexta-feira, 25 de Fevereiro de 2011

Sobre os amigos de Kadafi (Otelo, Amado, etc)

Há ano e meio, coloquei este post. Então, chamar ditador pimba a Kadafi passava, evidentemente, por uma irrisória manifestação de mau feitio. E politicamente incorrecto, é claro. Mas infelizmente (pelas vítimas da repressão líbia) tinha razão. Agora, até os embaixadores escolhidos por Kadafi lhe chamam fascista.

2) Mas já antes, em 25 de Julho de 2008, cordialmente polemizava com bloggers socialistas defensores (pois claro...) da "diplomacia económica" de Sócrates/Amado:

O José Albergaria, neste post, insurge-se contra alguma indignação suscitada pela forma como a diplomacia portuguesa entrou em rota de intimidade de relacionamento com pessoas pouco respeitáveis (Dos Santos, Kadafi e Chavez) num desfile de tournée diplomática. Ele riposta, argumentando com os interesses de Estado e com a urgência dos bons negócios, cada vez mais necessários para salvar a nossa economia do poço depressivo. E aqui tem toda a razão. Há interesses de Estado e relações entre Estados que não devem pautar-se por convergências políticas e ideológicas. Que a diplomacia deve ser pragmática, soft e … diplomática, nisso estamos 100% de acordo. Idem que, por educação, quando se recebe ou se visita alguém, não se lhes puxam as orelhas. Como devíamos concordar em que a diplomacia é mais que economia e, para um democrata, é sempre a política, ou os princípios democráticos, que devem estar primeiro que a economia (e a um democrata socialista, essa exigência é basilar). Sobretudo, não darmos de barato que um democrata, mesmo ou sobretudo quando faz negócios, deixe de o ser para vestir a pele do gestor concentrado nos resultados e alheio ao preço dos salamaleques de conveniência como preço do regateio e dos jogos das vantagens recíprocas.

Não li que alguém conteste que se façam bons negócios com Angola, a Líbia, a Venezuela ou outros países com regimes que o céu, o purgatório ou o inferno carreguem. Pela nossa dependência energética, não há sultão, soba, ditador, semi-democrata, caudilho ou aparentado que, tendo petróleo, não devamos saber dar-nos com eles e daí obtermos, nas melhores condições possíveis, aquilo que nos faz funcionar e mover. E se, por troca, escoarmos uns pacotes de leite, uns fardos de cimento ou uns circuitos integrados, melhor vai a festa. Mas essa é a parte que compete à diplomacia económica, sub-sector não director de uma saudável diplomacia. Porque se as ditaduras não têm outras pautas que as do poder e dos interesses, uma democracia tem princípios e deles não deve abdicar, muito menos perante quem não cumpre os seus limites mínimos, nomeadamente quanto a direitos humanos, livre escolha dos seus representantes e alternância no exercício do poder. E aí, o regime português tem mais dissemelhanças que afinidades com os regimes de Angola, Líbia e Venezuela. Se, nas relações entre Estados, o português não deve imiscuir-se nos assuntos internos de outros nem permitir que outros o façam, em cada contacto e aperto de mão, deve ficar claro para o mundo e os povos que ao se conciliarem interesses não se está a conciliar visões opostas ou divergentes sobre os direitos políticos e humanos. Com diplomacia mas com diplomacia firme (vejam-se o "mestre" Zapatero e a "mestra" Merkel, insuspeitos de desvalorizarem os seus interesses de Estado, incluindo os económicos).

Quando o José Albergaria diz “Nunca se colocaram questões ideológicas. Nas declarações conjuntas nunca, da parte portuguesa se verificou a mínima das manifestações de apoio aos "regimes" que cada uma destes senhores representa: Chavez, Eduardo dos Santos e Kadhafi.” não está a contar o filme exibido e que todo o mundo viu. Em Angola, Sócrates fez um elogio rasgado à política de Dos Santos e ao MPLA, com Chavez, permitiu que o venezuelano se permitisse intimidade viscosa de amigos políticos e autorizou que Kadafi o apertasse contra o peito numa representação de intimidade politicamente obscena. E Sócrates não disse uma palavrinha (de Luís Amado nada a esperar nesse sentido, pois nunca tivemos um chefe de diplomacia tão dogmatizado no “nim”, cada vez mais lembrando o cinzentismo burocrático do velho e ido Gromiko) a reafirmar os princípios da democracia, das liberdades e dos direitos humanos. Tudo foi, princípios democráticos incluídos, o que o governo português embrulhou na tecnocracia dos negócios. E é isto, não outra coisa, o que está mal. A merecer um saudável protesto, não para fazer uma manifestação a exigir a demissão do governo mas para que não se repita (e em nosso nome).


3) Sobre a Líbia (que visitei três vezes na década de 80, percorrendo o país, no quadro das relações sindicais internacionais como representante da CGTP), deixei aqui (em post de 2004), sucintamente, as minhas impressões.

 

(publicado também aqui)

Publicado por João Tunes às 22:07
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Domingo, 20 de Fevereiro de 2011

O embaixador da influência forte mas discreta, tão discreta que sempre pareceu que não existiu

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Menos “vistoso” e mais empático que o seu homólogo norte-americano (o importante e odiado Frank Carlucci), o primeiro embaixador da URSS em Portugal, aqui tendo permanecido entre 1974 e 1982, o sofisticado Arnold Kalinin, não teve, decerto, uma influência menor que Carlucci nos assuntos políticos e diplomáticos pós-revolucionários em Portugal. A tanto a “guerra fria” obrigava naqueles tempos cruciais em rota de aproximação à expansão africana que antecedeu a putrefacção soviética prévia do clímax de 1989-91. Em Lisboa, Kalinin, contando com a amizade de platina enfeitada com diamantes de Cunhal e do PCP para com o PCUS e a URSS, conduziu, com bonomia, eficiência e discrição, não só a gestão geoestratégica da revolução portuguesa como o largo campo de influência que a descolonização portuguesa abria à influência da URSS em África e de que o PCP e o MFA foram peões importantes na intermediação de influências nos tabuleiros políticos e bélicos das antigas colónias portuguesas. Naturalmente, e contrariamente com o que se passava com o seu “colega” Carlucci (a quem se assacavam os aspectos odientos de ser o representante do imperialismo e um chefe de operações da CIA, apoiando a contra-revolução), a URSS e a diplomacia de Kalinin contavam a seu favor com o manancial de simpatia num país que entrara - teoricamente - numa fase revolucionária anti-imperialista e socialista. O resultado desta importante diferença de afectividade dos sentimentos comuns para com os representantes dos dois pólos das superpotências competidoras da “guerra fria”, introduziu um importante efeito diferenciado de registo para memória futura: uma notoriedade largamente sublinhada e documentada para os papéis conexos de Carlucci e a CIA, parecendo que Kalinin não foi um influentíssimo embaixador e a malta do KGB não andou por aqui.

Graças a José Milhazes, chego à notícia do falecimento recente de Arnold Kalinin (que, depois de terminar a sua missão em Portugal em 1982, exerceu como embaixador em Angola - !!! - e acabou a sua carreira em Cuba, país onde Kalinin estava colocado quando foi nomeado para Lisboa). Pela influência que exerceu, mesmo que os seus planos maiores tenham fracassado e, quanto ao envolvimento africano, tenham até ajudado a empurrar a URSS para a falência, Kalinin não merecia que o seu desaparecimento fosse acompanhado de um tão ensurdecedor silêncio na “opinião portuguesa”. No mínimo, por justiça de apreciação, nem toda a fama devia ir direitinha para o seu “colega de superpotência” já que, quanto a proveitos, está para saber em que sala de troféus deve repousar a taça.

(publicado também aqui)

Publicado por João Tunes às 23:35
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Sexta-feira, 18 de Fevereiro de 2011

Nem espumante, bolo ou velinhas, apenas e só “ódio de classe”

 

O vigilante e patético Casanova:

Os média dominantes, na sua generalidade, silenciaram o aniversário do Avante!

O ódio de classe é assim, pelo que não há razão para surpresas.

Surpresa seria – e grande – se o aniversário do órgão central do Partido Comunista Português – que orgulhosamente ostenta no seu cabeçalho a foice e o martelo e a consigna Proletários de todos os países, UNI-VOS!… – tivesse sido tratado de forma diferente da que foi pelos jornais que são propriedade dos grandes grupos económicos e financeiros…

Na verdade, não há «parabéns» possíveis – nem desejáveis, diga-se – nestas circunstâncias. Regista-se a ocorrência apenas para ficar registada – e para arquivar no dossier dos exemplos da imparcialidade e da isenção que os média dominantes se atribuem e não se cansam de apregoar.

(publicado também aqui)

Publicado por João Tunes às 21:56
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Terça-feira, 15 de Fevereiro de 2011

Os árabes têm direito à liberdade?

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Vargas Llosa:

La lentitud (para no decir la cobardía) con que los países occidentales -sobre todo los de Europa- han reaccionado, vacilando primero ante lo que ocurría y luego con vacuas declaraciones de buenas intenciones a favor de una solución negociada del conflicto, en vez de apoyar a los rebeldes, tiene que haber causado terrible decepción a los millones de manifestantes que se lanzaron a las calles en los países árabes pidiendo "libertad" y "democracia" y descubrieron que los países libres los miraban con recelo y a veces pánico. Y comprobar, entre otras cosas, que los partidos políticos de Mubarak y Ben Ali ¡eran miembros activos de la Internacional Socialista! Vaya manera de promocionar la social democracia y los derechos humanos en el Oriente Próximo.

La equivocación garrafal de Occidente ha sido ver en el movimiento emancipador de los árabes un caballo de Troya gracias al cual el integrismo islámico podía apoderarse de toda la región y el modelo iraní -una satrapía de fanáticos religiosos- se extendería por todo el Oriente Próximo. La verdad es que el estallido popular no estuvo dirigido por los integristas y que, hasta ahora al menos, éstos no lideran el movimiento emancipador ni pretenden hacerlo. Ellos parecen mucho más conscientes que las cancillerías occidentales de que lo que moviliza a los jóvenes de ambos sexos tunecinos, egipcios, yemenitas y los demás no son la sharia y el deseo de que unos clérigos fanáticos vengan a reemplazar a los dictadorzuelos cleptómanos de los que quieren sacudirse. Habría que ser ciegos o muy prejuiciados para no advertir que el motor secreto de este movimiento es un instinto de libertad y de modernización.

Desde luego que no sabemos aún la deriva que tomará esta rebelión y, por supuesto, no se puede descartar que, en la confusión que todavía prevalece, el integrismo o el Ejército traten de sacar partido. Pero, lo que sí sabemos es que, en su origen y primer desarrollo, este movimiento ha sido civil, no religioso, y claramente inspirado en ideales democráticos de libertad política, libertad de prensa, elecciones libres, lucha contra la corrupción, justicia social, oportunidades para trabajar y mejorar. El Occidente liberal y democrático debería celebrar este hecho como una extraordinaria confirmación de la vigencia universal de los valores que representa la cultura de la libertad y volcar todo su apoyo hacia los pueblos árabes en este momento de su lucha contra los tiranos. No sólo sería un acto de justicia sino también una manera de asegurar la amistad y la colaboración con un futuro Oriente Próximo libre y democrático.

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Publicado por João Tunes às 19:12
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Sexta-feira, 11 de Fevereiro de 2011

O absurdo que espicaça a imaginação

Assistir a Suleiman tentar substituir Mubarak tem tanto de absurdo como imaginar retroactivamente Silva Pais a demitir Marcello Caetano e mandá-lo para o exílio e afirmar-se como garante democrático do povo português…

(publicado também aqui)
Publicado por João Tunes às 19:24
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Exactamente como lhe gritam os egípcios: "Fora! Fora!"

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Adenda: Feito! Mubarak já foi. Agora, venham os ditadores que se seguem, incluindo os "tiranos iluminados" à frente de "vanguardas" auto-legitimadas pelo marxismo-leninismo em vez de possuirem legitimidade vinda da livre escolha da soberania popular. E, lembre-se, há povos que esperam a "oportunidade democrática" há mais de 50 anos (!).

 

Publicado por João Tunes às 00:10
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Quinta-feira, 10 de Fevereiro de 2011

Da vida de um ciber-ardina perante a "questão crucial"

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É por clarividências assim, mesmo (mas mesmo) saturado com a “desinformação cirurgicamente organizada que serve os interesses do grande capital”, que, pela parte que me toca, raramente falho na ciber-difusão semanal do “Avante”:

Num tempo marcado por uma forte ofensiva ideológica, com a qual os média dominantes fazem chegar todos os dias a milhões de pessoas a desinformação cirurgicamente organizada que serve os interesses do grande capital, a divulgação e leitura do Avante! coloca-se como questão crucial (…).

(publicado também aqui)

Publicado por João Tunes às 23:41
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Terça-feira, 8 de Fevereiro de 2011

Da “casa portuguesa”

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Manuel António Pina, no JN:

É um (pois há mais) dos números da besta apocalíptica da violência doméstica em Portugal: 43 mulheres foram assassinadas por maridos ou companheiros, ou ex uma coisa e outra, em 2010, o que dá algo como 250 homicídios de mulheres só nos últimos sete anos.

Acrescentem-se os assassínios de crianças dentro das paredes familiares e os maus tratos físicos e psicológicos que não redundam em morte e não chegam aos jornais e teremos uma ideia aproximada da realidade da "casa portuguesa com certeza" e da tal sociedade de brandos e cristãos costumes (o que quer que "cristãos" signifique em matéria de costumes que, tendo em conta o que há tempos dizia o reitor do Santuário de Fátima, não será coisa particularmente recomendável).


(publicado também aqui)

Publicado por João Tunes às 01:14
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Domingo, 6 de Fevereiro de 2011

Internet e contra-revolução, segundo os chuis da secreta cubana

La ciber policia en Cuba from Coral Negro on Vimeo.

Publicado por João Tunes às 01:27
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Quarta-feira, 2 de Fevereiro de 2011

A canção do momento (melhor: da última geração)

 

(aqui fica: com um grande "bacalhau" para o Deolinda)

Publicado por João Tunes às 23:55
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João Tunes

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