Quarta-feira, 27 de Outubro de 2010

O poderoso ora purgado

 

Yoani Sánchez sobre um vice-presidente que foi purgado (Carlos Lage):

Senti compaixão por Carlos Lage ao vê-lo com seu gorro cobrindo o rosto, com seu passo apertado para que não o reparassem. Tive o impulso de chamá-lo para dizer que ao expulsá-lo lhe evitaram o escárnio futuro e o haviam convertido em homem livre. Porém passou tão de pressa ao meu lado, o asfalto irradiava tanto calor e aquela mulher o olhava com tanto escárnio, que só pensei em cruzar a calçada. Deixei o defenestrado em sua solidão, mesmo que, creiam-me, ter tido vontade de me aproximar e sussurrar-lhe que não ficasse triste: ao despedi-lo na realidade o salvaram.

(publicado também aqui)

Publicado por João Tunes às 00:35
Link do post | Comentar
Terça-feira, 26 de Outubro de 2010

Hoje foi notícia...

 

... a PJ e o Ministério Público andarem a investigar fraudes do BPN.

 

(publicado também aqui)

Publicado por João Tunes às 23:52
Link do post | Comentar

A pobreza da ambição erótica de ser centopeia

 

(publicado também aqui)

Publicado por João Tunes às 23:46
Link do post | Comentar

O susto contra-revolucionário com uma porrada de anos de retroactividade

Ou o sindroma Herbon:

 

 

(publicado também aqui)

Publicado por João Tunes às 22:30
Link do post | Comentar

Cavaco recandidato

 

(publicado também aqui)

Publicado por João Tunes às 22:17
Link do post | Comentar

A remuneração da independência

 

O juiz Mouraz Lopes explicou hoje que o facto de a remuneração dos magistrados ser superior à média salarial, como consta no relatório do Conselho da Europa, insere-se numa tendência europeia para proteger o princípio da independência.

 

Caso para dizer: que grande lata, senhor doutor juiz sindicalista para esfarrapar assim uma justificação do arco da velha em defesa de um pico de desigualdade. Como se os "parecidos", ou "aproximados", não pudessem ser independentes. Um juiz é independente porque sim, tendo de o ser pela sua condição profissional livremente optada, ou porque é bem remunerado? Uma coisa parece-me indiscutível: - Mouraz Lopes pode ser um excelente sindicalista mas enquanto juiz e cidadão não passa de um paladino do mérito automático dos mercenários. Livrem-nos, pois, dos seus acordãos.

(publicado também aqui)

 

Adenda: Leia-se este post.

Publicado por João Tunes às 12:27
Link do post | Comentar

O miserável discurso da miséria resignada e agradecida

 

O Abominável César das Neves, no seu pior:

Antes de mais é bom perguntar: para quê criticar o sistema? Este é o mundo que temos e ninguém nos vai dar outro. Já era mau quando cá chegámos e continuará a sê-lo depois de partirmos. Não seria mais sensato entretanto contentar-nos com o que temos?
É verdade que o conformismo é um dos vícios mais abominados neste tempo, e todos pensam que estes protestos nos desinstalam, contribuindo para melhorar a situação. Mas será mesmo assim? É indispensável que cada um tente deixar o mundo o melhor possível. Mas isso é uma actividade humilde e atenta, ao nosso nível local, amando e ajudando o próximo. Nada tem que ver com bramar contra males remotos e genéricos, nos quais a nossa influência é nula. Tal lisonjeia o nosso ego, mas não passa de vacuidade ociosa. Quando não é mesmo prejudicial, como as próximas greves, nada resolvendo, pois não há mesmo dinheiro, apenas servem para diminuir o pouco que ainda existe.
Suponhamos, no entanto, que as nossas queixas eram ouvidas. Iriam mesmo melhorar alguma coisa? A verdade é que os problemas globais são muito complexos, e as soluções têm inesperadas consequências nocivas. Basta lembrar como a ingénua confiança dos nossos avós nas virtudes do progresso industrial criou os actuais pesadelos ambientais, ou como o desenvolvimento das regiões pobres, tão ansiosamente desejado, começa a suscitar perigosos desequilíbrios globais que irão assombrar o futuro.
Por outro lado, será a situação assim tão má? Não há dúvida de que, persistindo muitos e graves problemas, o mundo progrediu nos últimos tempos muito mais do que seria de esperar há uma ou duas gerações. A percentagem de pessoas a viver no planeta com menos de dois dólares por dia é ainda de quase 50%. Mas era de 63% em 2002 e de 75% em 1980. Mesmo a actual crise e desemprego, se significam graves sofrimentos para muitos, não têm comparação com a miséria que se vivia por cá há 20 ou 30 anos, em crises menos profundas que esta.
O aspecto mais grave deste clima de descontentamento e queixume é, no entanto, a ingratidão. Tudo aquilo que somos e temos devemo-lo ao sistema que nos sustenta. É este mundo que tanto desprezamos que nos alimenta todos os dias, nos veste, abriga, educa e orienta. Podemos protestar, mas é graças a ele que todos sobrevivemos. Aliás, os críticos só conseguem atacar com tanta eficácia o regime usando os largos meios que o mesmo lhes fornece.
Esta é hoje a suprema posição incorrecta, mas quero dizer uma palavra a favor deste nosso horroroso sistema. Não porque é bom, justo ou agradável, mas porque é nosso. Tem muitos defeitos, mas a grande vantagem de existir.

(publicado também aqui)

Publicado por João Tunes às 00:02
Link do post | Comentar | Ver comentários (1)
Segunda-feira, 25 de Outubro de 2010

Fariñas e o Prémio, desde Cuba

 

Da cubana Yoani Sánchez:

É difícil imaginar que dentro do corpo fraco de Guillermo Fariñas, sob seu rosto sem sobrancelhas, exista uma vontade à prova de desânimos. Também surpreende que nos momentos de maior gravidade para a sua saúde não tenha deixado de estar atento aos problemas e dificuldades dos que o rodeiam. Inclusive agora, com a vesícula extirpada e uns dolorosos pontos cirúrgicos que lhe atravessam o abdômen, sempre que o chamo, em lugar de se queixar, pergunta-me pela família, pela minha saúde e sobre a escola do meu filho. Que maneira de viver para os outros tem este homem! Não foi por nada que fechou a boca aos alimentos para conseguir que 52 presos políticos – dos quais muitos não conhecia – foram libertados.

Há prémios que prestigiam uma pessoa, que jogam luz sobre o valor de seres desconhecidos até ontem. Mas também há nomes que dão brilho e gratificação e neste caso, o Sakharov outorgado a Fariñas. Depois deste Outubro os próximos homenageados com o laurel máximo do Parlamento Europeu terão um motivo a mais para se sentirem orgulhosos. Porque agora tem realce maior graças ao que este villaclarenho obteve, entregando aos demais, este ex-militar que renunciou às armas para voltar-se à luta pacífica.

Quem melhor que ele, que se propôs uma meta imensa e a conseguiu, que deu a todos uma lição de inteireza e submeteu seu corpo a dores e privações que lhe deixaram sequela por toda a vida. Nenhum nome mais adequado para ser incluído na mesma lista onde estão Nelson Mandela, Aung San Suu Kyi e as Damas de Branco do que o deste jornalista e psicólogo cuja principal característica é a humildade. Uma lhaneza que nem os microfones de todos os jornalistas que o entrevistaram neste dias, nem as luzes das câmaras conseguiram mudar. Com essa simplicidade que seus amigos tanto admiramos nele, Coco – porque até seu apelido é humilde – conseguiu que o prémio Sakharov pareça muito mais importante.


(publicado também aqui)

Publicado por João Tunes às 23:03
Link do post | Comentar

No centro do alvo (o dos contabilistas inchados de hipocrisia)

 

Manuel António Pina no JN:

Perder uma votação é (deve ser, mas que sei eu?) frustrante. Mas daí a contabilizar o sofrimento e a humilhação individual para concluir que "o meu violador de direitos humanos é pior que o teu" vai um precipício moral que, como diz Steiner, constitui "uma obscenidade adicional ao acto de despersonalizar a desumanidade".

Foi o que fizeram Ana Gomes, do PS, e Miguel Portas, do BE, proponentes da etíope Birtukan Mideksa, que entendem que, em Cuba, as violações dos direitos humanos, enfim, como dizer?, "não têm a gravidade que noutros regimes têm" e que, na Etiópia, essas violações (tortura, indignidades, prisões arbitrárias) é que são "gritantes". E o que igualmente fez Ilda Figueiredo, do PCP, que patrocinava a ONG "Breaking the silence", que tem denunciado as atrocidades de Israel na Palestina, e acusou o PE de não querer "enfrentar Israel" e se virar para Cuba, que é "mais fácil". Há algo de facto obsceno no espectáculo desta gente sentada nas suas poltronas a fazer contas, de máquina de calcular na mão, ao sofrimento alheio e a decidir quem sofre mais e quem sofre menos.

(publicado também aqui)

Publicado por João Tunes às 13:09
Link do post | Comentar

Meteorologia fálica

 

Publicado por João Tunes às 12:37
Link do post | Comentar

Cada qual com suas conversas

 

Durante uma visita do primeiro-ministro da Índia ao Japão em que foi recebido pelo imperador nipónico, as “delegações” fizeram, como costume, as suas negociações em dois blocos: cavalheiros num lado, damas em outro. E repare-se que nem sequer os intérpretes destoaram. Eles certamente que estão falando de política internacional. E as senhoras, sobre o que “cuscarão”?

Publicado por João Tunes às 12:28
Link do post | Comentar

O país da pobre figura

 

Claudi Perez, no “El Pais” de hoje:

Sobre os últimos dez anos:

Entre los que más crecen desde 2001 a 2010 aparecen países recién salidos de conflictos bélicos o con grandes riquezas en recursos naturales, además de economías que han disfrutado de una recuperación natural tras las crisis financieras previas, como en América Latina o Asia. Pero sobre todo ahí están China, con un avance acumulado del 170%, e India, que ha duplicado el tamaño de su economía de 2001 a 2010. En general, los emergentes asiáticos se destacan. Europa Central y del Este, América Latina, Oriente Medio e incluso África registran también avances formidables. En el furgón de cola, países golpeados por el infortunio (Haití), por guerras (Liberia) y décadas perdidas en Alemania, Dinamarca, Japón o Portugal, pero sobre todo en Italia, que aparecen en los últimos puestos por avance del PIB, los que permiten usar la manida fórmula de la década perdida sin más explicación que la anemia de sus economías.

E quanto aos próximos cinco:

El rápido crecimiento económico que comenzó en algunos países asiáticos en los años sesenta se ha extendido hoy a lo largo de un amplio arco del este de Asia, de América Latina y en menor medida de Europa del Este. Y en el próximo lustro seguirá ocurriendo algo parecido: un vistazo a las previsiones del FMI hasta 2015 deja a China creciendo a un ritmo asombroso del 57% -más del 10% anual- e India rozando el 50%. Junto a esas dos puntas de lanza, un nutrido grupo de países en vías de desarrollo impulsará la economía mundial en los próximos años; serán su principal motor.
Justo al otro lado, Portugal (4,1%), Grecia (5,4%) y Venezuela (5,8%) son los tres países que menos crecerán en el próximo lustro. Italia (6,5%) y España (9,08%) están también entre los 10 peores. Y no mucho mejor les irá a Alemania, Japón, Holanda y Francia, que presentan también avances inferiores al 10% en cinco años. La primera potencia del mundo, EE UU, crecerá menos del 15%, siempre según las previsiones del FMI. El mundo sigue girando: China e India están en otra dimensión.


(publicado também aqui)

Publicado por João Tunes às 12:07
Link do post | Comentar

A insaciável criatividade dos privatizadores compulsivos

 

Se esta malta não malucou de todo com a crise, anda disso muito perto:

O Governo do Reino Unido avalia vender parte das florestas do país, actualmente propriedade do Estado, como parte do plano para reduzir a despesa pública e combater o enorme défice.

(publicado também aqui)

Publicado por João Tunes às 01:00
Link do post | Comentar | Ver comentários (2)
Domingo, 24 de Outubro de 2010

Quando os senhores Puntilas diluem os rostos em papeis de acções, como bem podia ser em aguardente

 

Neste tempo de redesenho social à vista em que o clássico parece gasto, nem todo o Brecht ajudará à missa a inventar, mas, seguramente, este “O Senhor Puntila …” (*) não só resiste ao questionar brutal dos estereótipos como é ponte para a reinvenção, seja ela qual vier a ser, da luta de classes. Em primeiro lugar, porque a bipolaridade do homem da propriedade (no caso, pelo álcool, mas podia bem ter sido utilizado um outro pretexto), uma abstracção em tempos em que o capitalismo perdeu os rostos, corta as vazas às simplificações dogmáticas e sectárias de uma banda só e prefere a magia do delírio. Depois, porque nos alerta e instrui sobre o quão difícil, mas possível, é não perder o sentido de orientação sobre enganos e encomendas, em que a batuta tem uma mão e “não é possível misturar o azeite e o vinagre”. Pois não, mesmo na aparência do hedonismo mais desbragado.

 

Como se não bastassem a oportunidade desta reposição de uma das mais legíveis, divertidas e um eficaz convite à cumplicidade (coisa rara com Brecht, o homem da distanciação feita teatro) no prazer da descoberta da fábula sobre a exploração entre as peças de Brecht, sendo assim uma das peças do universo brechtiano que melhor resiste ao tempo, ela, nesta encenação, está entregue ao maior especialista português na representação de Brecht (João Lourenço). Que faz aqui o que é costume nele – trabalho asseado, suado e inspirado. Com um Senhor Puntila “de encomenda” (e faltando-nos Mário Viegas, dificilmente se poderia pensar noutro), o Miguel Guilherme. A não perder, pois, um salto ao Teatro Aberto, Sala Azul.

 

(*) “O Senhor Puntila e o seu Criado Matti”, Bertolt Brecht (com dramaturgia de Vera San Payo de Lemos), Teatro Aberto (Praça de Espanha, Lisboa), com Miguel Guilherme à frente de um elenco homogéneo e de muito aceitável performance, incluindo um excelente e interventivo trio musical.

 

(publicado também aqui)

Publicado por João Tunes às 23:32
Link do post | Comentar

Pré-entendiddos

 

O ministro das Finanças fez uma curta declaração após uma segunda reunião de três horas com a equipa do PSD. "Continuamos com o mesmo espírito, empenhados em chegar a um entendimento", disse Teixeira dos Santos.

(publicado também aqui)

Publicado por João Tunes às 22:50
Link do post | Comentar
liuxiaobo.jpg

j.tunes@sapo.pt


. 4 seguidores

João Tunes

Pesquisar neste blog

Maio 2015

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

Posts recentes

Nas cavernas da arqueolog...

O eterno Rossellini.

Um esforço desamparado

Pelas entranhas pútridas ...

O hino

Sartre & Beauvoir, Beauvo...

Os últimos anos de Sartre...

Muito talento em obra pós...

Feminismo e livros

Viajando pela agonia do c...

Arquivos

Maio 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Junho 2013

Março 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Junho 2012

Maio 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Outubro 2006

Setembro 2006

Agosto 2006

Julho 2006

Junho 2006

Maio 2006

Abril 2006

Março 2006

Fevereiro 2006

Janeiro 2006

Dezembro 2005

Novembro 2005

Outubro 2005

Setembro 2005

Agosto 2005

Julho 2005

Junho 2005

Maio 2005

Abril 2005

Março 2005

Fevereiro 2005

Janeiro 2005

Dezembro 2004

Novembro 2004

Outubro 2004

Setembro 2004

Agosto 2004

Julho 2004

Junho 2004

Maio 2004

Abril 2004

Março 2004

Fevereiro 2004

Links:

blogs SAPO