Terça-feira, 21 de Setembro de 2010

Habemos logo

              

 

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Publicado por João Tunes às 13:50
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Sexta-feira, 17 de Setembro de 2010

É feio andar por aí a ameaçar

 


Os capítulos mais importantes da história do PCP estão ainda por escrever.

(Aurélio Santos, dirigente do PCP que estagiou largos anos como revolucionário profissional na Roménia dirigida por Ceaucescu)


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Publicado por João Tunes às 14:18
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Quinta-feira, 16 de Setembro de 2010

Não se brinca com as escolhas do Comité Central

 

Ricardo Araújo Pereira publicou na "Visão" sobre a escolha do candidato presidencial do PCP:

Depois de uma longa e cuidada reflexão, o Partido Comunista Português resolveu escolher, como candidato ao mais alto cargo da nação, um senhor. Trata-se, sem dúvida nenhuma, de um indivíduo. E, embora possa ser precoce afirmá-lo sem investigação mais profunda, creio que estamos na presença de um cidadão. Neste momento, é tudo o que podemos dizer de Francisco Lopes - o que, não sendo pouco, na verdade é um pouco menos do que podíamos dizer de António Abreu em 2001, quando este foi escolhido pelo PCP para derrotar Jorge Sampaio. Para vencer Cavaco Silva, antigo primeiro-ministro e actual Presidente da República, o PCP aponta um candidato que nem os militantes comunistas sabem exactamente quem é. Claro que não quero com isto sugerir que as eleições presidenciais sejam um concurso de popularidade. Julgo que, apesar de tudo, os concursos de popularidade são um pouco menos frívolos.

Não posso deixar de me condoer quando penso na sorte dos especialistas em marketing que vão ser incumbidos da tarefa de elaborar os cartazes da candidatura de Francisco Lopes. Se me permitem, deixo algumas sugestões de slogans que podem vir a ser úteis em momentos de crise criativa. Por exemplo: "Vota Francisco Lopes (que é o senhor que aparece neste cartaz. A sério)." Talvez pudesse ser uma boa apresentação do candidato ao povo português. Outra hipótese: "Vota Francisco Lopes. A maior parte das pessoas que integram o comité central sabe quem ele é." É um slogan que aponta um conjunto alargado de cidadãos que podem avalizar as qualidades do candidato. Mais uma proposta, um pouco mais agressiva: "Francisco Lopes: o candidato da esquerda que o PS não apoia (até porque nunca ouviu falar nele)." Trata-se de um cartaz que farpeia o Bloco de Esquerda por se juntar ao candidato apoiado pelo partido do governo. Avançando com Francisco Lopes, o PCP sabe que não há qualquer hipótese de o seu candidato ser apoiado por mais ninguém. Por último, proponho: "Francisco Lopes. A força do carisma." Mas talvez sem a fotografia.

Sendo surpreendente, a escolha do PCP parece inserir-se no padrão de candidaturas destas presidenciais, em que os partidos de esquerda apoiam candidatos de outros partidos: o Bloco de Esquerda apoia Manuel Alegre, que é o candidato do PS, e o Partido Comunista apoia Francisco Lopes, que é o candidato do PCUS, o Partido Comunista da União Soviética. Francisco Lopes parece uma escolha de Brejnev, embora um pouco mais conservadora.

Com esta candidatura, o PCP consegue ser extravagante na ortodoxia, o que requer talento. A escolha é tão previsível que apanhou toda a gente de surpresa. E, no panorama político específico destas eleições, é única. Fernando Nobre é o candidato independente. Manuel Alegre, que nas últimas eleições era um candidato independente, nestas consegue ser, até agora, o candidato apoiado por mais partidos. E Francisco Lopes emerge como o único candidato que, sendo apoiado por um partido, é tão desconhecido no meio político como um independente. Tem tudo para agradar a toda a gente.

Pois RAP não fez rir o Comité Central (do PCP). E mereceu uma reprimenda séria assinada por um ilustre membro da Comissão Política (Vasco Cardoso):

O texto – e convido-vos a ler para que não se julgue que é falta de capacidade de encaixe da minha parte quando fazem umas piadas sobre o Partido ou sobre os comunistas – é o que vos transcrevi e pouco mais. Uma pobreza tão pobre que o que tem a mais no preconceito tem a menos em sentido de humor. Um exercício mal conseguido de ridicularização dos comunistas, que entra sem distinção para a galeria das várias peças produzidas nas últimas semanas inseridas numa operação mais vasta que visa diminuir a candidatura, ocultar o seu projecto, impedir que a discussão se faça em função do que ela é e do que propõe ao País.

Nada de que não estivéssemos à espera ou que condicione – era só o que faltava! – a grande campanha que iremos construir. Dito isto, um último registo:

Nesta «ideologia ambiente» – como alguém lhe chamou –, em que poderosos instrumentos são accionados para que todas as ideias, todas as opiniões, todas as atitudes, todas as formas de expressão crítica, artística ou criativa, incluindo o humor, se expressem com «toda a liberdade» desde que não ponham em causa a ordem estabelecida e os poderes dominantes, cada um faz as suas opções. E RAP tem feito as suas!

Que RAP, nos últimos anos, tenha ganho a vida sobretudo a ridicularizar (com enorme talento e propriedade) o primeiro-ministro e de tal forma que dificilmente se encontrará alguém que tanto tenha corroído a imagem política de Sócrates, não o exime de ser considerado um enfileirado na "ordem estabelecida" e nos "poderes dominantes". Porque estragou tudo ao brincar com as escolhas do Comité Central, o detentor exclusivo do patromónio humorístico do comunismo, como deu provas ao ter escolhido Francisco Lopes como candidato a Belém. Mas quando o Comité Central lança publicamente uma anedota isso não autoriza ninguém a rir-se dela. E, neste caso, com Francisco Lopes, a tarefa distribuída era bater palmas e não soltar gargalhadas, coisa de anticomunistas.

 

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Publicado por João Tunes às 12:38
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Quarta-feira, 15 de Setembro de 2010

Cinco

 

Um. Todas as eleições presidenciais foram envolventes e consideradas importantes. A próxima não o é menos que as anteriores. Pelo contrário. Porque se trata da oportunidade para haver a reeleição de um político de direita e nas condições especiais de poder verificar-se o pleno da direita no governo, na maioria parlamentar, em Belém. Não vejo, assim, como o rancor pode ser tão importante que constitua o factor determinante para a escolha (ou para a não escolha).

Dois. Obviamente que a figura do candidato conta, particularmente numa eleição unipessoal. Mas sempre que a direita não ganhou - ou seja: fora a última eleição -, o eleito “pela esquerda”, exceptuando o caso único de Jorge Sampaio, nunca foi uma figura superior a Manuel Alegre, seja em termos políticos, culturais ou de trajectória, qualquer que seja o crivo adoptado. Recordo-os: Ramalho Eanes, Mário Soares. E para os eleger, a esquerda, ou as esquerdas, logo na primeira ou então na segunda volta, sempre souberam pôr de parte as exigências sectárias sobre o candidato da resolução bipolar esquerda-direita. Quando falhou neste procedimento, a direita ganhou Belém.

Três. Sendo certo que a figura do candidato conta, não conta tudo. E, no actual quadro constitucional, mais se atenuam as marcas da individualidade que ocupa o cargo presidencial. Assim, além da figura, temos a perspectiva de dinâmicas e contra-dinâmicas, essas sim, a meu ver, o de mais importante nestas eleições. Desde logo, afastar Cavaco de Belém e num quadro potencial político onde a probabilidade acena para a hipótese de, com ele e agora, a direita dominar todos os poderes. Depois os efeitos sobre a governação socialista – os directos (via PS) e os indirectos (via partidos e forças à esquerda do PS). Num quadro de alternativa como esta, em que inevitavelmente se daria um deslocamento da dinâmica política para a esquerda e para as preocupações sociais, e exceptuando o número da teimosia escrupulosa dos membros fanáticos da esquerda diletante e dos amarrados aos ressentimentos e rancores, não vejo como hajam dúvidas em optar. Por Alegre, naturalmente.

Quatro. A candidatura de Alegre suscitou um caso único de convergência efectiva entre os três partidos de esquerda. O PS e o Bloco, por via oficial. O PCP ao apresentar uma candidatura insípida, inodora e de escrúpulo à primeira volta mas prometendo uma campanha que não belisca a entrada na dinâmica de vitória da segunda volta, guardando-se para o mata-mata, num caso nítido de defesa inteligente da virgindade e do pudor. No longo e desunido caminho que a esquerda portuguesa tem percorrido, sempre aos empurrões, calduços e gritarias, com os sectarismos a falarem mais alto que os interesses populares, esta convergência, mesmo que limitadíssima no seu alcance e efeitos imediatos, representaria uma oportunidade de ouro para a esquerda se entender, aprendendo a entender-se, pelo menos na defesa do Estado Social e que implicaria inflexões de todas as forças de esquerda, as partidárias, as sociais e as culturais. Se Alegre está a conseguir, na fase de candidatura, conseguir manter apoios tão diferentes e antes tão conflituantes, isso é uma aprendizagem inestimável para ele e para os partidos de esquerda da arte de aplanar instintos fraticidas, os que preenchem o capítulo maior da história da esquerda portuguesa.

Cinco. Provavelmente, havia, escondido ou metido a recato, um candidato mais convincente e abrangente que Alegre para unir as esquerdas e levá-las ao combate por Belém. Só que ninguém sabe qual o seu nome e onde reside. Sobrou Alegre? Sobrou. Eu, por mim, votarei em Manuel Alegre.

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Publicado por João Tunes às 17:02
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A ruína do patrão incompetente

 

Yoani Sánchez:

Quando se fala de Cuba uma das discussões mais freqüentes é se nesta realidade na qual vivemos pode ser aplicado o qualificativo “socialista”. Para minha geração, que se criou entre livros de marxismo, manuais de comunismo científico e tomos com os textos de Lenine, torna-se difícil identificar este modelo com o apresentado naquelas obras. Quando alguém me pergunta a respeito digo que nesta Ilha vivemos sob um capitalismo de estado ou – se é que se pode chamar assim – sob um latifúndio de partido… de clan familiar.

Minha teoria tomou forma porque naqueles vetustos livros que me obrigavam a estudar havia uma linha imprescindível para caracterizar uma sociedade como socialista: que os meios de produção estivessem nas mãos dos trabalhadores. Contudo, o que percebo ao meu redor é um Estado omni proprietário, dono das máquinas, das indústrias, da infra-estrutura de uma nação e de todas as decisões que se toma a respeito dela. Um patrão que paga salários baixíssimos e que exige dos seus empregados o aplauso e a incondicionalidade ideológica.

Esse dono avarento agora adverte que não pode continuar dando trabalho a mais de um milhão de pessoas nos setores que constam do orçamento e o empresarial. “Para avançar no desenvolvimento e na atualização do modelo econômico” nos dizem que devem reduzir drasticamente a folha de pagamentos, enquanto abrem apenas espaços pequenos e controlados para trabalhos por conta própria. Até a Central dos Trabalhadores de Cuba – único sindicato permitido no país – informa que as demissões chegarão logo e que devemos aceitá-las com disciplina. Papel triste a quem cabe representar os direitos dos seus filiados frente ao poder e não o contrário.

O que fará o patrão antiquado que possuiu esta Ilha durante cinco décadas quando seus desempregados de hoje se converterem nos inconformados de amanhã? Como reagirá quando a autonomia laborativa e econômica dos trabalhadores por conta própria se converter em autonomia ideológica? O veremos então blasfemar, estigmatizar os prósperos, porque a mais valia – como a cadeira presidencial – só pode ser sua.

(Traduzido por Humberto Sisley de Souza Neto)


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Publicado por João Tunes às 13:05
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Terça-feira, 14 de Setembro de 2010

Ao que uma velha glória do maoísmo estudantil está guardada quando ministro

 

Ser confrontado com perguntas indiscretas.

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Publicado por João Tunes às 16:15
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Pelo rigor, dizem até os parciais

 

A escola dos historiadores fanatizados pelo rigorismo classificativo conseguiram impor o interdito em se caracterizar o período das ditaduras de Salazar e Caetano como se tendo tratado de um regime fascista. Faltavam uns tantos quesitos no menu classificativo, embora não se negasse a matriz inspiradora comum (na ideologia, nas práticas, na organização do Estado, na propaganda, no sistema repressivo) com os regimes irmãos de Itália e Alemanha. Os rigoristas não cederam perante a evidência de se ter tratado de um “fascismo impuro”, isto é, adaptado à realidade rural e clerical de Portugal. Como não podia deixar de ser e tal como, aliás, aconteceu em toda a parte na época dos fascismos e dos comunismos e o regime italiano tinha aspectos muito distintos do regime nazi, idem relativamente ao franquismo-falangismo e por aí fora, onde a reacção fascizante se apoderou do Estado (França-Vichy, Hungria, Croácia, Roménia, Eslováquia), todos com as suas especificidades e todos regimes de fascização mais ou menos abrangente das sociedades locais. E sendo mais que certo que face aos três modelos dominantes na época – fascismo, comunismo, democracia liberal -, Salazar construiu o “Estado Novo” em nítida e profunda influência, muitas vezes sob a forma de cópia, do fascismo (da versão original, a italiana), mesclando-o com botas de elástico, procissões e chapeladas ao padre, ao polícia, ao chefe e ao patrão, os rigoristas não cederam e decretaram com efeitos imediatos: o salazarismo não foi um “regime fascista”. E todos os tementes aos historiadores, mais que à evidência dos factos, acataram a proibição classificativa e que passou a ser seguida com devoção. As designações "autorizadas" passaram a ser de “regime autoritário”, “nacionalismo catolicista” ou, inclusive e adoptando a designação que Salazar auto-atribuíu ao regime que construiu, chamando-lhe pelo termo com valor único na propaganda salazarista, “Estado Novo”. Extirpado o fascismo como designação imprópria e contaminada do regime em que assentou a ditadura, não cuidaram os rigoristas de eliminar a designação de antifascismo e antifascistas, o que deu na situação curiosa de ser aceite que em Portugal, durante décadas, tivemos uma luta antifascista que combateu um “não fascismo”. Mas, recentemente, pela ajuda do historiador Filipe Ribeiro de Meneses, considerado o novo guru do olhar histórico e político "desapaixonado" sobre a figura de Salazar, passámos a ter direito a uma nova catalogação política de Salazar – nem mais nem menos, diz Meneses, que se tratou de um … democrata-cristão. Estamos, já estávamos, entendidos onde iria parar o rigorismo, tanto rigorismo. Ou seja, à mais descarada e grotesca falta de rigor.

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Publicado por João Tunes às 16:01
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Para variar: uma campanha para um Patriarca

 

No início do próximo ano, com a resignação prevista do actual Patriarca de Lisboa, com o Presidente da República ainda eleito de fresco, abre-se o processo da sucessão neste importantíssimo cargo na Igreja Católica portuguesa (sem dúvida, o mais proeminente) e que arrasta a ascensão do escolhido à categoria de Cardeal. Pelo que já se pode ler e saber, a campanha eleitoral (não para eleger, porque a escolha não é por votos, mas para condicionar e influenciar a opção do Vaticano) já arrancou e exibem-se candidatos. Como é o caso desta prédica católico-integralista que pede meças ao panfleto político e partidário mais assanhado dos miguelistas beatos dos tempos que correm, onde os fantasmas dos demónios maçónico e socialista aparecem a manietar e a manipular a Santa Madre Igreja do Portugal Profundo e Beato e constitui um autêntico hino promocional ao caudilhismo clementino que se promete e acena como redentor da Fé Lusitana:

Portanto, a Igreja portuguesa precisa que a autonomia face ao poder político, que tem emergido na conferência episcopal neste dois últimos mandatos, por contraste com a abstenção e favorecimento em anos anteriores do poder político anti-clerical e radical, se consolide na escolha do novo Patriarca de Lisboa. Para isso, é fundamental escolher para Patriarca de Lisboa alguém que tenha dado provas de preferência espiritual, de autonomia pastoral face ao poder político, de sabedoria, moderação e prudência, seja insusceptível de promiscuidade com a Maçonaria ou de abstenção perante a deriva radical do Estado, e constitua, no País, uma referência moral com prestígio para recuperar a função da Igreja a partir da sua capital. D. Manuel Clemente, actual bispo do Porto, é o homem certo para esta hora decisiva. Padre, homem bom, ponderado, sensato e prudente, diplomata, com evidente capacidade de diálogo mas firme na decisão, modesto e concentrado na missão da Igreja, com boa figura nos media mas sem concessão nos princípios e resoluções, académico e humano, historiador e moderno, intelectual e organizador, líder pela prédica, escrita e saber, D. Manuel Clemente é a melhor escolha - digo, nesta altura, a única... - para conduzir a Igreja da capital para a função e lugar autónomo que lhe cabem na sociedade nacional. Como noutros casos se diz, e nestes com mais razão, é mesmo por não procurar o novo cargo que é a pessoa indicada para o desempenhar.

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Publicado por João Tunes às 12:39
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Segunda-feira, 13 de Setembro de 2010

E vão ... Sete

 

 

(a blogar desde Setembro de 2003)

Publicado por João Tunes às 22:01
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Canibais saltando dilema

 

A forma mais corriqueira de embirrar com Alegre e a sua candidatura é, pela esquerda, referir os apoios convergentes PS e Bloco. E que pretende ter um efeito fulminante na medida em que mete Sócrates ao barulho. E quando assim é não há nada para enganar. Qualquer preguiçoso da política não falha neste recurso de manjerona no combate via embirração que se integra no princípio orientador “a luta continua, Sócrates para a rua”. E se o expediente funciona com lógica para a direita amarrada a Cavaco, por chutar o odioso para outro lado, seria surpreendente se a surpresa ainda se usasse que as esquerdas, a purista e a sectária, dessa forma tivessem decidido dar folga a Cavaco, poupando-lhe o dorso, virando o malho para a banda de Alegre. E aqui entra o aspecto mais caricato e despudorado da esquerda anti-Alegre, o de ao mesmo tempo que martelam na aliança espúria de suporte a Alegre, não repararem que se enfiaram também eles numa outra aliança, esta bem mais abrangente, a da convergência entre os activos, os omissos e os cúmplices que desejam a vitória de Cavaco à primeira volta. Sem repararem sequer na forma sábia como o PCP se posicionou nestas eleições, levando o candidato ideal (melhor que Francisco Lopes para a função, devia ser difícil, muito difícil) para marcar a demarcação perante Cavaco, fazer um campanha de militância estritamente endógena (fixando os votos do PCP sem iludir falsas alternativas, demarcando-se com cócegas de Alegre), não descompondo o cenário de uma segunda volta “unitária” em que não fiquem de fora na hipótese de uma vitória de Alegre. Quem percebeu a importância da diferença entre se ter a esquerda ou a direita em Belém, sabe que o combate, portanto a diferença, na disputa presidencial é entre Cavaco e Alegre. O resto é conversa de canibais, para memória passada ou memória futura.

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Publicado por João Tunes às 21:40
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Domingo, 12 de Setembro de 2010

Chabrol (1930-2010)

 

Para a cinefilia marxista dos anos sessenta e setenta, sectária como convinha à luta e sobretudo entrincheirada nos cine-clubes, Chabrol era o “pior” na herética galeria da “nouvelle vague”, agregação esta com o seu quê de forçado pois metia gente tão diversa como Jean-Luc Godard, François Truffaut, Jacques Rivette, Éric Rohmer, Louis Malle, Agnès Varda e Alain Resnais, sendo difícil encontrar uma turma tão eclética reunida à volta de uma revista de cinema (os 'Cahiers du Cinéma') e tão motivada a escrever sobre cinema e praticando um culto fanático pelo cinema americano que levou a maioria dos seus colaboradores a tornarem-se realizadores. Mas porque calhava a Chabrol o papel de "inimigo nº 1"? Pois, pela forma sem pudor como se assumia como burguês dos quatro costados e pela maestria como contava tudo o que sabia, que era tanto que soava a demais, replicando Hitchcock, sobre as intimidades perversas da burguesia francesa. E, no seu gosto autocontemplativo para com as misérias relacionais nos rituais da sociedade que se safava no boom da prosperidade do pós-guerra, numa espécie de sadomasoquismo fílmico, Chabrol mostrava não ser boa peça. Descarado, também. E, para cúmulo, Chabrol disparava em quantidade e qualidade e ainda com folga para puxar o máximo por actrizes de mão cheia. Assim, acabou por ir calando as tentativas de pateada até engordar por causa do abuso da unanimidade e da reverência. Nada de novo, afinal. Balzac havia feito isso com o romance – era suficientemente reaccionário para ser o mais destrutivo da sua classe ao escrever sobre as burguesas (válido com Balzac e com Chabrol, ou seja, nos tempos em que as mulheres ainda se disfarçavam com uso do mistério). O que só era corrosivo até a burguesia, ela mesmo, adquirir a confiança necessária a portar-se com fair play. Filmando em catadupa, sempre refinado e cada vez mais sábio, Chabrol acabou por meter todos no bolso, os burgueses e os malteses. E assim fez obra, inevitável se se quiser conhecer a França escondida debaixo do verniz e dos lençóis que deu no que deu, em Sarkozy.

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Publicado por João Tunes às 23:28
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Um substituto de Carlos Mota com o pelouro da RTP

 

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Publicado por João Tunes às 21:50
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Quinta-feira, 9 de Setembro de 2010

O lavrador betinho

 

Portas, mascarado de lavrador (versão betinho e em pose “Indiana Jones”) parece ter aderido a uma campanha do género “Portugal a produzir”.

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Publicado por João Tunes às 23:04
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No crepúsculo do Coma Andante

 

Yoani Sanchéz:

Si no recuerdo mal, por frases menores o similares expulsaron a muchos militantes del Partido Comunista y purgaron largas condenas innumerables cubanos. El dedo índice de quien fuera el Máximo Líder se dirigió sistemáticamente contra los que intentaron explicarle que el país no marchaba. Pero no sólo el castigo acompañó a los inconformes, sino que la máscara se nos convirtió en ardid de sobrevivencia en una isla que él intentaba hacer a su imagen y semejanza. Simulación, susurros, dobleces, todo para ocultar la misma opinión que ahora el “resucitado” comandante lanza precipitadamente frente a un periodista extranjero.

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Publicado por João Tunes às 22:19
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Como disse?

 

Fidel Castro: "El modelo cubano ya no funciona ni siquiera para nosotros".

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Publicado por João Tunes às 00:08
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