Quarta-feira, 3 de Fevereiro de 2010

Em louvor de Victor Sebestyen

 

 

Rui Bebiano partilha a minha opinião positiva sobre o valor de uma obra publicada há pouco tempo e injustamente (só?) pouco ou nada valorizada:
 
Revolução 1989 é uma obra objectiva, rigorosa e abrangente, que segue uma estrutura narrativa aliciante, pontuada por inúmeros episódios dessa «pequena história» que tantas vezes faz inflectir a sequência dos grandes movimentos políticos e sociais. Um instrumento de grande utilidade para quem pretenda compreender a velocidade, a dimensão e o eco da «primeira revolução televisionada da História». E um ano quente, de viragem, na nossa experiência colectiva.

 

Publicado por João Tunes às 11:33
Link do post | Comentar
Terça-feira, 2 de Fevereiro de 2010

Se fosse o Medina Carreira ainda lá ia, retribuindo-lhe as horas televisivas dedicadas ao apocalipse, mas assim não

 

Não falo do Mário Crespo porque o aprecio, admiro e respeito tanto quanto a Sócrates. E nada me obriga, nem sequer a minha consciência apelando permanentemente á pancadaria e à isenção, tratar de duas más rezes num post só.
 
(imagem roubada daqui)

 

Publicado por João Tunes às 15:46
Link do post | Comentar | Ver comentários (13)

A lambada falhada do Bruno

 

Começo por dizer que gosto e admiro Bruno Alves. Isto, desde que ele evoluiu da afirmação pela sarrafada e abuso do físico para a portentosa fase de domínio de terreno, afirmando-se ainda como um dos magníficos controladores do espaço aéreo no actual futebol europeu, conseguindo dar uma lição permanente de poder majestático a Luisão, admitindo-se que evolua até ao nível de Pepe e metendo a lembrança de Jorge Costa - ou de Mozer - nos museus da mediania esforçada e conseguida, só lhe faltando subir uns pontos largos até às sofisticações de classe de um Germano, um Humberto Coelho ou sobretudo de um Vicente ou de um Gamarra, os sumo-sacerdotes entre os centrais que passaram pelos relvados portugueses. Mas, admirando-o, não gostei de saber que Bruno Alves, num treino, deu uma estalada no seu camarada Tomás Costa, um medíocre nas artes do pontapé na bola, a merecer mais um bilhete de regresso às pampas que uma estalada oferecida pelo melhor central português e, indiscutivelmente, situado no top europeu. É que saber-se que o Bruno deu uma estalada, não é notícia. Olhando-o, vendo-o, não se lhe espera outra coisa. A notícia, sim, é saber-se que o Bruno errou o alvo da lambada. Tivesse ele dirigido a mão aberta direitinha à face do ex-segundo de Pinto da Costa, o dissidente Fernando Gomes, e teria a massa do FêCêPê, assim como todos os apreciadores de futebol que não se guiam pelo GPS das claques, aos seus pés. Para mais, sabendo-se que a SAD pintocostista, afinal, não consumiu os royalties dos poços de petróleo que jorram no Dragão para pagar as extravagâncias de um Kléber que mostrou algibeiras mais largas que o valor bolsista dos seus talentos. Se Kléber tirou razão às razões do Gomes, poupando, por falência no atendimento da ganância, nos desperdícios petrolíferos do FCP-PC, a precipitação do Bruno só pode ser investimento de esperança, para hoje à noite, no mais triste dos treinadores portugueses, o Carvalhal com sotaque de Alcochete. Se a lagartagem se aproveitar bem, hoje, da prenda da falta do Bruno, ele que tome nota que passa a carregar nas costas com a sarrafada mais inconsequente da sua carreira.

 

 
Adenda 1 (após a melhor exibição de futebol desta época): Afinal, nem o Bruno Alves fez falta nem uma data dos titulares usuais. E que grande banho de bola… Verdade que jogaram sozinhos mas, de qualquer forma, quem diria?

 

Adenda 2: Acrescentei o inesquecível Vicente na lista dos grandes centrais de referência. Porque é mais que justo reparar o lapso  (que me seria imperdoável, até porque o vi jogar muitas vezes ao vivo, rendendo-me sempre ao seu genial talento que desembocou num drama de azar tremendo a que se seguiu uma indigência que continua a doer a alma, tão pouca tem sido a solidariedade que merecia e merece, como atleta e pessoa) e para evitar azias a pasteis de belem que são de um clube de gente muito humilde mas que podia fazer mais e melhor para que a velhice de Vicente não fosse tão penosa quanto o é.

Publicado por João Tunes às 15:13
Link do post | Comentar | Ver comentários (1)

Emigração: agora vão os licenciados com telemóvel, computador portátil e mala com rodinhas mas, porque é considerado irrelevante, desligaram as estatísticas

 

Na TSF:
 
O Conselho das Comunidades Portuguesas destacou, esta terça-feira, o aumento do número de portugueses a partir para o estrangeiro em busca de emprego. Apesar de não existirem números oficiais, o Conselho das Comunidades explicou que são sobretudo jovens quadros técnicos que têm vindo a abandonar o país.
O presidente da Comissão Especializada de Fluxos Migratórios do Conselho das Comunidades Portuguesas, Manuel Beja, contou à TSF que a situação actual só é comparável ao aumento da emigração registado na década de 1960 e acrescenta que, ao contrário do que aconteceu há 50 anos, agora são os mais preparados que estão a abandonar o país.
«O fenómeno dos quadros, com a intensidade com que se está a desenvolver, é algo único nesta fase de saída de portugueses para a emigração. Há muitas organizações não-governamentais que indicam que Portugal nunca traçou uma fase de tão elevado número de saídas. Esta fase é em tudo semelhante aos finais da década de 1960, a época da chamada "mala de cartão". São desempregados que têm esperança de encontrar um posto de trabalho noutros países, sendo muitos deles quadros técnicos e científicos», explicou Manuel Beja.
Manuel Beja notou ainda uma mudança nos destinos da emigração, esclarecendo que são cada vez mais os portugueses a partir para a Ásia e para o continente africano.
(…)
A TSF tentou obter números exactos sobre os valores da emigração nos últimos anos, mas a secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas informou que não dispõe dessas informações e o Instituto Nacional de Estatística deixou de cuidar desse levantamento desde 2003.

 

Publicado por João Tunes às 12:36
Link do post | Comentar | Ver comentários (5)

O descanso do guerrilheiro pouco canónico

 

Manuel Serra, agora falecido, nunca teve um reconhecimento à altura da sua coragem demonstrada na luta contra a ditadura. Primeiro, porque não correspondia ao arquétipo do antifascista correcto. Era, antes, um voluntarista impaciente, um guerrilheiro sempre ansioso de acção. Vindo dos meios do activismo católico, entendia a ditadura como uma heresia perante deus e os portugueses que ele sabia, tendo nisso razão, que só cairia pelos canos das espingardas. Depois, logo a seguir ao 25 de Abril, enfiado no PS, tentou levar aquele partido para uma linha política à esquerda de Mário Soares, no que só foi manietado pelo verbo de Manuel Alegre que, arrastando a maioria do primeiro congresso do PS na legalidade, levou o PS a escolher Soares contra Serra. A que se seguiu uma dissidência inconsequente (a da FSP, que foi integrante de uma coligação eleitoral com o PCP) e a irrelevância posterior na intervenção política. Mas sem que, alguma vez, o tivessem visto a comer à mão dos poderes. Nenhum destes “assados” torna alguém, mesmo entre a esquerda, passível de admiração consistente e ampla, sequer com direito a lugar na memória. Mas mesmo os silêncios têm limites. E esses não apagam o facto de que acaba de nos deixar um dos mais intrépidos lutadores contra o fascismo, inclusive nos riscos do mata ou morre, barbaramente torturado pela PIDE em várias ocasiões, com longos anos de prisão, exílio e luta. A quem devemos, pelo menos, o exemplo do grito bravo em várias horas de muitas cobardias e omissões.

 

Publicado por João Tunes às 00:21
Link do post | Comentar
Segunda-feira, 1 de Fevereiro de 2010

Aquilo para que um carbonário pacifista está guardado…

 

Até para isto.

 

 

Publicado por João Tunes às 23:48
Link do post | Comentar

Agarrem-no senão ele salta o obstáculo e acaba com o Estado

 

César das Neves, sempre ele:
 
O obstáculo está nos muitos que vivem de fundos públicos. Políticos, mas também pensionistas, subsidiados, funcionários, professores, médicos, polícias, militares, construtoras, concessionárias e tantos outros, pagos por impostos, não só não perderam com a crise mas até ganharam na deflação. Essa é a base do problema orçamental, face visível do pântano.

 

Publicado por João Tunes às 13:09
Link do post | Comentar
liuxiaobo.jpg

j.tunes@sapo.pt


João Tunes

Pesquisar neste blog

Maio 2015

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

Posts recentes

Nas cavernas da arqueolog...

O eterno Rossellini.

Um esforço desamparado

Pelas entranhas pútridas ...

O hino

Sartre & Beauvoir, Beauvo...

Os últimos anos de Sartre...

Muito talento em obra pós...

Feminismo e livros

Viajando pela agonia do c...

Arquivos

Maio 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Junho 2013

Março 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Junho 2012

Maio 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Outubro 2006

Setembro 2006

Agosto 2006

Julho 2006

Junho 2006

Maio 2006

Abril 2006

Março 2006

Fevereiro 2006

Janeiro 2006

Dezembro 2005

Novembro 2005

Outubro 2005

Setembro 2005

Agosto 2005

Julho 2005

Junho 2005

Maio 2005

Abril 2005

Março 2005

Fevereiro 2005

Janeiro 2005

Dezembro 2004

Novembro 2004

Outubro 2004

Setembro 2004

Agosto 2004

Julho 2004

Junho 2004

Maio 2004

Abril 2004

Março 2004

Fevereiro 2004

Links:

blogs SAPO