Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

São imprevisíveis e por vezes saltam as trincheiras sabe-se lá se na ideia de irem para o governo

 

Claro que onde estão os maiores aficionados não demoraram nada a dar conta da corrida realizada aqui (El País, El Mundo).

 

Publicado por João Tunes às 23:00
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Um funcionário com mais de quarenta e cinco anos de antiguidade não pode vir agora dizer diferente do que andou tanto tempo a dizer e portanto Obama pertence à mesma cambada

 

Albano Nunes, dirigente veterano do PCP:
 
Não era preciso ser bruxo para prever que, fosse qual fosse o rosto de serviço na Casa Branca - «democrático» ou «republicano», da «terceira-via» blair-clintoniana ou «neocon» à Bush - do outro lado do Atlântico não podia vir nada de bom para o mundo e em particular para Portugal e para os portugueses.
(…)
É esse o caso de Portugal em que, acompanhados de elogios a Obama indignos de estadistas que se prezem e onde se não vislumbra ponta de brio patriótico, avançam vertiginosamente compromissos e medidas que golpeiam severamente a soberania nacional e atrelam ainda mais o País à carroça de guerra do imperialismo.

 

Publicado por João Tunes às 13:43
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Muita sorte tem o Chora em não ir chorar para o Gulag

 

Mas o “Avante” já lhe adianta para cadastro futuro:
 
Toda a gente sabe, embora os interessados não gostem que se diga, que os grandes meios de comunicação social (e não só) andam com o BE ao colo. Mas ao sr. António Chora, trazem-no em ombros.
Compreende-se bem que assim seja. Se para o grande capital é precioso um tampão eleitoral que previna uma maior deslocação de votos para o PCP e a CDU - votos que julgam ir recuperar mais tarde ou mais cedo -, muito mais precioso é um quadro operário cuja cabeça esteja feita, de cima a baixo, pela ideologia da classe dominante.
(…)
Onde se pedia a um dirigente firmeza na defesa de interesses de classe, da parte do sr. Chora o que se ouve é a repetição dos argumentos da administração, a reiterada disponibilidade para vender direitos, o ataque aos trabalhadores que tiveram o atrevimento de o desautorizar, a argumentação anti-comunista.

 

Publicado por João Tunes às 13:30
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Para que elas todas não pensem que estou numa de elogio a pataco porque há senhoras que francamente deus nos livre

 

Ana Gomes diz que apresentou a sua candidatura autárquica no Cacém mas ilustrou o post-notícia com uma foto do Castelo da Pena. Isto não é imaginário típico da nomenklatura?

 

Publicado por João Tunes às 01:08
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Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

Hoje tirei o dia para referir e citar mulheres inteligentes que só é preciso encontrá-las porque, e algumas são louras, elas andam por aí

 

A garantia formal da institucionalidade democrática não significa o exercício democrático... entre uma e outra dimensão do problema reside a própria antítese democrática que encontra no espaço disponível para toda a manipulação a possibilidade legítima da contradição da sua própria essência fundante... A democracia, hoje, como ontem, dá a pensar ao mundo as suas potencialidades de uso e recurso... por isso é que urge o conhecimento, a participação e o empenho cívico dos cidadãos na vida democrática que, contrários à expressão da recusa que as abstenções revelam, podem impôr limites à legalidade paradoxal dos preceitos formais, conferindo a toda a arquitectura socio-política a natureza plástica que se adequa à manifestação da vontade dos povos e garante o exercício da sua liberdade...

 

Publicado por João Tunes às 14:11
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Um excelente texto de Maria Manuela Cruzeiro que também dá para boleia de muitas conversas

 

Não tem interesse algum no sentido prático de resolver seja o que for mas se alguém se quiser interrogar porque é que a esquerda está como está, ou porque continua como está, bastará ler este texto da investigadora Maria Manuela Cruzeiro e entenderá o essencial num instante, o do tempo de leitura e remate de reflexão. Porque mais, muito mais, que a “história”, as “massas”, as “classes” e as “vanguardas”, foram Cunhal e Soares, estes dois líderes poderosíssimos da ocasião, a de uma revolução caída dos quartéis aos trambolhões, em antinomia permanente entre si e após breve tutoria de um sobre o outro (na versão adulta da primeira relação havida entre ambos no Colégio Moderno), que marcaram (e marcam, com um deles morto e o outro na pré-reforma) a esquerda portuguesa. Com um excepcional poder de síntese, MMC ao ideologizar no mínimo as figuras, sublinhando os seus encontros e desencontros de "inimigos íntimos", dá-nos o essencial deles em termos de impacto revolucionário (e contra-revolucionário, no que respeita ao “segundo Soares”) e, sobretudo, explica como a esquerda portuguesa, muita dela nascida nos dias em que os acolheu vindos do exílio, adoptou estes dois “pais políticos” para ir além do antifascismo que a revolução tinha acabado de esgotar como projecto (além das, sempre empoladas, prevenções das recaídas) e que, confirmou-se cedo, era a única plataforma capaz de unir Soares e Cunhal. Porque quanto ao socialismo do “day after”, que ambos tinham inscrito nos estatutos, no programa, na bandeira e no hino, tudo os dividia, tanto como o que havia dentro de cada um, enquanto pessoa, estilo e líder. Com a direita nas encolhas, acabada de perder um regime e carregando a culpa de nos ter adiado um país (perdendo o império que tinha atrelado a guerras que não se ganham) e, em meio século, politicamente só nos ter dado dois ditadores; enquanto o génio de Sá Carneiro cerzia o que sobrara do aparelho da União Nacional com a resistência burguesa à mudança e programando um “marcelismo póstumo”; a maioria do povo, extrovertido em súbita politização, virou da quietude para a esquerda, uns seguindo Soares e outros Cunhal. Destinado a continuar maioria mas para não se voltar a entender, enquanto esquerda. Assim estamos, agora na quietude do voto e enquanto as sombras antigas de Cunhal e Soares por aí esvoaçam sobre a “esquerda velha” (a serôdia que é um mausoléu de Cunhal e Brejnev e a centrista que até ao Soares meteu na gaveta). E não será por acaso que o fragilíssimo Bloco (enquanto organização e projecto de uma esquerda política e social), mais partido “de não” que outra coisa, cresce e engorda muito acima dos seus méritos na capacidade de resolver. No mínimo, e não é pouco, corresponde a uma esquerda liberta dos sindromas de Cunhal e Soares, os “pais tiranos”, dando a sensação que é uma esquerda “com as chaves de casa no bolso” para dar uma volta pela política e pelas urnas de voto sem hora marcada para voltar ao seio da "família partidária", obedecendo ao Comité Central ou bajulando Sócrates e os seus adjuntos feitos de cera de obedecer. Até porque (tirando a pequena tira do “grupinho Miguel Portas”, uma sub-espécie da orfandade de Cunhal) o núcleo aparelhista e ideológico-táctico do Bloco vem exactamente da esquerda que, na revolução, sempre olhou de revés Soares e Cunhal, fugindo-lhe aos redis e até tentando tresmalhar-lhe as ovelhas. No que vai dar a maturação desta adolescência tardia e retardada de esquerda que é o voto no Bloco, um voto especial pois que prescinde (ainda) de militância e compromisso, é assunto que só meterá a urgência em cima da mesa lá mais para adiante. Para já, areja os fatos dos atrasados enterros políticos de Cunhal e Soares para poderem ser oferecidos a uma qualquer instituição de beneficência dos desvalidos da esquerda agarrada ao baú da memória passadista, em resposta a peditório que há muito tardava. O Bloco consolidado como terceiro partido é (melhor, será se fôr) prémio e desafio. E que seja o eleitorado mais jovem (maioritariamente do litoral, citadino, instruído, incluíndo alguns que são cultos, emancipado quanto às amarras nos costumes, "filho" da internet e do trabalho precário) a dar-lhe gás, dá ânimo de confiança de que a esquerda não só se vai aliviando dos fardos do passado, incluindo os afectos que oprimem mais que libertam, como é suficientemente atrevida para querer escolher ter futuro.

 

Adenda: A Joana Lopes acrescenta por entre o muito mais que ainda havia (e há) a dizer.

 

Publicado por João Tunes às 11:44
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