Terça-feira, 6 de Janeiro de 2009

FÉ E OLHO VIVO

 

Pois. Mas era escusado traduzir o padre-nosso rezado pelo senhor bispo:
 

Só não sei se falou verdade quando manifestou vontade de convidar Manuel Alegre para as listas do PS. Mas jogou a cartada certa. Se Alegre não aceitar o convite, ele é que se auto-exclui e Sócrates não fica com o ónus de postergar os adversários internos.

 

Publicado por João Tunes às 22:43
Link do post | Comentar

VAGA DE FRIO

 

Já desceu até aos - 0,8, segundo o Meteorologista do PIB. Haja poupanças de reserva para investir em agasalhos.

 

Publicado por João Tunes às 17:21
Link do post | Comentar

POKER-CAIAQUE NO MAR DA PALHA

 

Sequência mínima 1:
 
Da medíocre barcaça Durão passámos para o péssimo bote Santana. E as expectativas sobre a prestação política baixaram até ao fundo. Havia que meter o pescoço acima da linha de água. Foi esta maré baixa que permitiu que o calado do caiaque Sócrates navegasse nas águas da maioria absoluta, forma de sublimar a necessidade de fuga rápida ao lodo santanista.
 
Sequência mínima 2:
 
Sócrates, pelas virtudes energéticas da ego-teimosia auto-sitiada no centrismo blair, retornou a navegação para o mar da palha, águas em que se sente peixe. Nas margens tem (temos) o lodo da mediocridade apodrecida – o Louçã que seca discípulos e não faz escola, o Jerónimo que dança à Kim-Il-Sung rumo à pobreza incívica com os serviços mínimos da saúde e da escolaridade cumpridos à maneira cubana, o Paulinho que alerta que o nosso problema são os imigrantes que roubam as pensões aos reformados, a Avó Manuela cansada da política e representando o papel da árvore seca do pessimismo dissoluto.
 
Sequência máxima desejada:
 

Há que esperar.

[Até lá, o caiaque navega. E, do mal o menos, que não vá ao fundo. Não merecemos mais por falta de criatividade para impormos melhor.]

 

Publicado por João Tunes às 15:27
Link do post | Comentar

A POBREZA COMO VIA PARA A OBEDIÊNCIA

 

A Igreja Católica tem um saber acumulado em séculos sobre como a exaltação da virtude da pobreza e da bem aventurança dos pobres, enquanto convive bem com os poderosos, proporciona um apreciável meio de manutenção da submissão religiosa. Porque também sabe sobre o reverso: libertas da pobreza, as pessoas tornam-se mais livres e, assim, menos dependentes do placebo da ajuda dos deuses. Enquanto prolongando a pobreza pode-se prolongar a obediência. Sendo quase impossível que um saber permaneça hermeticamente fechado, há sempre outros dispostos a aprenderem, tornando-se peritos em artes sacras servindo outras castas que se servem de outras fés. Como bem explica Yoani Sanchéz
 
Yo no había nacido cuando en abril de 1961 se declaró el carácter socialista del proceso cubano. “Esta es la revolución socialista de los humildes, por los humildes y para los humildes…” anunció Fidel Castro cerca de las premonitorias puertas del cementerio de Colón. Muchos que lo escucharon, jubilosos y optimistas, suponían que el primer propósito revolucionario sería que dejara de haber gente humilde. Con esa ilusión, salieron a defender un futuro sin pobreza.
 
Al observar a los actuales destinatarios de lo anunciado hace casi cincuenta años, me pregunto cuándo la prosperidad dejará de verse como contrarrevolucionaria. ¿Querer vivir en una casa a la que el viento no logre arrancarle el techo dejará de ser -algún día- una debilidad pequeño burguesa? Todas las carencias materiales que percibo cuestionan el sentido de este colosal vuelco en la historia del país, sólo para que dejara de haber ricos, al precio de que hubiera tantos pobres.
 

Si al menos fuéramos más libres. Si todas esas necesidades materiales no se plasmaran también en una larga cadena que hace a cada ciudadano un siervo del Estado. Si la condición de humildes fuera una elección voluntariamente asumida y especialmente practicada por quienes nos gobiernan. Pero no. La renovada exaltación de la humildad lanzada por Raúl Castro este primero de enero nos confirma lo aprendido en décadas de crisis económica: que la pobreza es un camino que lleva a la obediencia.

 

Publicado por João Tunes às 11:54
Link do post | Comentar

MEMÓRIA DOS TEMPOS VIGIADOS

 

Aqui, um fragmento em flash-back.

 

Publicado por João Tunes às 11:10
Link do post | Comentar | Ver comentários (2)
Segunda-feira, 5 de Janeiro de 2009

SÓCRATES-RAP

 

Tenho dificuldade em concentrar-me no fio oratório de Sócrates quando ele discursa ou é entrevistado. A culpa é de Ricardo Araújo Pereira. Olho para Sócrates, oiço-o, sigo-lhe os trejeitos na fala e nos sobrolhos mais os movimentos mecânicos e ritmados das mãos e parece-me que ele está a imitar o humorista e isso, o desvio para a apreciação das capacidades histriónicas, perturba o entendimento que é mesmo o chefe do governo quem fala e nos fala. Nada a fazer. Resta-me, para não levar esta minha infantilização cívica ao nível da absoluta irresponsabilidade, tentar adivinhar, momento a momento, como é que, em termos de efeito de propaganda, a actuação do actor político Sócrates agrada à plateia eleitoral, aquela que imagino na base de estereótipos recolhidos e acumulados. Hoje, quanto à entrevista de Sócrates na SIC-Notícias, achei que os depoimentos dos representantes dos partidos da oposição, nenhum deles sofrendo da erosão da imitação por humoristas e portanto intactos na percepção como agentes partidários, ao comentarem a performance do chefe do governo (*) confirmaram que há todas as razões para que o PS confie em nova maioria absoluta. Isto, é claro, se o meu imaginado painel de estereótipos de decisão de voto tiver qualquer suporte de realidade. O que duvido, por culpa do Ricardo Araújo Pereira.

 

Adenda: (*) - Com réplica geminada no "Prós e Contras" da RTP.

Publicado por João Tunes às 23:36
Link do post | Comentar

NÃO SUJEM A MEMÓRIA DA FUGA MÍTICA

 

Os heróis da fuga mais ousada e espectacular das prisões do fascismo português, ocorrida há 49 anos, têm nomes:
 
Álvaro Cunhal, Carlos Costa, Francisco Martins Rodrigues, Francisco Miguel,  Guilherme Costa Carvalho, Jaime Serra, Joaquim Gomes, José Carlos, Pedro Soares e Rogério de Carvalho.
 
E merecem ser evocados. Sobretudo quando se prepara uma afronta ignóbil - através do projecto de transformar o Forte de Peniche em Pousada de luxo para nababos sádicos - à memória do seu feito e dos sofrimentos somados de dezenas de prisioneiros políticos que ali penaram pela participação na luta contra a opressão infame do salazarismo-marcelismo.

 

Publicado por João Tunes às 17:02
Link do post | Comentar | Ver comentários (3)

PARAGEM COM DESCARRILAMENTO

 

Aguardam-se resultados dos testes de alcoolémia ao maquinista e aos excursionistas.

 

Publicado por João Tunes às 16:34
Link do post | Comentar

EM “FAST FOOD” DE PALAVRAS, SOBRE GAZA

 

O estimado d'Oliveira que me perdoe o parasitismo mas dá-me um jeito enorme poupar na culinária das palavras, servindo-me deste texto  (para consulta do texto completo usar o link atrás indicado) que ouso partilhar  desde a entrada até à sobremesa:
 

Entre Israel e o Hamas a luta é de morte. Alminhas piedosas dirão que é Golias contra David, numa menção que poderia ser irónica, mas nem o é, a uma história antiga e incerta.
Relembremos a crónica dos últimos meses, para não repetirmos o que já aqui se disse sobre a situação nesta zona. O Hamas, conquistou à ponta de pistola e de versículos do Corão ( con el palo dando y a Dios rogando) a faixa de Gaza, exterminando ou expulsando os elementos mais laicos e moderados do Fatah. Depois para provar a traição infamíssima destes, declarou que Israel tinha de ser tratado como o que eles acham que é. E a tiro.
Estabeleceram-se, entretanto, duvidosas tréguas que o Hamas aproveitou para se rearmar e Israel para espiar. Pode dizer-se sem receio de desmentido que a “inteligência” israelita conhece de cor e salteado todos os dirigentes do Hamas, sabe onde vivem as famílias deles, conhece-lhes os pseudónimos e boa parte dos esconderijos. Isso, obviamente, foi alcançado porque Israel tem agentes árabes no terreno, na organização do Hamas, quiçá dentro do seu mais exclusivo grupo dirigente. Só assim se explica a facilidade com que vai abatendo os principais chefes militares do Hamas.
O Hamas terá entendido que o momento era propício para hostilizar o inimigo sionista. Para o efeito foi disparando os seus mísseis mais ou menos caseiros, sabendo, supõe-se, que estas armas primitivas e erráticas fazem mais barulho do que vítimas. Todavia, sabe igualmente que tais mísseis tornam a vida dos seus potenciais alvos desagradável, angustiam populações e levam o governo israelita pressionado pelos eleitores a retaliar.
Eu gostaria de pensar que os dirigentes do Hamas são como nós: que antes de dar um passo pensam nas consequências. Gostaria mas desde há muito abandonei essa irrazoável ideia. O
Hamas acredita nos prazeres indizíveis que esperam os mártires, no paraíso de Alah, nos milhões de huris que receberão amorosamente os combatentes e as vítimas da jihad. Por isso, porque se sente portador de uma missão sagrada, aceita que o sacrifício que lhe corresponde atinja absurdos que os ímpios ocidentais nunca permitiriam.
Morrer por Deus, numa terra onde pouco ou nada há pode parecer exaltante pelo menos para os militantes.
As populações não interessam. Nunca interessaram. Não foram importantes para Hitler, parecem não ser importantes para Mugabe, Pinochet desprezava-as enquanto as metia nos estádios e a Junta argentina ia-as reduzindo nos calabouços e nas descargas aéreas de presos para o mar. Falamos obviamente de países onde a democracia não é regime.
Nestes casos os fins justificam os meios, os mortos são uma variável sem importância, e a guerra aberta apenas serve para provar quão mau é o inimigo.
Israel sabe disto, claro. E também, há que convir, não se importa muito. Pode proteger com eficácia o seu povo e não rejeita uma oportunidade destas. Todavia, dizer que riposta com meios desproporcionados é uma falácia para consumo das boas consciências. A ideia central é quebrar o moral dos invadidos, fazê-los ver que o Hamas não os protege, logo que não é digno de os governar, logo que se devem dissociar de tão perigosa e extravagante companhia.
E, pelas escassas notícias que vamos recebendo, está a consegui-lo. As desgraçadas populações fronteiriças estão em movimento, em fuga, desorganizando eventualmente os fracos dispositivos de defesa do Hamas, se existem. É provável que, desde a lição libanesa, os estrategos israelitas tenham aprendido os perigos de se meterem num vespeiro. Por isso soam a disparate as ameaças de converter a Palestina num cemitério judeu. Para já o cemitério é palestiniano, guerrilheiros e civis confundidos.
Vejamos um pouco mais além: qual é a reacção dos vizinhos de Israel? do Líbano, da Síria, da Jordânia e do Egipto, para sermos mais precisos. Mobilizaram tropas? Ameaçaram intervir a favor dos irmãos palestinos? Usaram sequer uma linguagem mais dura do que a costumeira?
A resposta é negativa. E natural. Estes países não vivem na contingência e na provisoriedade de Gaza. Tem governos constituídos que obedecem a certas regras. Não estão interessados em combater Israel porque, por um lado não simpatizam com o Hamas e por outro não se sentem dispostos a morrer pelos irmãos agredidos. Diria que usam uma linguagem claramente menos belicosa que o citado Bloco, o nosso, o guerrilheiro de salão.
E que diz o governo palestiniano? Acaso rompeu dramaticamente as escassíssimas pontes que mantém com Israel? verifica-se algum aumento significativo de intifada nos territórios controlados pela Autoridade Palestiniana? Jerusalém já está a arder? Ou Belém?
Os governos principais da União Europeia condenam a invasão. Pedem um cessar fogo desde que o Hamas garanta que não dispara mais foguetes. Ou seja, pedem ao Hamas, outra vez, o que este não pode, não quer ou não pensa fazer. Ou que a partir do momento da invasão ninguém lhe perdoará que faça: depor as armas.
Resumindo o Hamas caiu numa armadilha que ele próprio, por ideologia cega ajudou a montar. Ou numa provocação se se entender que Israel se deixou bombardear o número necessário de vezes para poder ripostar.
Quer isto dizer que Hamas está fatalmente condenado à derrota? Não, se entendermos que para um grupo deste género a derrota só existe quando for totalmente aniquilado. Mas por muito que a população civil se dissocie dos guerrilheiros há sempre um certo grau de porosidade (no seio do povo o guerrilheiro é como peixe na água, dizia o falecido Mao) que evita mesmo in extremis o fim destes grupos messiânicos.
Esta guerra de dramáticas consequências para os condenados da terra palestiniana terá mais uma vez como saldo, dor, violência, ressentimento e frustração. Daqui a uns meses, cessadas as hostilidades, nascerão do ventre fecundo da injustiça novos mártires. Mães árabes e mãe judias terão tempo para se habituar a chorar os filhos. Todavia as primeiras chorarão mais, por mais vítimas. E por mais tempo.

Eu não quereria que me tomassem por cínico sequer por indiferente. Defendo uma pátria palestiniana. Sou contra os colonatos, todos os colonatos fora do território histórico de Israel. Sou contra a ocupação israelita de Jerusalém. Mas isso não me impede de ser contra o terrorismo, contra o uso de escudos humanos e contra o fanatismo religioso. E neste englobo o Hamas, o Hezbolah e os integristas judeus cujo número cresce com os ventos de guerra.

 

Publicado por João Tunes às 16:05
Link do post | Comentar | Ver comentários (8)

50 ANOS DE PARAÍSO PARA ESTUDANTES DOENTES

 

Imagine-se um regime que só corresponde às expectativas dos cidadãos quando estes adoecem ou estão a estudar, atingindo-se o pico da realização cívica quando se é estudante e se adoece. E que, para se terem estes serviços mínimos, o Estado sequestra a liberdade, a escolha, os sindicatos, os partidos, as associações, a Internet, a discussão, o salário decente, a habitação condigna, a alimentação necessária e o direito a viajar. E que tudo isto foi o resultado de meio século de obra revolucionária. Para quem já tenha deixado de estudar e seja saudável, não sobra nada para comemorar. A não ser uma permanente esperança em que uma doença o venha a recompensar da miséria daquele regime.  

Publicado por João Tunes às 13:05
Link do post | Comentar
liuxiaobo.jpg

j.tunes@sapo.pt


. 4 seguidores

João Tunes

Pesquisar neste blog

Maio 2015

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

Posts recentes

Nas cavernas da arqueolog...

O eterno Rossellini.

Um esforço desamparado

Pelas entranhas pútridas ...

O hino

Sartre & Beauvoir, Beauvo...

Os últimos anos de Sartre...

Muito talento em obra pós...

Feminismo e livros

Viajando pela agonia do c...

Arquivos

Maio 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Junho 2013

Março 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Junho 2012

Maio 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Outubro 2006

Setembro 2006

Agosto 2006

Julho 2006

Junho 2006

Maio 2006

Abril 2006

Março 2006

Fevereiro 2006

Janeiro 2006

Dezembro 2005

Novembro 2005

Outubro 2005

Setembro 2005

Agosto 2005

Julho 2005

Junho 2005

Maio 2005

Abril 2005

Março 2005

Fevereiro 2005

Janeiro 2005

Dezembro 2004

Novembro 2004

Outubro 2004

Setembro 2004

Agosto 2004

Julho 2004

Junho 2004

Maio 2004

Abril 2004

Março 2004

Fevereiro 2004

Links:

blogs SAPO