Terça-feira, 4 de Novembro de 2008

QUEM SE METE COM O SILÊNCIO COMANDADO, APANHA

 

Sobre o último livro editado pela historiadora Irene Pimentel (*), estando a ultimar a sua leitura, só me pronunciarei depois, porque não falo sobre livros noticiados, folheados e muito menos a partir da leitura de entrevistas com os autores ou de comentários avulsos baseados em ódios e amores. É uma mera questão de feitio.
 
José Casanova, director do “Avante” e alto dirigente do PCP, tem, na ética do comentário sobre leituras, um feitio diferente do meu. Ambos devemos folgar com isso. Eu porque sou um cidadão apenas vulgar, beneficiando de ausência de notoriedade, o que me exime à obrigação de pastorear almas alheias. Ele porque, sendo o responsável editorial no PCP, tem de escolher o que se publica para se dar a conhecer a versão doméstica do passado e presente que fazem, ou devem fazer, a história do PCP. O que - diga-se em seu abono - não é tarefa fácil, como o demonstra a incapacidade evidenciada de, passados já 34 anos de vida em democracia, os historiadores ligados ao PCP não terem ainda sido capazes de produzirem uma história global e sistematizada da actividade do PCP, desde as suas origens até à actualidade. E, naturalmente, perante a nulidade produtiva da historiografia oficial do PCP que advirá da preguiça, da incompetência ou da sujeição a filtros de censura para resguardo de tabus partidários, por parte dos historiadores comunistas autenticados pela direcção do PCP, este partido não só não edita a sua história como não faculta os seus arquivos para que historiadores fora das suas fileiras lhes compensem a inércia ou a preguiça imposta.
 
Irene Pimentel, historiadora a quem a burguesia monopolista (porventura aliada aos latifundiários, ao capital financeiro e ao militarismo norte-americano) concedeu o grau académico de doutoramento em História e um Prémio Pessoa, empenhada na sabotagem anticomunista ao brilho do XVIII Congresso do PCP, a par de ser uma mulher de causas (uma delas ofendendo o PCP ao reclamar contra a transformação do Forte de Peniche em Pousada de luxo para nababos sádicos), cometeu o atrevimento de penetrar no universo privado (melhor dizendo, íntimo) que o PCP quer resguardar como sua coutada privativa em que cultiva ou o silêncio ou depoimentos soltos – a actuação da PIDE e a actividade do PCP, com as suas grandezas e misérias, como acontece a qualquer organização construída e alimentada por homens e mulheres. Tal como antes o fizeram José Pacheco Pereira e outros. Mas quem se mete com os silêncios censórios do PCP, apanha. E Casanova, sem ler o livro de Irene Pimentel e baseando-se numa leitura estrábica de uma entrevista da historiadora ao DN, deu-lhe com a força de um Iejov maneta por falta de uma Lubianka às suas ordens. De uma forma miserável que Luís Januário bem diagnosticou.
 
Mas se Casanova é guia de índex dos livros que os militantes do PCP não devem ler ou sequer folhear, ele não deixa de ter sucesso de pastoreio na sua urbe partidária ensinada na fraternidade do estalinismo serôdio. Como se pode comprovar neste comentário paradigmático da visão partidária típica do PCP  (que se pode consultar aqui):
 
Na blogosfera, sobretudo a partir do blogue Entre as brumas da memória, desencadeou-se mais uma campanha contra o PCP. O momento não deixa de ser oportuno para todo o universo anticomunista. A proximidade com o XVIII Congresso do PCP aguça o apetite dos que suspiram e aspiram pelo fim do PCP. Por outro lado, a ausência de polémicas anti-comunistas na preparação deste Congresso - ao inverso dos grupelhos anti-comunistas de João Amaral, Edgar Correia, Carlos Brito, etc. - dificultou a vida a toda essa gente. Assim, nada melhor do que “pegar” num artigo de opinião de José Casanova, director do jornal Avante!, e aproveitar a ocasião de “malhar” nos comunistas.

O referido artigo de José Casanova versa o novo livro de Irene Pimentel sobre a história do inspector da PIDE Fernando Gouveia e sobre a sua relação com o PCP. Aí, José Casanova, acusa Irene Pimentel de neste seu novo livro procurar branquear o fascismo. Inflamadamente, a partir do post acima mencionado do blogue, várias personagens aproveitaram para atacar o PCP e a sua suposta incapacidade de viver com a existência de outras visões sobre o regime do Estado Novo e contra a pretensa vontade de monopolização da verdade histórica da resistência ao fascismo em Portugal.

Concordo integralmente com o texto de José Casanova pelo que me concentrarei a trazer outros dados e que ainda não foram abordados nesta questão.

1) A abordagem histórica de Irene Pimentel - tanto neste livro sobre o torcionário Fernando Gouveia como no anterior sobre a PIDE - é, sem dúvida, branqueadora do fascismo. Senão vejamos.

Em primeiro lugar, Irene Pimentel (IP) quase nunca refere o termo fascismo e quando o faz é quase única e exclusivamente para classificar a Itália mussoliniana. IP, como historiadora que é, sabe - ou deveria saber - que as palavras contam e que a mudança terminológica que a maioria da historiografia académica tem levado a cabo em torno da natureza do regime ditatotial do Estado Novo não é inocente.

Em segundo lugar, a autora abordou a PIDE e Fernando Gouveia de uma forma, a meu ver, descaradamente descontextualizada. Quer dizer, como estudar a PIDE sem nunca problematizar teórica e historicamente a natureza política e socioeconómica do Estado Novo. Reduzir a PIDE a um estrito aparelho de repressão sem ligá-la às instituições políticas e sociais em que se insere é fazer história para venda de livros, nunca uma historiografia séria e rigorosa.

Em terceiro lugar, na sequência do argumento anterior, ao isolar a polícia política de um estudo da natureza do regime e da sociedade de então, IP vai branqueando enfaticamente a natureza tanto da PIDE como do próprio fascismo. Ao isolar a PIDE da substância política do regime de Salazar e Caetano, IP está a ilibar estes dois líderes fascistas das suas responsabilidades na determinação das políticas de repressão levadas a cabo pela polícia política. Consequentemente, a polícia política surge na obra de IP como um aparente corpo independente do Estado, quando, na realidade, o director da PIDE e toda a polícia política respondiam directamente ao Presidente do Conselho, Salazar ou Marcelo Caetano. Ora, esta busca teórica pela independência da PIDE em relação ao aparelho de Estado fascista repercute-se na ausência de qualquer conexão ou estudo da inserção do regime fascista na estrutura socioeconómica da época. Assim, IP vai omitir a profunda relação entre o Estado Novo e a grande burguesia da época. Desde a formação dos grandes grupos empresariais (CUF, Sommer, Espírito Santo, etc.) a partir da legislação promulgada no Condicionamento Industrial, até à elevadíssima concentração de capital nas mãos de uma meia dúzia de grandes potentados económicos, é particularmente visível a ligação umbilical do regime fascista com o grande capital (português e mesmo estrangeiro). Numa obra com mais de 600 páginas como a História da PIDE e nunca abordar estas questões parece-me profundamente enviesante e facto nítido de branqueamento das características fundamentais do regime. Eu compreendo que abordar estas questões não permitem um historiador vender livros ao quilo nem aparecer nos escaparates, mas um historiador deve pautar-se pela seriedade e objectividade ou pela busca de um maior valor acrescentado no mercado?

2) O método de IP é puramente documental. Ou seja, IP estrutura a sua análise a partir da leitura e concatenação de documentos - a esmagadora maioria deles a partir de arquivos da PIDE. Evidentemente, não cabe na cabeça de ninguém criticar um historiador por trabalhar documentos. O contrário seria, sem dúvida, profundamente pernicioso. A questão que se coloca em IP é que a fixação a documentos na esmagadora maioria das vezes provenientes da PIDE, portanto, do próprio Estado que matou, torturou e prendeu, sem procurar dialogar com outras fontes e sem nunca apresentar uma linha argumentativa que relativizasse a natural omissão de informação nos documentos provenientes do regime, denota um enviesamento acentuado na própria condução da sua investigação.

Para terminar, por tudo o que foi aqui, resumidamente, apresentado parece-me muito difícil que IP não esteja a proceder a um branqueamento do regime fascista. Desde a não problematização da sua natureza política e social, passando pelo método de investigação e de exposição, é mais do que pertinente a crítica de José Casanova de que IP tem vindo a proceder a um exercício de branqueamento do fascismo e da resistência do PCP como referência central e principal na luta anti-fascista.

Post scriptum: se IP tem sofrido muitíssimo mais críticas de militantes e simpatizantes do PCP e muitíssimo menos de ex-dirigentes vivos do Estado Novo e de actuais simpatizantes fascistas, tal facto deveria levá-la a pensar sobre as reais implicações da sua obra. Já que IP tem orientado a sua obra para o mercado, seria, por seu turno, útil atender às respostas e feedbacks políticos desse mercado.
Comentário-diatribe este que mereceu resposta de Irene Pimentel:
Hesitei em responder ao post de João Valente Aguiar, porque não tenho o hábito de responder a insultos, considerando que eles ficam com quem os profere. Por outro lado, o que tenho a dizer está dito no meu trabalho. No entanto, como o post anterior repete observações que têm sido veiculadas ad nauseam em alguns blogues, segundo os quais eu seria uma «branqueadora» do regime ditatorial português - ai, ai, mais uma vez não lhe chamei «fascista» - aproveito para juntar algumas observações.
Em primeiro lugar, é mesmo não saber como se escrevem livros, baseados em investigação prévia na muito longa duração, pensar que eles possam ser feitos em resposta a qualquer evento próximo da vida do PCP. Aliás, não são, pura e simplesmente, resposta ao PCP. Há muita vida para além da desse partido.
Quanto ao artigo de JC no Avante, com o qual JVA concorda «integralmente», cabe dizer de uma vez por todas que não «versa o novo livro de Irene Pimentel», dado que o articulista e director desse jornal não o leu. Versa, sim, uma entrevista que dei ao DN, da qual são retiradas frases fora do contexto, com propósitos falsificadores.
É curioso como JVA não se preocupa com o facto desse artigo utilizar frases fora do contexto e se preocupa tanto com o contexto que, segundo ele, não existiria nos meus dois livros, os quais parto do princípio que JVA leu, pois, caso contrário, deles certamente não falaria. Mas então não percebo como ignora que nunca caracterizei a PIDE como «um aparente corpo independente do Estado, quando, na realidade, o director da PIDE e toda a polícia política respondiam directamente ao Presidente do Conselho, Salazar ou Marcelo Caetano». E aqui realço a suprema ironia de JVA utilizar uma citação minha, apropriando-se dela, e ainda por cima para dizer que eu não disse o que eu disse.
Cito apenas o que vem no meu livro sobre a História da PIDE: «PIDE/DGS, um «Estado dentro do Estado»?
Como se viu, o complexo SS/Gestapo foi um «Estado dento do Estado», ora, em Portugal, a PVDE/PIDE/DGS nunca deixou de responder perante a sua tutela e, sobretudo, perante Salazar. Tal como o director da PVDE/PIDE, Agostinho Lourenço, também o chefe da PIDE/DGS, Fernando da Silva Pais, despachava com o ministro do Interior, mas também, e sobretudo, directamente com o chefe do governo. Mais tarde, embora nem todos os seus elementos dirigentes apreciassem especialmente Marcello Caetano, a DGS não deixou de responder perante ele. Desse facto, bem como do de a PIDE nunca ter tido grandes veleidades de autonomia, nem ter participado em acções contra o regime, pode-se concluir que essa polícia não era um «Estado dentro do Estado».
Parece ser, assim, mais correcta a ideia de que foi um instrumento central de um regime político oligárquico, longamente assente numa chefia ultra-centralizada de um ditador. Ou seja, foi uma polícia que sempre defendeu o regime, cujos directores funcionaram enquanto correias de transmissões de Salazar, que, permanentemente informado, pelos directores da PIDE, conhecia a sua actuação e confiava nela (…)».
Quanto aos outros argumentos de JVA, resumem-se a duas questões, que evidentemente não posso aqui desenvolver:
- a acusação de eu pretensamente branquear o regime ditatorial português (já agora conte as vezes em que eu nos dois livros refiro essa característica «ditatorial» do regime de Salazar e Caetano) porque não lhe chamo fascista e o facto de eu não utilizar a célebre caracterização de Dimitrov, segundo a qual os diversos regimes que enxamearam a Europa no período entre as duas guerras (e que prosseguiram para além do final da II Guerra Mundial, em Espanha e em Portugal) seriam a «Ditadura aberta e terrorista dos elementos mais reaccionários, chauvinistas e imperialistas do capitalismo financeiro».
Como se trata de um post, sou obrigada aqui a abordar apenas pela rama uma questão que é complexa. Eu pensava que, mesmo no campo marxista, já ninguém se baseava nesta análise simplista. Enganei-me. De facto, já há muito que até os historiadores que se reivindicam do marxismo consideram que essa definição não caracteriza a complexidade desses regimes, nomeadamente por não ter em conta a evidente «autonomia do político». Ora, eu própria considero muito importante essa «autonomia do político», além de que não sou marxista nem utilizo a análise marxista no meu trabalho.
Quanto à caracterização do regime ditatorial português como fascista, os historiadores dividem-se, consoante realçam mais as semelhanças ou, pelo contrário as diferenças, com outros regimes e, não consoante sejam de esquerda ou de direita, como cidadãos. Eu sou adepta das comparações em história, dado que precisamente permitem dar conta das semelhanças e das diferenças e precisamente por isso não utilizo o termo, que extravasou há muito do léxico da caracterização analítica, para a linguagem do dia a dia e porque acho que não dá conta da especificidade do regime português, cuja componente católica e conservadora é fortíssima. Já agora também não utilizo o termo totalitário, apesar de tudo importante na caracterização da Alemanha nacional-socialista e a URSS estalinista, para caracterizar o salazarismo. O mesmo não é dizer que o regime português foi melhor ou pior do que outros regimes ditatoriais. Não entro nisso.
Já agora, os temas que estudo são passíveis de serem abordados das mais diversas formas. Desafio os que me acusam de branquear a ditadura portuguesa a abandonarem a via do insulto e a meterem mãos à obra, pois os arquivos estão disponíveis. Quanto ao Post Scriptum, o autor do post está muito mal informado. Veja os blogues da extrema-direita.
 

(*)“Biografia de um Inspector da PIDE”; Irene Pimentel, Edições Esfera dos Livros

 

Publicado por João Tunes às 18:13
Link do post | Comentar | Ver comentários (5)

OUTRO 4 DE NOVEMBRO

    

 

 

         

 

Os relógios marcavam 4h15 do dia 4 de Novembro de 1956 quando tanques militares fabricados com aço marxista-leninista, apoiados pela aviação, violando a soberania da Hungria, repunham a ferro e fogo a obediência a Moscovo naquele país da Europa Central. E o primeiro e mais importante alvo das hordas militares soviéticas, paradigmático da relação do comunismo com a democracia, foi o edifício do Parlamento húngaro, ali tendo tombado as primeiras vítimas da "pax soviética" (quando, em 1968, Brejnev repetiu na Checoslováquia a "gestão húngara" do "socialismo real", o principal alvo foi a sede do Comité Central do "partido irmão", demonstrando melhor entendimento de que não há pior ameaça ao comunismo que comunistas resolvidos a pensarem pelas suas cabeças). A ordem de marcha e fogo para a brutalidade do “internacionalismo proletário” não fora, desta vez, assinada por Estaline, já falecido há três anos, mas sim pelo “reformador” Krutchov que, embora anti-estalinista pintado de fresco, não descurava usar o punho da força bruta na recomposição da ordem imperial nos domínios obtidos pelo Exército Vermelho no banquete de vitória na 2ª Guerra Mundial. E, no rescaldo da derrota dos nazis, a Hungria, como os restantes satélites europeus da URSS, estavam, a partir da instalação de fraternas “ditaduras do proletariado”, condenadas a obedecer ao czar vermelho em funções.
 
Com o completo descrédito da velha guarda estalinista húngara, a qual se banhara em sangue de vítimas dissonantes ou disso suspeitas, Imre Nagy, um velho comunista húngaro que tinha sido antes apanhado no arrastão das purgas, tinha emergido como a figura capaz de reconciliar a sociedade húngara com a governação comunista. Uma governação que, para recomposição do orgulho pátrio, passava pela afirmação nacional, soberana e independente. Ou seja, em termos práticos, o alívio da pressão de tutoria, sobretudo a militar, do “irmão-imperador” com trono no Kremlin. Durou pouco a ilusão aventureira e utópica de Nagy, na confiança de que, morto Estaline, os tempos eram outros e o “degelo” podia ter chegado às relações entre comunismos nacionais. Enganou-se Nagy, enganou-se a larga maioria do povo húngaro que o seguiu em bebedeira de esperança na liberdade e na democracia, empurrando Nagy para o risco do desafio – declarar o regime de multi-partidarismo e a neutralidade húngara perante os blocos da guerra fria, anunciando a saída da Hungria do Pacto de Varsóvia. O desafio durou poucos dias, de 23 de Outubro a 4 de Novembro, dia em que os tanques militares entraram em cena para meterem Nagy e os húngaros no redil da obediência. E a forte resistência armada dos húngaros independentistas durou apenas até 22 de Novembro, data em que o diktak político-militar do comunismo de ocupação recompôs o domínio soviético sobre a pátria húngara.
 
Paralelamente à preparação da operação militar, os soviéticos já tinham designado o sucessor de Nagy, escolhendo para seu vice-rei na Hungria um comunista dócil, húngaro por nascimento mas súbdito soviético por convicção, Janos Kadar de seu nome, que havia de pontificar no comando da sociedade húngara até à fase final da ditadura comunista naquele país, ia já a década de 80 a chegar ao seu termo. A Imre Nagy restou pedir asilo na embaixada da Jugoslávia de onde saiu, sob garantias dos soviéticos e de Kadar de que nada lhe aconteceria, em 22 de Novembro. Logo que pôs os pés fora da embaixada jugoslava, Imre Nagy foi preso pelos soviéticos e encarcerado num local secreto de onde só saiu em 16 de Junho de 1958 para ser enforcado. Acusado de ser um cabecilha contra-revolucionário fascista, o pior que se pode chamar a um comunista de toda uma vida, opróbio este só resgatado pelo respeito actual que a memória de Imre Nagy merece do povo húngaro e que foi demonstrado quer pelas exéquias nacionais a que teve direito na Hungria democrática como a homenagem estatuária com que Budapeste decidiu recordá-lo para a posteridade como um mártir do patriotismo húngaro.  
 
Em simultâneo com a invasão da Hungria, verificou-se no Suez uma grave crise internacional. Com ingleses e franceses a intervirem contra Nasser e americanos e soviéticos aliados e em oposição ás potências invasoras. E a Hungria ficou repentinamente longe, muito longe, entregue à política bruta das armas, a do marxismo-leninismo na hora de apertar o gatilho.                   
 
 

Imagens: Entre Nagy e Kadar - dois comunistas da mesma nacionalidade mas diferentes, tão diferentes que um teve direito a forca e outro a mando de mais de 30 anos -, os sinais da tragédia de uma soberania espezinhada pelo trono de um império que se pintava de vermelho.

 

Publicado por João Tunes às 15:36
Link do post | Comentar

NA CRISE

 

 

Como diz o Raimundo Narciso, a expectativa é que hoje seja uma terça-feira negra destinada a acabar em festa.

 

Publicado por João Tunes às 12:39
Link do post | Comentar

NA DESCIDA DA TRIBO DE CIMA

 

O FêCêPê vai no oitavo lugar e em veloz perseguição ao Belenenses. Compreende-se, pois, esta prova de solidariedade com Jesualdo.

Publicado por João Tunes às 12:14
Link do post | Comentar

YOU CAN, WE CAN

 

Só por fantasia ou demagogia, se pode considerar factível um cenário que transforme a actual América, no horizonte descortinável, numa sociedade fora do capitalismo e do seu apego à hegemonia mundial. Ou arredada da democracia. O mais que o mundo pode aspirar é, por via eleitoral, termos uma América melhor, liberta do pesadelo Bush, culturalmente mais moderna e mais jovem, mais despida de fixações e preconceitos, disponível para entender a globalização livre de tentáculos imperialistas, sensível às questões emergentes nas preocupações da humanidade. Como capítulo seguinte a Bush, este projecto é uma mudança de tal maneira radical que o mundo quase inteiro como que espera messianicamente por Obama para sentir que pode respirar. Porque hoje, talvez mais que nunca antes, sabemos que precisamos da América, uma América que se entenda como forte e aliada. Com defeitos, contradições, conflitos, insuficiências, decepções, mas que, permanecendo forte, a sintamos com a simpatia para com uma nação amiga, tão amiga que mereça a gratidão que lhe devemos por ter vencido ou ajudado a vencer as pestes totalitárias que envergonharam o século XX.
 
A Administração Bush teve a capacidade de decepcionar a direita europeia. E a dupla McCain-Pallin não foi capaz de reconquistar o arco de cumplicidade política que tradicionalmente uniu os republicanos americanos e a direita europeia. Enquanto a esquerda europeia prisioneira dos paradigmas do anticapitalismo e da ideia da revolução como meio único de mudar a sociedade, tem vindo a, cada dia que tem passado, ir subindo a parada no caderno de exigências perante Obama, preparando a decepção para com o candidato democrata, com o fito final de demonstrar amanhã e depois de amanhã que na América, com quem quer que seja, a melhoria é uma impossibilidade porque o Inimigo mora e manda ali. O que, além do mais, sendo um reflexo de ressentimento, é uma necessidade de equilíbrio que compense o trauma da derrota clamorosa do “socialismo real”, a única experiência tentada de se construir uma alternativa à democracia capitalista e que, onde se instalou, matando o progresso, a democracia e a liberdade, nem sequer resolveu o problema da igualdade, o valor único invocado e que, em nome do seu primado, se desprezaram os valores democráticos e os direitos humanos.
 

Com Obama ou McCain, com outros se outros fossem os candidatos, o antiamericanismo está vivo e vai perdurar. Mas são os americanos que votam. Espero que votem maioritariamente em Obama. Pela América, pelo mundo.

Publicado por João Tunes às 01:23
Link do post | Comentar

DO TEMPO DAS CAMPANHAS POUPADAS

 

Um dos "bens universais" que se perderam do tempo das duas superpotências foi que, quando das renhidas campanhas eleitorais para a presidência do Soviete Supremo da URSS, os povos do mundo não se distraíam das suas lutas, das suas manifestações, das suas reuniões de célula, para desperdiçarem tempo a escrutinarem e tomarem partido sobre os candidatos. Havia um Bureau, mandatado pela classe operária, para tratar disso.

Publicado por João Tunes às 00:22
Link do post | Comentar
Segunda-feira, 3 de Novembro de 2008

SÓ DOIDOS DISCORDAM DE UM GUIA

 

O problema quando se identificam os divergentes como sendo doentes psiquiátricos (expediente em que Brejnev foi mestre) é o dos eventuais reversos do insulto. Sendo possíveis os casos em que tendo fugido 10 pacientes internos de um manicómio recapturarem-se 20 e nenhum deles ser um dos fugitivos. Mas escreverem em blogues.

Publicado por João Tunes às 23:04
Link do post | Comentar | Ver comentários (4)

NA BARBEARIA DO XISTRA, MESTRE EM ARBITRAGEM ZAROLHA

 

Há formas heterodoxas de se barbearem os artistas. Com direito a cartão invisível.

 

Publicado por João Tunes às 16:12
Link do post | Comentar | Ver comentários (5)

HAJA CORAÇÃO PARA COM OS BANQUEIROS CAVAQUISTAS

 

A. Teixeira ao colocar a hipótese de os responsáveis pela hecatombe do BPN terem o mesmo tratamento que teve Kenneth Lay (ex-CEO da Enron) (na foto), temos o cenário de se ver passar, de algemas nos pulsos, um pelotão de notáveis composto por Oliveira e Costa, Joaquim Coimbra, Rui Machete, Dias Loureiro, Amílcar Theias, Daniel Sanches, Arlindo Carvalho e Miguel Cadilhe. E se a responsabilização descesse mais fundo, até aos que receberam cachet por promoverem o produto, teríamos Scolari e Luís Figo a fazer-lhes companhia. Os sentimentos do bom povo português não aguentaria tal espectáculo e até Jerónimo e Louçã, homens de fé, se iam condoer de tamanha humilhação infligida aos nossos banqueiros de colheita cavaquista. Haja coração, caro companheiro.

 

Publicado por João Tunes às 13:19
Link do post | Comentar | Ver comentários (3)
Domingo, 2 de Novembro de 2008

PIOR QUANDO FALA

 

Ao falar como falou dos cidadãos caboverdianos e ucranianos que trabalham aqui, Manuela Ferreira Leite ofendeu os emigrantes portugueses que trabalham ali e acolá. Devia ter estado calada.

 

Publicado por João Tunes às 23:58
Link do post | Comentar

O BPN JÁ É

Publicado por João Tunes às 22:57
Link do post | Comentar

A VIA MFA PARA SER MARECHAL?

 

Numa futura Junta de Salvação Nacional, o general Loureiro dos Santos gostaria de ser Spínola ou Costa Gomes?
Publicado por João Tunes às 01:24
Link do post | Comentar | Ver comentários (7)
liuxiaobo.jpg

j.tunes@sapo.pt


. 4 seguidores

João Tunes

Pesquisar neste blog

Maio 2015

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

Posts recentes

Nas cavernas da arqueolog...

O eterno Rossellini.

Um esforço desamparado

Pelas entranhas pútridas ...

O hino

Sartre & Beauvoir, Beauvo...

Os últimos anos de Sartre...

Muito talento em obra pós...

Feminismo e livros

Viajando pela agonia do c...

Arquivos

Maio 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Junho 2013

Março 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Junho 2012

Maio 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Outubro 2006

Setembro 2006

Agosto 2006

Julho 2006

Junho 2006

Maio 2006

Abril 2006

Março 2006

Fevereiro 2006

Janeiro 2006

Dezembro 2005

Novembro 2005

Outubro 2005

Setembro 2005

Agosto 2005

Julho 2005

Junho 2005

Maio 2005

Abril 2005

Março 2005

Fevereiro 2005

Janeiro 2005

Dezembro 2004

Novembro 2004

Outubro 2004

Setembro 2004

Agosto 2004

Julho 2004

Junho 2004

Maio 2004

Abril 2004

Março 2004

Fevereiro 2004

Links:

blogs SAPO