Segunda-feira, 31 de Março de 2008

GOSTO QUASE INVEJA

 

Caro Luís, gostava de ter tido um avô assim, no carácter e na tenacidade das convicções. Por vivência de o ouvir ou viajando com ele pela memória. Mas em democracia.

Publicado por João Tunes às 18:33
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UM FALSÁRIO À ESPERA DE HISTORIADOR

 

Na crise do regime político republicano que abriu espaço ao golpe de 1926 que instalou uma ditadura militar a que sucedeu o longo mando fascista-clerical de Salazar, a maior fraude por falsificação desempenhou um papel chave. O falsário compulsivo Alves Reis, dirigindo uma quadrilha internacional, conseguiu com sucesso, em 1925, colocar em circulação uma soma considerável em notas falsificadas (mas “verdadeiras” quanto ao seu fabrico), idênticas à da imagem, e com os seus proventos, além da vida faustosa proporcionada aos membros da quadrilha, abrir um banco que se destinava a suportar o domínio sobre a economia colonial angolana e a posse do Banco de Portugal. O valor da fraude calculada para valores actuais, medida pela mesma percentagem do PIB, corresponderia hoje a aproximadamente 1.750 milhões de euros.

 

Alves Reis recorreu à forma mais imediata de acumular uma enorme fortuna, fabricando moeda que é a forma mais directa de se obter mais valia. Se a fraude não conseguiu passar impune, o resultado mais sonante da vigarice foi precipitar a queda do regime e a interrupção da democracia portuguesa em quase meio século. Aliás, o seu opositor mais forte, aquele que mais fez para levar Alves Reis à prisão, porque o poderio emergente do falsário colidia com os interesses coloniais do seu opositor, foi precisamente o empresário e financeiro que maior protecção empresarial iria obter do salazarismo, construindo o “império CUF”, o empresário Alfredo da Silva.

 

Para além dos aspectos romanescos dos talentos vários do aventureiro falsário, iniciando a via da vigarice ao começar a sua vida profissional em Angola como “falso engenheiro” (ele que nem sequer dominava a língua inglesa, falsificou e utilizou um diploma de engenheiro por uma escola técnica de Oxford que não existia) e continuando na senda da trafulhice nos negócios mesmo após ter cumprido a pena de prisão que lhe foi aplicada pela falsificação das notas de quinhentos escudos, a possibilidade de consistência e mobilidade no meio económico e financeiro das aldrabices contínuas de Alves Reis são uma peça importante na compreensão da época quanto ao ambiente político, o estado das finanças públicas e as formas correntes de se acumular capital e fazerem-se grandes fortunas. E, assim, muito pode ajudar a entender o ambiente de crise política da década de vinte do século passado e perceber o 28 de Maio que se seguiu, bem como a aceitação que o golpe teve. Merecia, por isso, um estudo sério e enquadrado na época histórica.

 

E se Alves Reis merece um historiador disponível e interessado, mas tardando o que se motive pelo tema, vamos tendo os que, sobre o maior falsário português, telenovelam (caso de Moita Flores) e um jurista-comentador (Fernando Teixeira da Mota), que recentemente lançou um livro biográfico sobre Alves Reis (*) mas que, infelizmente, se perde extasiado nos aspectos romanescos e sentimentais e pouco domínio demonstra em capacidade de traçar o contexto histórico dos acontecimentos (vá lá que um anexo do livro, da autoria do professor de economia Manuel Mira Godinho, apresenta um enquadramento resumido do impacto económico-financeiro da fraude).

 

(*)“Alves Reis, uma história portuguesa”, Francisco Teixeira da Mota, Edições Oficina do Livro

Publicado por João Tunes às 17:29
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NA MESMA PRAÇA

    

               

        

 

Publicado por João Tunes às 15:46
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PRIMAVERA QUARENTONA

 

Joana Lopes evoca hoje os quarenta anos que passam sobre a “Primavera de Praga”, essa primavera política breve e pouco depois esmagada por tanques de invasores e ocupantes, provavelmente a prova mais provada da impossibilidade reformista após o momento em que o comunismo atinja o patamar da hegemonia, momento político em que, num ápice e por sede insaciável de poder total, paladinos dos direitos sociais dos mais fracos se transformam em repressores musculados. Dubcheck e seus seguidores, em 1968, quiseram fazer a síntese impossível entre comunismo e liberdade e os povos checo e eslovaco pagaram caro essa experiência de, durante uns breves meses, lerem jornais não censurados e elegerem as suas organizações. Mas, enquanto dura, uma primavera é uma primavera. Honra, portanto, à efeméride.

 

Também hoje, no “Público”, pode ler-se uma interessante entrevista com Slavenka Draculic, jornalista e escritora croata, actualmente em Portugal para lançar o seu livro “Não faziam mal a uma mosca”, da qual cito estas duas passagens sobre as experiências do poder comunista:

 

"O socialismo falhou porque foi implantado em países demasiado atrasados. Como me disse uma vez Kenneth Galbraith, se o comunismo tivesse nascido na Suécia teria sido completamente diferente." Em suma: o comunismo seria bom em países que não precisam dele. Onde era necessário, só piorou as coisas.

(…)

Com a excepção da Checoslováquia, nenhum destes países tinha tradição liberal. Passaram directamente do feudalismo para o socialismo.

 

Regressando ao drama primaveril checoslovaco de que hoje se celebra a passagem do 40º aniversário, Slavenka Draculic coloca uma ênfase importante na excepcionalidade checoslovaca. De facto, a Checoslováquia era, antes da segunda guerra mundial, não só uma importante potência industrial e cultural da Europa, como acumulava uma razoável experiência de tradição na prática normal da democracia (no período entre as duas guerras mundiais). Esta mesma tradição liberal, interrompida com a ocupação nazi (1938) e o domínio soviético com regime de partido único só abolido em 1989, depois de um afloramento breve em 1968 que inclusive “contaminou” parte importante das fileiras e da direcção do partido comunista, permitiu que o retomar da vida democrática, após a queda do comunismo, proporcionasse não só um pacífico divórcio entre checos e eslovacos como o facto de a República Checa ser hoje uma democracia consistente e personalizada no seio da União Europeia. E, de facto, no quadro dos países que viveram sob a bota da ditadura comunista, os checos seriam os que “menos mereciam” um regime que, pelo desenvolvimento que haviam atingido, arrastou uma “interrupção política” que os fez regredir na política, no uso da liberdade, na indústria, na tecnologia e na marcha do progresso.

 

Publicado por João Tunes às 13:25
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LIBERDADE HOTELEIRA

 

O que pode haver de tão excepcional nesta notícia num jornal de grande circulação e que mereça sê-lo?

 

"Es cierto, desde la medianoche de hoy se ha aprobado y se pueden hospedar dejando el documento de identificación y el dinero de la habitación”, ha dicho una recepcionista, que ha querido mantener el anonimato

 

Ou seja, o que de especial tem que um qualquer cidadão de um país alugue um quarto num hotel aberto na sua terra, identifique-se, pague o aluguer, recolha as chaves e vá tomar um duche e deitar-se?

 

E, no entanto, esta possibilidade, normal, normalíssima, é apregoada como uma medida de “abertura” de um regime tão igualitário que, carregando 50 anos de socialismo científico e até agora, impedia aos indígenas o acesso a hotéis cujo uso era restrito aos estrangeiros. O que não deixa de ter os seus reversos. É que, daqui para a frente, os turistas que forem veranear até Cuba sujeitam-se a, no pequeno almoço, terem como vizinhos, na mesa ao lado, uma qualquer família cubana a beberem sumo e trincarem torradas. E, provavelmente, as agências de viagem não vão fazer desconto por motivo desta perda de qualidade do serviço hoteleiro.

 

(notícia aqui)

Publicado por João Tunes às 12:26
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PORQUE NÃO?

 

Ao escrito por Vital Moreira:

 

O tratamento noticioso é claramente enviesado para seleccionar e sublinhar os lados mais negativos da actualidade. Em princípio, só as más notícias são notícias, mesmo quando não são verdadeiras. É notícia o aumento da criminalidade, não a sua redução; a subida da inflação, não a sua descida; a elevação do desemprego, não o seu decréscimo; a erupção de um surto infeccioso, nunca a sua debelação; uma maior área de floresta ardida pelo Verão, não uma menor extensão; e assim por diante.

(…)

Ao tratamento noticioso acresce o comentarismo dominante, onde avulta um estilo oracular habitualmente apostado em negar qualquer progresso e qualquer perspectiva de saída favorável para o país. Segundo essa visão, falhámos todos os desafios da história recente e estamos condenados a arrastar-nos numa "apagada e vil tristeza" até ao fim dos séculos. Qualquer acontecimento mais grave é transformado numa demonstração inequívoca da nossa incapacidade e da nossa condenação.

 

pode-se acrescentar o que pensa Hugo Chavez:

 

El terrorismo que ejercen algunos medios de comunicación es uno de los más grandes problemas que enfrenta la humanidad, manifestó el presidente venezolano, Hugo Chávez.

(…)

El presidente explicó que el terrorismo mediático consiste en divulgar información manipulada o tergiversada, con el objeto de que la sociedad se comporte sumisamente, de acuerdo a los intereses de los sectores dominantes.

"Hay una gran maquinaria mundial, que utiliza medios muy poderosos para confundir, manipular, engañar y tratar que la hegemonía del capitalismo continúe su perversa dominación sobre los pueblos del mundo", dijo Chávez. "Es uno de los más grandes problemas que enfrenta la humanidad", añadió.

Publicado por João Tunes às 00:54
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Domingo, 30 de Março de 2008

O ADEUS À CLASSE OPERÁRIA

 

Luís Januário pespegou esta bastonada escrita:

 

A seita autista que arrasta o nome do Partido Comunista Português manifesta algumas peculiaridades. Uma delas é o estranho desinteresse pela sorte da classe operária chinesa: já não falo em horários de trabalho, direitos sindicais, regalias sociais mas de coisas básicas que lhes preexistem e têm a ver com a dignidade da existência.

 

De facto, não há hoje outra parte do mundo com uma concentração de operários que seja superior à que se encontra na China. Idem quanto à sua homogeneidade relativamente a más condições de trabalho, falta de direitos, grau de exploração. Objectiva e subjectivamente, em poucos países e momentos históricos se encontraram, como hoje na China, reunidos os requisitos para se falar de classe operária segundo o conceito marxista de classe e de potencial revolucionário para extirpar a exploração, fazendo a revolução. As dificuldades (melhor: relutâncias), que vêm muito de trás, dos comunistas chineses entenderem o papel de vanguarda da classe operária, desalinhando com a ementa marxista de hierarquização das vanguardas revolucionárias, deslocando o pólo condutor para as massas camponesas (e, durante a “revolução cultural”, para as massas estudantis radicalizadas), uma heresia que mereceu milhares de páginas com críticas violentas, fazem parte do património da revolução chinesa e das querelas que suscitou entre a irmandade comunista. Provavelmente, o desprezo dos comunistas chineses no poder para com os operários chineses, acentuado com a competição globalizante dos tempos actuais, em termos culturais e ideológicos, não passa de uma persistência no pensamento comunista chinês da sua heterodoxia marxista.

 

Desde o início do cisma sino-soviético, Cunhal e o PCP assumiram o papel de serem, entre os comunistas que não exerciam o poder, os mais violentos na denúncia das heresias marxistas dos comunistas chineses. Sempre que havia reuniões internacionais dos partidos comunistas, Cunhal, em nome do PCP, assumiu sempre a posição mais extremada de apoio aos soviéticos e de ataque violento ao aventureirismo, voluntarismo e subestimação do papel da classe operária por parte dos renegados chineses. E, na realidade política portuguesa (na última fase da ditadura e durante o período revolucionário), Cunhal e o PCP, no seu posicionamento perante os grupos maoístas portugueses, transpuseram sempre a mesma inimizidade irredutível e coincidente com o péssimo relacionamento entre o PCUS e o PCC e conexas competições para controlarem e dominarem ideologicamente partidos e movimentos de raiz marxista em todo o mundo.

 

Hoje, assistimos a uma espantosa inflexão em que, talvez por falta do pólo PCUS, o PCP se pendura numa amizade de amor tardio mas apaixonadamente ardente e acrítico para com a prática de poder dos comunistas chineses (cujas expressões mais quentes fariam corar, por insuficiência relativa de paixão, um convicto maoísta dos tempos idos). Coincidindo, ironicamente, com a fase do extremar da exploração do capitalismo comunista chinês sobre a classe operária chinesa. Como se, por obra do pragmatismo mais oportunista (poder é poder), todo o património do PCP, a sua "pureza marxista-leninista", incluindo o esforço teorizante de Cunhal ao polemizar com os renegados chineses, fosse liquidado de uma penada.

 

O “amor chinês” da actual direcção do PCP, inscrito no mesmo oportunismo aventureiro que a leva a apoiar as ditaduras cubana e norte-coreana, as FARC, os etarras, os tallibans, os bombistas islâmicos e o actual poder persa, numa linha de "internacionalismo" sem princípios nem escrúpulos, muito menos com coerência ideológica, apostando na solução apocalíptica mundial como vingança da não digerida implosão soviética (no fundo, a dor maior e mais verdadeira), revela, antes do mais, um profundo desprezo para com os operários chineses, sujeitos a uma das explorações mais infames de que os assalariados guardam memória. Para um partido que se diz ser o da classe operária (portuguesa), é obra da duplicidade mais cínica. Ou talvez não. Afinal, onde está, aqui e agora, a mobilização da luta comunista entre o que resta da classe operária portuguesa (agora cedendo o lugar, na frente da luta de massas, aos empregados do Estado)? Talvez o que simplesmente aconteceu foi que o PCP, reduzido que está, nos seus “laços ao operariado”, aos que são oriundos desta condição e se burocratizaram partidariamente na direcção e no funcionalismo do partido, ao cortar as pontes com a classe operária portuguesa (como, na Auto Europa, em que os metalúrgicos preferem Chora ao PCP), estruture esta viragem em ligação social na coerência do seu "internacionalismo". E, sendo assim, porque deitar uma lágrima que seja a lembrar a exploração dos operários chineses?

 

Publicado por João Tunes às 23:44
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QUANDO UMA CORONHA NASCEU NUM UMBIGO

 

Na produção regular de literatura sobre a guerra colonial, finalmente a adquirir uma dimensão propícia a colocar a memória do passado português de média distância nos carris, vai surgindo uma variedade de experiências narradas ou romanceadas que evidencia como essa participação de centenas de milhar de portugueses nessa gesta colectiva dramática, traumática para muitos, foi vivida de forma muito diferenciada. E se a produção de literatura (memorialista ou por via da ficção) sobre a guerra continuar, como se prevê, até pelo papel de catarse que apresenta, haverá condições, em breve, para se proceder a uma tipificação das atitudes e comportamentos dos mobilizados para combaterem os movimentos independentistas africanos. Na segmentação de comportamentos que determinaram as vivências (e hoje as memórias reflectidas sobrevivas à guerra), distinções caracterizadoras se apresentarão entre militares de carreira e milicianos, entre as camadas militares (praças, sargentos e oficiais), os locais de combate com forte, fraca ou nula provas de fogo, a partilha ou não de baixas entre camaradas próximos, finalmente, as diversas épocas que vão desde a mobilização com o élan patriótico temperado com o sal da repugnância no início dos combates em Angola em 1961 até ao dobre de finados na Guiné em 1973, com ramificações de percepção da realidade da guerra consoante os teatros de operações.

 

Esta diversidade de experiências, numa enorme variedade quanto a tempo, espaço, responsabilidade e impacto dos combates, a que acresce o fundo ideológico que marcava o posicionamento perante a guerra por parte de cada militar, faz enorme diferença quanto ao testemunho e ao registo depositado para memória futura. Recentemente, assistimos à forma, quase folclórica, como Cavaco Silva realizou publicamente, na sua última visita presidencial a Moçambique, uma síntese institucional da sua passada experiência como oficial miliciano do exército colonial “aquartelado” numa secretaria da burocracia militar em Lourenço Marques e tentando explorar essa vivência africana como uma amarra de amor a África do tipo do sortilégio e publicitando essa emoção, perante os moçambicanos, como ponte afectiva que possa beneficiar a relação entre os Estados de Portugal e Moçambique (juntando-lhe o doce da partilha do feitiço africano com a memória revivida de Maria Cavaco Silva que, no tempo de comissão militar do marido, o acompanhou e realizou experiência de professora no Liceu Salazar de Lourenço Marques). Ambos exprimindo-se com sinceridades evidentes, expondo até o primarismo cultural partilhado dos seus olhares romântico-passadistas sobre África, o casal Cavaco Silva pensou que assim servia as suas funções institucionais, servindo a relação entre os povos e Estados de Portugal e Moçambique, e nisso nada há a reparar. Mas imaginemos que Cavaco Silva, em vez de oficial da rotina administrativa militar de inserção laurentina, tinha sido um dos militares comandos que "visitaram" Wiryamu. Então, ou se calava sobre a sua participação colonial ou tinha de enfrentar o problema das culpas coloniais. Em qualquer dos casos, a margem de folclore do feitiço africano tinha de ser deixado para outros da comitiva.

 

Mário Beja Santos, um conhecido teórico dos direitos do consumidor, lançou um livro de luxo (se atendermos ao tipo da publicação e ao seu preço) (*) sobre a sua experiência como alferes miliciano na guerra da Guiné. É um livro de si para si, numa partilha em que a leitura de uma falha narcísica é proposta ao leitor, onde este antigo combatente recupera as suas memórias de guerra como registo de uma experiência em que a guerra passou por ele, mais que ter sido ele a passar por uma guerra. Apesar da distância no tempo para reflexão, apesar ainda de o seu lastro cultural e ideológico antes adquirido o ter levado á guerra com uma experiência de militância católica de esquerda, com um perfil de nojo pelo fascismo e pelo colonialismo, Beja Santos assume, porque mantêm (e com pleno direito a isso), uma passagem pela guerra em que o zelo do cumprimento da missão, o assumir do seu estatuto de oficial, a centralidade da sua personagem, foram as marcas da sua passagem pelo teatro militar da Guiné. E, mais que a paisagem do contexto da guerra e a reflexão sobre os seus absurdos, como que a guerra, vista pelo livro, se tenha vitrificado para emoldurar o profissional zeloso, transportando seus livros e sua ética, fazendo a guerra como se a coronha da espingarda lhe nascesse do umbigo. E se o estilo literário é depurado e a arrumação limpa é, o saldo final é de um bocejante enfado pelo desperdício de alguém, que não sendo ele, sendo apenas um consumidor com os seus direitos, ler-lhe o livro.

 

Um mérito tem o livro de Beja Santos, o de ajudar a tipificar uma das passagens milicianas pela guerra colonial. Outras, muitas outras, existiram. E felizmente que assim foi. Da análise do leque, sairá, um dia, um melhor conhecimento do estar português na guerra colonial.     

 

(*)“Diário da Guiné (1968-1969) – Na Terra dos Soncó”, Mário Beja Santos, Edição conjunta Círculo de Leitores e Temas & Debates

Publicado por João Tunes às 00:43
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Sábado, 29 de Março de 2008

RÁPIDO A COMPRAR

 

 

Isto é giro. Custou-me foi um montão de meses de ordenado que mandei trocar no mercado negro para conseguir os pesos convertíveis. Mas valeu a pena e ainda sobrou para uma torradeira.

Publicado por João Tunes às 22:51
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COM TELEMÓVEIS, O ENSINO CONTINUARÁ A SER O MUST CUBANO?

 

Os professores Cubanos têm que passar a ter cuidado com as alunas matulonas… Raul Castro permitiu que os telemóveis fossem liberalizados.

Publicado por João Tunes às 22:12
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FALA TU QUE DEPOIS FALO EU

 

Numa mesma semana, a que agora finda, o PCP pronunciou-se a várias vozes sobre o Tibete e o Dalai Lama. Na Assembleia da República, Bernardino Soares, líder da bancada parlamentar comunista e membro da Comissão Política do PCP, declarou assim sobre os acontecimentos no Tibete:

 

Não está em causa a manifestação de pesar do PCP em relação às vítimas, o seu desejo de que os conflitos tenham uma resolução rápida e pacífica, bem como os seus princípios de defesa da democracia e dos direitos humanos.

 

No “Avante”, Albano Nunes, membro da mesma Comissão Política e acumulando com funções no Secretariado do PCP, escreveu assim sobre o Dalai Lama:

 

Dalai Lama, um dos mais mediatizados e promovidos figurões internacionais que, afivelando o ar evangélico de santo acima de qualquer suspeita, é realmente um instrumento do imperialismo contra a estabilidade e integridade territorial da RPC

 

Tratam-se de dois dirigentes máximos do PCP, não havendo fundamento para se supor que tenhamos a novidade de, na cúpula comunista, ande cada um a disparar para seu lado e por conta própria. Pelo contrário, a casa preza a disciplina monolítica. O que se trata é de “repartição de tarefas” na prática da duplicidade intrínseca à propaganda comunista, desdobrada em vários discursos consoante as audiências. Na Assembleia da República, o chefe dos deputados comunistas usa a linguagem civilizada da elevação democrática e do respeito pelos direitos humanos. Para camaradas, entre camaradas de cartão, sai a tradução brutal da linguagem do combate e de fogo à peça, explorando o fanatismo. Pela prática permanente do embuste viciado no embrulho do que dizem, a esconderem o que pensam e querem, não são, pois, gente de (con)fiar. Para eles, a mentira útil é sempre revolucionária.

Publicado por João Tunes às 18:19
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O CERCO AOS MONSTROS

 

Finalmente, as justiças começaram a funcionar bem. Em boa ordem táctica, com plano de operações bem definido, a partir de informações reveladas por um elemento inimigo que se chibou (pensando afagar a vaidade do exibicionismo) no you tube, as forças justicialistas avançaram em formação cerrada e disciplinada para capturarem e fazerem penar perigosos delinquentes entrincheirados na Escola Carolina Michaelis culpados do crime público que mais escandalizou o país e Cavaco Silva. A Margarida da DREN, a professora ofendida e os seus advogados, a Fenprof, o Procurador e a opinião pública, arriscaram na operação a honra do vigor, mas todos se portaram bravamente e sem baixas a registar do seu lado, aguardando-se, a todo o momento, que os restos sobreviventes do bando inimigo sejam repartidos por várias escolas e vários tribunais, com as esquadras e seus cabos em permanente vigília de prevenção. Uma coisa é certa: as escolas vão passar a ser mais seguras e os professores não vão necessitar de fazerem greve para reivindicarem coletes à prova de telemóvel. Entretanto, a sociedade portuguesa, com a pátria da autoridade menos histérica de indignação, abrandou a urgência em mudar de ministra da educação secundária. Só falta chuva de medalhas no próximo Dia de Camões, com Mário Nogueira e Lurdes Rodrigues na fila da frente e com peitos preparados para receberem a Torre e Espada do Bem Educar.  

Publicado por João Tunes às 16:45
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Quarta-feira, 26 de Março de 2008

SAMPAIO, O NEO-GESTOR

 

Esta declaração de Jorge Sampaio (transcrita aqui):

 

«No nosso século XXI, esquerda e direita tornaram-se conceitos ambíguos. Por isso, sempre que ouço esse género de comentários, interrogo-me, “mas o que significa mais à esquerda ou mais à direita em termos de políticas concretas e sustentáveis?”. A meu ver não podemos ficar reféns de debates ideológicos, cujo conteúdo deixou de ser claro. Importa, sim, contribuir para a renovação da prática governativa e para lhe dar novos conteúdos.»

 

é uma evidência de esquerda demissionista que confrange, embora não deva admirar. Se Jorge Sampaio, um histórico da esquerda socialista (já deu corpo a uma tendência na esquerda do PS) assim se demite ideologicamente, pretendendo que, na política, os políticos sejam substituídos por gestores, porque admirar a deriva tecnocrática do “centro socialista”, actualmente no poder?   

 

Veremos se é Jorge Sampaio, de quem pouco se esperaria esta punhalada, o coveiro assumido da social-democracia portuguesa, entregando o combate de esquerda aos bandos fanatizados.

Publicado por João Tunes às 16:34
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IVA PELA ESQUERDA

 

Porreiro, pá! Estás quase a poder cumprir as promessas eleitorais. E no IVA, só falta menos 1%.

Publicado por João Tunes às 16:14
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HÁ DESBRAVAR E DESBRAVAR

 

Não consigo estender o matutar até chegar à meta do entendimento da insólita comparação que Rui Bebiano faz entre a sua rodo-experiência africana e a do nosso Cavaco. Porque se podemos dar como adquirida a similitude dos desvarios juvenis com o primeiro bólide debaixo das unhas, ambos com o sol africano a ferver sangue farto do frio em mescla de temperança do espaço europeu, a diferença dos contextos convida à inibição de pretensas comparações, por muito que se verifique a atracção fatal pelo cotejo. Se o Rui era no seu tempo de Luanda um caçador de garinas, ésses, música alta e Cucas, como convidava a festa liquidatária do fim do império, o nosso Cavaco fez o seu cumprimento conformista de comissão militar ainda no ciclo colonial moçambicano e na companhia de sua Maria, perante a qual (segundo uma sua célebre entrevista de tempos idos) tinha de demonstrar uma aturada performance de campeão de corrida com barreiras. Além, é claro, que o Índico é outra coisa que o Atlântico não é, nem será.

Publicado por João Tunes às 16:06
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