Segunda-feira, 28 de Janeiro de 2008

O PRIMEIRO MINISTRO "TACUARA"

 

O melhor post que li sobre José Sócrates:

 

Se a bola estiver parada ou lhe for dada por um adversário, o homem é letal. Quando aprender a rematar de cabeça, a jogar na antecipação e a dominar a bola em corrida teremos um grande avançado. Podíamos era ter pago apenas aquilo que ele sabe fazer.

 

Publicado por João Tunes às 12:10
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NO CENTENÁRIO DO ASSASSINATO DE BUIÇA

 

Não encontro melhor para pré-assinalar a efeméride que a transcrição de um magnífico regipost da autoria de Rui Namorado:

 

A nossa Constituição exclui expressamente a possibilidade de se alterar a forma republicana do Estado, mas mesmo que não houvesse essa proibição expressa, a opção pela forma monárquica poria em causa a sua lógica democrática mais profunda, sendo só por isso incompatível com ela. Admitir o contrário seria o mesmo que admitir, por exemplo, que, no seio de um regime democrático, se optasse através de um referendo, entre continuar a viver em democracia ou aceitar viver sob um poder político ditatorial.
Aliás, no caso português, é bem claro que a opção monárquica é apenas uma das correntes de opinião dentro da direita. Não passa de artifício propagandístico mencionar, como se fosse realidade, uma preferência monárquica que, alegadamente, se espraiasse por todo o espectro político. Basta ver as opções assumidas pelo PPM ou conhecer as opiniões políticas do alegado pretendente ao hipotético trono para se verificar isso mesmo. Aliás, os portugueses foram já governados durante a República por um regime que reflectiu o poder pessoal de um monárquico confesso, Salazar. Sabem muito bem qual é a matriz política dominante entre os monárquicos portugueses.
E quando, nestes últimos dias, temos visto espalhar-se um tão grande esforço para santificar D. Carlos e demonizar os republicanos de há cem anos, aproveitando as circunstâncias violentas e dramáticas da sua morte, seria bom lembrar que o alegado pretendente ao hipotético trono português nem sequer descende dos Reis de Portugal (e, portanto, de D. Carlos). Descende sim de D. Miguel, irmão de rei e usurpador, líder da rebelião absolutista contra a monarquia liberal e grande fautor de uma longa guerra civil que ensanguentou Portugal durante vários anos. E, se atentarmos em tudo o que ao longo dos anos, antes e depois do 25 de Abril, o nosso candidato a pretendente disse publicamente, vemos que ele faz jus ao seu antepassado, sendo ostensiva a sua ligação ideológica ao que há de mais conservador e reaccionário na direita portuguesa.

É neste contexto que deve ser avaliado o modo como se tem tentado reanimar mediaticamente o regicídio, ocorrido há cem anos.

 

Publicado por João Tunes às 11:47
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Quinta-feira, 24 de Janeiro de 2008

PELA NOSSA SAÚDE ENTREGUE AO GÉNIO INCOMPREENDIDO (1)

 

O A.Teixeira decerto entendeu que o que faz a diferença maior entre a política espanhola de saúde e a de Correia de Campos não é sobretudo, também o sendo, o número de médicos e de pessoal para-médico disponíveis para atender aos cuidados de saúde das populações. Rogando-lhe que leia com um pouco de atenção o meu post que comentou e que transcreve uma peça do besugo em que se comparam os cuidados de saúde disponíveis entre duas regiões peninsulares vizinhas (Trás-os-Montes e Alto Douro versus Galiza interior), verificará que as diferenças de monta, e que dão qualidade às atenções prestadas, são outras. É a política de atendimento e cuidados numa perspectiva de cobertura do território e acessibilidade das populações, é a quantidade e diversidade de especialidades, meios de diagnóstico e de tratamento que se aproximam das populações, desdobrando-se para onde estas escolheram viver. Sem que a gestão dos meios, numa pirâmide de sofisticação e particularismos, deixe de se exercer. E, estabelecida a rede de meios de acordo com as necessidades de saúde dos residentes, vêm (melhor: vão) as especialidades, os médicos, os enfermeiros, as camas, as ambulâncias e os equipamentos. E se empenham mais meios para prestar saúde, sobretudo eles partem de uma lógica antagónica à “portuguesa” face à interioridade e à lógica da pressão de urbanização das populações, empurrando-as para o litoral e grandes centros citadinos. Porque entendem que o usufruto do direito à saúde (e na educação, o panorama é parecido) não deve ser (já bastam as pressões económica e cultural) um factor objectivo e adicional de aceleração da desertificação do interior.

 

O que Correia de Campos tem andado a fazer é uma desgraça em termos de consideração pelas populações que, no seu pleno direito, resistem à migração para o litoral, principalmente para os seus grandes centros urbanos. E, sob a capa da racionalidade e da tecnocracia, a que se alia a impaciência das mudanças à pazada, uma exibição cínica e desapiedada da supremacia da gestão racional dos meios disponíveis relativamente aos nexos pessoais e comunitários de segurança, percebida no limite da segurança pelo instinto da sobrevivência, como se o empobrecimento da proximidade dos meios mínimos de cuidados médicos fosse um ónus de condição serôdia do cidadão que resiste a querer continuar a viver no interior. Com a agravante maior de, estupidamente, a velocidade dos encerramentos de unidades ser incomensuravelmente superior à criação, adaptação e apetrechamento das grandes e médias unidades de suporte na nova matriz.

 

Claro que a muita proximidade de um centro de saúde e de um médico de clínica geral mais um enfermeiro não resolvem os problemas essenciais de saúde das populações, particularmente em casos de média ou grande gravidade, cada vez mais frequentes com o aumento do horizonte de vida. Claro também que a proliferação de SAPs sem meios de especialidade, de diagnóstico e de tratamento, também não. Mas a reforma dos meios (em quantidade e qualidade), evidentemente necessária, devia ter sido conduzida com prioridade no apetrechamento e organização dos novos meios de apoio e, quando estes se revelassem eficazes como alternativa e suportados numa logística adequada de mobilidade dos doentes e de atendimento “in loco” ou em ambulâncias equipadas para os casos mais graves, é que se devia avançar para a fase de encerramentos, nunca se criando um hiato em que se generaliza o pânico indignado de ver, na mudança, apenas a debandada de meios e de assistência médica que, embora de eficácia relativa, estavam próximos, reforçando a sensação de que se está a praticar uma política deliberada de abandono. Além do efeito do desatino no ritmo da mudança em que os factores mais notórios são a hipersensibilidade, muitas vezes falsamente induzida e outras claramente manipuladas por forças partidárias hostis, sobre as causas de mortalidades verificadas e os caos resultantes em grandes concentrações hospitalares (por exemplo, Coimbra e Faro) por uma abundância de afluência para que não estavam preparados. E como se tanto não bastasse, tudo impensável num governo dito socialista, a mudança é liderada por uma equipa ministerial desastrada a comunicar, arrogante no trato, com um nítido recorte de comportamento político de tipo estalinista. Como se fosse imaginável que alguém que detesta os portugueses, desprezando-os porque o desentendimento da genialidade de Correia de Campos é atribuível a atavismos, os trata mal porque os quer ver felizes e de boa saúde.    

 

Publicado por João Tunes às 17:01
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Quarta-feira, 23 de Janeiro de 2008

UNIDOSE DE OPOSIÇÃO

 

A melhor das sortes de Sócrates, de Correia de Campos e dos outros ministros todos, mais os que levaram e levam o PS da esquerda para a obesidade política, é a desgraça de oposição que temos. Exemplo, que se soma em pouco tempo ao estúpido gasto de uma “moção de censura” pelo Bloco a propósito do Tratado de Lisboa, é colocar no centro do debate, quanto à política e à prática de saúde, a treta da unidose. Em que nenhum dos bonzos oposicionistas quer faltar à chamada para a asneira de diversão.

Publicado por João Tunes às 10:53
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A RÚSSIA A VOTOS

 

Se as coisas são assim tão claras, ou seja, que Dmitri Medvedev (na foto), candidato a Presidente da Rússia apoiado por Vladimir Putin e “Rússia Unida”, ganha na primeira volta as eleições que vão ter lugar em 2 de Março (*), convém que se vá começando a conhecer a ilustre figura e as linhas mestras do seu programa eleitoral.

 

(*)Segundo as sondagens, em que se prevê que votem 82% dos eleitores russos, Medvedev terá mais de 60% dos votos, enquanto o populista fascistóide Jirinovski obterá 7,5% e o saudosista comunista Ziuganov ficará pelos 3,1%.

Publicado por João Tunes às 10:35
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E A GALIZA (A GALIZA POBRE, A GALIZA INTERIOR) ALI TÃO PERTO

 

O besugo fez as contas:

 

A Província de Trás-os-Montes e Alto Douro tem 2 distritos, Vila Real e Bragança. Trás-os-Montes e Alto Douro tem, portanto, cerca de 400.000 habitantes, mais ou menos. A Província de Ourense tem à volta de 345.000 habitantes. Pode comparar-se assim? Penso que assim se pode.

A província de Trás-os-Montes e Alto Douro tem uma área de 11.000 Km2, enquanto a de Ourense tem, por alto, 7.300 Km2. Pode comparar-se: as pobrezas comparam-se em todas as dimensões.

Em Trás-os-Montes e Alto Douro é como se sabe. Posso fazer um desenho um dia destes, mas por hoje passo. Vamos à Província de Ourense, à Galiza interior. Vamos?

Bom. A Província de Ourense tem 92 concelhos. Vão de Avion a A Peroxa, Monterrá a Maside, Verin a O Barco de Valdeoros, de Ourense a Castrelo de Miño. São 92 concelhos. O curioso é que tirando Ourense (110.000 habitantes), o resto são pequenos povos. Tirando Verín (13.500), Barco de Valdeorras (13.300), O Carballiño (12.800) e, vá lá, Xinzo de Limia (10.000), o resto tem entre 600 e 4000 almas viventes. A Teixeira tem, mesmo, só 569 pessoas, sendo de referir que os concelhos de O Bolo e de A Bola, juntos, perfazem 2900 seres humanos. É assim, não vale a pena inventar.

Ora bem. Então e nestes 92 concelhos quantos Centros de Saúde há? Há 110. Porquê? Porque sim. Porque há 14 concelhos que têm mais que um. Ourense tem 5. E Castrelo de Miño, por exemplo, tem 3. Palavra de honra: tem 3, e tem 2095 habitantes. Deve ser, talvez, terra de pouca gente e muito ancha, não?
Desses Centros de Saúde, 15 têm Serviços de Urgências permanentes. Falo de Ourense, de Verín, mas também de Viana de Bolo, Xinzo de Limia, O Carballiño, O Barco de Valdeorras, Bande, Ribadavia, são 15. Ribadavia tem 5500 habitantes, por exemplo.
Os Centros de Saúde que não têm urgência "drenam" (detesto esta palavra, mas, como disse, não me pagam para escrever - quanto mais para escrever bem), num critério que não é outro senão o da proximidade, para o Centro de Saúde - com urgência - mais próximo.
Os Centros de Saúde com Urgência permanente têm, em mais de 60% dos casos, além de clínicos gerais (habilitados a fazer suporte básico de vida, que é fundamental pelos motivos que se prendem com aquela parte de o coração bater e de a gente respirar), pediatras, e enfermeiras de Obstretrícia. Em 25% deles há dentistas - cá, nem nos hospitais. Há Fisioterapia, em cerca de 10% dos Centros.
Nesses 110 Centros de Saúde trabalham, ao todo, salvo óbitos recentes ou intervenções externas de Correia de Campos, 275 médicos generalistas, 45 pediatras, 15 dentistas, um porradão de enfermeiras e enfermeiros, variadíssimos técnicos, assistentes sociais. Muitos desses Centros têm possibilidade de fazer análises clínicas e radiografias.

Ora bom, encurtando distâncias que ainda tenho de ir mandar um e-mail ao Paulo Bento: além destes Centros de Saúde, a Província de Ourense tem que mais?

Bom.

Tem o Centro Hospitalar de Ourense, com tudo, mas tudo mesmo (mesmo as merdas que não há em Vila Real, sim, a Cirurgia Vascular, a Neurocirurgia, a Radioterapia, os Cuidados Intensivos Pediátricos, a Unidade de Transplantes, a Endocrinologia, a Reumatologia, a Geriatria, a Oncologia Médica e Cirúrgica, a Angiografia, a RMN, a TC helicoidal, o caralho. Tem mesmo tudo, galegos dum raio). E tem 505 médicos e 811 camas.

E que mais? Bom, há o Hospital Comarcal de Valdeorras, com Medicina Interna, Cirurgia, Nefrologia com hemodiálise, Fisioterapia, Anestesiologia e Reanimação - pudera, têm todos, eu sei - Unidade de Dor e a puta que os pariu; pois é. E são 100 camas de internamento, e são 52 médicos.

E agora uma pausa educativa. Escutei assim uma pergunta, há bocadinho:
"isso de Verín, com 13.000 habitantes, é preciso ver até que ponto vai o quase...".

Vai até aqui: 80 camas, 42 médicos, Medicina Interna, Cirurgia, Anestesiologia, Reanimação, Dermatologia, Unidade de Dor, Fisioterapia, Otorrino, Oftalmologia, Urologia, Ginecologia e Obstetrícia, Pediatria, Psiquiatria... por aí fora. A Régua, a cidade, tem 11.000 habitantes. E não tem quase nada.

Os cuidados de saúde são como o resto. Devem relacionar-se entre si da mesma maneira que se relacionam as pessoas: ou há relações - e têm de ser próximas, daí a importância dos lugares, porque os lugares são as pessoas em espaços pequenos, médios, do tamanho que tiverem - ou não as há e, nesse caso, que se foda a Bwin Liga.
Se é assim na Galiza Pobre, pensem como será na Galiza Rica. Na Catalunha, na Comunitat Valenciana, no País Basco, na Andaluzia, no caralho!

Publicado por João Tunes às 10:15
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A VITIMIZAÇÃO QUE VEIO MESMO A CALHAR

 

Concordo. Mas foi tão indecente politicamente a manipulação havida à volta da morte de uma criança numa ambulância à chegada ao hospital de Anadia, como é, agora, tentar induzir uma defesa-justificação da política de saúde de Correia de Campos, exibindo à saciedade a denúncia da manipulação no caso de Anadia. É que são, sempre, por demais evidentes as campanhas que pretendem reabilitar um político desastrado pela vitimização deste relativamente a uma actuação canhestra de opositores impacientemente demagogos.

Publicado por João Tunes às 09:55
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O SALVADOR CONTRA VENTOS E MARÉS

 

Contra a corrente, o que só demonstra coragem contraditória, Raimundo Narciso defende Correia de Campos:

 

(…) parece-me que Correia de Campos vai ser lembrado daqui a alguns anos pelo ministro da Saúde que levou a cabo contra ventos e marés a indispensável reforma do SNS oferecendo melhores condições de saúde aos Portugueses e salvando aquele.

 

Talvez haja aqui uma enorme capacidade para prever os humores em tempos futuros. Talvez. O que já não me parece nada seguro é que Raimundo Narciso, daqui a alguns anos, se lembre de ser pai desta profecia abonatória. Ou que Correia de Campos - admitindo que, quando for ex-ministro, adquira a capacidade de ser honesto na auto-avaliação -, venha a gostar que lha recordem.

 

Publicado por João Tunes às 08:57
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Terça-feira, 22 de Janeiro de 2008

EGO INCHADO

 

É muito estimulante para o umbigo do dono saber que, em língua portuguesa e melhores que este, só há 295 blogues.

Publicado por João Tunes às 22:55
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NO DIVÃ

 

Vendo em acção os líderes dos dois principais partidos, as sensações que reflectem é que enquanto o do poder parece padecer de erecção histérico-política permanente, o da oposição exibe sinais de quem passa noites mal dormidas prenhes de investidas não consumadas. Quanto aos líderes menores, assenta-lhes que nem uma luva o papel de voyeurs em adiantado estado de vício de espera por desgaste em vaias pífias.  

Publicado por João Tunes às 22:20
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O futuro radiosamente ariano de Gauleiter George

 

(…) um Director Geral de Saúde gagueja e brande partículas de ar permitidas para o futuro contra cinquenta mil estabelecimentos construídos num venerável passado. Não seria melhor demoli-los todos e criar cantinas radiosas de saúde de higiene com ar quimicamente puro, água destilada e comida liofilizada, vitaminada, bebível por palhinha esterilizada, num mundo sans peur ni reproche mas com muitos e bons banqueiros para emprestar os capitais necessários aos produtores de tabaco da zona da Beira Interior, para investir na Tabaqueira, em mais um par de Casinos sem os quais a civilização é uma palavra vã e as leis uma pálida cópia do código de Hamurabi?

 

Será mesmo? Mas se não foi golo, então a bola passou rente ao poste.

 

Publicado por João Tunes às 15:57
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Segunda-feira, 21 de Janeiro de 2008

ASAE PRÓ AFONSO COSTA

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Pois não vejo qual a admiração. Muita maior javardice que a das bolas de Berlim na praia e dos rissóis nos snacks transpira essa das hóstias servidas à mão de padre e dos beijinhos acumulados, com ranhosos e infectados à mistura, nas estatuetas dos meninos Jesus e em anéis de senhores bispos. Isto para não falar das atmosferas poluídas de fumo de velas de estearina, altamente contaminado por produtos aromáticos de efeito comprovadamente carcinogégico. E passando à frente que, em tempo de persistente perseguição anti-tabágica, às igrejas lhes ser permitido, e até desejado, continuarem a juntar altíssimas concentrações de beatas.

-----

Adenda: Imperdoavelmente, por não ser costumeiro a consultar links católicos, esqueci-me do incenso. Fica, por este meio, feita denúncia pública ao ramo competente da ASAE, aquele que trata dos fumos tóxicos. A menos que a lei da igreja, assumindo esta privilégios idênticos aos dos casinos, anule a aplicação da lei do ar para a respiração pública em recintos fechados. Mas de qualquer forma prova-se, objectivamente, que, mais que na economia política, o sábio Carlos tinha fundadas razões naquilo em que dissertou, nomeadamente quando ainda o século XIX estava no sossego do intervalo apontar o dedo para onde se aninhava o ópio do povo  

Publicado por João Tunes às 22:42
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FIDEL FOI ELEITO!

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Em Cuba usufrui-se a vantagem de se saber antecipadamente quem é eleito nas eleições. Porque em Cuba tudo se planifica. E porque Cuba está livre das incertezas democráticas burguesas que atrapalham as revoluções, incluindo as revoluções falidas. A criatividade eleitoral cubana concertou em colocar 614 candidatos a 614 lugares na Assembleia Nacional. Nem mais um nem menos um, numa conta revolucionariamente certa.

 

Fidel Castro votou no seu leito de enfermo, cuja localização é segredo de Estado, pois a mesa eleitoral levou-lhe a urna à cama, não se sabendo se antes, depois ou ao mesmo tempo que lhe aconchegaram a arrastadeira para o chi-chi da manhã. E Fidel votou e foi votado com sucesso pois sabe-se já que foi eleito deputado pela cidade de Santiago de Cuba. O que demonstra a fidelidade do povo cubano para com Fidel, não lhe negando, na hora da convalescença prolongada, o direito à pertença, mesmo que em maca, ao pelotão revolucionário dos 614 deputados eleitos, numa disputa renhida 614/614.

 

Eleito foi Fidel e foram-no todos os candidatos. Um pleno que só espanta quem não vive ou olha Cuba como o climax democrático. O suspense resume-se agora na espera por 24 de Fevereiro para se saber se os 614 deputados eleitos votam Fidel como ditador de Cuba para mais um mandato.  

 

Imagem: Raul Castro, o mano em gestão da tirania, no momento do seu voto. Com um "pioneiro" a comandar a urna eleitoral, segundo o hábito cubano de entregar a vigilância dos votos às crianças, tentando inculcar-lhes que, em Cuba, se nasce bolchevique caribeño (graças a Fidel).  

 

Publicado por João Tunes às 21:32
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LEVANTEM O ALEIXO

 

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Contra o meu acumulado orgulho de ter o nome do poeta Aleixo a enobrecer a toponímia da rua onde moro, a placa que o identifica desmoronou-se há um ano e a incúria camarária ali a vai deixando de borco estendida em ameaça permanente à segurança dos cidadãos passantes. Como se uma bebedeira a ameaçar eternidade se tivesse apoderado do vate popular nascido em Vila Real de Santo António. E, assim, em vez de soltar as suas sábias quadras, o velho Aleixo ameaça agora, desfigurado e decerto contra vontade sua, servir de tropeço a um qualquer incauto, seja poderoso ou oprimido. Que um remorso autárquico endireite o poeta da pena por desmazelo alheio, tanto mais que o líder do partido dominante na Câmara (do Seixal), uma autarquia com esta nódoa de desmazelo no trato com os poetas, tanto gosta de recitar Aleixo nas suas peregrinações manifestantes para emoldurar o canto de castiças discursatas básico-sindicais, numa permanente homenagem à memória de Vasco Gonçalves.

Publicado por João Tunes às 17:01
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O PROBLEMA VARRIDO

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O Pepe, comentando (melhor: pensando alto) este meu post, e a quem agradeço as achegas, acabou por dar uma das melhores explicações sobre a mais funda das motivações dos governantes europeus para não sujeitarem a referendos a ratificação do Tratado de Lisboa. Ou seja, um problema inevitável, aquilo que se podia chamar de “doença de crescimento”, o da ligação íntima entre o centrípeto e o centrífugo que se associam à construção de uma qualquer identidade pluri-nacional, como é a União Europeia, foi resolvida transformando-o em “não problema” e varrendo-o para debaixo do tapete. O que prolonga uma velha pecha da política europeia praticada pelas chancelarias durante vários séculos: as “unidades” pluri-étnicas e pluri-culturais na Europa foram sempre impostas por ocupações imperiais, desproporção entre vencedores e vencidos após conflitos ou pelo chicote de ditaduras. Agora, a tanto não se chegando, as “cúpulas representativas”, legítimas sem dúvida, temendo as vozes e as nozes da decisão comezinha dos eleitores, substituem-se aos povos em nome de uma tirania esclarecida do decisório delegado. Resumindo: a Europa dos povos, se vier, ainda está para vir, enquanto, inexoravelmente, as identidades nacionais se vão esfarelando. Porque impedidos de “chegarmos” à Europa, cada qual se vai agarrando ao seu bairro.

Publicado por João Tunes às 12:19
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