Quarta-feira, 5 de Dezembro de 2007

BERNARDINO: CONTRADIÇÃO FEITA DEPUTADO

A Coreia do Norte já deve estar saturada de receber imigração sedenta de liberdades, mas talvez Bernardino Soares consiga chegar a Cuba, à China ou à Bielorússia para poder respirar, a plenos pulmões democráticos, as "amplas liberdades" que aqui tanto se encolhem:

«A democracia hoje está seriamente limitada. Há um claro empobrecimento da vida democrática no país, como por exemplo limitações inaceitáveis aos direitos sindicais ou de manifestação e de propaganda política», afirmou Bernardino Soares.

Apetece dizer-lhe: "Oh homem, GO HOME!".

Publicado por João Tunes às 15:16
Link do post | Comentar
Terça-feira, 4 de Dezembro de 2007

DESCIDA AO INFERNO

0027tqge

 

Até 2 de Março de 2008, a Biblioteca Nacional Francesa, expõe (acessível a maiores de 16 anos) parte do seu acervo documental guardado a sete chaves, acumulado desde 1844, etiquetado como “inferno”, e que é constituído por literatura e gravuras eróticas apreendidas pela polícia em editoras e casas particulares. A exposição contempla 300 das 1.700 publicações guardadas no “inferno”. [uma breve visita pode ser feita aqui]

Publicado por João Tunes às 15:29
Link do post | Comentar | Ver comentários (1)

3.000 ESCRITORES QUE O TERROR CALOU

0027spz3

 

Por paradoxo monstruoso, enquanto na União Soviética 3.000 escritores eram reprimidos de várias formas, metade dos quais morreram em campos de concentração ou foram fuzilados, outros milhares, muitos mais, de escritores a ocidente do país do “terror vermelho”, sofrendo o fascismo ou desgostados com o capitalismo, tentavam ensinar às almas o caminho do precipício comunista, numa espécie de jogo sado-masoquista de atração pelas filas do matadouro. E a maioria destes, obviamente, não imaginava ou nisso não queria acreditar, a sorte que lhes restaria se a ilusão sonhada e posta a sonhar se tornasse realidade, demonstrando depois, demasiado tarde, como há ilusões que matam e nos matam.

 

Vitali Shentalinski (na foto) dedica-se há vários anos, mais de duas décadas, a evidenciar, perante o silêncio cúmplice do conforto da mentira acumulada pela propaganda, as provas de como o regime soviético odiava os escritores e a literatura. Escritores a quem só eram fornecidas duas opções: ou bajularem o comunismo, negando-se enquanto criadores, ou o caminho da prisão ou do tiro na nuca como paga pela independência e a rebeldia, no reino onde pela verdade e pela literatura se morria.

 

Resta saber quantos, ainda hoje, preferem conhecer as revelações de Vitali Shentalinski ou adormecer sobre a mentira tecida na ilusão.

 

Publicado por João Tunes às 14:58
Link do post | Comentar

A DIFERENÇA

0027rg2g

 

(copiado daqui)

Publicado por João Tunes às 14:10
Link do post | Comentar

PROVAVELMENTE, FOI APANHADO DE SURPRESA

0027q6es

 

O ministro das Finanças mostrou-se preocupado com a situação do desemprego em Portugal.”

Publicado por João Tunes às 12:11
Link do post | Comentar | Ver comentários (1)

DO PAÍS PUTINIZADO

0027pqzf

 

Ler aqui.

 

Publicado por João Tunes às 12:01
Link do post | Comentar

FALA DO ALENTEJANO QUE SEMEIA INVEJAS

0027k8pt

 

Como é fácil entender, invejando, o Jorge Rosmaninho:

 

Moçambique tem um problema: desequilibra quem ama o cheiro da terra e o sorriso das gentes. A mim, tira-me do sério, apaga-me a capacidade de raciocinar de forma imparcial e deixa-me doente até ao regresso seguinte. Passar por aqui é viver embriagado. Não de álcool, mas de natureza, pessoas e panelas. De cores fortes, sons agudos, sabores picantes e cheiros inesquecíveis que se entranham nas narinas para sempre.

(…)

Regressar dá-me o prazer infantil de uma criança, perante a descoberta de um brinquedo amado, perdido na tralha do sótão. E por isso os próximos dias serão de brincadeira absoluta. Não me vou preocupar em escrever coisas bonitas. Ficarei pelos lugares-comuns que para além desses só Knopfli, Craveirinha e mais dois ou três conseguiram ir. Moçambique não se aprende nem apreende em palavras e/ou imagens. Vive-se e sente-se de forma simples, com poucos adjectivos, que o que é perfeito não precisa ser acrescentado.

 

Publicado por João Tunes às 11:54
Link do post | Comentar | Ver comentários (2)
Segunda-feira, 3 de Dezembro de 2007

JMF CHAVISTA? QUEM DIRIA?

0027h8c9

 

Veja-se bem visto e, às tantas, Belmiro Azevedo lá terá os seus negócios com Chavez. Será que Mário Soares faz agora escola no mundo dos negócios? Depois da Galp, a Sonae/Público?

Publicado por João Tunes às 22:03
Link do post | Comentar | Ver comentários (2)

69? NO!

0027gk31

 

E os venezuelanos disseram “não” a Chavez que reconheceu ter perdido “por agora”:
 
Chávez ha reconocido que ha sido un "final de fotografía", por lo ajustado de los resultados, pero no concede más que una derrota "por ahora".

 

A solidez da retórica da legitimidade do voto até agora utilizada pelos apoiantes de Chavez vai ser posta à prova. Não pelo que digam os seus apoiantes internacionalistas, incluindo os de aqui, pois, na sua maioria, apoiam e apoiarão Chavez, com votos ou sem votos, como apoiam quem prolonga o exercício do poder, mesmo quando absoluto e sem se sujeitar a eleições, dado que, quando existe um tremor dialéctico entre socialismo e democracia, é a primeira que escolhem por culto à sacro-ideologia.

 

Vai ser Chavez a explicar-se, explicando, explicando-nos.

 

Se as 69 emendas constitucionais propostas e referendadas foram apresentadas como essenciais para a continuação da “governação chavista”, então a leitura óbvia da derrota deveria ser a abdicação presidencial e a convocação de eleições antecipadas. Ou, em alternativa, a adaptação da governação chavista, até final do presente e último mandato, aos limites da actual Constituição e consequente correcção dos desmandos de ultrapassagem revolucionária e culto da personalidade que vinham a ser praticados, incluindo uma reconfiguração por humildade ao quanto Chavez vale, pelo que vale e pelo que não vale, como legítimo presidente da Venezuela. Ao ter ganho eleições presidenciais e ao perder a tentativa de obter as 69 pretendidas emendas à Constituição, escolhas eleitorais com igual valor, os venezuelanos definiram os limites da sua escolha quanto ao mandato de Chavez. Que o obriga, a ele, Chavez.

 

O que vá fora disto, será a demonstração confirmada que Chavez, tal como outros no passado, usam, se usarem, a legitimidade democrática até que a ditadura seja melhor que a democracia, por melhor servir os propósitos. Ou seja, com a democracia quando se ganha, sem a democracia quando se perde.

 

Publicado por João Tunes às 15:57
Link do post | Comentar
Domingo, 2 de Dezembro de 2007

CIMEIRA

0027e9te

 

Concordo, Luís. A cimeira UE-África tem tudo para se parecer com um encontro social entre gente fina e de boas famílias e maneiras com um grupo de pessoas de péssimo porte. Mas com o Natal à porta, até que nem parece mal. Dá para absolver do tanto tempo em que os europeus andaram por África a ensinar-lhes serem patifes. Aturá-los agora é o mínimo que nos podiam pedir.

Publicado por João Tunes às 12:50
Link do post | Comentar
Sábado, 1 de Dezembro de 2007

QUANDO A GUERRA CORREU MAL, MUITO MAL

0027dt04

 

Um dos episódios mais dramáticos que o absurdo da guerra colonial implicou, em preço de sangue e emoção, para as Forças Armadas portuguesas, foi o massacre de quatro oficiais portugueses e três guineenses ao serviço do exército colonial, ocorrido junto ao quartel do Pelundo no centro-norte da Guiné, em Abril de 1970. Não pelo número de baixas, pois houve combates com muitas mais vítimas do lado português, mas por quatro ordens de razões: o número de oficiais superiores entre as vítimas; a “qualidade militar” dos três majores (faziam parte da elite do corpo de oficias sob comando de Spínola e contavam-se entre os melhores especialistas militares em contra-guerrilha); terem sido assassinados não só com requintes de crueldade como se encontravam desarmados; o “volte-face” que representou esta acção do PAIGC (a missão destinava-se a receber a rendição de forças do PAIGC e era o culminar de longas negociações e de acção de aliciamento) em que uma prevista rendição de guerrilheiros se transformou num golpe profundo que liquidou três oficiais portugueses de elite e acentuou o caminho para a “guerra total”.

 

Aqui acaba de ser editado o relatório militar secreto da força operacional que fez a recolha dos corpos dos massacrados e que saiu do quartel do Pelundo em acção militar desencadeada após tardar o regresso da força que ia receber a rendição da força do PAIGC (e para a qual se previa a sua integração no exército português). Trata-se de um documento de grande importância no esclarecimento sobre as partes dramáticas vividas na guerra colonial, incidindo sobre um dos seus episódios mais traumáticos. De consulta obrigatória para os interessados em saber “como elas mordiam”, mesmo quando a miragem de uma grande ou pequena vitória parecia estar frente aos olhos.

 

[Na minha comissão militar na guerra da Guiné, conheci e fiz amizade pessoal com os três majores massacrados, todos inteligentíssimos, destemidos, cultos e de formação humana excepcional, sendo o mais brilhante entre eles (Passos Ramos), o que acrescenta absurdo ao acontecido, um militar que era contra a ditadura e a guerra colonial. Em tempos idos, dediquei-lhes este post.]

 

Imagem: os quatro oficiais portugueses massacrados perto de Pelundo (da autoria de Afonso M. F. Sousa e copiada do post para que se faz remissão).

Publicado por João Tunes às 16:48
Link do post | Comentar
liuxiaobo.jpg

j.tunes@sapo.pt


. 4 seguidores

João Tunes

Pesquisar neste blog

Maio 2015

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

Posts recentes

Nas cavernas da arqueolog...

O eterno Rossellini.

Um esforço desamparado

Pelas entranhas pútridas ...

O hino

Sartre & Beauvoir, Beauvo...

Os últimos anos de Sartre...

Muito talento em obra pós...

Feminismo e livros

Viajando pela agonia do c...

Arquivos

Maio 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Junho 2013

Março 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Junho 2012

Maio 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Outubro 2006

Setembro 2006

Agosto 2006

Julho 2006

Junho 2006

Maio 2006

Abril 2006

Março 2006

Fevereiro 2006

Janeiro 2006

Dezembro 2005

Novembro 2005

Outubro 2005

Setembro 2005

Agosto 2005

Julho 2005

Junho 2005

Maio 2005

Abril 2005

Março 2005

Fevereiro 2005

Janeiro 2005

Dezembro 2004

Novembro 2004

Outubro 2004

Setembro 2004

Agosto 2004

Julho 2004

Junho 2004

Maio 2004

Abril 2004

Março 2004

Fevereiro 2004

Links:

blogs SAPO