Segunda-feira, 27 de Agosto de 2007

MARX, O PRÉ-FUKUYAMA?

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É mais que um post, portanto para ler quando houver vagares depois das pressas com mudanças no ecran:

 

Nada na História ou na realidade empírica (…) permite fundamentar a concepção marxista da revolução social, nem que as revoluções políticas e ideológicas que culminam as lentas revoluções económicas sejam protagonizadas pela classe explorada de um determinado modo de produção social. Nem os escravos nem os servos foram os protagonistas das revoluções sociais que terminaram com a escravatura e com a servidão. A História tem mostrado que as revoluções políticas e ideológicas são protagonizadas por novas classes sociais exploradoras, que emergem pela instituição de novas relações de produção durante a longa revolução económica da produção social e que aspiram a conquistar o domínio político e ideológico para os adequar aos seus interesses e representações. A errada concepção marxista da revolução social, portanto, constitui uma forma de dar algum fundamento à profecia comunista proletária apresentada anos antes na proclamação panfletária, mas a História não permite conferir-lhe qualquer credibilidade. O único fundamento plausível para tal concepção é o voluntarismo, o desejo de que assim venha a ocorrer, como forma de acabar com a imoralidade da inumanidade total que a exploração constitui. Neste sentido, a crença na profecia marxista é mera crença pela fé numa verdade previamente revelada. Ironicamente, o próprio Marx rejeitava o voluntarismo e a crítica das concepções burguesas da realidade baseada na moral; acreditava que as suas predições tinham um cunho científico válido, e que o socialismo que proclamava se distinguia do socialismo utópico ou idealista por ser um socialismo científico. Destituídas de qualquer validade científica, resta às concepções marxistas fundamentarem-se no voluntarismo idealista.

A parte científica da obra de Marx, porque baseada em premissas erradas e em argumentação inválida, contendo grosseiros erros lógicos, está eivada de concepções falsas, proporcionando explicações invertidas da realidade social. Aquelas concepções, durante longo tempo aceites como conhecimento válido, não passam de representações falseadas da realidade social, em que esta é concebida duma forma invertida e os efeitos são confundidos com as causas dos fenómenos. Devido à complexidade dos temas e à aparente fecundidade dos conceitos, a sua obra não foi objecto de crítica exaustiva; os adversários limitaram-se a rejeitá-la, enquanto os adeptos a abraçaram. Deste modo, até hoje, o marxismo tem sido combatido no campo político, quer ao nível da profecia idealista, quer ao nível dos resultados da sua aplicação prática. A disputa tem estado situada ao nível das opiniões, onde nenhuma conclusão válida é possível. A demonstração da falácia do marxismo, porém, só será possível através da crítica teórica das suas erradas concepções. Infelizmente, a crítica teórica do marxismo é alvo de muitas e variadas incompreensões, oriundas quer dos ideólogos burgueses, quer dos ideólogos comunistas, encontrando-se entre dois fogos. É compreensível que assim seja. Por um lado, porque ela não legitima os discursos burgueses apologéticos do capitalismo, e, por outro lado, porque também não legitima os discursos apologéticos do comunismo, tentando desmistificá-los a ambos. A crítica teórica das concepções marxistas permite compreender melhor a realidade social e demonstrar as inconsistências dos discursos apologéticos, tanto do capitalismo como do comunismo, mas não constitui a chave para a adivinhação do futuro, que é coisa que os actores sociais vão construindo no presente sem a consciência de o estarem fazendo.

Os adeptos marxistas, sejam militantes ou ex-militantes dos partidos comunistas, sejam simples simpatizantes ou companheiros de jornada dos comunistas, continuam apegados à profecia idealista do comunismo proletário como necessário sucessor do capitalismo. As suas posições políticas derivam dum exacerbado espírito crítico em relação à exploração e às desigualdades de toda a ordem geradas pelos regimes capitalistas, como se fossem caso único ou o mais pérfido da História, e na crença, pela fé, de que o comunismo constitui um ideal humanista susceptível de acabar com semelhantes iniquidades. Persistem em tais crenças apesar da falência da generalidade dos regimes comunistas e da evidência das atrocidades que todos cometeram, que mostraram sem margem para dúvidas a incapacidade do comunismo para se constituir como alternativa económico-social do capitalismo. Continuam iludindo-se que com a reforma cosmética das velhas igrejas — os partidos leninistas de revolucionários profissionais, auto-proclamados vanguardas iluminadas para a condução das massas ignaras na insurreição vitoriosa e, depois, na edificação da nova sociedade — o comunismo reeditado estará ao abrigo dos chamados erros e desvios que conduziram à sua derrocada generalizada. Apesar de se orientarem pela mesma ideologia e de continuarem apegados à mesma concepção totalitária da organização social que despreza a liberdade individual, os adeptos querem fazer-nos crer que também eles são outras pessoas, que aprenderam com os erros que outros cometeram, e que a sociedade que propõem constitui a verdadeira e legítima alternativa ao capitalismo. Como todos os fiéis devotos, têm plena legitimidade para continuarem a iludir-se, mas não podem pedir-nos que acreditemos em semelhantes trapaças.

Existem variadíssimos tipos de adeptos, uns mais crentes, outros mais enduvidados, e outros que tendo abandonado as igrejas permanecem orgulhosos do seu passado e mantêm ainda a esperança na construção de uma alternativa ao capitalismo. Alguns destes últimos, quando criticados por permanecerem orgulhosos dum passado de militância comunista que não deveria constituir qualquer motivo de orgulho (a não ser em relação à actividade anti-fascista que alguns possam ter desenvolvido, mas até esta maculada pelo sectarismo e pela hipocrisia que desde sempre caracterizou a acção dos comunistas) desempenham o papel de vítimas ofendidas. Confundem a inutilidade da crítica do passado pessoal, porque é injusto julgar as pessoas pelo que foram sendo, com a legitimidade da crítica do que em cada momento do presente persistem aprovando do seu passado. Atitude oportunista, que pretende aproveitar o que de bom teria tido o passado de comunistas sem arcarem com a penalização que a actividade comunista acarreta no presente, e reveladora de que o seu corte com o comunismo ainda não foi efectuado. Uns migraram para a integração na social-democracia à moda do Mário Soares — um dito socialismo democrático, que nem o próprio Soares sabe o que seja, e que não passou de rótulo distintivo face à social-democracia reformista com raízes numa forte ligação ao movimento sindical, adoptado por um político vaidoso e ambicioso, sem qualquer ligação ao movimento operário, mas imbuído de um velho complexo de inferioridade, real e bem notório, em relação ao invejado rival Álvaro Cunhal — e colheram os louros da representação parlamentar; outros acolheram-se à representação parlamentar desse albergue espanhol do comunismo de passado apagado e de futuro branqueado, que dá pelo nome de Bloco de Esquerda, e continuam apostados em renovar o comunismo; outros, ainda, mantêm-se numa situação de independência ou de companheiros de jornada ocasionais. Todos eles saíram da igreja por uma qualquer desavença táctica, metodológica ou organizativa, ou por divergência menor em relação à cartilha, mas continuam crentes na profecia messiânica do socialismo marxista e na sua pseudo validade científica.

Entre nós, resta um pequeno grupo de adeptos, não sei se abarcando mais do que os membros de um casal, que desenvolve uma meritória actividade mantendo na Internet, há vários anos, um fórum de discussão. Também eles são ex-militantes comunistas, depois fundadores do grupo dos que pretendem renovar o comunismo, do qual parece se terem ido afastando. Ao que se conhece das suas posições, foram críticos dos regimes comunistas sendo ainda militantes no activo, não aceitando que aqueles regimes pudessem estar construindo o comunismo partindo duma base económica atrasada. (…) admitem que algumas concepções marxistas podem estar erradas, mas apenas admitem, sem que se conheça qualquer sua crítica fundada. Distinguem-se também por criticarem os que persistem acreditando na revolução política comunista proletária e que concebem a instauração de novas relações de produção a partir da superstrutura, do aparelho do Estado. Mantêm-se apegados a uma concepção idealista e voluntarista da transformação social, propugnando a necessidade de se estabelecerem novas relações de produção, as quais tornariam possível a almejada revolução política. Incompreensivelmente, ainda não se aperceberam de que o estabelecimento de novas relações de produção não ocorre por qualquer idealismo voluntarista empenhado em transformar o Mundo, mas pelo egoísmo prático dos actores sociais ao aproveitarem as oportunidades que possam ir surgindo na realidade empírica e que mostrem capacidade para se desenvolverem.

A exploração de umas classes sociais por outras é uma constante das sociedades produtoras, e tem uma História já bem antiga. E se a História não é mais do que a narrativa e a interpretação das lutas das classes, sendo o comunismo uma sociedade sem classes, logo, sem lutas de classes, a instauração da sociedade comunista constituiria o fim da História. Com base naquele desejo, legítimo e humanitário, Marx anunciou o fim da História muito antes do que Francis Fukuyama o fizesse. Apesar de tão peremptórias predições, parece que a História terá ainda um longo futuro pela frente.

Publicado por João Tunes às 12:18
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Sábado, 25 de Agosto de 2007

CULTURA EM LUTO

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Concordando-se ou não com algumas das suas opiniões, as quais correram sempre o risco da frontalidade, Eduardo Prado Coelho foi uma figura marcante da cultura portuguesa. Em que deixou marca impressiva pela persistência em exigir sempre, em tudo, o primado da qualidade.  

 

Calhou que o meu gosto pela leitura e pela escrita se tivesse desenvolvido, nos nossos anos muito verdes do despertar da década de 60, na tertúlia que Mário Castrim alimentou no “Diário de Lisboa – Juvenil”, um suplemento do vespertino já desaparecido com o objectivo de motivar os jovens para a escrita e espevitar novos talentos literários (alguns aí apareceram e por aí andam em escrita realizada). Ali conheci o Eduardo Prado Coelho e com ele convivi. Nunca passámos, em contacto pessoal, desse encontro nesses tempos verdes. Mas lê-lo alimentava-me o hábito de beber o café da manhã. Encontrei-o, não há muito, na sessão de lançamento público do livro sobre a campanha de Manuel Alegre (em que ele, como eu, fora apoiante empenhado), parecendo-me transfigurado pela doença e por marcas precoces da (nossa, a mesma) idade. Julgava-o, no entanto, em recuperação da doença grave que lhe batera à porta. Não contava que, hoje, com a sua perda, a cultura portuguesa ficasse com mais um luto a pesar-nos, pela perda de Eduardo Prado Coelho.

Publicado por João Tunes às 12:32
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Quinta-feira, 23 de Agosto de 2007

AINDA O MILHO E OS EXPLORADORES DOS MEDOS

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O assunto parece gasto mas julgo que a discussão sobre o essencial apenas começou. A questão dos transgénicos necessita mesmo de ser debatida. Caso contrário, sobra, na opinião pública, uma luta entre preceitos e preconceitos, tudo à molhada. E as demagogias adoram estas confusões.

 

Se há um quadro legal que já permite a cultura de vegetais transgénicos em certas condições, decerto a fundamentação do seu suporte passou ao lado da opinião pública, atendendo ao impacto conseguido pela história da selvajaria no campo de milho de Silves. Que teve dois efeitos conexos: a condenação dos “ecovândalos”, a par do avolumar do nojo e medo pelos produtos transgénicos (o que, objectivamente, constituiu uma vitória dos “eufémios” e do Bloco, ambos com motivo para dar graças pela mediatização do assunto). Sendo assim, o Ministério da Agricultura deve dar todos os esclarecimentos que se impõem e a comunidade científica deve-nos proporcionar o máximo debate contraditório. João Vasconcelos Costa, cientista no ramo da biologia molecular e estudioso da transgenia, já deu, na blogosfera, o seu contributo para este peditório. Venham outros, de preferência divergentes. Ou seja, menos algazarra, menos pânicos, mais argumentos, mais fundamentos. Pela minha parte, estou mais para ler e ouvir que para sentenciar.

 

A ”confusão transgénica” e o desencadear dos nojos e receios empolados (muito do que se esgrimiu contra é do domínio do apocalíptico) - e sobre isso Louçã foi claro na entrevista televisiva a Mário Crespo -, tem uma marca de ódio político pré-determinado: o “combate às multinacionais” (no caso, o alvo focalizado é a “Monsanto”). Ora, este constrangimento diabolizante é o primeiro elemento para perda de tino no debate a fazer, inquinando-o pela politização da moda anti-globalização. É antiga a fortíssima presença das multinacionais na indústria e comércio agro-alimentares e muito anteriores à implementação das técnicas de modificação genética na produção de cereais. Como é um facto que os transgénicos estão já correntemente incorporados sem lugar a escândalo. Há quantos anos se usam, por todo o mundo, produtos da Nestlé e da Kellogs, entre muitos e muitos outros? E os anti-Monsanto preferem dar lucros à Bayer para que esta multinacional químico-farmacêutica continue a vender em barda, com efeitos terríveis na contaminação dos solos, os seus agro-químicos? E toda a súbita legião anti-Monsanto, porque é contra as multinacionais, não anda de automóvel, se usa não mete gasolina, não toma flocos nem yogurtes, não compra nada na Zara nem envergou uma t-shirt da Nike, recusa-se a tomar qualquer medicamento, não lava os dentes nem se ensaboa no banho, não come pão (os fermentos vêm de multinacionais) e não é consumidor da dietética soja (maioritariamente já produzida como espécie transgénica)?    

 

A demagogia e o ódio político selectivo que fiquem à porta. Venha o debate.

Publicado por João Tunes às 17:15
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SUCESSOS E DERROTAS DA TRANSGENIA

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O “gato” Ricardo Araújo Pereira, na “Visão” de hoje, sobre a transgenia no reino animal (disponível on-line apenas por assinatura):

 

“Protestar contra os transgénicos destruindo a plantação de um desgraçado é tão inteligente como ir a uma estrebaria espancar uma mula. Digo mula porque, sendo produto do amor entre um cavalo e um burro, acaba por ser um bicho transgénico. (Curioso: andam os cientistas a investir em formação superior para conseguir misturar genes de espécies diferentes, e um cavalo e uma burra sem frequência do ensino secundário conseguem fazê-lo em dez minutos. Por outro lado, há um mito bastante persistente segundo o qual um bom número de pastores tem tentado, ao longo da História, a transgenia, mas sem sucessos registados. Alguma ciência aquilo deve ter.)”

Publicado por João Tunes às 16:21
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MURO, O “RECURSO POSSÍVEL”

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Hoje, ainda, Correia da Fonseca teima em justificar o Muro de Berlim:

 

Berlim era, pois, a um tempo, canal de hemorragia e via de livre infecção, e isto em plena situação do que se chamou Guerra Fria. Para estancar a hemorragia e travar a infecção foi erguida uma barreira que permitisse controlar entradas e saídas. Ficou conhecida como o Muro de Berlim e foi levantada a 13 de Agosto de 61. Para assinalar a data, o canal «História», distribuído por cabo, transmitiu um documentário que foi, no plano da televisão, um bom exemplo do que é a História quando escrita pelos vencedores. Ali nunca sequer foi aflorado que o Muro foi o recurso possível para que um Estado internacionalmente reconhecido, a República Democrática Alemã, pudesse defender-se de uma permanente invasão «branca» e de um constante fluxo de emigração ilegal. Recorde-se que aquele não era o tempo da livre circulação através das fronteiras, como hoje acontece em grande parte da Europa: quem quisesse passar ilegalmente a fronteira entre a Itália e a Áustria, ou entre Portugal e Espanha, ou entre Espanha e França, corria o risco imediato de ser alvejado a tiro. Como se sabe. É certo que a divisão da Alemanha em duas era especialmente penoso, sobretudo no interior de Berlim, mas recorde-se que a Alemanha una ainda não tinha em 1961 (ou em 45, data da divisão factual) um século de existência: a Alemanha unificada e «moderna» nasceu em 1871. É claro que nada disto foi dito no documentário transmitido pelo «História»: ali só houve soldados da RDA muito maus, ânsia de liberdade por parte dos que sonhavam trocar a segurança sem abundância pelo mito dos consumos fáceis e baratos. Foi a História à moda de Washington. A que está em uso. Até um dia.

Publicado por João Tunes às 12:11
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LUTA DE CLASSES PELA VIA CONSTITUCIONAL BOLIVARIANA

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Explica o “Avante”:

 

 

O conjunto de transformações introduzidas revela de que lado da luta de classes se continua a colocar o executivo liderado por Hugo Chavez, mas o primeiro argumento de ataque da oposição interna e externa ao presidente e ao movimento bolivariano faz-se, não pelo cerco apertado à propriedade e privilégios do grande capital e seus serventuários, mas pela proposta de modificação do tempo de duração e renovação do mandato presidencial.
A campanha com acusações de despotismo e falta de democracia não é virgem desde que Chavez assumiu o cargo, e nem sequer importa se o ex-oficial do exército é o presidente mais vezes sujeito a sufrágio popular na última década. A linha orientadora dos dinamizadores do golpe de Estado contra-revolucionário e de diversas acções de boicote nos últimos anos volta a ser a passagem do mandato presidencial de um período de seis para sete anos e o fim da limitação do número de vezes que um cidadão pode exercer a responsabilidade máxima do país.
A isto Chavez respondeu não apenas que a proposta é conhecida por todos há um ano - quando em Agosto de 2006 formalizou a sua candidatura à presidência que viria a ganhar confortavelmente em Dezembro -, como também que ela se enquadra num regime democrático baseado na participação quotidiana, organizada e esclarecida dos venezuelanos, ou seja, que tem como pressuposto que o povo é soberano sobre o poder a qualquer momento da legislatura.

Publicado por João Tunes às 11:52
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OS FESTIVAIS

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“Em primeiro lugar, esta iniciativa é uma forma de reforçar os festivais. Hoje – quando as contradições do capitalismo se acentuam, quando as condições de vida pioram e quando a agressão imperialista se agrava –, estas actividades têm uma importância muito grande como resposta das organizações de resistência, de luta e de transformação.””

(…)

“Os festivais são a maior iniciativa de massas de juventude, em termos de eventos político-culturais, no mundo. O encontro das organizações permite aprofundar o conhecimento e a troca de expressão de solidariedade contra a guerra e contra o imperialismo. O movimento dos festivais tem, de facto, um papel fundamental na luta pela paz. Muitas vezes, a própria localização do festival é inseparável da expressão da solidariedade com aqueles países. Basta ver o 16.º Festival, realizado na Venezuela, um acto solidário com a revolução bolivariana. Todo o processo preparatório que antecipa o festival nos vários países permite também a solidariedade e a luta pela paz no mundo.”

(…)

“O último festival foi, de facto, um grande reforço do movimento dos festivais, pela expressão de massas, pela organização e pela declaração política final. Esta iniciativa de comemoração dos 60 anos materializa a continuação e o reforço do movimento dos festivais. Será feito um balanço da aplicação prática da declaração política, mas também da declaração política da Assembleia Geral da FMJD. De olhos postos no futuro, vamos também tratar da próxima edição do festival.”

(…)

“Houve uma reunião consultiva na Assembleia Geral da FMJD e vai haver uma reunião preparatória internacional na Venezuela. Por agora, não é possível adiantar muito. O facto de termos esta reunião preparatória tão pouco tempo depois da reunião consultiva é um passo enorme e mostra que estamos adiantados na discussão. O que sair daqui vai ser um grande avanço.”

(…)

“O festival não é uma iniciativa da federação, mas a federação está mandatada pelo Comité Internacional do Festival para pôr em prática as orientações e iniciar o processo de discussão da próxima edição. As iniciativas da federação são também uma materialização desta declaração. Do ponto de vista político, as discussões sobre educação, emprego e militarização que teremos neste encontro comemorativo permitirão avaliar como é que a declaração do festival está a ser posta em prática e como decorre a luta dos jovens em cada país.”

 

[da entrevista ao “Avante” dada por Carina Castro (dirigente da JCP, a Jota do PCP), antes de partir para Caracas, onde vai participar no 60º aniversário dos “Festivais Mundiais da Juventude e dos Estudantes”, organizados pela FMJD (Federação Mundial da Juventude Democrática)]

Publicado por João Tunes às 11:32
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Quarta-feira, 22 de Agosto de 2007

EUROPA DOS ANOS DE CHUMBO DA “ESTRATÉGIA DE TENSÃO”

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Um livro e um filme sobre os “anos de tensão” europeus nas décadas de 60 e 70, em que extrema-esquerda e extrema-direita, paralela ou cruzadamente, enveredaram pela conspiração, violência e crime, motivaram uma excelente nota reconstituinte de Miguel Cardina sobre as malhas deste “polvo negro” e cujos tentáculos se estenderam a Portugal. De leitura útil, muito útil, sobretudo para as memórias fracas e as fracas memórias. Passo, com a devida vénia, um excerto-aperitivo para a versão integral:

 

Sob a cobertura de uma agência noticiosa com o nome de Aginter Press, escondia-se uma estrutura que, cumpria serviços de espionagem e contra-subversão em ligação directa com os serviços secretos portugueses. Havia sido criada em 1966 por Guérin Sérac – um antigo militante da francesa OAS, conhecida pelo modo particularmente cruel como agiu durante a guerra da Argélia – e que em Portugal seria instrutor da Legião Portuguesa e da unidade anti-guerrilha do exército. Aginter albergava ainda a organização político-militar Ordem e Tradição que dispunha de um grupo clandestino destinado – segundo uma definição própria – a «intervir em qualquer parte do mundo para enfrentar as graves ameaças comunistas». Com uma rede de informadores espalhada pela Europa, Aginter ministrava, em Portugal, cursos técnicos em campos de treino disponibilizados pela PIDE e pela Legião Portuguesa, proporcionando, em troca, acções em países africanos. O assassinato do líder independentista moçambicano Eduardo Mondlane terá sido uma delas.

A Aginter financiara e preparara, em Itália, o terrorismo de direita ocorrido especialmente entre 1969 e 1974 no âmbito da referida «estratégia de tensão», que, em última análise, deveria levar a uma «situação de antipatia perante os governos e os partidos» que culminaria num golpe de estado de cunho nacionalista. Nesta altura, um documento da organização estipula ainda a vantagem de infiltração nos grupos da extrema-esquerda. O Partido Comunista Suíço (Marxista-Leninista), editor do jornal L’Etincelle, terá sido um desses colectivos que mantivera uma ligação estreita com Aginter. Outro caso terá sido a estranha conversão à retórica maoista de uma série de destacados militantes neofascistas italianos – como Mario Merlino e Stefano Delle Chiaie – após uma viagem à Grécia dos Coronéis, onde ocorreu uma reunião de quadros. Com dificuldades de penetrar no território filo-chinês, infiltram-se em organizações anarquistas. O primeiro cria o Círculo 22 de Março e terá sido ele a colocar as bombas em Roma, abrindo espaço à incriminação do grupo. Em Milão, as bombas terão sido colocadas por Delfo Zorzo, militante da secção veneziana de Ordem Nova.

Com o 25 de Abril, Guerin Sérac e os seus colegas refugiam-se em Espanha onde procuram manter vivo o seu objectivo. Nos primeiros anos da década de 1970, Espanha é, aliás, o refúgio de quase todos os italianos implicados na «estratégia da tensão». Recomposta a central neofascista – alimentada agora de agentes policiais dos recém-caídos governos de Portugal e Grécia – dedicam-se, entre outros projectos, à criação de um grupo anti-ETA. Em Fevereiro de 1975, agentes do MFA observam uma reunião do ELP, na qual se encontra Guerin Sérac e alguns portugueses ligados aos ambientes da extrema-direita política e militar. Um mês mais tarde, Eurico Corvacho, em nome do MFA, dava uma conferência de imprensa onde ligava o ELP ao golpe de estado falhado de Spínola, a 11 de Março, e revelava, baseando-se em documentos apreendidos, que a organização se preparava para realizar actos de desestabilização e sabotagem, entre os quais se incluiriam raptos e execuções de expoentes do MFA e de movimentos de esquerda ou interferências com a imagem de Nossa Senhora de Fátima nos discursos de Vasco Gonçalves e Costa Gomes. Nos anos seguintes, Sérac e o seu grupo iriam ainda actuar activamente em Angola, Argélia e Espanha.

Publicado por João Tunes às 21:58
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O VOTO COMO ARMA CONTRA A BURGUESIA

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Quando o Marechal José votava nas eleições da verdadeira democracia, a aliviada de burgueses, cismáticos e outros indivíduos carregados de dúvidas, hesitações e questões.

Publicado por João Tunes às 12:25
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VER SE CHOVE

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Quando em Espanha (igual em Portugal, Itália e Alemanha), os senhores do mando assomavam às varandas do poder para verificarem se chovia fora.

 

(Foto inserida no site de El Pais)

Publicado por João Tunes às 11:57
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Terça-feira, 21 de Agosto de 2007

CADA QUAL COM SEU PRECEITO

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Queixa-se o Marcelo Ribeiro que poucos dos seus leitores lhe escrevem. E, como acicate, plantou uma foto sua (a acima copiada), repimpado numa praia galega, em pose de distracção de leitura por, como o letrado à vista do cigano, ter um olho no livro e outro no enquadramento da objectiva. Pela estima que por ele nutro, sendo leitor compulsivo dos seus frescos escritos onde a fina e certeira ironia nunca dá nota de ausência, aqui estou a reparar a minha interrupção em pontuais mails de uma estimulante conversa que em tempos tecemos e em que nos demos um pouco a conhecer (ou a reconhecer?). Aqui vai.

 

Caro amigo Marcelo,

 

Muito folgo em o saber de volta e inspirado após as suas “férias galegas”. E tão folgado regressou que se deu logo ao trabalho de repor a escrita em dia.

 

Sem grande assunto de política para tratar, e assim alimentar o vício comum de a discutir (pois quanto a militâncias, o vento as levou), dei-me a cismar, pela foto sua que connosco partilhou, sobre a diversidade humana nos preceitos. É que, na parte que me toca, sendo velha aptidão minha o conseguir ler e dormir em qualquer circunstância ou condição, o último lugar onde consigo (conseguia) ler é exactamente na praia. Pela mistura com areia varrida pelo vento, pelo comichão do banho salgado a arranhar a pele, pela luz crua e demasiado forte que parece diluir as letras impressas, pelo risco do impacto da bola fugida de um pé futebolisticamente inapto e pelos gritos de mães zangadas com as criancinhas rebeldes. Mas, sobretudo, porque a concentração num livro não joga com o apelo do mar. Pois, por ser viciado na leitura e não conseguindo ler na praia, é que, por mor de padecer de uma maleita que me impede a exposição ao sol e a praia me ser interdita entre o nascer e o pôr do sol, vi alegremente certificada perante a família e os amigos a alergia que me dispensa da obrigação social de lhes fazer companhia nas idas à praia. E a isso devo o ganho de umas excelentes e proveitosas horas de leitura no preceito melhor para isso que é o sossego do silêncio e da solidão (que, infelizmente, dura enquanto dura o Verão). Assim, muito grato ficaria se me desse a conhecer o seu segredo na demonstrada capacidade sua de ler, com proveito, entalado entre uma cadeirinha e um chapéu de sol e ao som da brisa e de outros barulhos colaterais, com o mar a puxar os pés. Será por ajuda do arrepio provocado pela temperatura baixinha das águas nortenhas das praias galegas?

 

Abraço deste seu amigo e admirador.

 

Deserto da Margem Sul, Agosto de 2007

 

(assinado)

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Adenda: Claro que não fiquei sem resposta.

Publicado por João Tunes às 16:41
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PARA NÃO SE FALAR SEM SE SABER DO QUE SE FALA (ou se destrói)

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Para os que não invocam o direito à ignorância, mesmo quando santa, leia-se o que um blogger professor de biologia molecular escreveu sobre os agora famosos transgénicos.

Publicado por João Tunes às 15:37
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CONTRIBUTO

Uma oferta para ilustrar a exposição sobre “a Revolução de Outubro e os feitos e maravilhas do socialismo real” da próxima “Festa do Avante”:

 

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[1939: um oficial soviético e dois camaradas de armas nazis, no âmbito do pacto Hitler-Estaline, acertam pormenores sobre a partilha da Polónia invadida – a ocidente pela Alemanha nazi e a oriente pela URSS (que, na passada, aproveitou para engolir três nações bálticas: Letónia, Lituânia e Estónia)– e repartida entre dois totalitarismos então amigos]

Publicado por João Tunes às 12:34
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COISAS QUE JARDIM SABE SOBRE DEBOCHE

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«Querer o casamento de homossexuais e tudo isso que o Governo socialista prepara, essas não são causas, são deboche, são degradação, é pôr termo aos valores que, nós, portugueses, a nossa alma nacional, tem desde o berço e que os nossos pais nos ensinaram»

(daqui)

 

Por este andar, o homem ainda nos vai contar a história da pedofilia na Madeira e suas tradições.

Publicado por João Tunes às 11:43
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BEIRA COLONIAL (2)

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Ainda sobre a reportagem da RTP 1 sobre a Beira (Moçambique) e o seu decrépito Grande Hotel:

 

1) Um suspiro (de tristeza):

Foi, pois foi. Uma tristeza sem fim… Enquanto jantávamos estivemos a assistir ao programa na RTP1 sobre a Beira, em Moçambique. Ai... que coisinha má... que desassossego e não poderia ser de outra maneira. Aquilo virou tristeza e... em tempos era a alegria. A vida muda, de facto... e por vezes mais do que algum dia poderíamos pensar...

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2) Segundo suspiro (chocado):

Arranca a reportagem e... «Começou mal, pois para gerir o hotel foi contratado o dono de uma pensão com seis quartos em Trás- Os-Montes: logo no primeiro ano houve um desfalque». As mães de Bragança não se indignarão?
(Mas é chocante a forma como tudo aquilo foi reduzido a escombros... habitados. E a Beira não era propriamente um povoado perdido na mata...)

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3) Voltando à “vaca fria”:

Visitei a Beira há quatro anos e levaram-me a ver (por fora) o degradado Grande Hotel (onde "viverão" 1.000 pessoas!). Como vi onde se ergueu uma réplica do "Moulin Rouge", espantei-me com um largo onde pontifica uma enorme estátua de homenagem à Coca Cola, admirei a bonita Igreja de Macuti e circulei pela zona comercial e habitacional, pejada de indianos e paquistaneses (que praticamente controlam todo o comércio formal). É uma cidade degradada (como é Tete e parte de Maputo, sendo excepção a relativamente bem conservada Chimoio, entre as cidades onde estive) e com marca de decadência que parece irreversível. A pujança da antiga Beira estava ligada (a cidade é "artificial" pois foi roubada aos pântanos e é amparada por diques) ao porto a servir a linha de escoamento, por via ferroviária, do minério das colónias britânicas fronteiriças e seu fornecimento de petróleo. E, sendo um feudo de Jardim (ele localizou lá uma fábrica da Lusalite que dirigia), o cônsul colonial puxava pela valorização da cidade e pelo bairrismo local, numa espécie de "disputa Porto-Lisboa" com Lourenço Marques. Com a independência, depois a guerra civil, a inoperacionalidade da linha férrea e o assoreamento do porto, Beira restou como uma cidade aparentemente inútil. Como não entender, enquadrando, o estado degradado e superpovoado do antigo Grande Hotel? E, no fundo, os habitantes daquelas ruínas nem vivem pior que na periferia do caniço. E o facto de a Beira votar maioritariamente Renamo (a Câmara é dominada por este partido) face a Maputo frelimista também não ajudará a que haja um consensual projecto de recuperação da cidade. Um meu amigo moçambicano (branco) nascido e criado na Beira, que me serviu de cicerone, recordava com mais saudade as aulas e convívio com Zeca Afonso (que lá foi professor do secundário) e a acção da igreja católica progressista (Bispo da Beira e Padres de Macuti), quanto ao resto perdido ou destruído limitava-se a encolher os ombros sem grandes sinais de indignação.

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4) E a lucidez de quem viveu a Beira suspirada:

A Beira vai fazer 100 Anos, a Beira fez 100 Anos, e parece que o Grande Hotel da Beira passou a ser mais importante que a própria data secular da cidade. Parece que o Grande Hotel marca a diferença entre a prosperidade do passado (sic!) e a Beira actual em ruínas devido ser esta um centro anti-frelimo. O Grande Hotel em uma versão da Cidade da Lata vertical de Maputo pelas divergências da Renamo da Beira e a Frelimo de Maputo. Nisto tudo há uma certa lógica. O Grande Hotel do passado colonial é o mau exemplo de algumas das coisas que o colonialismo, levado até à segunda metade do Séc. XX debaixo do chicote da ditadura fascista, fez em terras moçambicanas, e o actual, ou o que sobra do mesmo, sendo o resultado do que há de mau de uma administração que não consegue resolver os problemas da miséria e das grandes diferenças sociais em pleno Séc. XXI.
Querer ver o Grande Hotel pelo ângulo saudosista é no mínimo um exercício masoquista ou não querer entender que ele nunca existiu a não ser na cabeça de alguns sonhadores, tenham sido eles arquitectos, engenheiros, usuários da sua bela piscina ou noivos.
(…)
O Grande Hotel da Beira não foi problema de saloios (no máximo, tanto quanto foram os do Hotel da Polana, da então LM) e nem por lá terem colocado um transmontano com experiência em administrar pensões. O problema (…) foi sim uma grande falta de estratégia e de planeamento.
A Beira serviu sempre muito bem para ter um belo porto e uma ferroviária para atender os países vizinhos, em especial a Rodésia. Já para o turismo, os bifes que lá chegavam eram mesmo para ficarem pelo camping do Macúti, e já vinham com os seus carros, e às vezes rolotes, abarrotados de mantimentos, pois nem para isso gastavam lá umas moedinhas para comprar nada nas mercearias locais, a não ser umas boas cervejinhas geladas nos bares. Alguns ainda ficavam no Motel Estoril e mais tarde no vizinho São Jorge.
O Turismo em Moçambique colónia ficava pela Gorongosa e por umas coutadas de caças, já que nestas últimas ainda não era politicamente errado matar a bicharada. Ou alguém ouvia falar muito mais do que isso no que se refere ao turismo de "importação"? O resto ficava pelo turismo interno e em cima de dicas de amigos, da propaganda de boca a boca, sem investimentos ou grandes incentivos do Estado.
O Grande Hotel foi sim uma megalomania "colonialista", sem avaliação da própria incompetência, - incompetência ou falta de interesse planeado -, no ramo turístico (não hoteleiro em si) onde o Hotel Polana de LM escapou por estar na capital da província onde tudo acontecia...o pouco que acontecia, convenhamos.

 

Imagem: A entrada do mercado da Beira (foto actual e copiada daqui)

Publicado por João Tunes às 11:13
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