Quinta-feira, 27 de Julho de 2006

ESCREVER NA SAGÁCIA DO SUBLIME

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Eu e a Drª Lolita temos ambos obrigação de saber quanto pudor de silêncio pactuado é preciso rasgar para se correr o risco de se tentar voltar a conversar. Que no caso, este caso, se resume apenas a um monólogo atrevido de (lhe) transcrever um dos melhores textos breves que justificam haver blogosfera:

 

“Se existisse um instrumento de precisão próprio para medir o ritmo da alma ao longo de uma vida, saberíamos muito provavelmente que são tantas as vezes que nos sentimos pais como as vezes em que nos sentimos filhos. E que é quando somos pais que mais nos percebemos filhos, sedentos do fervor paternal que procuramos quando desprotegidos; ou sossegados ao entrelaçar os dedos nos dedos de alguém que, de mão apertada e segura, nos assegura a estratégia que liberta para seguir a estrada sinuosa, de curvas e contracurvas incessantes até à náusea, contidos num passo atrás do outro - sempre amparados nos filhos que somos.”

 

Quem sabe se a Drª Lolita, ao menos desta vez "como se fosse a última", atendendo ao meu sincero tirar de chapéu, comigo não se amofine por lhe "atrapalhar o trâfego". O contrário seria prova que não é verdade que a esperança é a última a morrer mesmo quando caída na "contramão". Uff, obrigado nosso Chico pela boleia na fuga ao embaraço!

 

 

 

Publicado por João Tunes às 01:54
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A CULPA DIREITISTA DO DIFOSFATO DE CLOROQUINA

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Um dos muitos palermas com blogues abertos sem a auto-desejada audiência, com o vício da cobardia da clandestinidade coberta pela valentia do pseudónimo, cumpre a saga de tantos seus falhados parceiros – pintalga com sentenças radicais os blogues de outros. Os célebres e até os modestos (em que se inclui o meu que é tão tão modesto que dispensa sitemeter para não se envergonhar com a sua mísera “share”).

 

É caso, entre muitos casos, para tratamento de falha narcísica por padecimento de males na autoestima. Mas quem sofre e não se quer tratar, chateia outros. E nós outros, os que mostramos a cara e assinamos com o nome, não andamos cá para os aturar? Até certo ponto, sim. Se não passarem o ponto, é claro.

 

Pois um desses parvos acobardados, especializado (diz ele) em apanhar moscas, meteu detrito no meu post anterior sobre a nobre, valente e imortal manif de ontem frente à Embaixada de Israel. E lavrou condenação desta forma lapidar: será que a direita foi acometida de cretinice... doença para a qual ainda não há vacina?”. Fiquei chocado, mais que indignado, perante os retratos dos meus estimados pergaminhos de esquerda que tão árduos e penosos trâmites me custaram no corpo para os poder emoldurar. E um tipo, seja de direita, de esquerda ou do centro, se deita as molduras vividas todas para o lixo, fica feito o quê quando olha para o espelho da vida?

 

O primeiro impulso foi dar bofetada de silêncio como resposta ao palerma anonimado. Depois, fiquei a remoer sobre se ele, afinal, não teria a sua sábia razão de, nas minhas curvas e contracurvas, ao estar por Israel e pelos judeus [eu, que não sou nem judeu e muito menos israelita, apenas ateu graças a deus a tentar pensar pela única cabeça que tem em cima do pescoço], preferindo-os aos bombistas por Alá, merecer que ele me aponte o dedo (tratando-se de um jurado encapuçado e encartado em questões da linha geométrica-política de demarcação direita/esquerda), mostrando-me, como aviso, um cartão amarelo alaranjado perante o meu resvalar para a direita imperial e sionista. Porque, aprendi com a idade, para nos termos em atenção e boa postura na formatura, é melhor um vómito de um inimigo que um elogio de amigo. Pois pensei e repensei, revi tudo que Brecht ensinou sobre a técnica de distanciação, analisando-me e revendo-me, e afinal … dou-lhe razão. Só que a culpa não é minha. Ela cai toda, a cem por cem, no difosfato de cloroquina.

 

Resolvida a localização salvadora do meu químico-fármaco a funcionar como bode expiatório dos meus desvios políticos, passo a apresentar o resumo das razões cientificamente provadas (que me servem, no caso, ás mil maravilhas). Há um ror de tempo, tomo pastilhas de difosfato de cloroquina, entre os seis fármacos que o meu médico, atento ao evoluir desbragado da minha velhice, me manda ditatorialmente meter goelas abaixo sem falha de um único dia de folga. Só que, no caso gravoso do difosfato de cloroquina, os efeitos secundários avisados são os de perda de percepção da cor vermelha (!). Assim sendo, não querendo contrariar o saber médico do meu atilado clínico assistente, tenho de viver o que me resta de vida com a perda continuada da minha capacidade de distinguir o vermelho entre as demais cores. Como, entretanto, o meu benfiquismo não se queixou das doses de difosfato de cloroquina [muito pelo contrário e até porque já lavrei testamento a exigir a bandeira do Glorioso em cima da minha última cama a caminho do crematório], só posso deduzir que a progressão na minha aversão quimicamente provocada ao vermelho se concentra e esgota no meu resvalar político da esquerda para a direita, quiçá sem travar ao centro. Para mais, haverá coisa mais de direita que não ser contra as judiarias no Médio Oriente?

 

É isso. E obrigado ó “apanha-moscas” na clandestinidade. Mas nota bem, relata lá ao teu patrão Jerónimo, a culpa não é minha, é do difosfato de cloroquina! Se ele não sabe disso que consulte um camarada fármaco-químico. Mas se não quiser chegar a tanto, um qualquer médico também serve como consultor. Mesmo que seja da banda da direita sionista.

 

 

 

Publicado por João Tunes às 00:25
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Quarta-feira, 26 de Julho de 2006

JUDIARIAS, NUNCA MAIS?

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Há organizações que têm a capacidade de se multiplicarem como os pães do celebérrimo milagre. Quer dizer, multiplicar mesmo não se multiplicam de verdade, fazendo antes um jogo infindo de meter e tirar máscaras e mais máscaras para parecerem muitos. Pelo menos, muitos mais que aquilo que são na verdade. Obrigam é os devotados militantes a correrem de um lado para o outro, mudando de t-shirts e emblemas, assinando manifestos e convocatórias, umas vezes como assim, outras como cozido, mais outras como assado. Julgo que já enganam pouco e, por isso, não dão mal ao mundo. Mas o vício da demagogia na contumácia da arte tentada do engano, fica-lhes sempre mal.

 

Lendo a lista das organizações promotoras da manif anti-judaica de hoje frente à Embaixada de Israel, espanta-me o descaramento como o PCP e o BE se travestem de tantas mas mesmíssimas organizações com os mesmos controleiros. O PCP, então, aparece sob siglas tão diversas como: PCP (ele próprio), JCP (que, como se sabe, é a juventude do PêCê), Associação Portugal-Cuba, CPPC (herdeiro do defunto Conselho Mundial da Pax Soviética), CGTP, uma catrefa de Sindicatos filiados na … CGTP, etc, etc e etc. O que, pela multiplicidade, não disfarça a prisão ao sindroma da agonia de Stalin que, como é da história, na sua paranóia terminal, se dispôs a limpar tudo o que fosse judeu soviético, sobretudo se também comunista. Apesar, lembrem-se ó gentes, de o Estado de Israel ter sido reconhecido e admitido na ONU com o voto favorável soviético (outros tempos, outros tempos). Quanto aos bloco-trotsquistas, mais discretos mas não menos fracturantes, fica-lhes a nódoa de emparceirarem assim em injustiça de memória a um dos judeus mais célebres (e mais celerados) que, até há pouco, era seu patrono (São Leon Trotski). Depois, além do milagre da multiplicação das organizações anti-judaicas (perdão: antisionistas!), acrescem umas tantas personagens de fama e daquelas que nunca faltam á chamada, umas na banda “rosa choc”, outras na banda “vermelho chic”.

 

Claro que acho bem que se manifestem. Por quem sois. É da regra da democracia conviver democraticamente com o antisemitismo. Porque é praga de muitos séculos que levará (talvez) milénios a sarar. Por mim, gritem até e se quiserem: “Judiarias Nunca Mais! Bin Laden, Hamas e Hezbollah Sempre!”.  Só acharei que abusam se abusarem levando “estrelas amarelas de David” para tentarem coser aos fatos e vestidos dos funcionários e funcionárias da Embaixada de Israel. Desde que não passem esta linha limite, acho bem. Isto é: democrático. E tanto que aqui fica o cartaz-convocatória. Nem menos nem mais. E para quem gostar, ainda vai a tempo de apanhar o Metro até ao Saldanha. Mas, por favor, não acendam fogueiras. É que os gajos, os judeus, pelo que se vê, já não se deixam mansamente esturricar como carneiros. 

 

Publicado por João Tunes às 17:15
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Quinta-feira, 20 de Julho de 2006

QUEM SE METE COM ISRAEL, APANHA!

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“Quem se mete com Israel, apanha!” é, desde a construção do Estado de Israel, a máxima única e indiscutível da sua política de defesa-ataque perante os seus vizinhos. Sem vacilar perante os direitos humanos e o direito internacional (incluindo as resoluções da ONU), a compaixão perante as vítimas (incluindo as inocentes), as opiniões de inimigos e de amigos. De tal forma assim é que o Estado de Israel é essencialmente um Estado militarizado em permanência, fazendo da eficiência do seu poderio militar, mais a reconhecida eficácia dos seus serviços secretos, o principal suporte de sobrevivência enquanto Nação. Ou seja, por esta extremada e brutal natureza da sua filosofia de Estado, Israel pareceria que tinha todos os condimentos para ser um Estado autoritário e proto-fascista. E, no entanto, um paradoxo neste “estar de Israel” é que ele coexiste, portas dentro, com o pleno funcionamento de um sistema democrático, em constantes alternâncias políticas, sem notas gritantes de violações de direitos, liberdades e garantias. Com uma ressalva permanente - “Quem se mete com Israel, apanha!”.

 

Segundo os nossos padrões civilizacionais, mesmo a nossa cultura que venera as instituições, a brandura dos costumes, a arte da negociação e da retórica, o civilismo contra o domínio castrense, o primado do direito e da legalidade, a máxima israelita choca e repugna. Então, no “campo da esquerda”, prisioneiro dos velhos maniqueísmos entre explorados e exploradores, ricos e pobres, opressores e oprimidos, fortes e fracos, autoritários e democratas, imperialistas e libertadores, pombas e falcões, não há forma de a encaixar. E, no entanto, outro paradoxo, a sociedade israelita não só comporta uma forte corrente marxista, um Partido Comunista que já foi poderoso, pluralidade para todas as correntes de opiniões (inclusive a fortíssima corrente pacifista e defensora do diálogo e da harmonia com os vizinhos árabes) e em grande parte da sua existência tem sido governado, isoladamente ou em coligação, por um Partido que é membro proeminente da Internacional Socialista.  

 

Os israelitas sabem (e nós não sabemos?) que se abandonarem a sua máxima dogmática, sequer se vacilarem na aplicação agressiva da prática continuada de “dois olhos por cada olho, três dentes por cada dente”, desaparecem do mapa em três tempos perante a complacência ou a inanidade ocidental. Pois que o mundo islâmico radical, esse fundamentalismo que repugnamos e tememos mas não enfrentamos, os encara como um tumor maligno incrustado em terras suas. E, assim, um Estado que, em si mesmo, é uma sucessão de paradoxos, cria-nos este, agora nosso, paradoxo – reconhecemos-lhes o direito à sobrevivência e à defesa, negamos-lhe o direito a atacarem para se defenderem, choramos as suas vítimas como se eles, os israelitas, tivessem de ser condenados eternos, até à extinção judaica, caminhando ordeiramente pelos caminhos do Holocausto, imitando a vez que o fizeram levados, como um rebanho, pelos nazis. E o nó de todos os paradoxos israelitas é que eles, decididamente, teimam em não se deixarem extinguir. E, entretanto e para nós, só sobra a impotência dos indignados. Assim, como gostar de Israel? Mas eles pouco ralados com as nossas repugnâncias, defendem-se. Atacando. Ou, dito de outra forma, combatendo, por eles e por nós, de formas absolutamente condenáveis e terroristas, a frente fundamentalista islâmica apostada em transformar o mundo em terras e mares com Alá como Amo e Deus único e obrigatório, sem palmo para nele habitarem judeus, cristãos, muçulmanos tolerantes, ateus ou o quer que seja diferente. Assim, como não estar por um lado de que se não gosta?

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Nota: Este post transcreve um comentário de discordância que coloquei num post do meu amigo Raimundo Narciso do "Puxa Palavra" e que recomendo a sua leitura. Nada como o pluralismo...

Publicado por João Tunes às 17:05
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Quarta-feira, 19 de Julho de 2006

UM IR A ESPANHA

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Olá!

Pois é, amigo Carlos, pelo lido, foste a Espanha, ainda por cima à Andaluzia, mas não foste a “los toros”. Bem comparado, se cambiarmos a figura do touro bravo pela do pastor alemão, é como ir a Roma e não cumprimentar o Papa. E é também por isso, passar ao lado do mais genuíno na diferença de almas, que são infinitos os caminhos do chauvinismo. Mas, digo, deu-me imenso prazer ler a tua viva e sincera croniqueta de viagem que entendi como tendo dedicatória (e … touché!). Viajar é isso mesmo – comparar, relativizar, gostar, rejeitar, descobrir e depois regressar com gosto por voltar ao ninho, aos hábitos e à modorra. Desculpando, com valor acrescentado, esta castiça mediocridade lusitana. Nós, os portugueses, sempre gostámos imenso de sair, descobrir e achar para, ao cabo e ao resto, gozarmos o masoquismo de nos re-enfiarmos neste casulo eternamente provinciano, apertado e estreito, entre um Oceano e as várias e diferentes Espanhas. Foi assim com "os mares nunca antes navegados" que acabou na cena dos tarecos de volta, agora com a Europa - tão rica mas tão avarenta face à nossa sede insaciável de subsídios para lhe chegarmos aos calcanhares por via do esforço singelo de um milagre de Fátima. E, carpindo uma e outra frustação, lá vamos dando uns saltos até Espanha para alimentar o nosso eterno consolo de detestarmos os espanhóis, fingindo que não se trata nada de inveja, ora essa.

Olé!

 

Publicado por João Tunes às 16:20
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E O PESSIMISMO ENCHE BARRIGA?

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Mais uma vez, se calado, Marques Mendes falaria bem melhor. Sempre dava menos nas vistas a evidência da impotência oposicionista.

 

Publicado por João Tunes às 12:29
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NÃO BASTA OPRIMIR OS VIVOS?

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Há embaixadores sem vergonha na fala nem escrúpulos na propaganda. Um tal Pedro Donia, embaixador de Cuba na Guiné-Bissau, é um desses. Até um líder africano, Amílcar Cabral, assassinado há 33 anos, não escapa à manipulação no servilismo do culto por Fidel. Como se a opressão dos cubanos vivos não lhes bastasse, vá de instrumentalizar a memória sobre os mortos. [Agora, o marketing do “Che” já não lhes é suficiente?]

 

Diz a notícia:

 

«O embaixador de Cuba em Bissau afirmou que, se o fundador das nacionalidades cabo-verdiana e guineense, Amílcar Cabral, fosse vivo, estaria "com toda a certeza, a lutar contra o imperialismo" ao lado do presidente cubano, Fidel Castro.»

 

Perante o desaforo, acho que mereceu que se lhe respondesse assim.

 

Publicado por João Tunes às 11:46
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Terça-feira, 18 de Julho de 2006

HÁ 70 ANOS, MESMO AO NOSSO LADO

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Há 70 anos, as nuvens do ódio do fio das espadas e da cultura da metralha, em que se quis impor como cheiro oficial o do mofo das sacristias e das casernas acumulado pela falta de luz da liberdade, gritando-se morte à cultura e à democracia, em nome dos ricos e poderosos, do Fascismo e do Cristo Rei, o povo espanhol e o seu governo legitimamente eleito, a República Espanhola, assistiu espantada ao levantamento sedicioso de uma dúzia de generais levando Espanha, pelo ferro, pelo fogo e pelo crucifixo, para a escuridão só iluminada em 1975.

 

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Franco e os seus generais fascistas, aliados à Igreja Católica, aos mais ricos, aos mais estúpidos e mais beatos de Espanha, a Hitler, a Mussolini e a Salazar, em 18 de Julho de 1936, iniciaram o largar da metralha sobre a liberdade e a democracia. E venceram. Após três anos de guerra cruenta que ensanguentou Espanha, venceram. Nunca perdoando, até à agonia da “obra falanguista”, aos vencidos. Nem sequer aos caídos, os caídos em luta pela Espanha Livre. Que, passados 31 anos de regresso à democracia, continuam, às dezenas de milhar, insepultos e com os ossos espalhados nas valas comuns ladeando caminhos e estradas de Espanha, a Espanha que foi - tanto tempo, demasiado tempo - a do ódio e da crueldade católico-nacionalista de Franco.

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A ditadura de Franco trouxe ao salazarismo um novo élan de fanatismo radical, num processo de imitação, e acentuou, dessa forma, as nuvens do obscurantismo e intolerância sobre Portugal. Nessa onda de propagação da peste fascista, imitando Franco mais os mestres de ambos, Salazar procedeu ao clímax da fascistização do “Estado Novo” – criação da Legião e da Mocidade Portuguesa, a abertura do Campo do Tarrafal, o apertar dos garrotes da Censura e da PIDE. Enquanto em Espanha se caía de arma na mão na luta pela liberdade, os portugueses pagaram, também, um preço alto pela vizinhança e exemplo da saga diabólica de Francisco Franco de meter uma cruz cristianíssima na alma dos povos, apagando-lhes as aspirações à democracia, à liberdade e aos ideais republicanos. Essa "dívida" só foi saldada em Abril de 1974, quando a libertação portuguesa pregou um cagaço tamanho aos falanguistas herdeiros de Franco, que se apressaram à "transição" antes que a revolução lhes entrasse, como aqui, pelas portas dentro.

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A não esquecer. Perdoar, muito menos. Porque os crimes contra a humanidade e a liberdade nunca prescrevem. Ao menos, que aprendam, para sua higiene teológica e nossa higiene democrática, os tantos católicos com repulsa sincera pelo odioso fundamentalismo islâmico na sua faceta mais bestial e a quem Franco e o franquismo, como Salazar e o salazarismo-marcelismo, tanto ensinaram em ódio e em intolerância, no uso da bomba ao serviço da Fé.

Publicado por João Tunes às 16:37
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Sexta-feira, 14 de Julho de 2006

COM CALMINHA

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Talvez já se possa falar um pouquinho sobre o Mundial, sem destoar demasiado. Não muito, um pouquinho apenas. Porque destoar em plena euforia ou ressaca do unanimismo patriótico, é arriscado. Não que não se possa (era o que faltava!) mas pelo risco de se passar por intelectualóide elitista ou por parvo com nojo do povo. Mas indo com jeito, até já se pode voltar a falar de futebol, simplesmente. E distinguir quem joga bem e quem não joga, coisas assim de “treinadores de bancada”. Lá iremos, com calminha.

 

Assisti á semana televisiva da fase final do Mundial numa estância turística de sol-praia metido numa população que se renova por camadas e em que dominavam originários dos quatro países semi-finalistas (mais alemães e italianos, seguindo-se portugueses e franceses). Os portugueses, terceiros em número, mas os mais ridículos no uso intensivo de adereços pátrios, contavam com a cumplicidade hiper-activa do funcionalismo turístico (caboverdianos). Por cada jogo, uma competição de dois chauvinismos e duas xenofobias. Sem excepção nem melhorias. Tudo somado, deu, cultural e civicamente, quatro chauvinismos grupais e um número ainda maior de combinações xenófobas também colectivas. Não aproximou pessoas uma ponta de cabelo. No fim, cada um ficou mais agarrado à sua bandeira e desprezando mais a diferença. Celebrando sucessos ou bodes expiatórios. Neste aspecto, o saldo é repugnante. E, assim, até a Europa andou para trás. Nada que não passe, se houver calminha. 

Ah, é verdade, tenham todos um excelente fim-de-semana.  

Publicado por João Tunes às 15:45
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Quinta-feira, 13 de Julho de 2006

RELIGIÃO EM NÚMEROS

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Nada como investir no sector do Imobiliário. A seu tempo virá o retorno. E um bispo optimista a gerir as contas é meio caminho andado para o sucesso. O resto é uma questão de rentabilidade do negócio da fé.

Publicado por João Tunes às 15:15
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CALOR (muito) & RETOMA (moderada)

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Este evento visa especialmente o nicho de mercado dos(das) encalorados(as) optimistas? Ou nem só?

Publicado por João Tunes às 15:00
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Quarta-feira, 12 de Julho de 2006

PROBLEMA COM OS NÚMEROS

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No debate de hoje no Parlamento sobre a governação, Jerónimo de Sousa arrasou a política de direita de Sócrates e do PS, enfiando-lhe a estocada final do flagelo de 750.000 desempregados que, segundo ele, assola o país. Caindo em si, passado algum tempo, Jerónimo corrigiu o “seu número” para 570.000. A emenda soou a um género de benefício de desconto na luta de classes, provavelmente em boa intenção da unidade de esquerda.

 

Concordo que se houvesse 1 (um) desempregado (procurando emprego) que fosse, seria demais. E o número actual, o que for verdadeiro, decerto é um excesso e um estigma iníquo. Mas, pelo respeito a quem sofre o desemprego, o impulso de “empolar números de desgraça” pode explicar-se pela pressa na revolução mas não deixa de ser prova de leviandade política. Mesmo que o autor da “gaffe” se desculpe que não passa de um “simples metalúrgico” inexperiente nos altos assuntos intelectuais da estatística. Ou seja, uns trocos de preciosismo dos tempos idos de Cunhal perdidos nos desarrumos das mudanças de chefia.

Publicado por João Tunes às 22:49
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OBRIGADO ANGOLA

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Gosto muito da bandeira de Angola. Sobretudo agora, que tantas vejo por aí na ressaca “markteer” do Mundial. Em calções, em blusas, em lenços, em "tops" e adereços conexos, até em panos pendurados em janelas e em automóveis. Gosto da bandeira de Angola porque sinto a nossa, a portuguesa, com o ridículo mais disfarçado. O “no sense” da nossa bandeira imperial com o chapão da esfera armilar ao centro passa bem perante o paradoxo da pátria presidida pelo Dos Santos, o do petróleo e dos diamantes (mais a fome e a cólera, a de doença, para o povo), simbolizada nessa relíquia soviética da bandeira angolana – a catana no lugar da foice e a meia roda dentada no sítio do martelo, não lhe faltando a estrelinha amarela do internacionalismo proletário. Diga-se que antes assim que ter cruzadas a enxada e a “kalash” (salva-se o livro!), a puxar mais para a costela maoísta, a protegerem o país de Guebuza. Ao passar por uma bandeira angolana, até me esqueço de rir da paragem no tempo do símbolo pátrio com que os “tugas” se enfeitam na sedução de Scolari. Ou na saudade. Nós e os “outros”. No caso, tão diferentes e tão iguais. Porque, em ridículo, continuamos Império. Talvez o tal Quinto pessoano. Vá-se lá saber se.

Publicado por João Tunes às 16:09
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Terça-feira, 11 de Julho de 2006

COMBO NA LUTA DE CLASSES

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Quando a GM veio para a Azambuja foi porque era “cara” a montagem no Reino Unido, na Alemanha ou na França. Foi bom para a Azambuja, para o proletariado português, para os metalúrgicos lusos, para o nacional-sindicalismo de classe da CGTP. Não terá sido bom para os metalúrgicos ingleses, alemães e franceses. Mas não se deu por isso. Porque foi bom para a Azambuja, para Portugal. Fazíamos mais “barato”, veio a GM, então Viva a Opel! O mesmo fio de conversa pode aplicar-se à VW, aos proletários alemães e portugueses, à Auto Europa, etc e tal, viva a VW! Agora, maldita Saragoça, maldita GM! Amanhã, maldita VW! Com associados ou com lutas, nacional-sindicalismo de classe, sempre! Não pelos trabalhadores, mas porque o Jerónimo agradece. A GM e a VW idem, outras que tais também. Até à globalização global. Ou até ao internacionalismo?

Publicado por João Tunes às 23:33
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