Sábado, 3 de Junho de 2006

O PATRIOTISMO TEM RAZÕES QUE A RAZÃO DESCONHECE

00085dcs

Um meu vizinho teve esta original e misteriosa ideia – obedecer a Scolari e plantar no seu jardim uma bandeira portuguesa mas ... hasteada numa Forca! Não me chego nem quero conversa com tal vizinho que assim interpreta o patriotismo futebolês. Sei lá o que vai na cabeça do sujeito. Será um fanático do Baía e do Quaresma, com patriotismo condicionado e cobrador? Não sei, não quero saber. Mas dá-me a impressão que o Scolari deve passar de largo à casa ajardinada do meu vizinho na hipótese mortífera de não trazer a Copa do Mundo. Livra!

Publicado por João Tunes às 00:33
Link do post | Comentar

MANÍACO CERTIFICADO

0008323r

Para que não se pense que sou um satisfeito, sem afinco nos “finalmentes”, por me contentar com pouco deixando a promessa de fruto na forma de flor, este meu jovem Abrunheiro aqui está para desmentir as más línguas (os jovens abrunhos ainda estão verdes mas vão prestar). E só não mostro os seus outros irmãos e irmãs, as Cerejeiras, a Nogueira, o Damasqueiro, a Figueira, as Nespereiras, a Ameixeira, os Limoeiros, o Castanheiro, a Amendoeira, a Oliveira e outras mais, porque me considero isento de apresentação de novas provas. E porque ainda me iam julgar pelo botânico maníaco que sou. Quanto aos cépticos desconfiados que exagero, recorram, se quiserem, aos tribunais ou uma qualquer alta autoridade com personalidade juridicamente reconhecida. Ora!  

Publicado por João Tunes às 00:18
Link do post | Comentar
Sexta-feira, 2 de Junho de 2006

DO MEU CARINHO, SAÍU UMA FLOR DE ROMÃ

0008627t

Os trabalhos, vai para dois anos, que a frágil Romãzeira me dá! Dou-lhe água e aprumo, faço-lhe carícias como as que tenho guardadas para as crianças, mondo-lhe as ervas ávidas de com ela repartirem a sede, cato-lhe bicharada parasita, dou-lhe nutrientes em biberão, quantos abraços de loucura romântica e sensual já lhe dei para que ela se aguentasse (sobretudo durante a canícula do ano passado), sempre confiando que ela não me ia trair a missão de valer pelos livros que não escrevi nem vou escrever. Cheguei a desacreditar que a Romãzeira apostasse em repartir vida comigo, seu dono e tutor. E eu a pedir-lhe, de uma forma que não digo por vergonha, que me desse a dádiva de uma flor que nunca havia visto – a de uma romã em estado de flor, que eu supunha rubra e carnuda (e como eu gosto de carnudas que sejam rubras, nas suas possíveis encarnações de flores, frutos ou mulheres!).

 

Valeu!, a minha Romãzeira, tão frágil e tão serena, com as suas folhas finas, minúsculas e sedosas, únicas na diferença, deu-me a dádiva da sua primeira flor e ameaça com mais prole. Já posso olhar para qualquer biblioteca sem lá ver livro meu.

Publicado por João Tunes às 23:54
Link do post | Comentar

ATÉ OS CRISTOS ESTÃO CAROS

00084wrg

Uma representação “naif” de Cristo por 100 Euros! Viram os meus olhos e registou a minha câmara de amador. É caso de ir para a próxima “manif” do Jerónimo gritar: “O custo de vida aumenta, o povo não aguenta!”.

Publicado por João Tunes às 23:32
Link do post | Comentar | Ver comentários (3)

COMO PURGANTE PARA OS SAUDOSISTAS DO IMPÉRIO

0001xbc1

Não só para esses, mas sobretudo para esses, os saudosistas do Império, alguns deles agora neo-patriotas pelo espectáculo mediático da GNR a voltar a Timor para “assegurar a ordem pública”, incluindo a direcção do PCP que regrediu para antes do seu V Congresso realizado em 1957 (o primeiro em que tratou da "questão colonial" em termos de considerar o direito dos povos coloniais à autodeterminação e à independência), leia-se a memória do avô materno, Victor Vaz Martins, do meu querido amigo e historiador guineense, em vésperas de doutoramento, Leopoldo Amado (*).

 

Para que, pelo menos, não digam que não sabem nem nunca ouviram falar. Sobretudo para meterem a viola no saco, por decência e vergonha, quando falam dos “crimes da descolonização” ou se referem a países, hoje soberanos e independentes (bem ou mal amanhados, outra questão), como “territórios”.

 

(*) – Tese de doutoramento já apresentada e a defender em Outubro deste ano, na Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa, orientada pelo Professor Doutor João Medina, sob o tema “Guerra Colonial versus Guerra de Libertação (1963-1974): o caso da Guiné-Bissau”.

 

 

Imagem: Amílcar Cabral, o genial líder africano, assassinado às ordens de Portugal em 1973, após outras tentativas falhadas, e que, repetidamente, antes de enveredar pela luta armada pela independência (luta em que venceu o Império quando já não tinha olhos para ver a sua vitória), propôs a Salazar, sempre sem resposta, negociações para uma via faseada que permitisse a progressiva autonomia até à independência. As respostas de Salazar e de Marcello foram sempre do tipo da que foi dada a Victor Vaz Martins, avô de Leopoldo Amado.

Publicado por João Tunes às 22:38
Link do post | Comentar

VIVA A ALIANÇA POVO-GNR!

00082w79

«O PCP exprimiu o seu acordo ao envio de um contingente da GNR para Timor-Leste a pedido expresso e formal das instituições democráticas deste país: Governo, Presidência da República e Parlamento Nacional.»

 

Longe vão os tempos do MFA. Mas, “na falta de cão, caça-se com gato”…

Publicado por João Tunes às 16:36
Link do post | Comentar | Ver comentários (1)

PRAGA: NA HORA DA CONTRA-REVOLUÇÃO DE VELUDO

00081fc8

Não há revolução que não provoque contra-revolução. Ganhar uma ou outra é que depende de muitas e complexas coisas, causas e factores. Depois da “Revolução de Veludo” nas terras boémias, moravas e eslovacas, com esse efeito terrível para os povos de todo o mundo que foi substituirem o “socialismo real” pela democracia, chegará a hora da “contra-revolução de veludo”, a dos ressentidos mas conscientes e na vanguarda dos operários e camponeses, em aliança com os pequenos e médios empresários. Só que, agora e por enquanto, em vez da milícia, mandam os votos.   

 

Não o supunha contra-revolucionário, mas Jerónimo não para de nos surpreender e não quis faltar na ajuda (talvez, decisiva!) aos seus camaradas checos, os da "Contra-Revolução de Veludo". Quem sabe se, de espanto, o célebre relógio da Praça Velha de Praga não parou para os  Apóstolos lhe darem um abraço.

Adenda pós-eleitoral: Afinal o PC da Boémia-Morávia, que Jerónimo foi apoiar, deu um trambolhão eleitoral e fartou-se de perder votos. Será que os checos não gostam de fado, bailaricos, abraços e beijinhos? Seus grandes reaças vendidos aos monopólios eleitoralistas, se não vão com votos lá irão com a contra-revolução!   

Publicado por João Tunes às 16:15
Link do post | Comentar

DIA DE UM CÃO

000805ae

O meu cachorro, desde ontem, anda com um ladrar diferente e esquisito, irritante mesmo. Assim a modos que um ladrar de oposição. Armado em gente. Parecendo querer ganhar pelo ladrar o que lhe falta em estatura. Será que ele terá ouvido por aí dizer que os deputados do PSD andam a congeminar a legislação adequada à celebração anual de um “Dia do Cão” (ainda se fosse o “Dia das Pessoas com Cão”…)? Arma-te em “laranja” arma-te, que eu retalio na ração…

Publicado por João Tunes às 12:18
Link do post | Comentar | Ver comentários (3)
Quinta-feira, 1 de Junho de 2006

MAIS BLASFÉMIA NO AI TIMOR

0007zt2f

Nem sempre, ou quase nunca, a política tem os ponteiros combinados com o relógio da história. Umas vezes, o que devia vir antes vem tarde, noutras, o que merecia esperar um pouco dá um trambolhão e cai cama abaixo. É assim. Não há determinismo que valha. Porque há ontens que cantam e amanhãs que preguiçam ou ficam afónicas.

 

A ditadura na Indonésia caiu passado pouco tempo do “problema Timor”. Talvez, até, as barbaridades indonésias em Timor tenham acelerado a degradação e queda da dinastia Shuarto. Foi assim. Mas o país Timor Leste existe por causa da ditadura na Indonésia. Mais por isso que pela nossa choradeira sentimental. Quando a ditadura indonésia caiu na carnificina, deu-se um entorse na pata sobre Timor e, em dominó (rebentando outras contradições), a ditadura tornou-se insustentável e o mundo foi surpreendido com o regresso da Indonésia à democracia. O paradoxo histórico destes encontros e desencontros é que do colapso da ditadura indonésia resultaram um grande país no reencontro com a democracia (Indonésia) e um país (se calhar) artificial, inviável e exótico (Timor Leste) que “sobrou” da ditadura caída. Estivesse o relógio da política acertado com o relógio da história e, provavelmente, teríamos hoje os timorenses a baterem-se, apenas e em sossego, como os catalães perante Madrid, por um estatuto autonómico condigno no quadro do Estado multi-étnico e multi-cultural da Indonésia. Em democracia, talvez consolidada.

 

Entretanto, surgiram interesses poderosos que se impuseram e impulsionaram a via aberta pelo sentimentalismo português pró-Timor (o celebérimo e bem chorado “AI TIMOR”) – a gula pelo petróleo timorense, os interesses da Austrália e o Vaticano a querer consolidar uma “fortaleza católica” encravada dentro de um dos estados muçulmanos mais populosos.  

 

Agora, a Indonésia, o antigo opressor genocida, limpa as mãos e limita-se a fechar as suas fronteiras com Timor Leste (“amanhem-se”…). Austrália e Vaticano não desistem dos seus intuitos hegemónicos. Portugal voltou ao sentimentalismo serôdio da saudade colonial. Sem se olhar para os relógios político e histórico. Pois, o nosso problema é a incompetência dos nossos relojoeiros. Que, bem vistas as coisas, somos todos nós, que gostamos mais de chorar e de rezar que pensar e resolver e quando não vamos “lá” com fados e missas, chamamos um pai-protector ou mandamos a GNR.

Publicado por João Tunes às 23:04
Link do post | Comentar | Ver comentários (1)

HOJE, 1 DE JUNHO

0007y83f

 

Belíssimo pretexto para roubar mais uma bela foto ao Jorge Neto. Porque, entre todas as crianças, lembrando Gil (não o filósofo pessimista mas o poeta romântico, o Augusto), são estas, as africanas, que mais merecem o grito: “Mas as crianças, Senhor, / porque lhes dais tanta dor?!... / Porque padecem assim?!...”.

Mas o que me acalenta, nos anima, é que elas não param de sorrir e sorrir bonito. Mais até que outras de barriga farta, as do problema grave da obesidade infantil, com roupa de marca e colégios privadíssimos à neo-liberal.

Que qualquer dia, um dia destes, dissolvidos os nossos crimes por acção ou omissão, o futuro não mais lhes trave o riso, são os votos meus para este dia.

Publicado por João Tunes às 16:27
Link do post | Comentar | Ver comentários (3)

TIMORENSES, METAM BANDEIRA!

 

O que espera Freitas para, imitando Scolari, apelar a que os timorenses metam bandeiras portuguesas nas janelas para saudarem a chegada da Selecção da GNR para o jogo amigável com a Selecção militar da Austrália a realizar nas ruas de Dili?

Publicado por João Tunes às 12:30
Link do post | Comentar | Ver comentários (1)
liuxiaobo.jpg

j.tunes@sapo.pt


. 4 seguidores

João Tunes

Pesquisar neste blog

Maio 2015

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

Posts recentes

Nas cavernas da arqueolog...

O eterno Rossellini.

Um esforço desamparado

Pelas entranhas pútridas ...

O hino

Sartre & Beauvoir, Beauvo...

Os últimos anos de Sartre...

Muito talento em obra pós...

Feminismo e livros

Viajando pela agonia do c...

Arquivos

Maio 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Junho 2013

Março 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Junho 2012

Maio 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Outubro 2006

Setembro 2006

Agosto 2006

Julho 2006

Junho 2006

Maio 2006

Abril 2006

Março 2006

Fevereiro 2006

Janeiro 2006

Dezembro 2005

Novembro 2005

Outubro 2005

Setembro 2005

Agosto 2005

Julho 2005

Junho 2005

Maio 2005

Abril 2005

Março 2005

Fevereiro 2005

Janeiro 2005

Dezembro 2004

Novembro 2004

Outubro 2004

Setembro 2004

Agosto 2004

Julho 2004

Junho 2004

Maio 2004

Abril 2004

Março 2004

Fevereiro 2004

Links:

blogs SAPO