Segunda-feira, 21 de Março de 2005

Porque penso que a Liberdade é o Melhor entre os Homens...

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... Estou ao lado destes Cubanos.
Publicado por João Tunes às 16:24
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SÓ FALTA A LIBERDADE…

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Confesso que me cansa ouvir e ler tiradas como esta que foi depositada lá atrás na “caixa de comentários”:

“Cuba é melhor que Portugal e muitos, muitos outros países em medicina, na educação, na cultura, na mortalidade infantil e geral, em vacinação, etc. Só falta a melhoria da economia e a liberdade.”

Já não há pachorra para esta hierarquização apologética. Porque isto é canto de escravos que, em vez da libertação, aspiram aos bons tratos dos amos e senhores. É malta que dava tudo por um gulag de luxo. E se um dia lhes abrissem os portões, ficavam ofuscadas com a luz e voltavam para dentro. A herança de Salazar é forte, este País continua com muita gente com alma de escravo. Aproveita Jerónimo, tens aí a tua gente.
Publicado por João Tunes às 16:08
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AS TRÊS “MILANESAS”

(dedicado ao atleta Fabiano, a passar um momento familiar difícil - que se deseja com desenlace o melhor possível -, para compensação da promessa falhada do seu Presidente que, com mais olhos que barriga, prometeu dedicar-lhe a eliminação falhada do Inter, como se o Inter de Milão estivesse ao mesmo nível do Nacional da Madeira)

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Três estimadas senhoras com hábito de blogar - talvez o sejam por serem artistas na arte de lidar com as palavras e pelo gosto de jogarem à “apanha” com a memória e os sonhos para futurar – e que me dão o prazer de me dispensarem mimos de estima, caíram-me em cima porque eu disse para aqui uma coisa qualquer que consideraram pouco abonatória para as belezas milanesas. Não era, pelo contrário. Mas elas não entenderam ou fingiram isso para inventarem zanga amiga e pretexto para uma exaltaçãozinha sentimental das suas recordações de viagem. Mas, ainda bem que assim foi.

As três estimadas senhoras estiveram em Milão em épocas diferentes e nela viveram sensações fortes. Desafiadas, dispuseram-se a aceitar o convite de alinharem as suas lembranças milanesas, cada uma no seu canto blogueiro. Cabe-me, como contumaz subaluga de escritos alheios, depositar aqui os textos que mostram olhares cruzados sobre uma mesma cidade que só é capaz de deixar emoções fortes.

1 - Contou a Guida:


“16 de Setembro de 1969. Manhã cedo, digo o último adeus a Veneza, ainda com vestígios das chuvadas da véspera. Tempo fresquito, que os meados de Setembro já anunciam o tão próximo Outono. Gabardina por cima do vestido leve, sapatos fechados (pechincha comprada em Bolonha), malas de viagem a jeito e máquina fotográfica em punho, aí vou eu abrindo caminho por Rialto até ao "vaporetto". Mais um olhar à laguna, aos velhos palácios, às "rive" e chego finalmente ao comboio que me conduzirá a Milão, última e breve etapa de uma inesquecível aventura de duas semanas, repartida entre Florença e Veneza, com as imprescindíveis escapadelas a outras cidades.
Passo ao lado mítica Verona com pena de não a poder visitar, chego à estação de Milão, onde me desembaraço rapidamente dos "extras", e aí vou eu, leve e feliz, descendo avenidas, atravessando jardins e parques, extasiada. Que diferente da nossa bonita mas ainda tão provinciana Lisboa...
Almoço rápido, talvez uma "pasta" com "pesto", o tempo é pouco para bisbilhotar tudo, um "tudo" muito relativo e limitado, que escassas cinco horas não podem dar para grandes voos.
Eis-me diante da primeira das maravilhas, que deixa esta pacóvia completamente embasbacada: as Galerias Vittorio Emanuelle! Duas ruas que se cruzam, totalmente cobertas, com lojas lindíssimas e esplanadas, tentação de uma bica, cara de certeza, mas fica para o regresso.
"Il Duomo" está além ao fundo, imponente no seu gótico flamejante, exagerado e ostentatório decerto, mas esplêndido. Fotografo de longe, a praça cheia de pombos, como todas as praças de Itália. Agora mais perto, outras fotos, à fachada, à entrada, às torres, aos pináculos, e já lá mesmo ao pé, aos detalhes. Dou a volta, espreito pormenores, outros turistas fazem o mesmo. O deslumbramento parece comum. Finalmente entro na catedral, não sem ter que escapar à acurada vigilância de um zelote que queria à viva força impingir-me um véu: nem calções, nem saias curtas, nem cabeça descoberta. Tiro o cinto, a saia desce até aos joelhos, mas lá o "trapo" na cabeça, santa paciência! Queria era ver os vitrais, as esculturas, as telas, os frescos, enfim, tudo. Com tanta gente, apesar das restrições, muita coisa fica por esmiuçar. E o tempo a escoar-se... Saio de lá maravilhada, estarrecida, completamente esmagada perante tanta grandiosidade. Urge o tal café nas Galerias.
Já numa esplanada de café, dispensável açúcar, e copo e água num jarro (impecáveis nesse serviço, os italianos!), faço contas ao tempo, ainda azamboada com o Duomo. Pois, ainda dá para espreitar o Scala, que é já do outro lado. Acho-o insignificante, apenas o valorizo pelos ininterruptos espectáculos do bel-canto, mas esse já não pude escutar.
Outra vez avenidas acima, levantar a bagagem na estação ferroviária, atravessar a praça para o terminal da Alitália, mesmo a tempo de entrar no autocarro que me leve ao aeroporto. Os olhos ainda cheios da imensa mole dourada da Catedral de Milão.
E no aeroporto, outra surpresa. Um único balcão de check-in a funcionar, horários de partida dos voos era mentira, gente a acotovelar-se ao monte. Que faço agora? Falta uma hora para o avião descolar e por este andar nem daqui a duas horas... Dois padres católicos, um trintão (um borracho, que pena!) e outro mais idoso estão perto de mim com o mesmo ar perplexo. Dirijo-me a eles, em francês, e pergunto-lhes como é que nos desembrulhamos daquela confusão. Responde-me o mais novo, também em francês tão atabalhoado como meu, que o colega está a informar-se disso. Finalmente, lá conseguimos eu e os dois padres, fazer o nosso check-in. Não sem mais um problema para mim, pois dizem-me que eu não tenho o voo confirmado. Teria que ir primeiro a Roma e só depois para Lisboa, fazendo ainda escala sabe-se lá por onde!... Esclarecido o assunto, sento-me no único lugar livre naquela malfadada sala: junto aos padres, a quem aproveito para agradecer mais uma vez a ajuda prestada. Puxo pelo meu "Tio Patinhas" em italiano, precioso auxiliar que me fora na aprendizagem da língua durante toda a estadia, e qual não é o meu espanto quando ouço os dois religiosos a falar... português! Com uma gargalhada que os deixa com o ar mais pasmado do mundo, digo-lhes que, afinal, também sou portuguesa. Acabamos todos a rir que nem uns putos, pois nem a eles tinha alguma vez acontecido coisa semelhante!”

2 – Contou a TH:

”Era Agosto em 1975, ainda não fizera um ano que eu tinha decidido caminhar sozinha, mas desta vez juntei-me a 4 amigos e lá fomos, estrada fora rumo à Grécia, onde estava destinado que não chegaríamos no meu pequeno Fiat 600, ainda por liquidar.
Saímos de Lisboa no último dia de Julho e antes de chegarmos a Milão várias estórias eu teria para vos contar se esse fosse o intuito deste post, que não é.
Só como apontamento vos digo que desde termos que fugir de um louco apaixonado que nos perseguiu de táxi pela noite dentro, das enxurradas que fez transbordar rios a assistir estupefactos à paixão emergente entre dois dos nossos companheiros…tudo era encarado com aquele desprendimento de quem acabara de readquirir a Liberdade!
Chegamos a Milão ao fim da tarde de um Domingo, Piazza D’Uomo, encantados com a alegria da praça onde crianças brincavam, mães empurravam seus carrinhos de bebés, namorados abraçados passeavam, resolvemos procurar Pensão onde descansar corpos doridos de dormidas em sacos cama ao relento, nas bermas das estradas. Eu era a única que dormia dentro do carro, muito encolhida no banco de trás, pronta para arrancar e pedir ajuda, se fosse caso disso.
Encontrada a Pensão, quisemos saber se poderíamos trazer para mais perto a viatura…
-o quê? Deixaram a “máquina” na Piazza D’Uomo???
Ainda riamos quando chegamos ao local onde aparcamos meia hora antes o Fiat-600, carregado com nossos haveres…e só encontramos o local…vazio!
Depois da queixa na polícia, o que daria um outro post hilariante, recolhemos à Pensão, sem roupa, dois de nós sem passaporte, mas convencidos ainda que na manhã seguinte iríamos encontrar o nosso único meio de transporte, como se achar um Fiat em Itália não fosse o mesmo que encontrar uma agulha em palheiro…
Ninguém dormiu direito essa noite, não que nos preocupasse o roubo do carro, não, é que a Pensão onde nos levou nossos passos toda a noite era ninho de amores vadios, múltiplos e barulhentos.
De Milão lembro-me pois de Quartel de polícia, Pensão de putas e da gare de caminho de ferro onde embarcamos no comboio para regressar à Pátria onde o ar nos trazia ainda o cheiro a cravos.”

3 – Contou a Isabella:

”Cheguei a Milão, a primeira vez, à boleia e após três semanas a apanhar fruta na Suíça. A alegria de pisar solo italiano começara logo no interior do túnel de Grand Saint Bénard, que separa o ditatorial ritmo helvético da feliz balda latina. Lembro-me que, de Martigny a Ivrea _ bifurcação da auto-estrada que, do Vale d’Aosta, segue para Turim ou Milão _ conversámos com um camionista fã de Mário Soares. Era outra Itália, a do ‘pentapartito’, numa Europa dividida.
Milão foi, pois, o ansiado regresso ao palco latino, onde as regras não são para cumprir! _ e , por isso mesmo, logo na primeira noite no albergue da juventude (Metro ‘QT.8’), negociámos com os tipos do quarto que tinha a janela ao nível do jardim, que a deixassem aberta, pois está-se mesmo a ver que íamos abreviar a noite na Festa do Unità, a decorrer no terreno em frente, só porque os italianos fechavam o albergue à meia-noite.
Este acordo construiu uma amizade que se manteve toda a década de oitenta, com o Frek, um dos rapazes do citado quarto, que, imediatamente se juntou aos três portugueses e foi com este holandês, hoje médico e investigador em Amsterdão, que brinquei aos turistas na capital da Lombardia.
Garanto-vos que não é fácil conhecer uma cidade em cima de noites mal dormidas e bem bebidas... mas lá fizemos por nos levantar antes do fechar do albergue para, em seguida, apanhar o metro para a Piazza Duomo, onde um vizinho de cama do Frek, alemão e filho de um abastado vendedor de pianos da Baviera, fez questão de nos pagar a primeira bebida na Galleria Vittorio Emanuele _ o que me pareceu um sonho. Que lugar mais bonito!
Aquele ‘Martini’ inspirou-me e foi para os meus amigos, tão espantados como divertidos, que toquei no piano de Verdi, numa das salas do Scala, “When the saints go marchin’in” _ esta já ninguém me tira!
Pôs-se o sol com a última visita do dia ao Castello Sforzesco (foto) _ dos Sforza, mecenas lombardos _ onde, enquanto um empregado punha num balde todas as moedas que os turistas tinham atirado para a fonte (então vazia e sem encanto), eu e o Frek discutimos todos os problemas que faltavam resolver no Terceiro Mundo...
Estava na hora de procurar uma pizzaria, bem longe da Via Monte Napoleone, que não trajávamos nem roupinha a condizer com os compradores da Colecção Outono/Inverno de 84 (nesse ano, entre o vermelho e o preto), nem tínhamos mais tempo a perder que, na festa dos ‘eurocomunistas’, o vinho era à borla.
No dia seguinte, após uma ida ao Museu do Cinema, pusémo-nos à boleia para Veneza (viagem que já aqui contei).”

4 – Conto eu: beijos amigos e agradecidos às três estimadas senhoras.
Publicado por João Tunes às 12:04
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Domingo, 20 de Março de 2005

Já chovisca...

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Pouco, muito pouco, mas chovisca. Venha a água. Nós somos sobretudo feitos de água.
Publicado por João Tunes às 23:36
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OS JORNALINHOS DOS TRANSPORTES CANSADOS (1)

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O português tem fraquíssimo hábito de leitura. E quando lê, a maioria tende para o fácil, o imediato e o exposto. Normalmente, quando consome, consome o romântico que projecte sonhos adiados de ascensão social ou de fama, o escabroso que desventre as misérias do mundo e a fotografia dos sucessos e insucessos fáceis ou fatais. Tudo o que não exija fazer-se fazendo e se sinta menos sujo que os piores já que não pode ter a posição dos sentados na boa vida. É a via da mediocridade que nos alimenta a resignação. E o problema dos portugueses não é serem medíocres, é serem resignados na espera de outros dias.

Dirão que, neste quadro, pouco é melhor que nada. Depende do pouco, comento. Ou seja, se leva ao muito ou ao nada.

O transporte público, ainda hoje, é ritual de sofrimento. Uma correria dura que leva cansaço para o emprego e traz raiva suada de volta a casa.

Juntando estes dois pólos - a preguiça no ler e o cansaço no ir e vir - foi encontrado um mercado de leitura, a que se juntou o gosto comum pelo desconto ou pelo brinde. O metro e o destak são jornalinhos “oferecidos” em que se servem as gordas em mistura com os anúncios de sustento da empreitada. Sem o mínimo esforço de desvio da peregrinação para o ganha-pão. São feitos a pensar exactamente no leitor típico – não paga nada, lê depressa, dispensa pensar, interpretar ou ajuizar. Dá-se uma vista de olhos, larga-se quando se chega à paragem. Jornalinhos bem à portuguesa, pois. Espertos, estes tipos.
Publicado por João Tunes às 16:10
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Sábado, 19 de Março de 2005

SERÁ?

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Será este o grande argumento oratório de Louçã na iniciativa parlamentar para a revisão imediata do Código de Trabalho?
Publicado por João Tunes às 23:57
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ALENTEJO: AGORA A SECA DOS APARETCHICKS

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Com o tempo, com a normalidade da duplicidade, vem o reverso da face da simpatia à Jerónimo que tanta e tão boa gente impressionou na última campanha eleitoral.

O Alentejo vale o quê? Secando o património de lutas antigas e irmãs, mais a utopia da gesta criativa a semear kolkozes e sovkoses no sul deserdado onde o diabo meteu tesos de espinha direita e malteses (sempre ou às vezes) a amassar pão com a fome espancada, o Alentejo vale o quê para os aparetchick da aliança operária-camponesa? Ali, onde até a bela Catarina Eufémia (uma Gioconda de foice numa mão e luta na outra, cabelos libertários a levantar searas pisadas e que me inspirou a dar o nome mais bonito, porque então mais honrado, à minha filha mais velha) se esbate em traços perdidos no tempo, mais difusa no cheiro da campina que a viu nascer e morrer. E agora que os Carrajolas do banquete neo-liberal têm outros modos de levar a sua à certa e hoje, em vez de metralha, compram montes e se põem a a ofender o Alentejo com hedonismos de posses em fins-de-semana ou férias curtas.

Se o Alentejo valia lutas, hoje vale votos. É assim o tempo do charme populista-eleitoralista até que a luta dispense urnas com papéis em que os esclarecidos se misturam com os de mau uso da cruz no sítio certo. Porque, da ditadura do proletariado (a Fátima bolchevique), só resta a encomenda às alminhas até que os terços rezados pelos bons devotos leve às vanguardas que tragam um sorriso à velhice de Cunhal. Das lutas, sobrou cansaço e desesperança e ficou uma memória de honra. Quanto a votos, sobram poucos, porque alentejanos são cada vez menos. São mais os homens-chaparros (desculpem, mas eu vejo em cada alentejano direito uma árvore de direitos) que apostam em mudar as raízes que os que se agarram ao chão padrasto no arrasto de um cantar com a barriga encostada a um balcão onde rola o vinho do esquecimento e da inspiração. E nos que restam, além dos que vivem na esquizofrenia da memória honrada, cada vez mais tentam abrir os olhos para verem além do horizonte estreito dos aparetchick. É o bem da planície, a força de ver longe.

Não admira, pois, que os aparetchik estimem tão pouco os alentejanos. Se já não dão lutas e poucos votos lhes restam, servem para quê? Para mais, alentejano é bicho-homem habituado a pensar e falar. O tempo que ali roda devagarinho, com a planície a convidar olhar longe, leva o alentejano a pensar e a repensar. Quando não labuta ou canta, não se pendura num baraço preso a um chaparro para abreviar finalmentes adiados, não desfia conversas sem termo à sombra do sol teimoso ou com os lábios húmidos de sangue generoso saído da terra e transportado em copos de vidro grosso, o alentejano pensa e repensa. Porque, quando se cala, um alentejano é um pensador subversivo de todas as ordens. Esta forma de estar, se era perigosa para a velha ordem, também travessa é para aqueles que se convenceram que eram seus donos em ideologia. Sobretudo para aqueles que pensaram, em arroto de donos do mundo, imitando os mandraços latifundiários, que os alentejanos eram gente de prender de arreata e levar de cabresto para depositar o voto.

Os aparetchick, em vez de interpretarem os sinais das mudanças de voto no Alentejo, teimam em obrigá-los a voltarem a votar bem. A imagem mítica do Alentejo casado com o PCP vale mais que qualquer sinal ou evidência de resultado. Uma teimosia é sempre teimosa. E às ovelhas negras dá-se-lhes com spray, pensam eles, e voltam a ficar como novas. No fundo, são Passanhas à bolchevique, nada a fazer.

A razia nos autarcas alentejanos da CDU, comunistas mal-amados entre comunistas (terrível sarna essa, embora com a sorte de os gulags não terem encontrado tempo de sementeira adubada por aqui), folhas secas em tempo de seca, julgados e condenados pela Suprema Direcção, não pelo trabalho autárquico como se supunha dever ser suprema prestação de contas de autarca, ou pelo que fizeram pelo Alentejo e pelos alentejanos como devia ser juízo sobre representante alentejano, mas pelo mesquinho critério sobre a fidelidade perante o altar da fracção dirigente, está aí para demonstrar a outra face do charme à Jerónimo e que é, singela e fatela, a brutalidade monolítica dos aparetchik, sempre em pânico com a nota dissonante que lhes desarranje a ossana.

Estes gajos estão malucos. Querem tirar o pensar aos alentejanos. Se a um alentejano lhe tirarem o pensar, para que lhes serve a água que lhes falta e o copo de tinto que lhe apalada o cantar e lhe aprofunda o olhar sobre a planície?
Publicado por João Tunes às 18:11
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Sexta-feira, 18 de Março de 2005

LA COMMUNE

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A utopia louca, depois paga em sangue, encheu o peito dos parisienses em Março de 1871. Nesse projecto de inventar a Commune de Paris.

Era o desejo feito nervo de quebrar amarras, dar prática à força transformadora de um igualitarismo redentor. A reacção cobrou cara a ousadia. Ficou como símbolo e inspiração. Em 1917 e em Petrogrado, acertaram-se as contas por umas décadas. Para depois, Woitjila voltar a meter tudo nos "eixos". Até à próxima. Hoje, é uma efeméride contra as indignidades do de mais e de menos - de que o mundo não se curou - mais um pretexto para missas de família para o Jerónimo e o Louçã, em que nunca se explica o que fariam à liberdade se conseguissem decretar a igualdade.
Publicado por João Tunes às 23:18
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VALENTES DE BRANCO VESTIDAS

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Hoje, 30 mulheres desfilaram pelas ruas de Havana exigindo a liberdade dos seus maridos, pais e filhos, prisioneiros de consciência, condenados há dois anos a penas de prisão que, em alguns casos, vão até aos 25 anos. Gritavam AMNISTIA!.

(e eu, que de sentimental com pruridos de memória não passo, lembro-me do mesmo grito, aqui, trinta e um anos atrás)

Fidel não rima com liberdade. Como liberdade não rimava com Salazar e com Marcelo.

Mas a coragem resiste, sem precisar de rima, rompendo as rimas. Foi assim em Lisboa. Como hoje, em Havana, Cuba, com trinta mulheres vestidas de branco a gritarem AMNISTIA!.
Publicado por João Tunes às 22:35
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PARA O REGRESSO DO MANUEL CORREIA

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Da minha infância e juventude no Barreiro, de quem me lembro de andar encavalitado em cavalgadura eram os GNR´s da vigilância da ordem salazarenta. Aos pares, espada pendurada e luzidia e os focinhos das alimárias estendidos em respiração ofegante para meterem respeito. (a malta havia de aprender a andar com um pacotinho de pimenta no bolso para o que desse e viesse, isto é, em caso de borrasca e atirada a especiaria às fuças do cavalo, evitava-se pisadela, coice e espadeirada e o mais certo é que fosse o agente de autoridade vil a bater com os costados no chão)

Por mais que me esforce a forçar a memória, nem nas quintas-feiras de espiga, que era dia de passeio e namoro para a Quinta da Lomba (então um descampado às portas do Barreiro), me lembro de ver alguém a passear de burro, de mula ou de cavalgadura de maior ou menor porte. É mesmo, não me lembro que os barreirenses usassem burro, talvez por elitismo de terra que era entreposto de transbordo entre o barco e o comboio para domar o Tejo, então sem pontes, e a querer boicotar a ligação norte-sul-norte. E depois, quando os alentejanos se lembraram de meterem nas suas canções de epopeia de desterrados à procura do pão que lhes faltava no celeiro da nação aquela do - quando cheguei ao Barrero / fui no barco que atravessa o Tejo / pensei e disse / já se foi o Alentejo - aquela malta intoxicada pelos fumos ácidos mais peneirenta ficou da sua posição estratégica nas vias de comunicação. É que, desesperançados de obterem reconhecimento da capital do outro lado do Mar da Palha, donde só vinha gente de mando e de vigilância (os engenheiros e os mangas de alpaca, os gnr’s e os Pides, mais os adeptos dos clubes grandes em dia de futebol), aos barreirenses restava o apreço amigo dos mais ao sul, os ainda mais deserdados, os que tinham o sonho de trocar praças da jorna por um emprego a acartar pirites e a queimar os pulmões sem saberem se era pior a fumarada nítrica ou a sulfurosa, porque para isso não tinham estudos competentes (do Alentejo, traziam os pulmões, a mania de reivindicar e o gosto por cantar). Por isso, a cantoria que metia o Barrero como ponto de clímax da epopeia dos caminhos para os tostões, era bastamente apreciado pela malta fabril. Ficou até como uma espécie de hino à importância da então vila.
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<img alt="Image181[1].jpg" src="http://agualisa2.blogs.sapo.pt/arquivo/Image181[1].jpg" width="200" height="279" border="0" /><br><br>Da minha infância e juventude no Barreiro, de quem me lembro de andar encavalitado em cavalgadura eram os <i>GNR´s</i> da vigilância da ordem salazarenta. Aos pares, espada pendurada e luzidia e os focinhos das alimárias estendidos em respiração ofegante para meterem respeito. <i>(a malta havia de aprender a andar com um pacotinho de pimenta no bolso para o que desse e viesse, isto é, em caso de borrasca e atirada a especiaria às fuças do cavalo, evitava-se pisadela, coice e espadeirada e o mais certo é que fosse o agente de autoridade vil a bater com os costados no chão)</i><br><br>Por mais que me esforce a forçar a memória, nem nas <i>quintas-feiras de espiga</i>, que era dia de passeio e namoro para a Quinta da Lomba (então um descampado às portas do Barreiro), me lembro de ver alguém a passear de burro, de mula ou de cavalgadura de maior ou menor porte. É mesmo, não me lembro que os barreirenses usassem burro, talvez por elitismo de terra que era entreposto de transbordo entre o barco e o comboio para domar o Tejo, então sem pontes, e a querer boicotar a ligação norte-sul-norte. E depois, quando os alentejanos se lembraram de meterem nas suas canções de epopeia de desterrados à procura do pão que lhes faltava no <i>celeiro da nação</i> aquela do - <i>quando cheguei ao Barrero / fui no barco que atravessa o Tejo / pensei e disse / já se foi o Alentejo</i> - aquela malta intoxicada pelos fumos ácidos mais peneirenta ficou da sua posição estratégica nas vias de comunicação. É que, desesperançados de obterem reconhecimento da capital do outro lado do Mar da Palha, donde só vinha gente de mando e de vigilância (os engenheiros e os mangas de alpaca, os gnr’s e os Pides, mais os adeptos dos clubes grandes em dia de futebol), aos barreirenses restava o apreço amigo dos mais ao sul, os ainda mais deserdados, os que tinham o sonho de trocar <i>praças da jorna</i> por um emprego a acartar pirites e a queimar os pulmões sem saberem se era pior a fumarada nítrica ou a sulfurosa, porque para isso não tinham estudos competentes (do Alentejo, traziam os pulmões, a mania de reivindicar e o gosto por cantar). Por isso, a cantoria que metia o <i>Barrero</i> como ponto de clímax da epopeia dos caminhos para os tostões, era bastamente apreciado pela malta fabril. Ficou até como uma espécie de hino à importância da então vila.<br<<br>Mas o mais provável é que no Barreiro também se andasse de burro. Porque não? Eu é que não me lembro.<br><br>Pois isto tudo vem a propósito da minha intenção de comemorar o regresso prometido do Manuel Correia, barreirense como não podia deixar de ser, ao <a href=http://puxapalavra.blogspot.com/2005/03/ausncias.html>Puxa Palavra</a>, esclarecido que está um breve desaguisado entre os ilustres condóminos lá do blogue. E como não me lembro que no Barreiro se andasse de burro, encavalito o amigo Manuel numa mula em bom estado (se calhar, já mais cavalo que mula) para que ele regresse mais depressa aos seus posts e, quando for disso caso, voltarmos para aqui a embirrar sobre os caminhos na margem esquerda para o refazer deste país. O que, sendo uma promoção, talvez lhe lembre a sua obrigação de retribuir com a prosa que lhe é característica em estilo frontal e em bom corte literário.<br><br>Seja como fôr, prefiro ver o Manuel a cavalo e a pavonear-se vaidoso pelas avenidas do Barreiro de hoje que a lembrança das cavalgaduras a cavalo e com espada pendurada dos tempos negros de antanho.
Publicado por João Tunes às 18:33
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MADRID MAIS LIMPA (1)

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A última estátua do ditador Franco que poluía Madrid foi removida.
Publicado por João Tunes às 12:09
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Quinta-feira, 17 de Março de 2005

Todo o apoio às McCartney

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Estou com Hagans, Donna, Paula, Claire, Gemma e Catherine, companheira e irmãs de Robert McCartney, assassinado no Ulster nesta fase terminal de banditismo do IRA.

Veremos se é desta que os EUA ultrapassam a fase romântica das suas raízes irlandesas e cortam de vez os cordões à condescendência e cumplicidade com a utopia da patologia assassina do IRA. Porque o Ulster merece melhor.

A minha próxima Guiness, a beber no British Bar no Cais do Sodré, vai ser ao sucesso da campanha para que os assassinos de McCartney não fiquem impunes.
Publicado por João Tunes às 23:42
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LIBERDADE PARA JULIO CÉSAR RODRÍGUEZ!

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O jornalista e preso de consciência cubano Júlio César Rodríguez encontra-se bastante doente.

Em 2003, foi condenado a 15 anos de prisão, por delito de opinião. Encontra-se actualmente nas masmorras da prisão Combinado del Este.

A ler aqui.

Exijamos a libertação imediata de Júlio César Rodríguez e o fim da crueldade do regime castrista.
Publicado por João Tunes às 23:22
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COM TANTA CONCORDÂNCIA, QUEM AINDA SE LIXA É O COMPADRE BACO

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Pois é. Concordo. O grande pânico da direita, perante a IVG, e que, para isso, não dispensa o abrigo das sotainas, é que ela, a interrupção, tenha efeitos retroactivos.

Mais uma vez, estou com o compadre Isidoro. Oxalá seja a última. Senão, tarda nada, estamos aí a recolher assinaturas para formar um partido. E depois, com as trabalheiras do partido, deixamos de estar inteiros para escorrer em condições o néctar divino.
Publicado por João Tunes às 22:51
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SE

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Se fosse capaz de regredir direito que nem um fuso;
Se gostasse de armar em puto esperto, mesmo que retardado demais;
Se não tivesse vergonha de, nas minhas costas, me respirarem, na nuca, o sopro de escárnio de ”olha, um velho ginja do anti-fascismo…”;
Se, mesmo assim, conseguisse aguentar pose de armanço de dignidade que não me metesse algodão de névoa nos olhos nem me desse mais uma cavadela nas rugas;

Eu gostava de mascar uma gorila (vermelha seria, tinha de ser, mesmo que o preço fosse saber a morango de estufa e pó de talco), fazer balões estúpidos porque precários e, depois, saber falar assim:

“no Portugal das cinco famílias, que era também o de todos os outros, os que não coleccionavam arte, mas partidas, de arma ao ombro, do cais de Alcântara, e chegadas, com a fome na mala, à Gare de Austerlitz.”
Publicado por João Tunes às 22:08
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