Segunda-feira, 28 de Fevereiro de 2005

O AFINADOR DE MITOS

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Já tínhamos um afinador de máquinas na mais alta direcção partidária. Faltava-nos um afinador de mitos na blogosfera. Não se perdeu pela demora.

Desmontar um mito é mostrar o humano que alguém escondeu nele. Não é matar o humano do mito, mas humanizá-lo, aproximando-o de nós. Com o valor acrescido de se entender porque é que o mito foi construído (nas suas afirmações e silêncios). E quando entendemos alguma coisa sobre os nossos mitos acumulados, entendemos melhor os processos de compensações com que nos tecemos. O que se perde dá, com juros abundantes, para o que se ganha.

É uma tarefa de alto coturno. Só para gente de ambição intelectual que não recua perante o humano.

O blogo-companheiro da foto de cima meteu-se em tamanha empresa. Quem me faz companhia nesta (a)ventura cultural? Por mim, não lhe perco pitada. Sempre quero ver como ele se desenrasca…
Publicado por João Tunes às 16:19
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A LAS CINCO DE LA TARDE (1)

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Olivenza – 6 de Março de 2005

Enrique Ponce, El Juli e Miguel Ángel Perera para Touros de Zalduendo.
Publicado por João Tunes às 15:37
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ARRIBA!

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Bem tentaram assassinar a memória aos espanhóis. Como moeda de troca para passarem à democracia sem dor. Davam-lhes a liberdade mas apagavam-se os quarenta anos de franquismo. 1975 seria o ano zero. Franco seria uma névoa que tinha passado e deixado um Rei plantado no trono. Arriba!

Os democratas com medo da bernarda que sobrasse das contas a saldar, disseram sim. E o franquismo e os franquistas enfiaram-se nas novas instituições e em novos partidos, envernizados de neo-democratas. Arriba!

(Mas uma memória, mesmo ferida e a sangrar, custa a morrer. Porque há os insepultos, as feridas abertas dos desonrados que foram assassinados, torturados e encurralados por terem tentado salvar a honra, mais o direito de todos os povos à sua história.)

Mais tarde ou mais cedo, a memória voltaria ao lugar de onde nunca devia ter saído. Garzón, o juiz espanhol de grandes causas, exige o apuramento dos crimes de Franco e dos crimes contra a humanidade cometidos por ele, por seu mando e em seu nome, através da constituição de uma Comissão de Verdade. E não fazia qualquer sentido de coerência que, como espanhol, Garzón fosse o homem que tudo fez para levar Pinochet a Tribunal e deixasse o seu pinochet doméstico (e inspirador do outro, o chileno) impune na memória histórica. Arriba!
Publicado por João Tunes às 15:06
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Domingo, 27 de Fevereiro de 2005

PROPOSTA DE POSTURA MUNICIPAL

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1º) É proibido a qualquer cidadão, pobre ou rico, famoso ou anónimo, de cá ou de lá, dizer-se lisboeta, habitar a cidade de Lisboa ou nela circular, sem ter lido Cesário Verde.

2º) A todo o cidadão apanhado em Lisboa que invoque e faça prova de não conhecer o Livro de Cesário Verde, é-lhe entregue de imediato um exemplar do mesmo, com o respectivo custo a recair a expensas do orçamento da Polícia Municipal.

3º) A presente Postura é justificada por especiais medidas de segurança devidas aos perigos que advêm de alguém circular numa cidade sem a conhecer.
Publicado por João Tunes às 22:19
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VITOR WENGOROVIUS

Vítor Wengorovius foi-me uma figura próxima afastada. Tal como Jorge Sampaio e Eurico Figueiredo, ele era um veterano quando me iniciei na luta estudantil. Mas era uma ressonância de tribuno e de persistência a conduzir os estudantes de Lisboa contra o bolor salazarista. Acima de tudo, um valente. Que, aos mais jovens como eu, incitava à valentia.

Era um homem ligado à Juventude Católica, mas integrava a sua facção mais esclarecida de recusa do fascismo, pelo lado da sua negação como espelho evangélico. E, também por isso, por esse lado particular de rotura, era especialmente admirado. Porque foi um vidrinho decente no tamanho enorme do vitral da Igreja Católica que emoldurou a catedral do tempo do fascismo português.

A sua carreira de advocacia levou-o à defesa de muitos presos políticos e, depois, ao serviço de causas sindicais onde permaneceu até a saúde o permitir.

No pós-25 de Abril, continuou a acompanhar Sampaio no MES, enquanto este movimento existiu. Em 1999, foi condecorado com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade. Reconhecimento mais que merecido.

Vítor Wengorovius deixou-nos agora. A minha homenagem companheira. E a mais respeitosa possível entre as que a um ateu são admissíveis quando perante um católico caído no combate da vida, merecendo-a.
Publicado por João Tunes às 21:55
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EGAS MONIZ

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Egas Moniz, como cientista e como cidadão, foi uma das celebridades que Salazar abafou, estrangulando-o para baixo do tapete dos silêncios que ele governava desde São Bento. Porque Egas Moniz tinha um espírito que sempre navegou fora das águas do fascismo (e fora ministro durante a I República!).

Lembro-me de ter ouvido, quando rapazito, pelas conversas caídas das mesas dos adultos nos cafés do Barreiro, como é que o ditador tinha comentado a atribuição a Egas Moniz do primeiro Nobel a um português – o Prémio Nobel da Medicina de 1949 (que ele ganhou ex-aequo com outro cientista): - Então já temos um Meio Prémio Nobel. Nada mau! E ordens foram dadas à censura para que a consagração não tivesse eco.

Certo é que o património da obra de Egas Moniz, mesmo com tantos anos de democracia em cima, ficou sempre com a marca pegada de alguma sarna de ostracismo. Quando Salazar decidia o que fosse, era para valer e para durar. E a marca infernal do seu índex foi qualquer coisa que pegou nas nossas almas lusas, como se fossem riscos feitos com ferro aquecido no fogo das brasas ainda quentes que sobraram da Inquisição. O homem sabia mesmo do ofício da separação entre lembrar e esquecer.

Porque me lembro agora das conversas escutadas em garoto pelos cafés do Barreiro e que respingavam revoltas susurradas contra o opróbrio que Salazar lançou sobre o nosso primeiro Nobel? Porque, exactamente a partir do Barreiro, um investigador (que, às vezes é meu estimado polemista sobre as contabilidades das coisas de esquerda) resolveu abrir um blogue dedicado a Egas Moniz. Para quem não queira perder a memória das nossas poucas grandezas acumuladas, aconselho que o visite.
Publicado por João Tunes às 16:58
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Eu não sou ucraniano!

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Não sou ucraniano mas gosto de “roubar” bons textos. Nem sempre, apenas uma ou outra vez como exemplo. Não, não faço plágio, porque fazer isso acho que é arte feia. Quando copio, faço-o como reconhecimento de talento alheio. Quando muito, com um tributo que mete tempero de inveja (que é “mal português” segundo o José Gil, assim me absolvendo, diluindo-me no meu povo).

Dizer não ser ucraniano e confessar gosto por gamanço é, a modos, uma frase feia a xeno-transpirar. Pois é. É mesmo. Mas eu gosto de mostrar as mazelas das minhas imperfeições. É através delas que eu me construo na minha longa caminhada para, um dia (que nunca mais chega), acordar feito homem novo. Que me desculpem os que acreditaram eu já ser homem da esquerda bem acabada. Eu sei, não preciso que me gritem ao ouvido, associar ucraniano a roubo é coisa de direita. Mas, que querem, eu sou de uma esquerda que termina no dia de ir a votos.

Depois - ai o impulso para nos justificarmos e desculparmos -, roubar um amigo até pode ser acto de afecto. Tirando-lhe uma coisa circunscrita que se atira ao vento, é assim coisa tão feia? Do roubo não se passa, pelo menos, ao pecado do orgulho (que, julgo, será pecado menor)? Disseram sim? OK.

Então, eu que não sou ucraniano, deixo-vos, para vossa delícia, este texto (roubado):

”Você sai de casa 6ª feira à noite. Vai jantar com uns amigos. Antes de entrar no carro tira o casaco, dobra-o e mete-o no banco de trás. Sorrateira, aproveitando a sua desatenção, a carteira esgueira-se para o chão, para debaixo do carro.
No restaurante você dá pela falta da carteira. Assusta-se. A carteira tem cem euros, os cartões de crédito e do multibanco, o BI, a carta de condução e mais 31 cartões necessários, no dia a dia, para poder falar com a Saúde, o Fisco, a mesa eleitoral, sei lá que mais.
Hum! Ficou em casa, pensa V. para se acalmar. Ou então, então... só se foi ao tirar o casaco. Mas não, V. não aceita, seria terrível de mais. Ficou em casa, é o que é, pensa V. para não abandonar o jantar, os amigos, para não dar parte de fraco e ir a correr para casa ou para a desgraça.
No regresso, numa ansiedade que cresce na razão inversa da distância que o separa de casa ou do... maldito local onde teve a fatal ideia de tirar o casaco, V. recebe um telefonema. Atende aí faz favor, pede V. à sua mulher. O coração quase rebenta.
Pronto! Encontraram a carteira, sem dinheiro, que enfim ainda era o menos, sem os cartões dos bancos, sem cartão nenhum, nada! só uns cartões pessoais com o seu nome e o seu número de telemóvel que permitiu ao dono do café onde toma a bica e onde o carro estava estacionado lhe telefonar solícito e poder partilhar consigo o estertor da raiva, da dor, das pragas.
Foi um ucraniano!! Mais gritava que falava, a pontos de V. ouvir, a um metro do telemóvel, à beira do colapso.
Caro leitor não se assuste que não foi consigo. Foi comigo. E provou-se. Era mesmo um ucraniano. Homem dos seus trinta anos, com a mulher que anda a dias, que veio três anos depois dele e ainda fala mal o Português, a viver numa assoalhada ao lado do café. Mal cheguei fui à casa do ucraniano.
Abri a carteira, estava intacta. Tudo. Oh céus, tudinho ali, dinheiro, cartões, tudo!
Oh homem, você nem parece deste mundo! Fico-lhe eternamente grato.
Sabe - disse-me o Sr. do café - veio ter comigo, nós falamos de vez em quando, parece-me boa pessoa, mostrou-me um cartão pessoal e perguntou-me se eu conhecia. Olhe, então ele que me procure porque achei a carteira dele. Sem nada, está claro? Perguntei-lhe. Pareceu-me que disse sim. Afinal não. Ainda bem. Dizia o Sr. do café ainda sem acreditar.
Vou olhar para a Ucrânia com outros olhos. Ou ao menos para aquele Homem.”
Publicado por João Tunes às 16:11
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AI

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“Morreu Peter Benenson que fundou a Amnistia Internacional em 1961, quando tinha 40 anos, depois de ter lido um artigo que relatava a detenção de dois estudantes que tinham feito um brinde à liberdade num café de Lisboa.”

Quem o assinalou, e fez muito bem, foi esta libertária e confessa amante de caviar.
Publicado por João Tunes às 00:07
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Sábado, 26 de Fevereiro de 2005

AINDA CABRERA INFANTE

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Um cobarde anónimo, dos muitos que pululam por aí, “comentou” sobre o meu post dedicado ao desaparecimento do escritor Cabrera Infante:

”É menos um vendido ao imperialismo que cá fica. Que arda no fogo dos infernos, fascista dum raio...”

Insultar é fácil. Desejar o inferno, mais ainda. Mas isso nada muda. Sobretudo quando os insultos saem das sarjetas. Porque as sarjetas apenas contam quando aprisionam. Mas nenhuma prisão é eterna. Não foram em Portugal, não serão em Cuba.

Dedicado ao comentador "anti-imperialista", para que ele não julgue que intimidou com a sua água suja, aqui fica a transcrição da entrevista dada por Cabrera Infante à BBC em 30 de Julho de 2003:

Guillermo, Ud. podría pensar en algún momento que considere que ha sido definitorio en su vida, que lo ha marcado como escritor, como ser humano.
Sí. Esto ocurrió en el bachillerato, pero lo que yo tengo que decir, antes de hablar del bachillerato y de un profesor extraordinario que me tocó tener, es que estudié en Cuba, desde el kindergarten hasta la escuela de periodismo -pasando por el bachillerato- absolutamente gratis. Es decir, en escuelas públicas.
Eso para mí es importante porque yo les debo, no solamente a los maestros de primera enseñanza, sino a los maestros de bachillerato y de la escuela de periodismo, un reconocimiento que en realidad nunca les he dado.
Nunca he mencionado como ellos influyeron en mí, más que nada.
Pero hay un momento en mi vida, en el cual yo era un estudiante bastante bueno, pero a mí nada más que me interesaba el béisbol y ver pasar a las muchachas por el instituto, porque eran clases de hembras y varones, y un día un profesor que cuando hablaba se volvía un histrión empezó a contar un cuento, que de pronto resolvió con la visita de un viajero que muchos años antes había dejado su isla y al regresar no era reconocido más que por su perro.
Entonces, como yo era un gran fanático de los perros...yo siempre tuve perros, desde niño e incluso ya de mayor...pues, me interesó la historia. Y este perro, después de reconocer al viajero, moría.
Ya Ud. sabrá que estoy hablando de Ulises y de su regreso a Ítaca, y de "La Odisea", pero yo no lo sabía.
A mí lo que interesó verdaderamente fue la anécdota del perro tan leal y tanto reconocimiento que le hacía a su dueño.
Pero eso picó mi curiosidad por saber exactamente qué ocurría antes y después de la muerte del perro, y después del regreso de Ulises a Ítaca, y fui a la biblioteca del instituto, que era magnifica, y me leí "La Odisea".
Me pareció un libro extraordinariamente atractivo y después leí "La Ilíada", que en realidad me rechazó un poco, por lo sangrienta que es y la cantidad enorme de batallas y de nombres, pero me quedé prendido a "La Odisea", realmente.
Y ahí fue cuando yo empecé a interesarme en los libros y, por supuesto, en la cultura que ofrecen los libros.

La historia de Ulises es de cierta forma una historia de exilio. ¿Qué ha significado para Ud. ser un escritor exiliado?
Ha significado algo muy bueno porque me he permitido convertirme en escritor profesional. Es decir, yo vivo de lo que escribo, no como antes, que publicaba esporádicamente.
Pero, al mismo tiempo, el exilio me ha hecho perder mi lector natural que es, por supuesto, un cubano y si es posible un habanero.
Y eso ha sido para mí un conflicto porque mis libros están prohibidos en Cuba. Ni siquiera se pueden tener en la casa.
Hace poco descubrieron a una maestra que tenía un ejemplar de mi libro "La Habana para un infante difunto" y la llevaron presa.
La juzgaron por tener "literatura subversiva", cosa que es verdaderamente tener ganas de acusar a alguien por algo que no existe, y la multaron en 500 pesos, que para una persona en Cuba es bastante dinero.
De manera que ni siquiera puedo tener ese tipo de lector ocasional. Y esto es lo que a mí en realidad más me toca de mi exilio.
Conozco a los otros escritores sudamericanos que empezaron a publicar junto conmigo y todos no solamente pueden regresar a sus países de origen, sino que sus libros son celebrados, acogidos y leídos en sus países respectivos.

¿Y qué tendría que pasar en su Ítaca para que Ud. pueda regresar?
Tendría, primero que nada, que desaparecer del gobierno Fidel Castro, de la forma en que fuera posible, es decir, si renunciaba o si se moría o si lo sacaban del poder.
Tendría que ser un país en democracia. De otra manera, yo no podría regresar.
Porque yo estoy muy bien en Londres. Estoy viviendo en la democracia inglesa, y estoy viviendo muy bien en el sentido de que tengo completa libertad para hacer lo que yo quiera, para escribir lo que yo quiera y para leer lo que yo quiera.

¿Cuál Ud. cree que sería el futuro, digamos, ideal para Cuba?
El futuro para Cuba es uno sólo. El futuro ideal es el mismo que el futuro real, es decir una democracia.
Yo creo en la democracia y una de las cosas que más me gusta de Inglaterra es la permanencia de su democracia, de su constitución no escrita, y un parlamento independiente, y una prensa libre.
Todo eso viene con la democracia. No hay otra forma de alcanzarla. Todo lo demás que se diga del gobierno del proletariado y toda esa serie de engañifas, no tienen ningún sentido para mí.
Yo creo que el gobierno único de un país tiene que ser un gobierno democrático, elegido por la mayoría, en voto secreto y universal, y eso es lo que yo aspiro que ocurra en Cuba.

¿Ud. tiene algún tipo de contactos con escritores cubanos en Cuba, en la isla?
Muy esporádicos. A mí vienen a visitarme escritores de todas partes y yo los recibo.
Y así mismo recibo a los escritores cubanos que quieran conocerme, como pasó con Senel Paz, que me llamó por teléfono y me dijo que quería conocerme.
Vino un día y me conoció y charlamos. Por supuesto, no hablamos de política, sino de literatura.
Ha habido otros escritores, como Antón Arrufat, quien también vino a visitarme.
Él es ahora un escritor laureado por el gobierno de Castro, pero lo recibí por ser un viejo amigo y por ser una persona que, en realidad, por encima de todo, lo que le interesa es la literatura, y de eso fue lo que hablamos.
Y también otros escritores de no tanto nombre como Paz o Arrufat, pero sí bastante conocidos en Cuba.

Sí, yo recuerdo lo de Arrufat. Ese día yo estaba con él. En ese momento yo estaba estudiando literatura inglesa e hispanoamericana en Oxford y lo había invitado a dar una conferencia allá. Después él vino a verlo a Ud.
Ah, sí. Pues estuvimos hablando durante una o dos horas, pero prácticamente no hablamos de otra cosa que no fuera literatura.

¿Y algunos escritores cubanos como Gastón Baquero, Lydia...?
Ah, bueno, sí. Los escritores exiliados, sí, por supuesto, he tenido mucho contacto. He tenido contactos con Baquero, en realidad encuentros bastante agradables.
Por último, cuando estaba en el hospital, me escribió una carta magnifica, hablándome de lo que yo escribo y de lo mucho que le interesaba.
También tuve una gran relación con Lydia Cabrera, quien murió de una edad muy avanzada, 99 años, pero yo la conocía de Cuba... a Baquero no lo conocía de Cuba, pero a Lydia Cabrera sí.
Yo visitaba su casa, muchas veces, y después la vi en Miami, donde estaba exiliada, y la visité muchas veces.
También tuve algún contacto, pero esporádico, con Lino Novás Calvo, a quien fui a ver en el asilo en que estaba recluido.
Aparentemente, no le interesaba nada más que lo más elemental porque estaba calificado como senil pero, de alguna manera, yo le hablé de uno de sus cuentos y dije mal el título y él me lo corrigió.
Entonces me di cuenta de que, a pesar de que estaba recluido como senil, no estaba senil, estaba muy claro respecto a la literatura.
Pero no hablamos tanto de literatura porque, en realidad, el ambiente de ese asilo era absolutamente tenebroso, por no decir otra palabra.

Tengo entendido que estos tres escritores que Ud. acaba de mencionar, Gastón Baquero, Lino Novás Calvo y Lydia Cabrera, por una coincidencia, han sido publicados en Cuba después de muertos. Yo espero que Ud. dure mucho, pero digamos si Ud. muere esta noche, ¿cree que le pasaría lo mismo?
No lo sé. No lo sé realmente porque hay que reconocer que los tres tuvieron posiciones muy adversas para la revolución y para Castro, pero en realidad, allá siguieron el modelo soviético de publicar a los escritores...
Inclusive en Rusia, antes de caer el régimen soviético, ya habían publicado a Nabokov, que era un enemigo ferviente y fervoroso de la revolución rusa.
No sé, en realidad, que harían, pero sí hay una entrevista bastante vieja en la televisión americana, nada menos que a Roberto Fernández Retamar, y él dijo que yo era un contrarrevolucionario contumaz y que si me moría, verían si me publicaban después de muerto.
Esa es una pobre esperanza para mí, en el sentido que no me interesa lo que pase después de muerto, y mucho menos me interesa que me publiquen en Cuba en esas condiciones.

Hablando de artistas cubanos muertos recientemente, ¿qué le ha parecido el caso de Celia Cruz?
He lamentado mucho su muerte porque éramos amigos.
Ella vino a visitarme aquí. Yo iba a sus conciertos cuando venía a Londres.
Pero lo que me ha parecido realmente extraordinario es la acogida que le han dado no solamente en Miami, sino en Nueva York, a su velorio y a su cortejo fúnebre.
Cientos de miles de personas, en Miami, que era muy visible porque le hicieron una toma con helicóptero, y se veía la fila, que era de seis en seis, recorrer cuadras y más cuadras alrededor de la iglesia en que estaba siendo expuesta.
Y después, la acogida multitudinaria que tuvo su entierro en Nueva York...
Es sorprendente porque ella era una gran cantante, era una persona con eso que se llama carisma, y era muy popular, pero nunca pensé que tanta gente en Nueva York, a pesar de la lluvia y del mal tiempo, asistiera a su entierro.

¿Y ha sabido Ud. de las reacciones en Cuba?
En Cuba tuvieron una reacción típica. Fueron muy mezquinos.
Publicaron una nota de apenas una pulgada y la coronaron con una frase que vale la pena repetir, para repetir la inequidad de la frase, dijeron que era un icono contrarrevolucionario.
Eso fue todo el juicio que hicieron de ella como artista. Eso me parece una reacción típica de los funcionarios, es decir de los comisarios cubanos.

Si Ud. pudiera pensar en un epitafio desde La Habana para un Infante difunto, ¿cuál sería?
Ah, no, yo me niego a pensar en esos términos. A mí no me interesa ese tipo de homenajes.
Todo lo que sea póstumo, no me alegra.
Me alegra todo lo que pueda ser celebratorio en vida, pero después de muerto no creo que yo vaya a aspirar a una especie de permanencia literaria, a una suerte de celebridad después de muerto.
Eso no me interesa para nada. Para pensar en la posteridad literaria, pienso mejor en el alma no corrompida de la religión... me interesa muchísimo más saber de la Santísima Trinidad, que saber de mi reputación después de muerto.

Su reputación, como escritor, vivo y muerto será la misma, Ud. es considerado...
Muchas gracias, de todas maneras...

Y hablando de vida, ¿qué proyectos tiene? ¿Está escribiendo alguna novela? ¿Qué está haciendo?
Estoy escribiendo un libro, desde el año 95, que ha sido interrumpido montones de veces, inclusive últimamente por escribir una serie de artículos.
Yo estuve muy enfermo, realmente ocurrió la muerte de mi hermano menor, mi único hermano, en Miami, y esto me sumió en una absoluta caída emocional, un "nervous breakdown", del cual apenas he salido ahora.
Y como, por supuesto, durante ese tiempo -casi un año- no escribí nada, me esperaba mucho trabajo atrasado, que estoy recuperando, por compromisos que tenía de escribir artículos, de aparecer en público, de ir a congresos...
Todo eso yo lo había suspendido durante un año y ahora me ha alcanzado.

¿Y ese libro ya tiene título?
Sí, tiene un título. Se llama "La ninfa inconstante" y es un libro que sigue muy de cerca ciertas aventuras personales, pero todavía me falta.
Como acostumbro a hacer, tengo escrito el final y, por supuesto, el comienzo del libro, pero tengo una enorme cantidad de notas para poner en el medio y eso es lo que me falta, componer el cuerpo del libro.
Porque teniendo el final o teniendo el principio, parecería más fácil, pero en realidad me falta mucho todavía por alcanzar la corporeidad del relato.

¿Está basado en Cuba también?
Es un libro que ocurre en La Habana, como todos mis libros que tienen un contenido de ficción, aunque estén basados en personajes reales o en ocurrencias reales.
Sí, es un libro que ocurre en La Habana y prácticamente en un solo barrio de La Habana.
Yo me he constreñido a situarlo simplemente en un barrio y creo que esa es una de las dificultades que tiene.
Realmente, convertir el barrio de El Vedado, que es donde transcurren las aventuras del personaje que narra el libro, es una suerte de laberinto.
Para mí ha sido difícil seguir esa norma porque el espacio, en realidad, limita mucho el tiempo del libro.

¿Y el tiempo en que transcurre la acción, en qué años es, más o menos?
La acción ocurre solamente en el verano de 1957. Ese es el tiempo en que transcurren las aventuras del protagonista.

¿Ud. tiene algún tipo de sugerencia, de recomendación para los escritores jóvenes en Latinoamérica o en Cuba?
Yo tengo una sola recomendación: la persistencia.
No hay otra cosa que hacer con la escritura que persistir.
La permanencia de la inmortalidad es muy elusiva, pero la permanencia del trabajo diario, o cada vez que se pueda escribir, yo creo que es muy importante.
Es decir, si yo he tenido algún éxito, ha sido por mi persistencia en seguir escribiendo y en publicar.

(Transcrito daqui)
Publicado por João Tunes às 23:27
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FELIZ REGRESSO

De assinalar o regresso às blogo-lides, com o talento sereno, arguto e lúcido de sempre, do estimado companheiro Evaristo, depois de uma longa interrupção.

Os últimos posts serviram para matar as saudades acumuladas no branco de demasiados silêncios. Mostra que está em forma, como sempre esteve. Se me é permitido, aqui fica exarado o meu abraço amigo.
Publicado por João Tunes às 22:25
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EM NOME DA VIDA, PELO DIREITO À EUTANÁSIA

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Nos anacronismos maiores da legislação concernente à plenitude dos direitos dos vivos, está o maior de todos os direitos que um vivo devia ter – a renúncia a viver. É como recusar o direito a votar em branco numa eleição. Uma aberração, porque a liberdade de expressão de uma vontade tem de pressupor, não uma fatalidade, mas uma opção de entrada entre escolha ou não escolha. Desde logo, o resto vem por acréscimo.

Os tabus religiosos, mesmo na sociedade mais laica, são dos atilhos mais rijos que amarram a liberdade humana. No caso, pressupõem a obrigação de viver como se a vida nos fosse exterior, uma dádiva recebida de que não se dispõe de liberdade para a movimentar. A intangibilidade e incerteza do seu termo que tem de reproduzir o contexto do nascimento. Mesmo que a vida seja um calvário de sofrimento.

Sabe-se como o suicídio é julgado socialmente. Um choque a merecer um silêncio que lhe corte a subversão dos costumes. Mas apesar do ónus com que o acto é julgado, este ainda beneficia de uma certa consideração cultural pela heroicidade suposta da decisão e da consumação. Um suicida, apesar de tudo, ainda é um gajo com tomates. Até porque cometeu um acto insólito na vida dos vivos vividos. O suicida é um herói negado mas herói, mesmo assim.

A eutanásia gera repulsas e silêncios. Pedi-la é julgada como própria do suicida cobarde. Ou seja, o mais cobarde dos cobardes. O critério de inumano aplica-se-lhe sobretudo. Sai fora da escala do suportável. Aliás, compare-se a maior aceitação do aborto (em que existe outra vida em jogo) com a repulsa pela eutanásia ou o silêncio para com ela.

E, no entanto, que mais de humano existe, quando a vida é insuportável, pedir o apoio aos humanos com gosto de viver, a ajuda - através da suprema fraternidade - de se deixar de viver? Em nome da vida.
Publicado por João Tunes às 22:12
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PORMENOR

Alguém reparou num pormenor que me escapou no post anterior em que devia referir um dado essencial para entender o turismo cubano? È lógico que não se tenha reparado. Denunciar o regime castrista parece ser exclusiva obra de direita. Para a esquerda-esquerda, o mal começa em Miami. E os de direita têm melhor para fazer que espreitar aqui.

Mas eu não gosto de deixar as coisas por acabar. Então aqui fica: embora o turismo ocupe 200.000 cubanos, a nenhum cubano é permitida a entrada e usufruto em qualquer meio da estrutura turística instalada no seu País (inclusive tomar banho nas praias reservadas ao turismo estrangeiro).
Publicado por João Tunes às 21:38
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Sexta-feira, 25 de Fevereiro de 2005

PENSANDO O MEDO (3)

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Cuba tem um problema económico-ideológico muito grave. O turismo é o motor da economia – com a entrada anual de 2.000 milhões de dólares e ocupação de 200.000 postos de trabalho directos e indirectos. Esta dependência económica obriga a Ilha a ter permanentemente um enorme fluxo de estrangeiros e expor grande parte da população ao contacto com eles, na sua esmagadora maioria oriundos de sociedades abertas. Assim, como preservar o espírito revolucionário?

Mas o marxismo-leninismo tudo pensa porque tudo se sente capaz de entender e resolver. E para um problema, qualquer problema, não há regulamento que não o resolva. Assim, no passado dia 19, um novo regulamento foi emitido pelo Ministro Manuel Marrero e intitulado “Regulamento para as Relações com o Pessoal Estrangeiro no Sistema do Turismo” e que pretende salvaguardar os “princípios éticos, morais e profissionais” dos trabalhadores da hotelaria cubana. E que diz o Regulamento?

Primeiro, os cubanos obrigados a lidarem com os estrangeiros devem limitar os contactos aos “estritamente necessários” (ou seja, apenas em actos convertíveis em divisas), mas, mesmo nesses, devem guiar-se “pela fidelidade à pátria, à legalidade socialista e à política do governo”, mantendo-se em “permanente vigilância para com todos os factos ou atitudes que lesem os interesses do Estado, comunicando de imediato tudo que possa atentar contra a dignidade, a segurança e os princípios da Revolução”. Segundo este princípio, o estrangeiro é, por natureza, um mal necessário mas um ser a evitar e a vigiar. E mesmo assim, nada de língua solta sobre o que pensa de si, do País e da Revolução (porque, no fundo, cada cubano também é um potencial subversivo), devendo “abster-se de difundir, propagandear ou emitir critérios que possam denegrir o prestígio do País”. E, se tentações houverem de alguém fazer perigar a crença na Revolução, é dado o prazo máximo de 72 horas para “comunicar ao seu chefe, qualquer contacto que vise perturbar o prestígio e moral revolucionárias”.

Conviver com estrangeiros é um risco agravado de contaminação. E, assim, convites para refeições ou outros convívios, só podem ser aceites se previamente autorizadas pela hierarquia. E, claro, nada de se meterem estrangeiros em casa, porque convites para visitas ao seu domicílio, essas exigem não só aprovação prévia como passada a escrito.

Prendas e gorjetas de estrangeiros passaram a ser também objecto de proibição. O que se receber em prendas, deve ser entregue à chefia. Nada se poderá aceitar em moeda, cheque ou cartão de crédito.

Medo ou paranóia perante o estrangeiro? Sobretudo o medo da contaminação por contágio. Ou a noção evidenciada pela fragilidade do apego revolucionário. Ou uma Revolução que sabe que perdeu mas não desiste de se impor.

Nota: Na primeira versão do post coloquei link para a notícia completa da EFE que entretanto passou a funcionar para uma notícia diferente (agradeço ao comentador que chamou a atenção para isso). Mas, pelo que dei conta pelo Público, a notícia aqui tratada já é detalhadamente referida na imprensa nacional.
Publicado por João Tunes às 17:07
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PENSANDO O MEDO (2)

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Os sistemas fechados e de sentido único, e porque o ser humano é – por natureza – aberto, geram patologias de consolidação e sobrevivência. Negando, se for caso disso, qualquer hipótese de elevação da condição humana. Mesmo, ou sobretudo, quando quer redimir a desigualdade que amarra o homem à sua condição racial ou social. Porque a lidar com as contradições, a força do poder, qualquer força de poder, prefere os atalhos da redenção pela punição que lidar com as veredas das diferenças. Quem quer, quando pode, deitar fora a eficácia ao serviço do instinto de sobrevivência que tantas vezes se confunde com o instinto do domínio?

Quem se amanha melhor na limpeza dos atalhos das contradições e dos desafios sobre os caminhos, ainda por cima a lidar com a infinita desigualdade dos sentires humanos, são os sistemas totalitários, ou seja, aqueles que dão um sentido único à história e ao futuro do povo. Em nome do homem novo - seja ele o eleito por superioridade de nascimento na raça certa (no fascismo) ou o liberto dos laços das diferenças sociais (no comunismo). Num caso e noutro, a pertença a servir de separador entre o domínio e a servidão. Com uma nuance – no caso do fascismo, a origem (biológica, social) tudo determina; no caso do comunismo, dá-se a opção entre pertencer a uma elite redentora (a vanguarda) com poder de exclusão ou ser excluído. Num caso e noutro, quando no poder, com pulsão para exercer o genocídio – por critério biológico ou por critério social. E, quantas vezes, eles se aproximaram na forma. Tirando a geografia e a natureza das vítimas, há coisa mais parecida com Buchenwald ou com Tarrafal que um qualquer campo do Gulag?

Num caso e noutro, os excessos totalitários, além de tecnocracia de extermínio da diferença, sempre tiveram uma função de exemplo à sociedade como sinal de destino inelutável, fosse a meta da raça pura ou da igualdade social absoluta – o medo do preço da exclusão. Vincando que qualquer recusa de alinhamento tinha o eco de uma recusa de corte, logo a passagem para o lado do inimigo. E como eles sabem lidar com os inimigos. Ou com o medo, se preferirem.
Publicado por João Tunes às 16:08
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PENSANDO O MEDO (1)

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Na primeira metade da minha vida, de cujo contexto nenhuma saudade dele guardo, a nobreza de carácter era clandestina e subversiva. Oficial e correcto era ser-se obediente e quieto. Nascia-se e morria-se com um compromisso feito em nosso nome pela perpetuação da ordem estabelecida. E havia o culto do medo como caldo a atar ousadias e deixá-las penduradas no insólito. Mas, entre o medo e a ousadia, havia uma ética difusa que permitia a que, sob o medo, as pessoas, mesmo assim, não se sentissem demasiado canalhas. Como se houvesse uma intuição que dizia a cada um que o medo não era eterno porque não era humano, embora fosse igualmente certo saber-se que o herói, por mais modesto que fosse a pisar o risco, nunca passaria de um desgraçado a penar em nome dos medos acumulados. E, reconheçamos, o fascismo à portuguesa sempre teve essa conta com medida de, perante a sociabilidade amorfa, moderar a gestão do medo, contando com o manancial de segurança que a cobardia colectiva lhe proporcionava e que não convinha excitar. Essencialmente, uma matriz de cultura jesuítica que só um antigo seminarista no mando com um aparelho clerical ao serviço do regime (muito mais predominante que o aparelho policial), poderia gerir com maestria. E, se repararmos bem, o PREC foi mais que isso mas foi também um povo medroso em fúria. Numa fúria que nunca venceu o medo porque Cunhal assumiu que ia fazer isso por todos, como se fosse um Salazar Vermelho com a missão de nos vingar do outro, apagando-o da nossa memória e tirando-o da nossa pele, bastando obedecer-lhe como ao outro havíamos feito. Povo medroso que fez e deixou fazer o PREC e o anti-PREC. Porque, no essencial, não nos libertámos do medo. O medo não nos largou a pele. E é o medo, numa linha de continuidade entre o medo do presente (que era o medo do salazarismo) e o moderno medo do futuro, que nos faz andar aos trambolhões, mudando os colos – de Marcelo para Spínola, de Spínola para Cunhal, de Cunhal para Soares, de Soares para Sá Carneiro, de Sá Carneiro para Soares, de Soares para Cavaco, de Cavaco para Guterres, de Guterres para o vazio, do vazio para Sócrates. O medo semeado pelo seminarista de Santa Comba foi bem semeado, está aí para durar. É erva daninha rija. Fócrates!
Publicado por João Tunes às 15:31
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