Quinta-feira, 27 de Janeiro de 2005

SIMÃO VIL ESTRAGOU O BRILHO AO PAÍTO BOM

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Dedicado ao João Abel Freitas, amigo e prezado companheiro (da blogosfera, mas não só) porque, assim, calado que nem um rato na euforia futebolística, ele não tresmalha do caminho da serenidade e da sapiência na boa hora de expor medidas de racionalização necessárias à boa função da Administração Pública.

Há dias assim. Quantas vezes, a quebra de carácter sucede à breve mas vibrante euforia? Mas é. Acontece. Sem explicação, apenas porque acontece. E se acontece é porque é. Hoje, amanheci com um sentimento de remorso. Eu sabia, isto vai-me acontecer um dia. E foi.

Hoje, ao contemplar nostalgias trágicas derramadas em rostos à hora do café matinal, lembrei-me que afinal eles existem, esses outros que vestem às riscas como se um relvado fosse lugar indicado para andar a correr com o pijama vestido, não são só na arrogância provocatória a viver mais das minhas derrotas e vergonhas que dos seus feitos, armados em viscondes da jogatana mas mestres únicos no sofrimento disfarçado com maneiras de elite e a esconder, na bainha do cachecol, o punhal de gandulo. Revelando que é essa a sua identidade, desejada ou não, de gandulos mesmo, como os saídos do extinto Café Aviz, ali nos Restauradores, ou para comemorar feitos ou para dar com a matraca nos subversivos da liberdade, para mais na Avenida com esse nome.

(nunca me esquecerei que, das maiores porradas que apanhei na minha vida, daquelas de ficar ali enroscado no chão e só preocupado em proteger a tola, a maioria vinha dos gandulos aquartelados no Aviz, quartel general do Cazal-Ribeiro e de tudo que era ultra, verdes de serem legionários e não só, embora esta lembrança seja só referência da parte folclórica da memória e, por isso, benigna no cristal do ressentimento)

Ao ver a tristeza melancólica substituir a basófia preparada para o foguete da fava contada, vi-me possuído por um enorme sentimento de culpa. Sobretudo, por observar como a grandeza arvorada se estende tão facilmente ao comprido. Só ultrapassei isso pela relativização e pela expiação através de treino de isenção. Afinal, uma compensação e não mais que isso. Porque não seria capaz de dar com uma matraca a alguém caído ao chão, fosse por inépcia, por azar ou por defender o que não devia e no sítio errado. E pelos outros, senti o seu desconsolo como se de primos meus fossem, condição que nunca serão por não merecimento. Pois, passou-me breve a alegria, e, como a desforra não me anima, tive pena deles e de a sorte me bafejar, metendo-os ao léu do desânimo numa noite tão fria.

Esta subida ao céu da superioridade, traz um apelo de grandeza que nos induz à indulgência, até a sermos magnânimos. Por isso, confesso estas duas sentenças sinceras:

- O golo do Paíto (bravo moçambicano, filho do Moçambique que tanto estimo) é um momento único de hino à beleza possível e máxima do futebol e à vontade indómita de ganhar, onde não se percebe o que é maior - o génio do talento ou a vontade irreverente de resolver.

- O Paíto não merecia a vingança do vil Simão (bravo patrício meu, da banda de Vila Real), porque é muito triste e feia esta desforra entre génios, pior ainda ver um génio veterano, com talento tirado da manga da inveja, a matar de ferro frio e largo um génio irmão mais novo, no preciso momento em que este se revela em talento feito vontade.
Publicado por João Tunes às 16:49
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CAMPOS DO MAL ABSOLUTO (2)

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E não resisto a também trazer para a ribalta este diálogo registado da caixa de comentários a um meu post de há dias:

Manuel Correia:
”Lembro-me que, ao lado e em baixo, numa das capitais da cultura alemã, havia quem fizesse por não ver... Quando lá fui, em 1999 (Capital Europeia da Cultura) havia «ainda» uma suite reservada para o Adolfo. Fiquei estupefacto. O que eu tinha ainda para aprender...”
Lutz:
”Estou chocado! Onde? Se isto for verdade, e não um malentendido seu – desculpe lá que coloco essa hipótese, mas parece-me tão incrível - então isso tem que ser dito bem alto e fazer escândalo! Um Hotel? É preciso denunciá-lo!”
Manuel Correia:
”A ascensão política e eleitoral de Hitler está ligada a Weimar, por via da malograda República do mesmo nome. Quando Hitler ia a Weimar, ficava no Hotel Elefante (anteriormente chamado Elefante Branco, ao que parece). O Hotel foi, mais tarde, reconstruído pelo poder nazi (correu que Hitler deu instruções precisas a esse respeito). O Furher proferiu alguns discursos de uma varanda do mesmo hotel, para a praça fronteira.Há fotos, filmes e gravações várias a esse respeito. Bem vê, a história da suite «eternamente» reservada para o furher (já) não «espanta» muito. Eu é que não a conhecia. Há alemães em Weimar que continuam a venerar aquele que associam, com uma nostalgia horripilante, à queda do império germânico, ao declínio da supremacia ariana, etc. Mas, como sabemos, saudosistas há-os em todo o lado. Se telefonar para o Hotel Elephant ou consultar a respectiva página de reservas na WWW, verá que a preferência de Hitler continua a ser assinalada como uma distinção importante e de carácter descaradamente promocional. Se, por absurdo, for a Weimar, entrar no Hotel Elephant e perguntar se pode reservar a suite «eternamente» reservada ao furher, o recepcionista, como calcula, estará a par de que Hitler não virá nunca mais. Se insistir, pode ser que consiga a tal suite por uma tarifa mais alta. Ossos do ofício, e do turismo. A mais ou menos 5 ou 6 Km de Weimar, no Campo de Concentração de Buchenwald (que o nosso anfitrião visitou e refere no post que desencadeou a nossa conversa), a polícia tem de apagar, de vez em quando, inscrições de bandos neo-nazis.”
Lutz:
”Obrigado pela informação. Fico enojado, mais ainda, porque acabei de perceber que o remédio, que tinha imaginado, ou seja publicitar o facto vergonhoso, teria o efeito contrário do que o pretendido, isto é, melhor negócio para o hotel ainda. Vou ver se encontro a página (ainda não encontrei a própria página do hotel), e se encontro algum indício de públicidade com o "Führer" nela, mandarei pelo menos uma queixa ao hotel mesmo e à câmara de Weimar. Cumprimentos envergonhados.”
Publicado por João Tunes às 12:44
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CAMPOS DO MAL ABSOLUTO (1)

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Fui parar a um elucidativo diálogo na caixa de comentários do Lutz que mostra como ainda é complicado, e a esta distância, entender a culpa pela forma como se descamba, de vez em vez, em actos de mal absoluto. Tomo a liberdade de transcrever esta conversa de vizinhos dado que ela está metida na “cave” de um blogue, com mérito para subir à praça (acompanhado do devido pedido de desculpa pela bisbilhotice):

Lutz:
“No Água Lisa. O João Tunes lembra o sexagésimo aniversário da libertação dos campos de concentração alemães. E outros campos. E fala da vergonha que ele sentiu em sua face, que é a minha e a de todos nós. Faz-me bem ver-me acompanhado nesta vergonha por ele e por outros que a sentem também, essa nossa vergonha enquanto humanos que sentimos para aqueles que deviam senti-la mas não a sentem...”
O Raio:
“Os campos de extermínio alemães não têm nada a ver com o povo alemão. Tal como os do Cambodja não tiveram nada a ver com o Cambodja. Campos de extermínio e outras brutalidades são provenientes de circunstâncias concretas e independentes dos povos onde ocorreram.
Também em 1936, na Guerra de Espanha se dizimaram milhares e milhares de perssoas e isso também não tem nada a ver com os espanhóis. Mais uma vez são as circunstâncias, " a ocasião faz o ladrão".
Actualmente em que, com a União Europeia, se tenta repetir, agora à escala continental, o processo de unificação alemã de 1870 estamos a abrir novamente as portas à barbarie. Não nos esqueçamos que aquele processo esteve na origem de três guerras (uma no Século XIX e duas no XX). Repeti-lo é a loucura completa.”

Lutz:
“Discordo, Raio: Os campos de extermínio nazi têm tudo a ver com o povo alemão! Foi ele que permitiu a chegada ao poder dos nazis, foi ele que desviou os olhos quando estas bestialidades foram cometidas.
Se quiseste dizer que não há nada que geneticamente dispõe o povo alemão para esses crimes, mais do que outro povo qualquer, concordo. Também não defendo a culpabilização colectiva. Cada indivíduo, membro do povo, tem a sua culpa individual, na medida do seu envolvimento, da sua cobardia, ou não a tem, por ter sido legitimamente irresponsável - por exemplo como criança - ou por ter resistido.
Agora como isto aconteceu na Alemanha, e não noutro país, o povo alemão tem uma responsabilidade acrescida de ser vigilante. E como Alemanha também é um estado, que continua a existir, com relações, direitos e deveres internacionais, herdadas dos estados alemães anteriores, tem que assumir a responsabilidade deste passado também...
O que não me parece fazer sentido, é deduzir os campos de extermínio da unificação alemã de 1870. Isto é, peço desculpa, um perfeito disparate, tal como as analogias para uma eventual unificação europeia!”

O Raio:
“Extermínios houve no Cambodja, Espanha, Ruanda, Jugoslávia, China (da autoria dos japoneses), Turquia (arménios), Congo (belgas), etc., etc.
Se a ocasião for propícia podem existir extermínios em qualquer lado.
A forma como foi feita a unificação alemã foi um caldo de cultura para o imperialismo que conduziu ao nazismo e ao extermínio.
Existem óbvios paralelos históricos entre a unificação alemã do Século XIX e a formação da União Europeia.
Só isto devia-nos levar a estar vigilantes. O perigo não vem da Alemanha, o perigo vem da União europeia, império multinacional em formação.”

Renegade:
“Bom, tudo isso parte de pressupostos essencialistas e unicitários sobre os "alemães" e os "espanhóis". O "povo alemão" é uma realidade tão concreta e descritiva como o povo hobbit do Tolkien. Ou seja, é errado usar isso para tentar perceber o holocausto.
Eu fui a Auschwitz e acho que é uma experiência duríssima e salutar ao mesmo tempo. O confronto com o horror é uma grande escola humanista.”

Lutz:
“O conceito do povo é, de facto, muito problemático para compreender o holocausto. Mas queiramos quer não, ele tem relevância, porque existe. Se um grupo de pessoas se acha pertencente a um povo, este povo existe. E há muito mais do que o simples sentimento de pertença. Outra coisa é entender povos como sujeitos e agentes históricos: O povo quer, o povo faz...
Interessante no caso do holocausto é ainda que muitos alemães acabaram por morrer em Auschwitz porque outros alemães entenderam que eles não pertenciam ao povo alemão, mas ao judeu, um facto que para eles já tinha perdido qualquer significado, antes de este lhes ter sido lembrado tão drasticamente.”

Putz:
“Por essa lógica, Lutz, acho que um povo que se permite viver sob um regime autoritário com laivos de fascismo durante 48 anos deve ser porque somos todos neo-fascistas de esquerda centro e direita, não?”
Lutz:
“Claro que não todos, "Putz", e em termos de culpa qualquer indivíduo naturalmente só é responsável pelos seu próprios actos, mas se um povo é um grupo de pessoas, que partilham um sentimento de pertença, e ainda um conjunto de referências históricas, culturais, língua, e também valores - estes últimos naturalmente num espectro muito heterogéneo -, se isto é um povo, como entendo que é, e se verifico que este povo vive muitos anos sob um regime ditatorial não imposto por fora, então este regime e o povo tem algo a ver um com o outro.”
Publicado por João Tunes às 12:40
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Quarta-feira, 26 de Janeiro de 2005

A VOLTA DE ANIBALZINHO

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O crime contra o jornalista Carlos Cardoso não pode ficar impune. Porque, ao assassinarem-no, também um bocado da liberdade do povo moçambicano foi assassinada.

Parece que Anibalzinho regressa às prisões moçambicanas, pelo que li aqui. Esperemos que volte para ficar.
Publicado por João Tunes às 23:39
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DIA DE MÁSCARA

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Sem esperança nem fé. Mas com toda a vontade da paixão. Se se tem uma máscara, há que usá-la. Hoje é dia. Seja o que se quiser ou o que calhar. Porque Taça é Taça, faça favor de passar o melhor. Haja festa ou choro. A máscara, essa, fica sempre. Não me aceito sem ela.
Publicado por João Tunes às 17:14
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ÁFRICA POR EURO-SONHOS

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África é uma chatice como enigma e como atracção. Para viver e para entender. Sobretudo para resolver. Mas, como uma tragédia nunca vem só, África é bacana para sonhar, idealizar, pintar e acenar. Por uma e outra coisa, não só mas também, é que as coisas estão como estão.

Um dos males de África, vista pelos europeus (dizendo claro: através da perversão euro-centrista), é que é olhada para baixo, seguindo a linha descendente do globo terrestre, mas com o inconveniente de a colocar ao nível dos sapatos. O que implica que corramos os riscos de sonhar com África, não com a cabeça pensante, mas com os pés. E, em termos de pés, não andamos muito longe dos nossos antepassados negreiros. Ou dos tios-avôs missionários, ou dos chefes de posto, ou dos coronéis comandantes de batalhão de caçadores, ou do chefe dos guardas do campo de São Nicolau. Ou do maricas espião Lawrence que andou por lá, bem no norte, a levar a água ao moinho de quem lhe pagava (bem).

Depois, para além dos interesses, existe esse enorme poder de atracção pelo simétrico. Tendemos a gostar do diferente por fastio da semelhança. E, aí, África funciona como uma nossa contra-senha. O Zambeze e o Kwanza dissemelham com o Tejo, o Vouga ou o Douro. O pôr do sol visto na savana é um contra-luz em vermelho do que se espreita no Cabo Espichel. Os leões em Sete Rios estão decadentes, lá estão em casa. Em África, as acácias são vermelhas. As águas são mais quentes que as da Costa da Caparica, já para não falar na Póvoa de Varzim. E, importante, não temos imbondeiros por cá, abundando por lá. E por aí fora. Um nunca acabar de diferenças e de fascínios.

África é, pois, uma beleza. Verdade que África tem africanos. Sobraram e reproduziram-se dos que sobraram no fim da escravatura. África tem malária, tem Sida, tem meninos e meninas que morrem por uma diarreia benigna, tem corrupção, teve e tem a praga do racismo (racismo branco, racismo negro, racismo inter-negro). Tem etnias acantonadas a régua e esquadro na Conferência de Berlim que se matam aos milhões. Tem matérias-primas e fome. Tem africanos. E como tem africanos, tem chefes africanos que aprenderam com os colonos o pior do colonialismo europeu. Porque, enquanto lá estivemos, nós os que tanto gostamos do seu sortilégio, favorecemos mais que os africanos e africanas aprendessem e se refinassem na arte da criadagem que em permitir-lhes disputar os (nossos) saberes e as (nossas) competências. Porque havia a ilusão que sempre mandaríamos neles, nunca eles mandariam em si próprios, muito menos mandariam em nós. Por isso, aquilo “já não sendo nosso”, hoje vamos (ou gostávamos de ir) a África para molharmos os pés no mar, sentarmo-nos na esplanada a ver o pôr-do-sol a beberricar o gin tónico trazido pelo criado africano de sempre e espreitar-lhes o artesanato e os leões. E se não vamos, sonhamos com ela. Sonhamos com uma África “limpa” boa para sonhos. E, para jogarem com a paisagem, cheia de “africanos bons”. Como se lê nesta miséria dos sonhos, ou nesta pobreza na vontade de sonhar, exposta aqui:

”Não sei porquê, mas quando penso em África, sinto um nervosismo miudinho, daquele que uma pessoa tem quando está numa inquietação, numa impaciência que não sabe explicar bem a razão.
É curioso que quando penso em África, penso sempre em grande, ou seja, penso no Continente e não nos países que o compõem, penso no Tempo, como ele para mim seria indiferente e mais “digno” e no espaço, maior, mais amplo, sem linhas de horizonte.
Já tentei arranjar uma explicação lógica para isto e não consigo. Para mim África faz parte de uma das muitas ilusões que guardo só para mim, daquelas que servem para as noites de insónia. Em vez de contar carneiros, imagino desertos de areias douradas, savanas com leões a dormir a sesta no pico do calor, em mulheres com capolanas de cores garridas, nos mercados ruidosos e caóticos, nas feitiçarias ao cair da noite.
Sou suspeita nos sentimentos e na imagem que tenho deste continente tão diverso e tão contrastante, isto porque só vejo dois géneros de África, a contada pelos meus pais, de avenidas ladeadas por acácias, próspera e prazenteira e a do Lawrence da Arábia, de desertos dourados, dos beduínos plenos de uma invejável arrogância, dos territórios marcados por oásis e das cidades das mil e uma noites.
Nunca penso numa África martirizada pela guerra, pela fome, vandalizada por políticos sem escrúpulos, composta por gente de sacrifício, que luta pela sobrevivência.
No meu íntimo nego estas imagens e insisto em imaginar a África do mais belo pôr do sol e confesso que verdadeiramente anseio pelo momento em que este Continente seja liderado por gente honesta que defenda valores tão africanos como o da liberdade, o da partilha e o do respeito pela natureza.”
Publicado por João Tunes às 01:03
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Terça-feira, 25 de Janeiro de 2005

ESTOU PELO PROF

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Vital Moreira falou e, quanto a mim, bem:

"Não está em causa somente o apelo da responsabilidade cívica ao homem de esquerda que eu sou e ao antigo militante político que eu fui. Se há momentos em que todos cidadãos que se interessam pelos destinos da República – mesmo se retirados da política e sem filiação partidária –, não devem ficar indiferentes, este tempo por que passamos é seguramente um deles. Na verdade, mais grave do que a crise das finanças públicas é a crise de confiança na política em geral e na governação em especial.
Aos dois governos da coligação PSD-CDS, especialmente ao de Santana Lopes, devemos seguramente um dos mais graves momentos de degenerescência e degradação da legitimidade da política e da credibilidade da democracia. Ninguém poderia imaginar que, 30 anos depois do 25 de Abril, um Governo e um primeiro-ministro revelassem tanta ausência de sentido de Estado e tanta falta de decência e de simples decoro político, que acaba na indigna litania da vitimização."

Li aqui, onde ainda se indica um link para a versão integral da intervenção de Vital Moreira.

Há alturas em que a desconfiança e a desesperança, sob a capa da exigência máxima e sem concessões, podem custar caro. Penso eu de que.
Publicado por João Tunes às 12:40
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JERÓNIMO SABE

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Lições de rigor de esquerda científica, quem as dá é o Jerónimo.

O PS propõe que, na redução dos quadros da função pública, por cada dois funcionários que saiam, apenas seja admitido um.

O Jerónimo explica o que vai fazer o PS, com exemplos didácticos: manda dois médicos embora e mete um; manda dois professores embora e mete um. Não fossemos nós, desprevenidos, pensar que a redução de efectivos não se ia dar exactamente entre os médicos e os professores, talvez com a máxima prioridade, como é timbre de uma esquerda a governar à direita.

O que seria de nós, sem o Jerónimo a ensinar-nos as vigilâncias da esquerda mesmo esquerda.
Publicado por João Tunes às 01:08
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RACIOCÍNIO DE ESQUERDA MESMO ESQUERDA

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Pois, pela esquerda torce a esquerda. Cada qual à sua. Só falta entendermo-nos sobre a verdadeira esquerda e a falsa esquerda. A esquerda que é mesmo esquerda. Mais a esquerda simulada a fazer-se de esquerda mas a trabalhar para a direita. Para mais, e para baralhar, ainda há os que decretaram o fim da esquerda, outros que dizem que esquerda e direita foi chão que já não dá uvas. Etc e tal. Uma complicação, convenhamos.

Nos da esquerda, para arrumar as coisas em esquerda e direita, só quanto a partidos, a coisa é-lhes relativamente simples. Até mete PS e tudo. E contados os votos, somam-se todos e há festa porque o povo é maioritariamente pela esquerda. Está connosco. Com a esquerda. Viva.

Tudo se complica quando passamos a meter a mão na massa, isto é, quando se trata de governar. Uma chatice. Aí, o critério muda. Talvez tenha mesmo que ser. Se o PS governa, passa da esquerda para ser da esquerda com política de direita. O que é pior que ser de direita. Então, a boa esquerda, a esquerda que é só esquerda, não governando, fica na oposição à esquerda que é de direita, até vir a direita que é só direita governar e então volta tudo a ser de esquerda. Até o PS volta a ser de esquerda. Porque não governa. Mas só até governar em que volta a ser de direita. Vira o disco e toca o mesmo.

Portanto, o problema da esquerda está no PS. E durará até que o PS seja da esquerda que não é e o resto da esquerda é. Outro problema, que não ajuda, é que o PS tem mais votos que a esquerda que é. E com os votos que tem, não deixando a esquerda verdadeira governar, nem lhe fazendo a vontade de governar com o programa da contestação, preferindo um programa de governação. E governar, é de direita. De esquerda, é exigir.

PS à solta é que nem pensar. Se mesmo apertado com a maioria relativa, o PS é de direita, o que seria com o PS sem cabrestos? Um regabofe de direita, só podia. Sabe-se lá até que direita, o PS iria, se embalado? Não. O melhor é: de governo de direita em governo de direita, continuarmos todos de esquerda. Porque, repito, esta é a única forma do PS ser dos nossos. De esquerda. E, assim, a maioria do povo português ser de esquerda. Viva!
Publicado por João Tunes às 00:45
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Segunda-feira, 24 de Janeiro de 2005

BUCHENWALD E MAIS

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1980. Viagem em turismo campista, dois casais num Fiat 127, tenda na mala, lonjura maior na então RDA. Entrada por Dresden na fronteira checo-alemã. Já noite cerrada, porque fomos afastados da fila, a matrícula do carro denunciava país da NATO, sujeitos a seca condizente. Lógico. Cidade adormecida, prédios altos em néon de cima abaixo, não à Coca Cola, mas sim um luminoso Viva o Marxismo-Leninismo. Seria estar em casa se aquela malta fosse minimamente simpática, ou minimamente afável, que não era o caso. A grande luta Este-Oeste estava ali. Não dava para sorrir quanto mais para agradar. Lógico.

Conhecida Dresden, caminho para Weimar. Objectivo Buchenwald. Sim, um Campo. Melhor dizendo, O Campo. Porque, antes de servir para matar judeus, foi dos primeiros a abrir e antes de começar a matança de judeus. Buchenwald foi um Campo aberto cedo e para matar alemães – alemães comunistas, socialistas e alguns liberais. Ali, a ofender Goethe e a lançar fel sobre a memória da República de Weimar (segundo a caricatura que, sobre a democracia alemã, lançaram todos os extremismos em combate contra a solvência do sistema parlamentar). Só depois de liquidados todos os patrícios incapazes de integrarem a unidade nazi, Buchenwald sobrou para os judeus. Muitos deles com a infeliz ilusão atravessada de que os nazis se ficavam pela luta de classes e ela os ia ocupar tanto que não teriam tempo para travar a sua luta maior – a luta rácica. Mas tiveram. Chegaram e sobraram para comunistas, socialistas, liberais, ciganos, homossexuais, eslavos, judeus e outros mais. Judeus haviam mais, judeus morreram mais, judeus deram mais nas vistas. Lógico.

Os Campos não foram um exclusivo judeu. Digo-o por mero rigor e sem nada tirar ao peso da tragédia ao Holocausto. Até porque me parece mais lógico, na lógica da demência, que um comunista fosse odiado até à morte por um Barão Nazi porque o ameaçava com a ditadura vermelha que um judeu rico que apenas o incomodaria, esteticamente, com a diferença no desenho do nariz. Mas não, viu-se que o ódio nazi era cego, com prioridades, mas cego. E insaciável. Mortos os comunistas alemães, morreriam os judeus alemães ou não alemães. Depois, se a matança não fosse parada, morreriam os não alemães, até voltarem a matar alemães.

Mas Buchenwald foi Campo construído para matar alemães. Depois matou o que calhava. Talvez porque, como alguém disse, matar é sempre mais fácil que morrer. Em Buchenwald vi uma fábrica da morte. E chorei. Só podia chorar pela vergonha da minha condição humana. Porque não consegui afastar a ideia horrível de que os nazis tinham sido homens como eu. Não consegui passá-los à condição de bestas. Esse o meu problema.

Visitei o Campo numa sensação de dor humana que só repeti quando percorri, vinte anos depois, as ruínas do salazarista Campo do Tarrafal na Ilha de Santiago em Cabo Verde, onde constatei as semelhanças adaptadas a uma escala pequena – a da pequenez da nossa dimensão. Que não em sadismo. O modelo era o mesmo, porque a inspiração não mudava. O objectivo também – a aniquilação da qualidade humana, o extermínio pelo acaso do sadismo ou da resistência do prisioneiro. E, no Tarrafal, voltei a chorar. Lembrando que os pides eram portugueses como eu e, mesmo assim, tão meus estrangeiros como os nazis alemães de que lhes vi o resto da obra em Buchenwald. E, mais estrangeiros (na condição) e mais sádicos com quem lhes caía nas mãos. Fossem resistentes à ditadura (a primeira vaga), fossem africanos com vontades de independência e que penaram uma reedição sofisticada em sofrimento desde o início da guerra colonial até 1974. Onde vi os vestígios do que os pides portugueses fizeram a angolanos, moçambicanos, guineenses, caboverdianos, sãotomenses. Para quê? Para que os colonialistas continuassem coloniais. Talvez na proporção de um preso africano, reduzido ao fim da escala humana, por cada menino e menina de pele branca a estudar nos liceus de Luanda, Lourenço Marques, Huambo e Beira.

Faz sessenta anos que os campos de concentração nazi foram fechados. Que o mundo incrédulo soube o que supunha não ser possível existir. A nuvem foi afastada, o mundo sossegou. Sem cuidar de saber que o pesadelo do sadismo (o sadismo terá fim?) ia continuar. O Gulag já havia e continuou até 1953. Buchenwald continuou a ser usado pelos soviéticos para outro tipo de prisioneiros. Tarrafal, a vergonha portuguesa, durou até 1974 (como São Nicolau e Machava). As máquinas da morte custam a acabar. É.
Publicado por João Tunes às 23:53
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PAMPILHOSA DA SERRA

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O concelho de Pampilhosa da Serra, no distrito de Coimbra, está metida na Serra do Açor, fora das grandes vias de comunicação, parece perdida no mapa, até parece não ser deste país. E quase que não é mesmo, por via do esquecimento. Mas é, porque vivem lá gentes (as que ainda vivem), tem enormes potenciais na fila para serem aproveitados e os seus indicadores fazem parte da nossa realidade – é o preto no branco do cizentismo litoralizado que somos. Alguns deles:

- Um dos mais atraentes pólos paisagísticos em verde – pela montanha, pela floresta e pela água.
- Tem uma excelente gastronomia (onde se destacam o maranho, o bucho e a chanfana).
- 26,24% dos seus habitantes com mais de 65 anos vivem sós.
- Há mais pensionistas que activos (rácio de 1,14).
- Tem a maior taxa de analfabetismo do país (18,84%).
- Tem uma Escola Secundária e com os piores resultados escolares em todo o País.
- Tem carência de transportes colectivos, tendo sido considerado não rentável pela Rodoviária Nacional.
- Merece sobreviver pelo direito ao desenvolvimento.

Não baixando os braços à fatalidade, os naturais e amigos do concelho da Pampilhosa da Serra vão realizar em 23 e 24 de Abril, um Congresso que tem como objectivo: um diagnóstico da situação actual do concelho, tendo em vista a identificação dos problemas, mas também potencialidades de desenvolvimento sócio-económico. Os tema a abordar são: Água, Floresta, Turismo.

Todas as informações sobre o Congresso podem ser obtidas aqui
Publicado por João Tunes às 15:41
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Domingo, 23 de Janeiro de 2005

OBRIGADO ERNEST

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Primeiro, pelo que escreveste a viveres vida cheia. Segundo, por teres vivido num tempo em que a malta até tinha gozo, sem ser proibido ou censurado, de ser mostrado a defender boas causas de cigarrinho na boca. No teu tempo, a histeria do ostracismo sarna ainda não tinha chegado ao poder. Vê lá tu que o proibicionismo importado da pátria das tabaqueiras já chegou à Cuba onde os sinos dobram agora contra uma das suas coisas melhores – o fumo dos habanos.

(na imagem, Ernest Hemingway entre combatentes republicanos na guerra civil de Espanha)
Publicado por João Tunes às 23:47
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CULTO AO CHEFE

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Palavra, palavrinha, eu esperava que os chefinhos do Bloco, perante o desatino do Chefe-Mor, dissessem simplesmente: Foste burro, Louçã, meteste a pata na poça, tiveste uma boca infeliz, puxou-te o pé para a sacristia, para a próxima voltas a acertar, voltas a ser mais inteligente que os outros todos juntos, mas, para já, pede desculpa aos teus apoiantes, não ao Portas mas aos teus apoiantes, mostra humildade democrática de esquerda e siga a dança. E Louçã, ouvindo-os, voltaria a representar o papel da consciência de esquerda do PS.

Mas não. Os chefinhos do Bloco, com o curto-circuito na luz do brilho do Chefe-Mor, assarapantaram-se e ficaram com vistas de morcegos. Ou como escuteiros desatinados à procura de virtude na malandrice da fala.

Uma pena. Não pelo Bloco. Mas pela esquerda. Por tão mal entregue nas suas encomendas.
Publicado por João Tunes às 23:23
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Sábado, 22 de Janeiro de 2005

POST ARMADO EM ÚTIL

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Não precisarei de pôr mais na escrita sobre a minha embirração para com Sócrates (ele mesmo), as suas escolhas e a sua campanha. Que tão pouco jogam, excepto quanto ao voto, com as minhas vontades de mudança. Sobre isto, já lhe entornei em cima dose graúda do fel do meu desencanto. Por isso, acho que, com Sócrates e com o PS dele, tenho direito a ter a vesícula em paz. A menos que ele me consiga irritar ainda mais, o que é pouco provável, tamanha foi a devastação provocada por tanto vinagre que ele anda para aí a entornar mal as hostilidades foram inauguradas. E que só se acentuaram com o arranque da carruagem.

Continuar a malhar no Sócrates, coloca o problema da eficácia e dos efeitos. Mais as responsabilidades agarradas a qualquer opção. Porquê? Porque isto não é jogo de canasta nem cabra-cega de meninos graúdos a divertirem-se com a política como adolescentes retardados a tocarem campainhas de portas dos vizinhos. Sobretudo porque esta merda de país tem de ter saída e futuro. E eu gostava que ele saísse desta cena pela esquerda.

Falando de poder e de governação, infelizmente, a dicotomia instalada leva-nos a escolher entre Sócrates e Santana. Disse, e repito, infelizmente. Mas é a realidade e, essa, não está ao alcance da (minha) mão mudá-la. Não tenho varinha mágica, pronto.

A direita é o que é e arrepia-me. Pelo populismo irresponsável de Santana. Pela ameaça da dureza cínica de Portas. Nunca tivemos pior direita e eu quero-a ao largo. Bem longe. Porque a perspectiva de um renovar, legitimado pelo voto, desta direita, podia, simplesmente, inviabilizar uma saída democrática para os efeitos do seu governar em estilo gordo. E se o voto popular legitimasse esta direita, então a minha leitura só poderia ser a de que, democraticamente, a maioria dos portugueses optaram por deitar o país aos bichos. E, como dizia o outro, seria hora de emigrar para a democracia bielorussa.

Sabemos que Sócrates, além dos defeitos graúdos do seu estilo, levou o PS para o pior do PS e para a fixação na sedução de um centrão que é um somatório de PSD rosa mais PS laranja. Esquecendo, estupidamente, que a estratégia para a maioria absoluta do PS devia ser (só podia ser) recolher os votos do PSD rosa desencantado com Santana, somando-lhe o máximo de votos no eleitorado de esquerda não dogmatizada (e o fadista Jerónimo, para esse efeito, até apareceu no momento certo). Sabendo que algumas sobras iriam engordar um Bloco pouco exigente, que se contenta, preferindo até, mordiscar uma entremeada (por ser vegetariana, em termos de identidade política).

Se a unidade de esquerda sempre esteve longe, nunca o terá estado tanto. O PCP regrediu para o saudosismo fatela do PREC, vestindo ganga quando os operários de hoje são suficientemente tecnocráticos para não dispensarem traje marcando menos a condição. E a regressão foi de tal forma que o filme do PCP parece fita bobinada ao contrário, tardando nada, com o Jerónimo a parecer actor do cinema mudo. Quando muito, serve para a catarse de ressentimentos (legítimos na sua maioria, sem dúvida). Quanto ao Bloco, sabe-se bem que a sua responsabilidade se esgota na chantagem pela arrogância no seu crescimento. Não querem governar, querem deitar os seus foguetes a apanhar as suas canas. Aliado indesejável e insuportável, pois. Porque só um masoquista gostará de negociar sob chantagem e com um candidato a parceiro que só quer paródia.

Resta o quê? Muitas coisas. Ou seja, vários cenários-alternativas. Quem exclui uma vitória de direita que se cuide porque ela não é impossível (se os erros de Santana ofereceram o poder à esquerda, a forma como a esquerda se embebeda em delírios e em pruridos, em arrogâncias e em chantagens, pode ter um efeito perverso regressivo). Depois, podemos ter um governo centrista do PS. Ou uma crise política que desemboque no Bloco Central. Bonecos de encomenda, não é na política que se arranjam, é na olaria.
Publicado por João Tunes às 17:29
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QUADRA PARA O COMPANHEIRO ALTINO

noivos.jpg

Dedicada, com a máxima estima possível na máxima discordância mas com o tamanho de um abraço, a este companheiro (um daqueles de quem não dispenso a leitura em divertimento partilhado):

Se eu fosse carpinteiro
Casava com uma ceifeira
Juntava a foice ao martelo
Fazia a nossa bandeira.


O raio da memória é o que é, mas vive-nos como uma carraça. Não é?

Adenda: Tem razão a IO, sim senhor, faltou a versão feminista. Que aqui fica:

Se eu fosse uma ceifeira
Casava com um carpinteiro
Unia o martelo à foice
Dominava o mundo inteiro.
Publicado por João Tunes às 16:13
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