Sexta-feira, 28 de Maio de 2004

DARÁ PARA TROCA ?

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Anda o desgraçado, inveterado e eterno doente, felizmente sempre mal de saúde, num estado lamentável (”febril, dores difusas no peito, 36,8º medidos no ânus”), enquanto um gozão anarca anda à solta numa campanha desbragada com o seu candidato privativo às próximas eleições!

[o manobrismo eleitoral do bloff (com quem terá aprendido?) até o levou a meter o seu candidato à mistura (que falta de respeito…) com a equipa campeã nas suas celebrações exorcistas contra a inveja nacional…]

Pedem meças, pedem. O doente e o gozão anarca. E que bem ajudam a que haja alegria na blogosfera. Chegam e sobram para compensar os bonzos, os misantropos e os direitões devoradores de irmãs com azar na fatalidade co-genética.

Mas, no estado em que o País está, eu arriscava uma troca: punha o gozão anarca a medir a temperatura e a auto-analisar as fezes e metia o hipocondríaco a fazer campanha eleitoral. Porque se o melhor de Marx está nos Irmãos Marx, o PS e o PSD são o refúgio dos que tugem mal e dos que congressam e governam ainda pior. Haverá mesmo pior doença?
Publicado por João Tunes às 16:23
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PREGUIÇA ROSA

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- Não tem nada que saber: Esquerda na frente da Direita.

- A preguiça compensa: PS à frente do PSD, dormindo na forma.

- A preguiça protege os preguiçosos: PS em primeiro, Ferro Rodrigues na cauda (consegue pior que Durão!).

- Assim não custa nada: Bloco e Louçã, sempre a abrirem.

- Desdita do Manel: Pior que Portas!

(Sobre os resultados do Barómetro Marketest para o DN e a TSF)
Publicado por João Tunes às 14:07
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Quinta-feira, 27 de Maio de 2004

BARBA OU PÃO?

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Hora de compras. Carrego para a semana. E o diálogo do costume. Não esquecer as bolachas. Daquelas integrais por causa do colesterol. É preciso azeite. Mas de baixa acidez. Faz-se um peixe assado para amanhã? Boa ideia. É verdade, já há pouco leite em casa. Ah, e o shampoo. Daqueles para cabelos secos, frágeis e espigados. As uvas não têm bom aspecto. É melhor comprar noutro sítio.

Agora é tempo de fila com carrinho atulhado. Um velho africano, carapinha já branca e rala, barba crescida, casaco de lã poído, arrasta uma neta por uma mão, enquanto a outra segura as suas compras – um saquinho de gilletes descartáveis e um saco com meia dúzia de pequenos pães. É pouca coisa, posso passar à frente? Com certeza, passe lá.

A caixa do hiper faz a conta. Sete euros e sessenta. O velho africano, gestos lentos, tira do bolso um lenço de pano sujo com moedas atadas numa das pontas. Despeja as moedas junto à caixa. Uma dúzia de moedas. A mais valiosa era de um euro. A senhora da caixa diz-lhe que não chega para a despesa. Ele diz que prescinde do pão. Só leva as gilletes. A senhora explica que as gilletes eram o mais caro e que não dava. O velho africano troca de opção. Então levo só o pão. Quanto é? Sessenta cêntimos. Olhar desconfiado de quem acha caro. Confirma o preço no embrulho do pão. Batia certo. As moedas são contadas, uma a uma. O velho, olhar desconsolado, amarra as sobras das moedas de volta ao canto do seu lenço.

O velho africano sai com a neta segura numa mão, enquanto a outra agarra o saco, um saco com seis pãezinhos.
Publicado por João Tunes às 23:02
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CURIOSIDADE

A guerra já havia acabado há mais de um ano. Vencidos destroçados, emigrados, presos, esmagados. Vencedores absolutos com mando total. Vencedores que nunca perdoaram aos vencidos, não lhes dando qualquer honra na derrota. A sede de sangue dos vencidos duraria enquanto viveram os vencedores.

Em Múrcia, passado mais de um ano do fim da guerra civil, o Governo Militar pedia ajuda logística para transportar prisioneiros a fuzilar. Ficou-lhes o gosto de matar. Por vezes, não tinham era meios de transporte...


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Publicado por João Tunes às 22:35
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...

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Pois é, estamos em Maio ...
Publicado por João Tunes às 16:38
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COM TODO O MÉRITO ...

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Publicado por João Tunes às 16:12
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CUNHAL ENTRE AS MULHERES

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Aparentemente é um livro (1) sobre Álvaro Cunhal. Mais um. Dos muitos que ainda estão para ser escritos. E que virão por aí tarda nada. Porque a personagem presta-se. Para mais, já não assusta. Há muito chegou a hora de ser celebrado. Pela sua força e porque foi, sempre foi, coerente (o grande e uníssono elogio). Merecendo, segundo tantos, a honra dos (grandes) vencidos. Pois, hoje admira-se Cunhal porque perdeu.

Li e vi que me enganei. Ou fui enganado. O livro não é sobre Cunhal. É uma peça autobiográfica de uma jornalista que entrevistou Cunhal. Jornalista burguesíssima, extrovertida, despachada, escrevendo bem. Fez carreira e fama gravitando e esgravatando à volta de Cunhal, mas também de Soares, de Sá Carneiro e de Cavaco. Com talento e sentido de oportunidade. Sabendo aproximar-se e envolver os famosos, afamando-se com fama alheia. Talento tem. Proveito não lhe faltará. É justo.

Afinal, Maria João Avilez, no pouco que revela sobre Cunhal, é que tentou fintá-lo e foi sempre fintada. Revelou-se mais que aquilo que conseguiu sacar para revelar. O que não é novidade se se entender minimamente a natureza da “raposa”. Cunhal deixou-se entrevistar quando a sua agenda lhe indicava o interesse em falar através do Expresso. Seduzindo mais, muito mais, do que aquilo em que representava deixar-se seduzir. Manipulando o mistério com mestria. Talvez a única arte política em que nunca (ou raramente) perdeu.

Entretanto, outro livro (2), ocasionalmente coincidente no acaso das leituras, dá uma visão “por dentro” do fascínio por Cunhal. Além de outros méritos como livro de memórias, Margarida Tengarrinha fala “do Álvaro”. Discretamente, aqui e ali, em contenção amorosa. Com a reverência própria perante um Santo da casa. De camarada que se sente grão de areia perante um igual mas do tamanho de uma Catedral. O que é paradigmático e absolutamente sincero e verdadeiro.

Cunhal, um sedutor. Distante ou próximo. Construtor do talvez mais bem conseguido e bem construído “culto da personalidade”. Mas não ao seu serviço, sempre ao serviço do Partido. Do Seu Partido.

Muito teremos ainda de esperar para que apareça um livro sobre Cunhal.

(1) – “Conversas com Álvaro Cunhal” – Maria João Avilez – Ed. Temas e Debates

(2) – “Quadros da Memória” – Margarida Tengarrinha – Ed. Avante
Publicado por João Tunes às 15:47
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VASCOS E NÃO VASCOS

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Andam para aí Vascos a exigir aos Não Vascos que se indignam com a (real) ignomínia das torturas cometidas pelo Exército dos Estados Unidos no Iraque, determinadas provas curriculares para exercerem esse direito. Segundo eles, para os Não Vascos terem direito a um frémito de repulsa por aquela porca violação dos direitos humanos, têm que, previamente, falar e reprovar as (putativas) sevícias cometidas aqui e após 25 de Abril de 1974.

Acontece que as sevícias bandeiradas pelos Vascos apenas constam de um relatório que, por artes e manhas (dos defensores, dos acusadores ou de ambos), nunca foram verificadas nem pronunciadas em julgamento, não passaram pelo crivo da contradita da defesa. Assim, as "denúncias" perduram apenas penduradas numa peça acusatória. Nada mais que isso.

Mas eu, como brinde político, dou aos Vascos o benefício da acusação e da culpabilidade. E repudio as tais sevícias. Definitivamente. Não as conheço, não as cometi, não colaborei nelas. Mas repudio-as com base na simples hipótese delas terem sido cometidas.

Posto isto, e se ao real se contrapõe uma acusação, esses Vascos têm obrigação de serem chamados de volta ao real e levarem o seu jogo até ao fim. Assim, eu exijo aos Vascos que repudiem o assassinato de Dias Coelho e de outros, mais as torturas cometidas pela PIDE contra os prisioneiros políticos antes de 25 de Abril (reais, bem reais). Para que possam ter o direito a falarem de sevícias pós-25 de Abril.

Esta espiral de lógica de legitimação da indignação leva a algum lado? Não. Tarda nada estamos na Inquisição e no trato dado aos mouros na conquista de espaço nacional. E tínhamos de conversar melhor sobre essa história das cruzadas e do comportamento dos cruzados. Falaríamos de cristãos velhos e de cristãos novos. Viria à baila a nossa gesta de negreiros. Seria um nunca acabar de elos e mais elos entrelaçados ao longo da história. Um não acabar iniciado no absurdo de ter começado.

Qualquer violência contra a pessoa humana não é comparável. Relativizá-la, exigir pergaminhos para o direito de denúncia, tentar isso, é uma indecência e uma cobardia. Uma chapelada de desvio cúmplice. Em qualquer lugar e em qualquer tempo. Contra quem quer que seja. Em nome do quer que seja.

Triste sina a nossa de termos Vascos mais papistas que o Papa. Até Bush repudiou e mandou arrasar o local do crime. Porque não ouviu falar no RALIS e no Copcon e não deitou a mão ao Major Tomé? Ou é mesmo nossa sina termos estes Vascos?
Publicado por João Tunes às 00:08
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Quarta-feira, 26 de Maio de 2004

FALANDO DE FARDAS

Duce-Balilla-1.jpg

De há muito que embirro com fardas. Ficou-me desde que fui (mal) fardado. Acho que a farda tira ao comum mortal a sua diferente identidade e torna-o demasiado parecido com outros tantos. E será para isso mesmo que existem e servem – transformar o indivíduo numa peça de uma instituição, ostentando a fidelidade obediente como valor.

O certo é que a maior parte dos miúdos passam por uma fase em que adoram fardas. Seja de bombeiro, de polícia ou músico de banda. Provavelmente porque os fardados lhes aparecem como adultos especialmente vocacionados para serem mais, mandarem mais, que os outros adultos. Talvez porque gostassem de ser adultos com super autoridade para escaparem à autoridade dos adultos que neles mandam.

Também tive a minha fase de adorar fardas e sonhar com o dia em que tivesse direito a uma. A minha grande oportunidade surgiu cedo, quando tinha os meus dez anos. Na altura, era obrigatório pertencer-se à Mocidade Portuguesa e logo a partir dos dez anos de idade. Todos os sábados havia instrução para-marcial (aprendi cedo a marcar passo) e mais umas tretas de actividades desportivas e lúdicas. Lá consegui que me comprassem a fardeta: calções e meias altas castanhas, camisa verde com emblema, bivaque na cabeça e cinto castanho com uma fivela branca com o enorme S metálico incrustado a simbolizar a fidelidade a Salazar. Farda nova enfiada, saí orgulhoso rua fora a entornar vaidade naquela minha novíssima qualidade de cidadão fardado. Claro que esperei e ansiei por olhares de inveja e espanto dos míseros passantes reduzidos à condição de anónimos e inferiores civis.

Vivia então no Barreiro. Numa altura em que a repressão estava na exacta medida da energia das lutas operárias por melhores condições de vida. Eu não sabia na altura, mas o Barreiro (assim como a Marinha Grande) eram vilas operárias sob ocupação militar (entregue à GNR). Na altura, não sabia nada disso, não queria saber e não entenderia se me explicassem. O que sabia é que o Barreiro era terra de fardas – uma série de bandas de musica, os bombeiros, GNRs por tudo quanto era sítio, mais as fardas de ganga do pessoal das fábricas. Havia muitas fardas e muitas tascas, onde a malta operária se entretinha com o dominó para acompanhar os copos de dois e de três, remoendo desditas, medos e lutas. E, em terra de fardas, eu tinha a minha. Que, é claro, achava mais catita que todas as outras.

Pois o meu orgulhoso e solitário desfile fardado não teve grande sucesso. Pior, foi um verdadeiro fiasco. A malta assomava às portas das tabernas, desatava a rir-se, chamava-me piolho verde e, pior, escarnecia-me nas costas com olha mais um que é da bufa. Naquela terra de fardas, não entendi porque é que a minha farda merecia aquele tratamento, bem longe dos desejados suspiros de admiração e inveja. Bom, o certo é que cheguei rapidamente à conclusão que não ganhava nada com o negócio da fardadura. Encurtei o trajecto. E respirei de alívio a desfardar-me. E disse para comigo fardas nunca mais!. Longe de suspeitar que a farda me havia de cair outra vez em cima do corpo. Verde, outra vez verde. Que, pelos vistos, é cor que não me dá sorte nem proveito. Por azar meu com as fardas, entenda-se.
Publicado por João Tunes às 13:22
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PELUNDO (GUINÉ-BISSAU)

qp_1.JPG

Isto é sítio para onde se mande um mancebo com pouco mais de vinte anos? Lá para o cú de Judas, na Guiné-Bissau, para ajudar a prolongar uma guerra injusta e perdida?

Dali só me sobra a saudade da boa sombra do enorme e ancestral "poilão", a experiência da amizade intensa de um bando de rapaziada na luta pela sobrevivência e o prazer de receber estas fotos que o João Lemos me enviou desde Barcelos.

[Não conheço pessoalmente o João, mas as "prendas" que ele me vai enviando, demonstram que experiências muito marcantes estão para além e acima de tudo e conseguem tecer fios de amizade através das distâncias, dos tempos e até das pessoas. É o milagre (por vezes a maldição) da memória.]
Publicado por João Tunes às 11:51
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Terça-feira, 25 de Maio de 2004

COMPLEXO DA CONSPIRAÇÃO

Four_moments_od_The_Restoration.jpg

Também eu hoje tive dificuldades iniciais em aceder aos blogues alojados no blogger com endereço iniciado em www. Nada que não se resolvesse em dois tempos. Daqui até se pensar que se trata de um acontecimento inscrito numa putativa "conspiração" para beneficiar o Pinheiro e prejudicar o Franco, vai a distância entre o bom senso e a real falta dele. Calma, até porque a Carbonária deve ter metido férias para ir à Alemanha ver a Final...
Publicado por João Tunes às 19:58
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MÁ VONTADE CONTRA A CARLYLE

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“Os trabalhadores da GALP admitem avançar para a greve se o Estado perder o controlo da empresa e manifestam grande preocupação sobre o futuro.” (aqui)

Está-se mesmo a ver. Em vez de trabalharem para o sucesso sócio-empresarial de António Mexia, o pessoal da Galp anda mas é a espreitar a Grande Loja e o Jumento. Vão trabalhar, malandros. Deixem a Carlyle em paz, a negociar, a negociar. E se querem ler, leiam o Delgado, o Jornalista Sem Medo (de bajular).

E já agora, oh Carvalhas, além de nos tirares a segurança, ainda queres que fiquemos sem gasosa para metermos nos pópós durante o Euro 2004?
Publicado por João Tunes às 16:15
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DOIS CARENTES NO MESMO PEDITÓRIO

mas-partidos.jpg

O Raposo Antunes aceita e pede sugestões para se decidir em quem votar nas próximas eleições. E depois, para complicar, apresenta argumentos de peso que tornam não recomendável votar em qualquer dos concorrentes. Porque ele é homem de voto, esteja chuva ou esteja sol. Como eu.

Sendo este blogue um dos meus favoritos, uma belíssima companhia que não dispenso, achei que era ingratidão passar-lhe ao lado do apelo.

Pensei, pensei, pensei. E às tantas, após muito pensar (se calhar até de mais que isto do voto deve ter a ver com a razão mas também com o coração), cheguei às mesmíssimas hesitações que o amigo Raposo Antunes. Baralhado estava, mais baralhado fiquei. No mínimo, estou tão baralhado quanto ele.

E, assim, impossibilitado estou de dar conselhos. Mas bem precisado de os pedir. Pelo que junto a minha à voz dele. Em quem votar? Agora, somos dois no peditório. Mas, é claro e por esta banda, Pinheiro ou Franco, não obrigado. Isso é baile mandado. Diferentes no mesmo. Tanto, que só merecem um empate. Quanto ao resto, tudo (quase tudo) em aberto. Talvez o Raposo Antunes obtenha preciosos conselhos e ainda acabe por ser ele a dar-me uma ajuda. Cá fico à espera.
Publicado por João Tunes às 15:51
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NÃO TEM NADA QUE SABER

aguia.jpg

Se houve irregularidades, venham as correspondentes sanções. Se não houve ou a culpa a outros pertence, pague quem prevaricou e/ou quem atirou poeira para o ar. É que não tem mesmo nada que saber. A Lei (pois é, Sed Lex Dura Lex) tem de ser igual para todos. Por causa disto, mais igual do mesmo, é que, para mim, o futebol só dura noventa minutos de cada vez e só existe num rectângulo com onze de cada lado. Cada vez mais. Chega-me e raramente me sobra.

SLB ! SLB! GLORIOSO SLB !

Adenda:

Afinal, efémera glória e esperança vã as dos que entreviram uma hipótese de ganharem na Secretaria o que não conseguiram nos tais noventa minutos em cima da relva. Durou talvez mais que o tempo de uma rapidinha. Já não foi mau.

SLB! SLB! GLORIOSO SLB!
Publicado por João Tunes às 15:06
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UM FANTASMA PARA UMA INUTILIDADE

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Um Congresso sem história nem sumo, precisava de um fantasma para que os congressistas não saíssem dali de mãos a abanar e deprimidos sob o peso da inutilidade de ali terem estado.

A responsabilização do PCP pelos problemas de segurança que venham a existir com o Euro 2004, coelho tirado da cartola por Durão Barroso, seria ridículo se não fosse indigente e gasto.

Primeiro, não passa pela cabeça de ninguém que o PCP tenha uma influência determinante no sindicalismo das forças de segurança. Não saber isto, é da mais cega sociologia.

(neste aspecto, Carvalhas bem pode agradecer a Durão o súbito e inesperado brinde promocional que lhe foi dado a partir de Oliveira de Azeméis)

Nas forças de segurança existem problemas antigos e que se arrastam, reivindicações não satisfeitas, promessas não cumpridas, imperícia negocial. A própria realidade do sindicalismo nas forças de segurança é recente e (parcialmente) alcançado após muitas e fortes resistências. É natural que, agora, duas borbulhas estejam cheias: o desejo dos sindicalistas em recuperarem tempo perdido, haver renitências em negociar com sindicalistas olhados de soslaio.

O facto de haver uma erupção de lutas reivindicativas com calendário apontado para o Euro 2004 era o mais previsível. Ninguém marca lutas ao lado da oportunidade de elas fazerem a máxima mossa. Seria o mesmo que esperar que os motoristas da Carris marcassem as suas greves entre as duas e as cinco da manhã para não perturbarem a vida dos utentes. As necessidades do Euro avulta o papel fundamental das forças de segurança, normal é que eles escolham este momento como ponto máximo de pressão.

Independentemente do que se possa pensar do momento de luta escolhido, os sindicalistas reivindicam e pedem negociações há muito tempo, dizendo claramente que não iam desperdiçar a melhor oportunidade de fazerem valer os seus direitos. O governo conhece as reivindicações e conhece os riscos de a luta se agudizar. Não negociou, devia negociar. Não pode é não negociar e depois chutar as culpas para outro lado. Assim, sujeita-se e sujeita-nos.

Arranjar um bode expiatório, através de um quadro fantamasgórico (o PCP a dominar e manobrar as polícias), é prova de inépcia transformada em fanfarronada. E nada original: há quanto tempo já não se ouve esta mesma música do “perigo comunista”. Ter ido buscar este disco gasto ao arsenal dos argumentos de impacto para dar “vida” a um congresso “morto”, lembrava a poucos. Lembrou a Durão. O homem está cansado.

Bem se sabe que a oposição do PS não incomoda uma mosca. Eles estão a ver a banda passar. Mas, até por isso, Durão bem escusava de se virar para onde se virou.
Publicado por João Tunes às 13:16
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