Terça-feira, 30 de Janeiro de 2007

FUNÇÃO PÚBLICA: NA BOTA E NO JARDIM

000zydes

Diogo Pires Aurélio analisa no DN de hoje o acordo governo-sindicatos verificado em Itália sobre a reforma da administração pública e parte daí para as similitudes dos casos italiano e português. O artigo é certeiro e só incomodará aos cegos que teimem em não querer ver (pesem embora os defeitos decorrentes de qualquer generalização).

 

“O Governo italiano e as centrais sindicais acabam de assinar um protocolo de acordo com vista à reforma do sector público. O texto, que já foi classificado como um "salto de qualidade" pelos responsáveis sindicais, prevê a redução do número de funcionários, a mobilidade alargada a todo o país e a inclusão do mérito como critério para as promoções na carreira.”

”Embora a maioria dos comentários, por razões que se compreendem, valorize o emagrecimento da administração pública, o primeiro-ministro, Romano Prodi, sublinhou antes a necessidade de a modernizar. Em boa verdade, a Itália nem sequer é, no espaço europeu, dos países com maior percentagem de funcionários por habitante. Na moderna e exemplar Finlândia, a percentagem é muito superior e, que se saiba, não há crise. Mas, em Itália, tal como em Portugal, a administração pública é considerada ineficiente e ineficaz. Toda a gente se queixa da má qualidade dos serviços que o Estado fornece, ou era suposto fornecer. O seu custo é desnecessariamente elevado. Os prejuízos que causam nos mais diversos sectores são incalculáveis.”

”Mais do que um problema com o número de efectivos, o que existe em Itália e em Portugal é, por conseguinte, um problema de falta de produtividade da máquina do Estado. E a razão é simples: a administração pública tem sido frequentemente usada, não para aquilo que é a sua razão de ser, mas para reduzir taxas de desemprego, quando não para permitir favores de vária ordem. Enquanto assim for, falar do mérito, para efeitos de entradas e de promoções, ou da avaliação das instituições e dos funcionários, será ignorado ou rejeitado como violência a uma cultura instalada há séculos e que foge a sete pés de tudo quanto seja distinguir o melhor do assim-assim e, deste modo, criar condições para haver liderança, competência e responsabilidade.”

 

O que Diogo Pires Aurélio não referiu, e é o busilis da questão da reforma da administração pública em Portugal comparada com o caso italiano, é que, enquanto em Itália se encontram sindicatos pró-activos a quererem ser parte da solução, em Portugal o sindicalismo é encarado como fonte de neutrões para os cartuchos da luta de classes. E, portanto, subsidiária (alavanca) de uma luta partidária com o objectivo central de substituir a democracia pela revolução. E, sabe-se, a crispação é a mãe das revoluções, incluindo as abortadas. Enquanto as reformas, podendo embora resolver os problemas do país e dignificarem os trabalhadores de uma função pública eficiente e estimada, molham a lenha da lareira bolchevique em que se aquecem os revolucionários por opção e profissão.  

Publicado por João Tunes às 16:10
Link do post | Comentar
liuxiaobo.jpg

j.tunes@sapo.pt


. 4 seguidores

João Tunes

Pesquisar neste blog

Maio 2015

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

Posts recentes

Nas cavernas da arqueolog...

O eterno Rossellini.

Um esforço desamparado

Pelas entranhas pútridas ...

O hino

Sartre & Beauvoir, Beauvo...

Os últimos anos de Sartre...

Muito talento em obra pós...

Feminismo e livros

Viajando pela agonia do c...

Arquivos

Maio 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Junho 2013

Março 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Junho 2012

Maio 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Outubro 2006

Setembro 2006

Agosto 2006

Julho 2006

Junho 2006

Maio 2006

Abril 2006

Março 2006

Fevereiro 2006

Janeiro 2006

Dezembro 2005

Novembro 2005

Outubro 2005

Setembro 2005

Agosto 2005

Julho 2005

Junho 2005

Maio 2005

Abril 2005

Março 2005

Fevereiro 2005

Janeiro 2005

Dezembro 2004

Novembro 2004

Outubro 2004

Setembro 2004

Agosto 2004

Julho 2004

Junho 2004

Maio 2004

Abril 2004

Março 2004

Fevereiro 2004

Links:

blogs SAPO