Domingo, 13 de Outubro de 2013

Contributos para nos percebermos livres

 

Um fim-de-semana dedicado ao(s) "totalitarismo(s)". Em mera coincidência, calhou ir ao cinema ver o inevitável "Hannah Arendt" intercalado na leitura, com impaciência perante as inevitáveis mas arreliadoras interrupções, do deslumbrante "Tudo Passa" de Vassili Grossman (acabado de editar pela D. Quixote). Ou seja, um fim-de-semana à volta de duas geniais tentativas de pensar o "mal radical" (ou "mal extremo" como Arendt acabou por corrigir). Mas se o filme de von Trotta é sobretudo uma reflexão sobre os limites e tropeços das asas libertas do pensamento livre - bem exemplificado com a sugestão da forma como Eichman, no seu julgamento, conseguiu confundir a genial filósofa, mas defendendo-se no filme os riscos (os riscos bons) das ruturas com o dogmatismo -, o espantoso livro de Grossman (para mim, o grande acontecimento literário-político dos últimos cinco anos), passando para o outro lado extremo do leque totalitário, é de uma clareza desarmante que só o silêncio dos censores ideológicos pode derrotar.

 

Muitas vezes os espíritos livres, aqueles que se recusam a conviver com o dogmatismo, se esquecem dos legados de outros que, antes, pensaram e escreveram para alimentar a vontade imanente de liberdade. Entre estes, estão seguramente Arendt e Grossman. A primeira ensinando-nos que vale a pena ser livre até para se errar no processo de tentativas próprio da procura da essência e da verdade. O segundo conseguiu o feito espantodo (e isso, dentro do seu país e há meio século atrás) de tornar claríssima a essência das razões do "mal" mais escondido e silenciado.       

Publicado por João Tunes às 21:02
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